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23 de setembro dia de Padre Pio
Fé, milagres e a celebração de um santo querido pelo povo
No dia 23 de setembro, a Igreja Católica celebra a memória de São Pio de Pietrelcina, mais conhecido como Padre Pio, um dos santos mais populares e venerados do século XX. Sua vida, marcada por profunda espiritualidade, dons místicos e dedicação à confissão e à Eucaristia, continua a inspirar milhões de fiéis em todo o mundo.
Quem foi Padre Pio
Nascido em 25 de maio de 1887, em Pietrelcina, na Itália, Francesco Forgione — seu nome de batismo — ingressou ainda jovem na ordem dos Frades Capuchinhos, recebendo o nome de Pio. Tornou-se sacerdote em 1910 e, poucos anos depois, passou a apresentar os estigmas da Paixão de Cristo, sinais visíveis das chagas de Jesus, que permaneceram em seu corpo por mais de 50 anos.
Além desse fenômeno místico, Padre Pio também era conhecido pelo dom da bilocação, pela leitura das consciências durante a confissão e por sua intensa vida de oração. Ele dedicava horas a fio ao confessionário, orientando e reconciliando milhares de fiéis que o procuravam em busca de paz espiritual.
O legado espiritual
Padre Pio viveu em tempos de grandes transformações sociais e religiosas, mas permaneceu firme em sua missão. Sua frase “Reze, espere e não se preocupe” se tornou um dos conselhos espirituais mais repetidos até hoje, transmitindo confiança e entrega à vontade de Deus.
Ele também fundou o hospital “Casa Sollievo della Sofferenza” (Casa Alívio do Sofrimento), em San Giovanni Rotondo, Itália, considerado um dos mais modernos centros hospitalares da Europa à época, unindo ciência e fé no cuidado aos enfermos.
A canonização e a festa litúrgica
Padre Pio faleceu em 23 de setembro de 1968, deixando um testemunho de santidade e devoção. Sua canonização ocorreu em 16 de junho de 2002, pelo Papa João Paulo II, que o declarou oficialmente santo da Igreja. Desde então, a data de sua morte passou a ser celebrada como sua festa litúrgica: 23 de setembro.
Nesse dia, milhares de fiéis participam de missas, novenas e procissões em sua homenagem, sobretudo em Pietrelcina e San Giovanni Rotondo, locais que guardam sua memória viva.
Um santo próximo do povo
A devoção a São Pio de Pietrelcina atravessou fronteiras e continua crescendo em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde paróquias, capelas e comunidades levam seu nome. Muitos devotos recorrem a ele pedindo intercessão em momentos de dor, doença ou dificuldades familiares.
Padre Pio se tornou símbolo de fé, perseverança e amor ao próximo, sendo lembrado não apenas por seus dons extraordinários, mas sobretudo por sua simplicidade e entrega total a Deus.
Mostra no Museu do Futebol em SP começa nesta sexta-feira (22)
Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil
Naquele 16 de julho de 1950, no Maracanã, a torcida brasileira se calou, incrédula. A seleção do Uruguai venceu o jogo por 2 a 1 e foi campeã da Copa do Mundo, sobre o Brasil. Aquela partida ficou conhecida como Maracanazo e foi também a última vez que a seleção brasileira usou o branco como camisa principal em uma Copa do Mundo.

