Reportagens

A nova nascente do rio São Francisco

Pesquisador descobre novas verdades sobre o Velho Chico: ele não nasce na Serra da Canastra, onde está a cachoeira Casca D´Anta, e tem novas medidas geográficas

Publicado

em

Silvestre Gorgulho, de Brasília

Entre os muitos estudos, histórias e causos que freqüentam o legendário rio São Francisco, um merece atenção muito especial: a verdadeira nascente do Velho Chico não está no Parque Nacional da Serra da Canastra, onde fica a belíssima cachoeira Casca D´Anta, que maravilhou bandeirantes e portugueses e continua a ser destaque na exuberante paisagem da região. Aliás, foi justamente essa exuberância que extasiou os primeiros desbravadores e naturalistas, como Saint-Hilaire, que preferiram dar ao São Francisco um berço mais nobre. As novas verdades sobre a correta nascente do São Francisco já foram objetos de discussão em pelo menos três congressos de sensoriamento remoto e, agora, estão comprovadas por uma equipe de técnicos que usaram imagens de satélite e medição por GPS geodésico.

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus e ao São Francisco o que é do São Francisco. Sobretudo, a correta certidão de nascimento. Como se vai revitalizar um rio se mal se sabe seu tamanho? Nem onde nasce? Essa é a questão colocada nesta reportagem que anuncia o resultado do relatório final de uma equipe técnica Codevasf
(a), coordenada por Geraldo Gentil Vieira, que dá uma guinada geográfica de 180 graus no local de nascimento do mais importante, polêmico, usado e expoliado rio brasileiro: o rio São Francisco, chamado de rio da integração nacional. Depois de percorrer toda extensão do São Francisco na Expedição Américo Vespúcio e de concluir o relatório da Codevasf, Geraldo Vieira pode anunciar: a beleza e a exuberância da cachoeira Casca D´Anta roubaram a verdadeira nascente do São Francisco, encurtando-lhe vários quilômetros(b). Pelos cálculos e estudos da equipe técnica, os dados geográficos do Velho Chico mudaram. Vieira, vários espeleólogos(1) e canoístas já sabiam disso: a verdadeira nascente não é onde todo mundo estuda, na Serra da Canastra, descendo em cachoeiras para formar a belíssima Casca D´Anta, no município de São Roque de Minas. E sim no planalto do Araxá, no município de Medeiros. É esta história fantástica, guardada num segredo de sete chaves, que a Folha do Meio Ambiente conta, em primeira mão, aqui e agora.







O mapa mostra o São Francisco, menor, caindo no rio Samburá que é maior em volume d´água e em comprimento, que por sua vez recebe as águas do rio Santo Antônio

Lendas, histórias de pescadores, causos, verdades e mentiras povoam as margens dos rios. E as margens do rio São Francisco, que atravessa três biomas(2) cinco estados e muitas culturas não fica atrás: é riquíssima em histórias e estórias. Mas nenhuma delas é tão forte como esta que o engenheiro agrônomo, técnico da Codevasf e idealizador da Expedição Américo Vespúcio, que percorreu toda extensão do rio durante 35 dias, em 2001. Vamos explicar melhor: a Expedição Américo Vespúcio foi a primeira viagem de caráter nitidamente ambiental e cultural a percorrer em barco o rio São Francisco de ponta a ponta, das nascentes à foz. Foi concebida e organizada por Geraldo Gentil Vieira, em função da revitalização da bacia por ocasião dos 500 anos de sua descoberta. Objetivo: realizar o mais amplo diagnóstico itinerante de todo o São Francisco.


(a) Equipe de trabalho da Codevasf: Geraldo Gentil Vieira (eng. agrônomo), Leonaldo Silva de Carvalho (agrimensor), Miguel Farinasso (eng. agrônomo), Paulo Afonso Silva (eng. civil) e Rosemery José Carlos (geógrafa).


