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Território, diálogo e cuidado: a Educação Ambiental no ICMBio

No Dia Mundial da Educação Ambiental, 26 de janeiro, experiências nas unidades de conservação federais revelam como a formação vai além de palestras e campanhas

 

Atividade de Educação Ambiental envolve moradores em ação formativa em Unidade de Conservação: Foto: Divulgação/NGI Cuniã-Jacundá

“Oambiente não precisa de nós, nós é que precisamos dele.” 

–  Nêgo Bispo  

Muito além de falar sobre reciclagem ou entregar panfletos, a Educação Ambiental envolve disputas de território, poder e modos de vida. Inspirada em uma perspectiva crítica, ela se afirma como prática política, coletiva e continuada, especialmente em espaços como as unidades de conservação (UCs) federais. No Dia Mundial da Educação Ambiental (26), evidenciamos experiências desenvolvidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as quais demonstram que, além de educar sobre o meio ambiente, o importante é dialogar com os territórios e com as pessoas que neles vivem, em todas as faixas etárias. 

Nas UCs, a Educação Ambiental acontece no dia a dia da gestão e das relações construídas com as comunidades do entorno, para que elas não só conheçam, mas compreendam a importância dessas áreas protegidas, tenham um olhar mais atento para as questões socioambientais e se envolvam em atividades de proteção do meio ambiente.  

“O diálogo é a chave para qualquer prática educativa e precisa ser exercitado nos diferentes momentos e espaços da gestão”, indica Alex Bernal, coordenador da  COEDU 

O espaço mais privilegiado para isso é o Conselho das UCs – espaço em que diferentes sujeitos podem debater conflitos e construir encaminhamentos coletivos. Nesse sentido, o ICMBio amplia a participação social na gestão das unidades e fortalece a legitimidade das decisões, especialmente em contextos marcados por desigualdades históricas e pela invisibilização de determinados grupos sociais. 

Ao reconhecer que o conhecimento não se limita ao saber técnico-científico, as ações de Educação Ambiental do ICMBio buscam valorizar os saberes construídos pelas comunidades locais e povos tradicionais. Ainda que muitas vezes invisibilizados na esfera pública, Bernal, coordenador de Educação Ambiental e Formação Cidadã do Instituto (COEDU), afirma que “esses sujeitos são detentores de conhecimentos igualmente importantes para a conservação ambiental, motivo pelo qual precisam ser ouvidos e inseridos nos processos e instrumentos da gestão ambiental pública”.   

Ainda segundo o coordenador, “educadoras e educadores ambientais do ICMBio e demais sujeitos que se colocam nesse desafio de organizar práticas de educação ambiental nas UCs têm consciência de que a educação não é neutra, mas sim política”. É a partir dessa ideia que a Educação Ambiental nas UCs contribui para fortalecer o protagonismo coletivo e a participação das comunidades na gestão do território. 

Confira alguns exemplos de ações realizadas pelo ICMBio nas UCs: 

Pesquisa e Conservação da Bonnetia neblinae: Urihi a Aherua Maçarandubinha temi temi: troca de saberes com os Yanomami 

Desenvolvido pelo Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Pico da Neblina, no Amazonas, o projeto articula ações de conservação de uma espécie vegetal ameaçada de extinção com a participação efetiva do povo Yanomami. A iniciativa promove a reflexão conjunta sobre os riscos de degradação da maçarandubinha (Bonnetia neblinae), considerando tanto as especificidades ecológicas da planta quanto elementos do sistema de conhecimentos Yanomami. Ao integrar pesquisa científica e saberes tradicionais, o projeto se consolida como um exemplo de Educação Ambiental que valoriza a troca de conhecimentos e reconhece o território como espaço de aprendizagem e cuidado. 

Juventude Extrativista do Lago do Cuniã  

O projeto, realizado pelo NGI ICMBio Cuniã-Jacundá, de Rondônia, busca fortalecer os modos de vida tradicionais e a conservação da biodiversidade na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, a partir do protagonismo da juventude. Por meio de encontros formativos, intercâmbios e outras ações de Educação Ambiental, a iniciativa incentiva a participação dos jovens na gestão da unidade e nos espaços de decisão comunitária, contribuindo para sua permanência no território e para o fortalecimento da governança socioambiental local. 