A partir daí, entrou em cena a Amarelinha, a icônica “camisa canarinho”, de cor amarela. Ela surgiu após um concurso nacional criado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e pelo jornal Correio da Manhã para substituir o uniforme da Seleção Brasileira, que até então era branco.
Um dos requisitos do concurso era que o uniforme tivesse as quatro cores da bandeira nacional. A proposta vencedora foi a de Aldyr Schlee, que sugeriu o uso do amarelo ouro na camisa, com gola e punhos em verde, e o calção azul cobalto. O branco ficou só nos meiões.
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“O Aldyr Schlee, então com 19 anos, um gaúcho desenhista que estudava direito, fez 100 esboços diferentes até chegar à ideia final”, explicou Marcelo Duarte, curador da mostra.
A estreia da Amarelinha se deu no dia 28 de fevereiro de 1954, na vitória de 2 a 0 sobre o Chile, em partida pelas eliminatórias da Copa da Suíça. A estreia em Copa ocorreu em 16 de junho de 1954. E, desde então, esse modelo jamais deixou de ser a camisa número 1 da seleção brasileira.
“E aí a gente começou a perceber que a camisa amarela estava dando sorte. Em 1962, fomos campeões de novo [usando a Amarelinha], explica Duarte.
Ele acrescenta que, com o tempo, essa camisa começou a extrapolar os limites do campo.
“As pessoas passaram a associar aquela alegria do futebol com a coisa da brasilidade ou a algo alegre e festivo. Então, essa camisa virou referência de moda.”
Exposição
Todos os detalhes da história da camisa canarinho podem ser acompanhados no Museu do Futebol, na capital paulista. Em cartaz a partir desta sexta-feira (22), a mostra Amarelinha apresenta 18 camisas de lendários jogadores brasileiros como Sócrates, Rivellino, Ronaldo e Vini Jr.
A exposição recebeu peças emprestadas de cinco colecionadores e está dividida em três eixos: Antes da Amarelinha; Camisa: vestimenta, expressão, documento; e Seleções e Copas. São 18 camisas originais de Copas do Mundo de 1958 a 2022, inclusive a lendária usada pelo Rei Pelé na final da Copa de 1970, contra a Itália, quando o Brasil conquistou o tricampeonato.
A Amarelinha fica em cartaz até 6 de setembro. O ingresso custa R$ 24, mas é gratuito às terças-feiras. Mais informações estão disponíveis no site https://museudofutebol.org.br/.
“A gente sabe que o torcedor ama camisas, adora ver as camisas, ainda mais em uma época de Copa do Mundo. E apesar da politização que tomou conta da camisa amarela durante um tempo, ela é um símbolo do país no mundo inteiro”, frisou Duarte.
Evolução no tecido
Uma das histórias sobre essa camisa, e que agora é contada pelo museu, trata da evolução do tecido, de acordo com a diretora técnica do Museu do Futebol, Marília Bonas.
Ela explica que a camisa foi evoluindo em termos de design, bordado, tecnologia têxtil. “[Há uma evolução] da camisa de algodão, que ficava muito pesada quando chovia, para as mais recentes que, muitas vezes, são feitas para se usar apenas uma vez”, acrescentou a diretora.
Identidade
Quem já a vestiu a camisa canarinho em campo sabe bem o que ela representa. Ainda mais depois de ter sido campeão. Para o ex-jogador Mauro Silva, que representou o Brasil na Copa de 1994, a camisa amarela extrapola as fronteiras brasileiras.
“Essa camisa é um patrimônio não só do futebol brasileiro, mas do mundo porque a admiração por essa camisa transcende o povo brasileiro. Ela virou identificação.”
Às vésperas de mais uma Copa do Mundo, o ex-volante Mauro Silva diz esperar que a atual seleção brasileira continue preservando esse legado. “Minha expectativa é que a seleção honre essa camisa e que essa camisa depois venha aqui para a exposição.”
Em 28 de abril se comemorou o DIA DA CAATINGA. Sim, a Caatinga também tem seu dia e é um tempo de reflexão sobre um dos mais importantes biomas brasileiros.
A Caatinga é o único bioma 100% brasileiro. É também um dos biomas mais povoados (são mais de 20 milhões de brasileiros vivendo nos 850 mil km²) e representa cerca de 11% do território nacional, abrangendo todos os estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais. Nos últimos anos, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio ampliou o número de unidades de conservação federais neste bioma. Para a Caatinga baiana foram repatriados 52 exemplares de ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), que retornaram ao seu lar depois de serem consideradas extintas na natureza.
Um dos biomas brasileiros menos estudados, a Caatinga se estende por dez estados e compreende 10% do território nacional, com 844 mil quilômetros quadrados. É o único bioma encontrado exclusivamente no Brasil e é lembrado geralmente pelo visual na época de seca, quando as árvores perdem as folhas e a mata se torna cinzenta e quebradiça.
A diversidade, a riqueza de espécies e o número de endemismos da Caatinga foram, por muito tempo, considerados baixos. Entretanto, pesquisas recentes demonstram o contrário. São registradas para o bioma, até o momento, 3.200 espécies de plantas, 371 de peixes, 224 de répteis, 98 de anfíbios, 183 de mamíferos e 548 de aves. A Caatinga é o lar da ave com maior risco de extinção no Brasil, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), e de outra espécie ameaçada, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari). Outras aves endêmicas identificadas pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do ICMBio, na Paraíba, são o soldadinho-do-araripe, beija-flor-de-gravata-vermelha, bico-virado-da-caatinga, tem-farinha-aí, zabelê. Na lista de animais endêmicos, há também o sapo-cururu, asa-branca, cotia, gambá, preá, veado-catingueiro, onça, tatu-peba e o sagui-do-nordeste, entre outros.
PARQUES E RESERVA
ECOLÓGICA E SUAS CARACTERÍSTICAS
A Caatinga faz limite com outros três biomas do país, a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. De todos os estados em que ocorre a Caatinga, o Ceará é o que possui maior parte do seu território formado por esse bioma. Segundo o Atlas da Caatinga, da Fundação Joaquim Nabuco, são essas abaixo a unidades de conservação no bioma.