(b) O comprimento do rio São Francisco não tem unanimidade: segundo a Delta Larousse de 1971, ele tem 2.624km; mas para a mesma Delta Larousse de 1986, sua extensão é de 3.161km. Na Mirador, seu comprimento também é de 2.624km; e para os sites oficiais da Codevasf, Chesf e Cemig o comprimento é de 2.700km. Assim, vemos uma grande variação numérica nas dimensões do rio. Pelos dados destes sites a diferença da nascente da Casca d´Anta para a nova nascente do rio Samburá é de 49,18 km. Levando-se em conta todos os diferentes dados, a nova nascente já apresentada no Congresso de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento em BH 2003 e no SpeleoBrazil2001, o comprimento do São Francisco fica maior pela vertente do Samburá. O próximo passo será encaminhar o trabalho ao IBGE para homologação oficial.








O mapa plani-altimétrico feito por computador mostra que a vazão, a calha e a profundidade do rio Samburá são maiores que o braço do São Francisco. Então, a verdade geográfica é clara: o Samburá é o rio principal



O vereador e guia Valdir Cruvinel,
Geraldo Gentil Vieira e o
agrimensor Leonaldo Silva de Carvalho realizam levantamento com o GPS geodésico para melhor definição da nascente do rio Samburá, bem no divisor da bacia do Samburá com o rio Araguari


As duas nascentes


O próprio Geraldo Gentil Vieira começa a contar a verdadeira história da nascente do São Francisco, tão logo voltou da expedição: “Ao retornar aos quadros da Codevasf em 1999, queria tirar uma dúvida. Afinal, nasci e vivi nas barrancas do rio São Francisco, na cidade de Iguatama, em Minas Gerais. Queria saber a extensão exata do Velho Chico e descobrir sua verdadeira nascente”. Na verdade, Gentil Vieira sabe o valor das medidas: “Tal como as pessoas têm a sua estatura, os rios têm suas medidas. Alguns deles não estão contentes com a sua altura. Assim, o orgulhoso Amazonas, o maior rio em volume de águas e até bem pouco tempo o segundo em tamanho com 6.436km, é alvo atual de expedições aos píncaros andinos e de intensas medições e avaliações em modelos e imagens digitais para superar o faraônico Nilo, com os seus 6.693km bem vividos”.


E por que com o velho guerreiro São Francisco ocorre o contrário? Por que teimam em encurtá-lo? Por que os 2.700km redondos? Gentil Vieira responde com a autoridade de um descobridor: “Não concordo que o São Francisco tenha menos de 3.001km de extensão. Conheço-o desde menino. Sei que ele cai no Samburá, seu primeiro “grande” afluente, que por sua vez já recebeu as águas do Santo Antônio”. E Gentil Vieira pergunta com razão: “Como um rio maior pode ser afluente do menor? Como pode ser mais importante do que seu afluente? A verdade é cristalina como as águas de todas as nascentes do mundo: o São Francisco é afluente do rio Samburá”.


Como o Pico da Bandeira até há alguns anos era o ponto culminante do Brasil e perdeu essa hegemonia para o Pico da Neblina, assim também parece acontecer com a nascente do São Francisco. Explicação? Gentil Vieira tem na ponta da língua, do lápis e do computador: “É só buscar imagens de satélite, fazer novas expedições para comprovar essa realidade. É só ir lá na confluência no cânion(3) de São Leão, uma beleza natural que poucos conhecem e ver as águas barrentas do São Francisco caindo no cristalino rio Samburá”.


No século 17 os bandeirantes deliberaram e batizaram o curso principal do São Francisco fascinados pela majestosa cachoeira Casca d’Anta, apelidada de cachoeira catedral, do alto dos seus 162,828 metros. Segundo Gentil Vieira a nascente do São Francisco está a 98,12km acima do encontro com o rio Samburá. Enquanto o São Francisco nasce a 1.469 metros de altitude, o Samburá nasce no planalto de Araxá a 1.254,66 metros. O Samburá tem precisamente 147,30km de extensão até encontrar o São Francisco e o São Francisco exatos 98,12km até encontrar o Samburá. Desta confluência até a foz são 2.716km.







Trecho histórico do São Francisco desde a nascente da Serra da Canastra: 2.814,12km
Trecho geográfico do Samburá: 2.863,30km

Novas medidas


Assim, desta óbvia constatação, surgiram os novos dados do maior rio totalmente brasileiro: 2.814,12km para o trecho tradicional ou histórico do rio, com as nascentes na serra da Canastra, e 2.863,30 km para o trecho dito geográfico do Samburá, que tem as nascentes na Serra d´Agua, no pequeno município de Medeiros.