Oficina do projeto registra saberes Yanomami por meio de desenhos antes da expedição. Foto: Divulgação/ NGI Pico da Neblina Jovens da Resex Lago do Cuniã participam de atividade formativa sobre território e gestão. Foto: Divulgação/NGI Cuniã-Jacundá

Pesca Legal: ajustando as redes para uma pesca sustentável 

Desenvolvido pelo NGI ICMBio São Luís, no Maranhão, o projeto promove ações de Educação Ambiental voltadas à pesca nas reservas extrativistas Arapiranga-Tromaí, Itapetininga e Baía do Tubarão. A iniciativa dialoga com pescadores e comunidades locais sobre a legislação pesqueira, buscando o ajuste de condutas, o mapeamento de conflitos e a construção de acordos de pesca, além de fortalecer a organização social e a atuação dos conselhos gestores na gestão dos territórios. 

Outras atividades 

Desde 2023 o ICMBio vem retomando forças no trabalho de Educação Ambiental. Foi em 2024, com a recriação da COEDU, que as atividades ganharam recuperaram o fôlego. Entre as iniciativas, estão a retomada dos cursos de formação em Gestão Socioambiental; o fomento a projetos de Educação Ambiental nas UCs; a elaboração de cursos à distância voltados a territórios tradicionais e a estruturação de um programa nacional de Educação Ambiental para juventudes de povos e comunidades tradicionais. Também integram esse processo o apoio a iniciativas como a Escola das Marés e das Águas;o reconhecimento dos mestres de saberes e a recriação da Coordenação de Educação Ambiental e Formação Cidadã (COEDU), sinalizando a reconstrução de uma política que articula conservação, justiça social e participação popular. 

Comunidades participam de ação do projeto Pesca Legal sobre pesca sustentável. Foto: Divulgação/NGI São Luís Comunidades constroem cartazes em ação educativa do projeto Pesca Legal. Foto: Divulgação/NGI São Luís

Comunicação ICMBio 

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Iniciativa aposta no protagonismo social em escolas de Petrópolis

Projeto pode alcançar até 1,8 mil alunos de escolas públicas

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Alice Rodrigues*

Cerca de 100 alunos de escolas públicas da região do Alto da Independência, em Petrópolis, estão participando de um projeto educacional que busca estimular a ação e a cooperação de crianças e adolescentes em suas comunidades.

O projeto conta com três frentes principais: educação ambiental; leitura e escrita; e estímulo criativo.

A iniciativa se baseia na autonomia dos estudantes para pensar e desenvolver ações práticas com o auxílio de professores. A primeira fase do projeto, que teve início no dia 10 de março, é voltada para três turmas. A expectativa é que o projeto alcance até 1,8 mil alunos.

O idealizador da iniciativa, Victor Prado, enxerga no programa uma oportunidade de ampliar a perspectiva dos jovens sobre temas normalmente estigmatizados.

“Sustentabilidade não é custo, é oportunidade, assim como os games. Mas, antes de tudo, é fundamental que os estudantes se enxerguem como capazes e saibam comunicar suas ideias, daí a importância da leitura e da escrita diante das ferramentas digitais”, disse.

Prado conta que o projeto surgiu a partir de anos de atuação com escolas públicas, sem perder de vista discussões atuais sobre tecnologia na educação.

 

28/04/2026 - Iniciativa aposta no protagonismo social em escolas de Petrópolis. O idealizador da iniciativa, Victor Prado, enxerga no programa uma oportunidade de ampliar a perspectiva dos jovens sobre temas normalmente estigmatizados.  
Foto: Divulgação/Leia Brasil
 O idealizador da iniciativa, Victor Prado, enxerga no programa uma oportunidade de ampliar a perspectiva dos jovens sobre temas normalmente estigmatizados. Foto: Divulgação/Leia Brasil

Atividades

A primeira parte do projeto é o Desafio Verde, plano de educação ambiental que aposta em oficinas, dinâmicas colaborativas e mobilização comunitária para transformar os estudantes em protagonistas de soluções socioambientais no território.

