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AL Gore, mensageiro da agonia

A mensagem do filme e o livro “Uma Verdade Inconveniente” está mexendo com a consciência das pessoas. Al Gore pode ter perdido as eleições nos EUA, mas como jornalista e político fez seu melhor trabalho

Silvestre Gorgulho, de Brasília


Os Estados Unidos são muito mais do que um país. Os EUA são metade do mundo. Em produção e consumo. Os EUA significam força, democracia, poder, liberdade e progresso. Derrotou o fascismo, o comunismo, revolucionou a economia e a medicina. Inventou a bomba atômica, colocou o homem na Lua, uma nave em Marte e é o senhor absoluta da guerra e da paz. Mas tantas conquistas tiveram um preço: suas intervenções na natureza para satisfazer sua população e seu gigantismo alteraram profundamente a vida no planeta. Apenas os Estados Unidos são culpados por tantos impactos ambientais no mundo? Não! Por ser o mais poderoso e a maior economia mundial, os Estados Unidos são apenas os mais responsáveis. Mas, os Estados Unidos são um país tão fantástico que produziu também o messias e, hoje, a maior liderança contra os males ambientais que afligem o planeta: o ex-senador, ex-vice de Bill Clinton e candidato derrotado por Bush na polêmica eleição de 2001, o democrata Al Gore. O filme e o livro “An Inconvenient Truth” – Uma Verdade Inconveniente – ressuscitou politicamente Al Gore, que assumiu com todos os riscos a missão de salvar a Terra. Hoje, Albert Arnold Gore Jr é a peça fundamental que pode fazer seu país passar de vilão a herói, desde que seus 300 mil compatriotas façam a lição de casa e reconheçam, definitivamente, verdades inconvenientes: a poluição, o desperdício e o aquecimento global são os maiores inimigos da humanidade.


O FILME – Ao contrário do filme Um Dia Depois de Amanhã (R. Emmerich/2004) Uma Verdade Inconveniente não é ficção. Não tem efeitos especiais. As pesquisas, as histórias e as cenas são reais. O filme, poderia dizer, é uma palestra com todos os recursos da informática. É um power point  já indicado para vários prêmios cinematográficos. Extremamente didático, o filme motiva e deixa lições importantes. É um curso intensivo de educação ambiental. Al Gore fez o filme em parceria com Lawrence Bender, produtor de quase todos os filmes de Quentin Tarantino, como “Cães Danados”, “Pulp Fiction” e “Kill Bill”. A direção é de Davis Guggenheim.
O livro, lançado uma semana depois do filme, já está entre os mais vendidos no mundo, no item não-ficção. O filme-documentário dura 1h40m, prende a atenção  e deixa uma mensagem ambientalista na cabeça de todos expectadores. Basta ir com o espírito de assistir a uma aula ou a uma palestra de alto nível. Tem muita gente que leva até bloquinhos de papel para tomar nota. O filme de Al Gore já está na lista das 15 obras pré-selecionadas pela Academia de Hollywood para o Oscar.


AL GORE – Dois personagens importantes na vida de Al Gore. Primeiro seu pai,  Albert Gore, que foi senador e o introduziu na política. Depois seu filho, Albert III, que sofreu um acidente aos seis anos, em 1989, e ficou  entre a vida e a morte. O atropelamento do filho mexeu com sua cabeça. A partir daí, nasceu sua porção humanista, no sentido de cuidar mais da família, das futuras gerações e das causas ambientais. Sobretudo inverter o processo acelerado de aquecimento global.
Vida política – A vida política do pai influenciou o filho. Al Gore foi candidato e eleito para deputado aos 28 anos. Ocupou a cadeira no Congresso até 1984, quando foi eleito senador. Chegou a concorrer, em 1988, às primárias pelo partido Democrata. Perdeu para Michael Dukakis. Mas os Republicanos ganharam de forma arrasadora com a reeleição de Ronald Reagan. Ficou senador até ser convidado por Bill Clinton para ser seu vice-presidente.
Participou, como senador, da RIO-92, a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro, em 1992, quando criticou duramente a administração de George Bush – o pai – por não ter conseguido colocar os EUA na liderança das causas ambientais, por não ter assinado o Tratado da Biodiversidade e, pior, por lutar ativamente contra os avanços ambientais. Tudo isto está no seu primeiro livro A Terra à Procura de Equilíbrio:  “… o que desapontou a atuação do presidente Bush no Rio de Janeiro foi que ele não conseguiu reconhecer este grande desafio moral e ficou surdo perante o grito de ajuda que o mundo enviou aos Estados Unidos”.