É bom salientar que todos da equipe técnica responsável pelo relatório final “Determinação da Extensão do Rio São Francisco” deixam claro duas coisas: primeiro, para dirimir a polêmica sobre o que é curso principal e tributário(4) uma ampla pesquisa foi feita em sites de universidades brasileiras e americanas, Unesco, dicionários cartográficos e geológicos; segundo, “o conceito que envolve deságua ou desemboca sugere que o afluente tem na confluência uma cota de talvegue(5) mais alta. Já quando se diz que o afluente é um rio menor que contribui para a vazão de um outro maior, há a dúvida sobre qual o critério de comparação: se o maior dos dois é o rio que tem maior vazão, extensão, largura (na confluência) ou maior na bacia de contribuição”.


Nesta linha de raciocínio, Gentil Vieira explica porque a nascente então está no Samburá: “Na busca de dados geográficos mais precisos, comprovamos tecnicamente que a bacia hidrográfica, a vazão, a calha e a profundidade do Samburá são maiores. Para chegar a estes dados foram usadas imagens de satélite, cartografia adequada, visita às nascentes, e foi utilizado GPS geodésico Astech SCA 12S, teodolito Zeiss Theo 010, distanciômetro AGA210 Geodimeter e nível Zeiss. A equipe utilizou uma metodologia capaz de atender as escalas existentes”. E conclui o agrônomo-ambientalista com autoridade de quem se embrenhou nas matas e campos, vasculhou palmo a palmo as margens de um e de outro rio: “Assim são os rios, assim são os homens. Ambos têm os seus humores e critérios”. Hoje, já passados dois anos e concluídos os trabalhos da equipe da Codevasf, temos novos desafios: desengavetar e usar estes dados para uma próxima bandeira que será estender o Parque Nacional da Serra da Canastra até o Samburá. Temos que criar o Parque Estadual da Mata de Pains, de 6 mil hectares, unindo tudo isto pela Área de Proteção Ambiental das Dez Cidades-Mães do São Francisco(c) proposta que apresentamos no SpeleoBrazil2001 (13º Congresso Internacional de Espeleologia, 4° Congresso Latino-Americano e o 26o Congresso Brasileiro de Espeleologia, realizados em Brasília, com 43 países participantes) e ao governo federal, em 2004, no plano de revitalização do rio São Francisco”.


Para os proprietários de terra tradicionais e os recém-chegados sojicultores à região, Gentil Vieira dá boa dica: “Todo este trabalho de preservação abrirá as portas para o ecoturismo. Algumas atividades predadoras, já vêm sendo substituídos por pousadas e hotéis-fazenda. Esse é um novo veio de ouro e diamante que gera emprego, renda e desenvolvimento sustentável na região. Na minha opinião, o turismo ecológico, o queijo canastra/pecuária de leite, a piscicultura, a fruticultura, o café e a cachaça de qualidade devem ser o carro-chefe da economia regional. Temos que acabar, paulatinamente, com as lavouras anuais altamente impactantes ao solo e corpos d’água do frágil ecossistema das cabeceiras”.


(c) As dez cidades-mãe (ou das cabeceiras) do São Francisco são: Iguatama, Bambuí, Medeiros, São Roque de Minas, Vargem Bonita, Piumhi, Doresópolis, Córrego Fundo, Pains e Arcos.


Quem é Geraldo Gentil Vieira


Geraldo Gentil Vieira é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Lavras-UFLA (1975), especializado em Irrigação e Solos pelo Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas-IICA/FAO/Codevasf e Solos/Desertificação pelo The Egyptian International Centre for Agriculture-EICA, Cairo, Egito. Trabalha atualmente na Codevasf na área de Geoprocessamento. O mais importante disto tudo é que Gentil Vieira é um apaixonado pelas questões ambientais e vem se dedicando muito em pesquisa sobre recursos naturais e expedições, por isso foi o idealizador e coordenador técnico da Expedição Américo Vespúcio.







Glossário

1 – Espeleólogos – Estudiosos da espeleologia, a ciência que estuda e pesquisa as cavidades naturais da terra como cavernas, grutas e fontes.