A região da Chapada do Araripe guarda um verdadeiro tesouro geológico: fósseis de animais e vegetais incrustados nas rochas, que ajudam a entender como era a vida na terra há milhões de anos.
GEOPARQUE DO ARARIPE
Com uma área de 3.796 km², criado em 2006, o Parque Geológico do Araripe, localizado no Ceará, é o primeiro parque geológico das Américas reconhecido pela UNESCO. Estende-se pelos municípios de Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri.
PARQUE NACIONAL DO CATIMBAU (PE)
62.294 hectares; Caatinga arbórea, arbustiva, campos rupestres; Chapadas de arenito; degradação
ESTAÇÃO ECOLÓGICA RASO DA CATARINA (BA)
9.977.200 hectares; paisagem homogênea e solos rasos. Criação ilegal de gado pequeno (fundo de pasto); caatinga arbustiva e herbácea.
MONUMENTO NATURAL DO SÃO FRANCISCO (AL, BA, SE)
26.736 hectares; Represa de Xingó; Canions do São Francisco; Caatinga arbórea, arbustiva e rupestre.

PARQUE NACIONAL DAS CAVERNAS DO PERUAÇU (MG)
373.900 km2; 180 cavernas; zona de transição entre Cerrado e Caatinga; há áreas contínuas bem preservadas. (Foto: Maurício Oliveira)
PARQUE NACIONAL DA SERRA DAS CONFUSÕES (PI)
823.843 hectares; Caatinga arbórea, arbustiva, floresta estacional; trechos de transição Caatinga-Cerrado; corredor ecológico ligando à Serra da Capivara

Parque Nacional Serra das Confusões (PI): feições da vegetação Caatinga, com fitofisionomias arbustivas (Foto: André Pessoa)
PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA (PI)
135.000 hectares; Caatinga, Cerrado, Floresta Estacional; 1.223 sítios arqueológicos e cavernas; 173 sítios abertos à visitação.
PARQUE NACIONAL CHAPADA DIAMANTINA (BA)
152.000 hectares; Caatinga, com áreas de Cerrado e de Mata Atlântica; cavernas, fontes, cachoeiras; relativamente conservada; tradicional zona de mineração de ouro e diamante.
PARQUE NACIONAL SERRA DE ITABAIANA (SE)
Agreste; resquícios de Mata Atlântica; Caatinga; restos de cerimônias religiosas de afrodescendentes são fonte de poluição.
PARQUE NACIONAL SETE CIDADES (PI)
3.600 hectares; transição Cerrado-Caatinga; formas de pedra causadas pela intempérie.
PARQUE NACIONAL DE UBAJARA (CE)
6.288 hectares; Gruta de Ubajara, a segunda maior do Brasil; 14 grutas ou cavernas; ambiente de Mata Atlântica e Caatinga; bom estado de conservação.

Cachoeira do Cafundó, no Parque Nacional de Ubajara (Foto: Maristela Crispim)
ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE AIUABA (CE)
11.525 hectares; Caatinga arbórea; bom estado de conservação; cercada
Estação Ecológica do Seridó (RN) 1.123 hectares; Floresta Seca Arbustiva, Arbórea.
RESERVA BIOLÓGICA SERRA NEGRA (PE)
1.044 hectares; característica fisiográfica de vegetação de Floresta Atlântica; Brejo de Altitude; local de práticas religiosas de tribos indígenas; bom estado de conservação

Espécies da flora do bioma Mata Atlântica presentes na Reserva Biológica Serra Negra (Foto: Cid Barbosa)
PARQUE NACIONAL DA FURNA FEIA (RN)
8.517 hectares; 514 cavernas; Caatinga
OUTROS PARQUES E RESERVAS
Para ampliar a conservação da biodiversidade da Caatinga, o ICMBio criou ainda três unidades de conservação federais: a ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) BOQUEIRÃO DA ONÇA, O PARQUE NACIONAL BOQUEIRÃO DA ONÇA e O REFÚGIO DE VIDA SILVESTRE DA ARARINHA-AZUL, todas na Bahia.
A criação da APA e do Parque Boqueirão da Onça, que juntas têm quase 9.000 km², foi fundamental na proteção das onças-pintadas. No Brasil, a onça-pintada vive em diversos biomas, mas é na Mata Atlântica e na Caatinga que a espécie está mais ameaçada, sendo considerada criticamente em perigo de extinção.
POLÍTICA DE CONSERVAÇÃO DA CAATINGA