Day after – Qual será o “day after” do filme Uma Verdade Inconveniente? A primeira consequência: na visão de muitos cientistas, ambientalistas e de grande parte da população estadunidense é que na eleição e reeleição Bush (2001 e 2006) o grande derrotado foi o planeta. E não foi porque até hoje os EUA não assinaram o Protocolo de Kioto. Foi porque a administração Bush só valorizou o comércio e a indústria, sobretudo de petróleo e a guerra. E acabou com vários compromissos ambientais.
O fato de 221 cidades de 39 Estados dos EUA terem assumido por conta própria medidas para redução das emissões de gases de estufa e o país até hoje não ter assinado o Protocolo de Kioto é algo que incomoda a consciência de grande parte da população. Os EUA hoje contribuem com 30% das emissões globais de dióxido de carbono.
Analistas políticos especulam que, mesmo se dizendo longe da política partidária ativa (para Gore a salvação do planeta não é uma questão política, mas moral), o impacto do filme e do livro podem provocar sua “ressurreição”. A pregação pela salvação do planeta, com duras críticas ao seu país, pode provocar um efeito reverso que acabaria por levá-lo à Casa Branca. A última mensagem do filme é messiânica: se você acredita em oração, reze para que os países, os líderes e os homens tenham coragem de mudar. Mas, enquanto reza, faça alguma coisa.
Em tempo: Todo o lucro do filme e do livro serão destinados ao treinamento de pessoas, em diversos países, para divulgar a mensagem de angústia: o caminho da salvação  é  o desafio de lutar pela defesa do  meio ambiente.  A humanidade  mostrou que é capaz e já  venceu outros desafios. Para Al Gore, hoje, nenhum desafio é tão forte, nenhuma causa é mais urgente e nada é mais improrrogável do que preservar os ecossistemas e proteger o planeta. O que está em jogo é  a própria  sobrevivência da e
spécie humana.

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Orquestra Sinfônica de Brasília apresenta último concerto didático de 2022

Alunos de seis escolas públicas lotaram o Teatro Plínio Marcos

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Agência Brasília* | Edição: Rosualdo Rodrigues

 

Na manhã desta quinta-feira (1º), estudantes de seis escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal vivenciaram uma experiência inesquecível embalada pelo som da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS).

A apresentação gratuita ocorreu no Teatro Plínio Marcos, no Eixo Cultural Ibero-Americano, e fez parte do projeto Concertos Didáticos, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) e pela Secretaria de Educação.

O evento foi o último concerto do projeto a ser realizado em 2022 e teve como objetivo compartilhar com os estudantes a magia da música, a cultura das apresentações de orquestra e ainda apresentar o som dos diversos instrumentos que a compõem, abrindo caminhos para a formação de plateia.

“Os jovens ficam emocionados, pois é um universo completamente diferente do que eles têm no dia a dia. O maestro encanta as crianças, desde o começo. É um momento ímpar”Ilane Nogueira, coordenadora de ações culturais do projeto de Ampliação da Educação em Tempo Integral no DF,

“O projeto reúne crianças de escolas públicas e até de algumas áreas rurais do Distrito Federal, que nem sempre têm oportunidade de acompanhar uma apresentação da orquestra. Aqui a gente apresenta e mostra os instrumentos para que elas saibam como funciona, na prática, um concerto musical. Além disso, é uma oportunidade de apresentar esse espaço, o Teatro Plínio Marcos, para a comunidade”, explica o maestro Claudio Cohen.