A segunda parte, Vozes do Alto, voltado à leitura, escrita e produção de conteúdo, convida os jovens a observar o lugar onde vivem e transformar experiências locais em narrativas autorais.

Já a última, Arquitetura de Games, apresenta os jogos como linguagem cultural, campo tecnológico e porta de entrada para temas como criatividade, design, trabalho em equipe e caminho profissional.

Criador de conteúdo sobre games há mais dez anos no YouTube e residente do Alto da Independência, Samuel Barros é professor do projeto e um dos responsáveis pelo “Torneio Intercolegial de Games”. Ele conta que o engajamento dos alunos foi uma grata surpresa.

“No princípio, eu pensei que apenas o projeto de games seria o que mais despertaria interesse dos alunos, porém, os três projetos foram muito bem recebidos”, disse.

“Apesar de darmos recompensas para os projetos mais criativos apresentados, nós percebemos que o interesse deles pelo projeto está muito além de quererem receber algo em troca. Isso foi uma das coisas que mais me chamou atenção”, completou.

Duas escolas fazem parte da iniciativa, a Escola Municipal Alto Independência e o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Santos Dumont. Segundo Victor Prado, a intenção é abrir novas turmas ainda na próxima semana por conta da demanda dos alunos.

 

28/04/2026 - Iniciativa aposta no protagonismo social em escolas de Petrópolis. Foto: Divulgação/Leia Brasil
Iniciativa aposta no protagonismo social em escolas de Petrópolis. Foto: Divulgação/Leia Brasil

Participação estudantil

Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2025 revelou que quatro em cada dez estudantes brasileiros apontam que as aulas práticas são necessárias para uma “escola do futuro”.

De acordo com 41% dos alunos do 6º e 7º ano, e 39% dos alunos de 8º e 9º, elas são tão importantes quanto práticas esportivas. Destaque também para as atividades que envolvem tecnologia e mídias digitais.

Os dados integram o Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, que reúne a visão de 2,3 milhões de jovens de todos os estados e é realizado pelo MEC, em parceria com o Itaú Social, o Consed e a Undime.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.

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Selecionado para participar de programa na Suíça, professor de escola pública do DF é recepcionado com festa na volta

Felipe Lemos, que leciona física no Centro Educacional do Lago (CEL), foi conhecer o maior acelerador de partículas do mundo; experiência deve estimular alunos e outros docentes

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Fernando Jordão, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira

Famosa pelos Alpes, chocolates e relógios, a Suíça também é lar de muito conhecimento e tecnologia. É no pequeno país europeu que está o maior acelerador de partículas do planeta, o Grande Colisor de Hádrons (LHC), na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern). E um professor da rede pública do Distrito Federal teve a chance de conhecê-lo pessoalmente. Felipe Lemos, que leciona física no Centro Educacional do Lago (CEL), no Lago Sul, foi escolhido para representar o DF em um programa que levou docentes de todo o país para o Cern. Nesta quarta-feira (29), ele retornou à escola com uma recepção especial.

“O Cern é um sonho dos físicos, é talvez o laboratório mais avançado do mundo. Eu me inscrevi, deu certo e foi muito interessante, porque a gente se aprofundou no funcionamento do acelerador de partículas. Então, eu tive a oportunidade de estudar mais a fundo um tema que é parte do currículo, física de partículas, mas que ainda é pouco divulgado no ensino médio, pouco discutido”, contou Felipe Lemos.

Segundo o professor, a experiência vai contribuir para o dia a dia em sala de aula, não apenas nos conhecimentos sobre física, mas na ideia de que, estudando, é possível chegar longe. “Acho que fica como um exemplo de que o estudo e a ciência podem te levar a lugares que talvez você nem imaginou”, afirmou.