2 – Bioma – Macroecossistema no qual predomina um tipo de vegetação, apresentando aspectos semelhantes em todo seu território como clima, latitude, relevo, regime de chuvas e tipo de solo. Podem ser terrestres e aquáticos.


3 – Cânion – Vale estreito, em forma de U, com bordas muito abruptas, geralmente cava por um curso d´água.


4 – Tributário – Diz-se de um curso d’água, em relação a outro, cujas águas afluem em direção a este outro. Por isso, são também ditos afluentes. O rio “A” é tributário, ou afluente, de “B” quando as águas de “A” desembocam em “B”.


5 – Talvegue – O canal mais profundo do leito de um curso d´água.







summary

The new source of the São Francisco River


What is Caesar’s is Caesar’s; what is God’s is God’s and what is the São Francisco’s, is the São Francisco’s. Most important of all is the correct birth certificate. How can we expect to revitalize a river, when we do not even know how big it is, or where its source lay? These are some of the questions, which are approached in this story covering the results of the final Codevasf (Geraldo Gentil Vieira, Miguel Farinasso, Leonaldo Silva de Carvalho, Paulo Afonso Silva e Rosemery José Carlos) technical report which is a 180 degree geographical about-face, inasmuch as concerns the birthplace of a highly contested issue regarding the Brazilian river and for which reason it is called the river of national integration. After thoroughly researching the full extent of the São Francisco river during the Americo Vespucci expedition and concluding the Codevasf report, Geraldo Vieira could announce to Brazil and the world: the beauty and exuberance of the Casca D’Anta falls robbed the true source of the São Francisco, shortening it by several kilometers.


According to the calculations and studies of the Codevasf technical team, the geographical data of the Velho Chico changed. Vieira and several speleologists, already knew that the true source is not where everyone has learned, i.e., in the Serra da Canastra flowing down river in falls to form the fantastic Casca D’Anta, in the township of São Roque de Minas. Rather, it is really located in the plateaus of Araxá in the township of Medeiros in the state of Minas Gerais. This is the fantastic story, kept under lock and key which the Folha do Meio Ambiente unfolds first hand here and now.


In the 17th century, the pioneers baptized the main course of the São Francisco, fascinated by the majestic Casca d’Anta falls from a height of 163 meters. According to Gentil Vieira, the source of the São Francisco is 98.12 km above the convergence with the Samburá River. The São Francisco rises at an altitude of 1,469 meters, while the Samburá rises in the plains of the Araxá at 1,254.66 meters. The Samburá extends for exactly 147.30 km until it converges with the São Francisco and the São Francisco extends exactly 98.12 kilometers until it converges with the Samburá. From this confluence to the mouth there are 2,716 km.


Therefore, from this obvious observation, new data has come forth attesting to the largest Brazilian river completely within Brazilian territory: 2,814.12 km of the so called traditional or historic course of the river, including the sources in the Serra da Canastra and 2,863.30 km of the geographically called part of the Samburá, which has its sources in the Serra d´Agua, in the small township of Medeiros.


The technical team made two points clear: first, to settle the issue regarding the main course and the tributary, broad research was conducted and second, the concept involving the mouth of the river, suggests that the tributary stream has in the confluence a level of thalweg. However, when it is said that the tributary stream is a smaller river which empties into another larger river, there is some doubt about the comparison criteria used: whether the larger of the two is the river which empties more and has the greatest length and width (at confluence) or greater in the contribution.”


Along this line of thinking, Gentil Vieira explains why the source is in the Samburá: “in the search for more precise geographic data, we technically proved that the hydrographic basin, the flow, the channel and the trough of the Samburá are greater. To arrive at these data, satellite images were used, as well as a appropriate cartography, visits to the sources and the use of geodesic GPS ASTECH SCA 12S, theodolite Zeiss THEO 010, distance meter AGA210 Geodometer and Zeiss level.”


silvestre@gorgulho.com

Continue a Ler
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Reportagens

Com 10% de umidade do ar, DF entra em alerta vermelho

Registro foi feito em uma estação do Inmet do Gama no domingo (19) acompanhado de termômetros marcando mais de 30º. Atenção às dicas da Defesa Civil