Acompanharam o concerto jovens estudantes de seis escolas públicas do Paranoá, Santa Maria, Sobradinho, Cidade Estrutural e Asa Norte. A apresentação durou cerca de duas horas e emocionou a todos. No programa, estiveram trilhas sonoras de filmes e grandes nomes da música nacional e internacional, como a banda de rock britânica Beatles e o compositor e cantor brasileiro Luiz Gonzaga.

O projeto dos Concertos Didáticos acontece desde 2016 e já atendeu a mais de 12 mil estudantes em todo o DF. A iniciativa, no entanto, foi interrompida por causa da pandemia de covid-19. Ilane Nogueira, coordenadora de ações culturais do projeto de Ampliação da Educação em Tempo Integral no DF, explica que foram sete apresentações no segundo semestre de 2022, atendendo a mais de 3 mil crianças.

“Estamos retomando o projeto neste período pós-pandemia e tem sido muito bom. Os jovens ficam emocionados, pois é um universo completamente diferente do que eles têm no dia a dia. O maestro encanta as crianças desde o começo. É um momento ímpar”, destaca.

Para Miriam Alves, coordenadora pedagógica da Escola Classe 01 Porto Rico, de Santa Maria, esse tipo de programação é enriquecedor e de grande valia. “As crianças só têm acesso a um tipo de música. E o projeto é ótimo para o crescimento pessoal, uma experiência diferente, para que, ao crescer, elas possam escolher por ter vivenciado isso”, comemora.

Os Concertos Didáticos continuam suas atividades em 2023, dando continuidade a uma ação de sucesso que já atendeu mais de 12 mil estudantes. A participação das escolas é feita por agendamento e segue uma lista de espera organizada pela Secretaria de Educação. A intenção, segundo o maestro Cláudio Cohen, é ampliar o programa, com a realização de mais apresentações ao longo do ano.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF

 

 

 

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Inovação verde

Sustentabilidade e a sigla ESG tem dominado grande parte da pauta de encontros empresariais

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O conceito da sustentabilidade e a sigla ESG tem dominado grande parte da pauta de encontros empresariais, seminários e congressos de negócios. O discurso garante não ser apenas mais um modismo, como tantos outros no passado, e sim um conceito que teria vindo para ficar, até porque não teríamos escolha, se quisermos salvar o planeta. Além disso, as gerações Y e Z estão mais atentas ao assunto e cobrando maior responsabilidade ambiental, social e de governança das empresas.  O mercado financeiro e as certificadoras também observam esse novo momento para oferecer vantagens e reconhecer as companhias que demonstrarem maior comprometimento com a sustentabilidade.

Nessa pauta, um dos principais desafios é desenvolver tecnologias que sejam sustentáveis, tanto economicamente viáveis quanto atraentes para o mercado.  Hitendra Patel, diretora do IXL Center da Hult International Business School, e que no Brasil é parceiro da Revista Amanhã em um ranking de inovação, criou o termo “greenovations” para essas soluções, e destaca a necessidade da viabilidade financeira para o assunto ganhar relevância entre as empresas. Boas ideias e tecnologias não são suficientes para criar produtos e serviços ambientalmente sustentáveis. É preciso torná-los lucrativos e atrativos, criando um círculo virtuoso.

As empresas precisam transformar essa pauta em cultura para que ela permeie os novos modelos de negócios. Os setores público e privado devem trabalhar juntos para evitar excessos na legislação, buscar eficiência nos licenciamentos, equilíbrio e ponderação nas fiscalizações e oferecer estímulos à inovabilidade. É a melhor maneira de transformar o que muitas vezes ainda é visto como moda, ou como um fardo a carregar, em um compromisso espontâneo e duradouro.

 

Escrito por Carlos Rodolfo Schneider – empresário

 

 

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Brasil, falta de Neymar e resultado das urnas

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Tô pensando o seguinte:
NEYMAR faz muita falta à Seleção Brasileira. Assim como o VAR faz falta na eleição no Brasil.
Quando o Juiz vai pro VAR ele busca transparência e retidão no lance.
É tudo que se quer no resultado das urnas.
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