Os estudantes já captaram essa percepção. “Tenho aula com o professor Felipe desde o meu 1º ano, e ele sempre foi um professor que focou em nos ensinar algo muito além da física. Então, sempre foi algo que ajudou a nos formar como cidadãos, como alunos, e com certeza essa bagagem internacional vai agregar pontos inimagináveis para o CEL. Quando a gente volta do exterior, e eu sei por experiência própria, a gente volta muito mais evoluído”, apontou Giovanna Borba, 17 anos, aluna do 3º ano, que participou da primeira edição do programa Pontes para o Mundo.

 

“Saber que um professor foi [para o exterior] me motiva muito. Se ele foi, significa que a gente pode conseguir também. Ele pode explicar o que a gente precisa saber, porque tem muita gente que fica insegura sobre ir, mas ele nos traz essa segurança por já ter ido”, emendou Ana Clara Rodrigues, 16, estudante do 1º ano que sonha participar do Pontes para o Mundo.

Felipe Lemos: “Acho que fica como um exemplo de que o estudo, a ciência podem te levar a lugares que talvez você nem imaginou”

E a experiência de Felipe Lemos pode ainda ser um estímulo para outros docentes. “A gente é uma escola bilíngue, então tem essa valorização de experiências internacionais, e dentro do Brasil também. Então, só a possibilidade de ele ir já foi uma coisa que inspirou os professores a ficarem de olho em programas, em editais”, ressaltou o diretor do CEL, Vitor Rios.

“Para nós, é motivo de muito orgulho, porque a gente vê um professor nosso, da rede pública, que está procurando, que está buscando se qualificar e ter experiências que aprofundem o seu conhecimento. É uma oportunidade, inclusive, para a gente estimular outros profissionais. Quando um professor se habilita, a gente tem certeza de que isso vai repercutir, que vai voltar nas nossas escolas”, arrematou a secretária de Educação, Iêdes Braga.

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Sessão solene celebra aniversário do Comando Militar do Planalto e da 11ª Região Militar

Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Militares, durante cerimônia no Comando Militar do Planalto: papel fundamental na garantia da ordem constitucional

 

A Câmara Legislativa promove, na próxima segunda-feira (4), sessão solene em comemoração ao 66° aniversário do Comando Militar do Planalto (CMP) e da 11ª Região Militar. De autoria do deputado Jorge Vianna (DEM), o evento ocorrerá no plenário da Casa, a partir das 14h30, e será transmitido ao vivo pela TV Câmara Distrital.

Para Jorge Vianna (foto), o CMP tem desempenhado “papel fundamental na garantia da ordem constitucional, na defesa das instituições democráticas e na proteção dos Poderes da União, sendo merecedor do reconhecimento solene desta Casa Legislativa”.

Ainda de acordo com o parlamentar, a trajetória do CMP é indissociável da própria história de Brasília: “Seu embrião foi um aquartelamento de madeira erguido em 1958, próximo ao Palácio da Alvorada, que passou a dotar a nova Capital de contingente militar capaz de atender às demandas de segurança e defesa do governo federal em implantação no Planalto Central. Em 25 de abril de 1960, apenas quatro dias após a inauguração de Brasília, foi criado o Comando Militar de Brasília e 11ª Região Militar, precursor direto do atual CMP”.

 

Carlos Gandra/Agência CLDF

 

História

No final da década de 1950, com a transferência da Capital Federal para Brasília, tornou-se necessária a presença do Exército no Planalto Central para garantir a segurança do governo federal. Em 1958, um aquartelamento provisório próximo ao Palácio da Alvorada sediou a primeira Organização Militar na nova Capital, dando origem ao atual Comando Militar do Planalto (CMP).

Em 1960, foi criado o Comando Militar de Brasília e a 11ª Região Militar (11ª RM), com jurisdição sobre o Distrito Federal, Goiás e o Triângulo Mineiro. Em 1969, foi instituído o CMP, com sede em Brasília.

Com a criação do Estado do Tocantins, em 1988, a área de responsabilidade do CMP foi ampliada. Em 1994, a 11ª RM tornou-se novamente autônoma. Em 2013, com a criação do Comando Militar do Norte, houve nova reorganização das áreas de atuação, mantendo-se o atual arranjo.

Mario Espinheira – Agência CLDF

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