O economista Antônio Rocha Magalhães explica que é preciso recuperar as terras da Caatinga que já foram degradadas ou desertificadas
Para o economista Antônio Rocha Magalhães, ex-secretário de Planejamento do Ceará, é absolutamente necessário que se tenha uma política de conservação da Caatinga, se queremos que a capacidade produtiva nesse bioma seja mantida ou aumentada para uso-fruto dos nossos descendentes. E acrescenta Rocha Magalhães: “Uma política de conservação da Caatinga tem, pelo menos, três dimensões”:
1 – É preciso recuperar as terras que já foram degradadas ou desertificadas
2 – É necessário que o uso da terra, da água e da biodiversidade seja feito de forma sustentável, de modo a não reduzir a capacidade produtiva
3 – Uma parte do bioma precisa ser mantida em reservas florestais de vários tipos: de proteção total, de conservação ou de uso sustentável, com a finalidade de preservar caatingas originais, beneficiar as atividades científicas e educativas e proporcionar condições adequadas para a biodiversidade e a vida animal.

Conhecido como Corrupião ou Sofrê, pássaro que era endêmico na Caatinga, já migrou para outros biomas. (Foto: Cristine Prates)
Para ampliar a conservação da biodiversidade da Caatinga, há dois anos o ICMBio criou três unidades de conservação federais: a ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) BOQUEIRÃO DA ONÇA, O PARQUE NACIONAL BOQUEIRÃO DA ONÇA e O REFÚGIO DE VIDA SILVESTRE DA ARARINHA-AZUL, todas na Bahia. A criação da APA e do Parque Boqueirão da Onça, que juntas têm quase 9.000 km², foi fundamental na proteção das onças-pintadas. No Brasil, a onça-pintada vive em diversos biomas, mas é na Mata Atlântica e na Caatinga que a espécie está mais ameaçada, sendo considerada criticamente em perigo de extinção.
PETER LUND (Parte 4)
Miguel Flori Gorgulho e Silvestre Gorgulho
Desde 1835, instalado definitivamente na sua casa-laboratório em Lagoa Santa, Peter Lund pesquisava centenas de grutas no vale do rio das Velhas e enviava, anualmente, para a Dinamarca suas memórias, amostras e estudos. Nessa época, Lagoa Santa tinha apenas 60 casas. Em 1862, morre seu amigo Peter Brandt, um luterano que não queria um enterro católico. Então, Peter Lund comprou terreno para fazer um cemitério protestante para receber o corpo de Brandt. Peter Lund evita temas políticos e começa a receber cientistas e viajantes, além de ministrar aulas. Importante: cria uma banda de música para a Corporação Musical de Santa Cecília, ainda hoje em atividade.
A morte de Brandt, em 1862, desfaz, por um tempo, a associação da dupla que era muito importante para Doutor Lund, tanto emocional, científica como economica. O luterano Peter Andreas Brandt não queria um enterro católico e Lund compra um pequeno terreno, que se tornou o cemitério protestante de Lagoa Santa, para receber o corpo de Brandt. Ao lado da sepultura, Peter Lund plantou um pequizeiro (Caryocar brasiliensis), a árvore preferida de Brandt. Em seus passeios diários, Lund costumava se sentar e meditar no local, até se reunir definitivamente a Brandt em 1880. Hoje o antigo cemitério é um parque em sua memória.
AULAS, MÚSICA E MÉDICO POPULAR
Peter Lund vira uma pessoa popular e reverenciada pela comunidade
Peter Lund gostava de ministrar aulas e até criou uma banda de música para a Corporação Musical de Santa Cecília. Cuidava com carinho de seu quintal e travava uma guerra constante contra as saúvas. Declara em uma carta: “Procuro fazer minhas condições tão confortáveis e agradáveis quanto possível, e desenvolver os recursos que o lugar oferece, e que são compatíveis com minha saúde. Ademais, meu quintal, pelo qual sempre tive paixão, é minha ocupação e recreação principais”.
A centenária Corporação Musical Banda Santa Cecília é uma das principais manifestações que compõe a memória e a identidade cultural de Lagoa Santa. Com 184 anos, fundada por Peter Wilhelm Lund, em 1842, é composta por instrumentos de sopro como flautim, flauta, clarinetes, saxofones, trompetes, trompas, trombones e tubas, que são acompanhados por instrumentos percussão. Ela continua sendo um elo vivo entre o passado e o presente simbólico de Peter Wilhelm Lund.
Além da participação cultural, suas atividades como médico popular fazem dele a figura paternal e protetora na comunidade. Ele receita remédios simples, orienta e socorre as pessoas em seus apertos circunstanciais de falta de dinheiro. Por isso é reverenciado até hoje em toda a região, 146 anos depois de sua morte.

A Corporação Musical Santa Cecília é um elo vivo entre o passado e o presente simbólico de Peter Wilhelm Lund.
OS ESTUDOS DE UM SÁBIO ERMITÃO
Desde 1835, instalado definitivamente na sua casa-laboratório em Lagoa Santa, Peter Lund pesquisava centenas de grutas no vale do rio das Velhas e enviava, anualmente, para a Dinamarca suas memórias, amostras e estudos. Todo seu acervo era publicado e lido em reuniões da Real Academia Dinamarquesa. Este acervo encontra-se hoje no Museu da Universidade de Copenhague. Os estudos feitos por Lund foram citados por Darwin no livro Origem das Espécies (1854).
Em 1849, Lund enviou suas últimas caixas de amostras coletadas. Pensava em voltar para a Europa, mas nunca o fez. Encerra suas atividades de pesquisa passando a viver em Lagoa Santa como um sábio ermitão silencioso, amigo do povo e da banda de música local e sustentado pelo seu patrimônio familiar. Sua casa era referência obrigatória para qualquer naturalista-viajante que passasse pelas Estradas Reais de Minas.
Em 25 de maio de 1880, aos 79 anos, morre. O corpo de Lund é sepultado em cemitério particular por ele comprado e murado. Juntamente com ele, estão sepultados, em Lagoa Santa, alguns amigos e colaboradores: um suíço, um alemão e um norueguês. Peter Lund tem um legado fantástico e é um testemunho da internacionalidade da ciência.
Em Belo Horizonte, os museus de História Natural da UFMG e da PUC expõem informações sobre a paleontologia e dados sobre a vida de Peter Lund.
BOA NOITE, DOUTOR LUND!
Por Carlos Drummond de Andrade (*)
Cuidado, Dr. Peter Wilhelm Lund, que dorme em seu último sono em Lagoa Santa: previno-lhe que seu repouso eterno corre perigo.
A região em que o senhor viveu, pesquisou e estabeleceu os fundamentos da Paleontologia Brasileira está sendo varrida pelo ciclone do desenvolvimento-acima-de-tudo, que promete acabar com as suas grutas, os seus fósseis e toda a pré-história nacional.
A exploração de calcário para fabrico de cimento vai arrasar as maravilhosas formações naturais que compuseram o cenário definitivo de sua vida. Amanhã, quem sabe? Esgotados os depósitos de matéria-prima, o senhor mesmo será tecnicamente classificado como calcário de 2º grau, e do seu jazigo inscrito nos livros do Patrimônio Histórico do Brasil se fará uma fornada de cimento para novas torres redondas na Barra da Tijuca.
De resto, sei que não adianta meu aviso, sei que não adianta impedir a transformação da paisagem em cimento. Temos que viver o nosso tempo, ou, mais corretamente, morrer o nosso tempo. Quem falou aí em preservar os traços deixados pelo homem primitivo, como tarefa de sumo interesse para a compreensão da vida? Esse perdeu o seu latim – o mesmo latim de que o senhor se serviu para identificar o seu megatherium, o seu chlamidotherium, o seu glyptodon. Pois o próprio latim não acabou, no quadro da cultura geral?
Desculpe, meu sábio venerando, este chamado importuno, que nem sequer deve tê-lo acordado. Certamente já o acordara antes o tonitrom dos tratores incumbidos de devastar o solo, a vegetação e toda lembrança do mundo imemorado. A esse som nada musical sucederá outro, que o manterá desperto: o das britadeiras funcionando em ritmo de Brasil grande e apressado. O senhor perdeu o direito à paz, como de resto nós todos o perdemos, e as próprias máquinas. Fique aí quietinho em seu túmulo, enquanto se anuncia para meados de 1975 o desaparecimento da Lapa Vermelha, ou Lapinha, que era a menina-dos-seus-olhos…
A Lapinha, sabe? Que vinha sofrendo a agressão dos namorados, dos torcedores de futebol, dos fotógrafos de Manchete, que nela rabiscavam inscrições bobas ou que revestiam de óleo suas pinturas, para melhor efeito de cores das reproduções, enquanto os afeitos a souvenirs furtavam lascas de estalactites e estalagmites, para se gabarem de ser proprietários de esculturas da natureza. Esse pessoal executou os serviços preliminares de desbastamento da área. Vem agora a fase sistemática de desintegração plena da Lapinha, aquela mesma em cujo recinto sombrio e rico de mistérios telúricos o senhor passeou e meditou, no itinerário do sonho para a ciência.
Prometo versejar uma elegia, quando tudo estiver consumado. É só o que posso fazer, em honra da caverna clássica e do sábio que a indicou ao zelo das novas gerações, cuidando que, no futuro, suas investigações teriam prosseguimento, e que ali se instalaria um mutirão de pesquisadores ávidos de descobrir os enigmas da Terra e do Homem.
Daqui a seis anos, sabe? Passará o centenário da morte do senhor. Podemos conjeturar que até lá sua morte se desdobrará e multiplicará na morte das grutas. Então, na rasa planície, extinto o eco dos tratores, britadeiras e esteiras transportadoras de calcário, memória não haverá nem do senhor nem dos grupos alegres de turistas que começaram a demolir as criações da natureza para que outros completassem a obra.
É possível que, no silêncio, ouvido mais apurado ouça aquela música sem som que se filtra entre o vazio e a ruína, a música do nada. Teremos chegado à perfeição do não-existente, àquele estado de não-ser, que até a morte se distancia. E nessa música irreal se perceberá a vaga exalação de um responso: Minas Gerais vendeu sua alma ao desenvolvimento, e deu de pinga sua pré-história.
(*) “Boa-noite, Dr. Lund.” Crônica de Carlos Drummond de Andrade, publicada no Jornal do Brasil em 12/03/1974
O HOMEM DE LAGOA SANTA
LONGA-METRAGEM SOBRE PETER LUND
O filme reproduz a trajetória do naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund, que fez extraordinárias escavações em grutas calcárias no vale do Rio das Velhas e cujas pesquisas abriram caminho para Charles Darwin dar prosseguimento à teoria da Origem das Espécies.
Em 2013, Renato Menezes concluiu a produção do filme, mas faleceu em 2014. Antes disso, felizmente, ele chegou a realizar o sonho de exibir o filme em Lagoa Santa para uma plateia de 300 pessoas que lotaram o auditório da Escola Municipal Dr. Lund.

Longa-metragem foi roteirizado e dirigido pelo belo-horizontino Renato Menezes, falecido em 2014.

Apaixonado pela história de Lagoa Santa e admirador confesso de Peter Lund, o cineasta mineiro, Renato Menezes, foi diretor e roteirista do longa sobre o Paleontólogo dinamarquês Peter Lund. O ator Chico Aníbal interpretou as cenas ficcionais do filme.

Esta biografia em quadrinhos conta como o patrono da paleontologia no Brasil, Peter Wilhelm Lund, deixou uma vida confortável na Dinamarca e veio parar em Lagoa Santa, onde realizou descobertas incríveis, escavando as grutas do cerrado de Minas Gerais. Autoria: Piero Bagnariol, Gabriel Lucas e Yuri Alves.
MUSEU PETER LUND
O Museu Peter Lund compreende todo o Parque do Sumidouro, onde foi construída a sede ao lado da Gruta da Lapinha. No local estão reunidos 82 fósseis descobertos por Lund, no século 19, durante suas pesquisas na região de Lagoa Santa.

Endereço: Rodovia AMG 115 KM 06 / Estrada Campinho – Lapinha –
LAGOA SANTA – MG – Funciona de terça a domingo Horário: 9h às 16h30.

PRÓXIMA EDIÇÃO 387 – junho/2026 –
GRUTA DE MAQUINÉ.
O MUNUMENTO NATURAL ESTADUAL PETER LUND, pelo decreto número 44.120 de 29 de setembro de 2005. Com 650m de extensão, Maquiné tem uma entrada imponente e, lá dentro, estalactites e estalagmites formam figuras majestosas, com “cristais” brilhando em formato de franjas, grinaldas e lustres.
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