Publicado

em

A situação crítica favorece também a ocorrência de incêndios. A queimada de lixo ou qualquer atividade com fogo merece atenção | Fotos Joel Rodrigues/ Agência Brasília
MARLENE GOMES, DA AGÊNCIA BRASÍLIA | EDIÇÃO: ROSUALDO RODRIGUES

O Distrito Federal está em estado vermelho com relação à baixa umidade do ar. Isso significa que a região entrou no estado de emergência, depois de apresentar níveis críticos, como o índice de 10º registrado no Gama, neste domingo (19). O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O alerta somente é emitido quando a umidade do ar fica abaixo de 12%. Nessa situação, existe grande risco de ocorrências de incêndios florestais. Também é preciso redobrar os cuidados com a saúde porque aumentam os riscos de doenças respiratórias e das pessoas apresentarem dores de cabeça, sangramento do nariz e secura nos olhos, entre outros problemas.

Apesar de parecer pior do que nos anos anteriores, o chefe da Defesa Civil do DF em exercício, tenente coronel do Corpo de Bombeiros Rossano Bohnert, garante que a baixa umidade e o calor são semelhantes e comuns neste período de final da seca.

 

Valem as dicas de sempre: hidratação constante, evitando a prática de esportes e a exposição ao sol nos períodos mais críticos do dia – além de uma alimentação mais balanceada

 

Enquanto isso, valem as dicas de sempre: hidratação constante, evitando a prática de esportes e a exposição ao sol nos períodos mais críticos do dia – além de atenção a uma alimentação mais balanceada, sempre que possível. “Sabemos que o consumo de alimentos leves, como saladas, frutas e legumes, ajuda na digestão e dá mais disposição para suportar o calor e ar mais rarefeito”, explica Bohnert.

O Inmet prevê chuvas para a próxima semana, o que ainda não está confirmado.

 

Primavera

Nesta quarta-feira (22), começa oficialmente a primavera. As chuvas esperadas na estação trazem o clima mais ameno, que caracteriza o período. “Por enquanto, o clima deve continuar do mesmo jeito até quarta-feira (21). Vai predominar o calorzão e a secura. Só teremos possibilidade de chuvas lá para quinta-feira (23)”, explica a metereologista Naiane Araújo, do Inmet.

Com a temperatura máxima passando da casa dos 30º e a baixa umidade do ar, na capital federal, é importante que a população redobre os cuidados. A cartilha que o brasiliense não pode esquecer indica que é preciso beber bastante líquidos, evitar a exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, usar hidratante na pele e procurar umidificar o ambiente.

A situação crítica favorece também a ocorrência de incêndios. A queimada de lixo ou qualquer atividade com fogo merece atenção. Os fumantes devem ter o cuidado de não jogar no chão as bitucas de cigarro. Esse hábito torna-se muito perigoso, principalmente nas margens de vias e rodovias. Qualquer pessoa que observar um foco de incêndio deve comunicar ao Corpo de Bombeiros, pelo número 193.

 

Mensagens de alerta

A Defesa Civil, da Secretaria de Segurança Pública do DF, faz o monitoramento dos alertas emitidos pelo Inmet. O órgão, então, envia mensagens advertindo sobre o tempo e a prevenção de riscos para os moradores cadastrados.

Para se cadastrar no serviços de alerta da Defesa Civil, o interessado deve enviar uma mensagem de texto para o número 40199, com o Código de Endereçamento Postal (CEP) da região.

 

 

 

 

Continue a Ler

Reportagens

Energias renováveis ajudam no combate à desigualdade social no Brasil

Publicado

em

 

*Cristiana Nepomuceno Soares
 

Por conta da grande extensão territorial e da diversidade de biomas, o Brasil conta com uma variedade de recursos naturais – o que proporciona um maior investimento em uma matriz energética limpa. Mas, a realidade atual reflete um cenário adverso ao esperado. É em meio à crise climática e à pandemia de Covid-19, que a necessidade de renovação da matriz energética evidenciou  um problema que o país enfrenta nas diferentes esferas: a desigualdade social.

É cada vez mais evidente que, não é mais possível alimentar essa disparidade. Enquanto os demais países caminham para a expansão de políticas que reafirmam o compromisso ambiental, o Brasil caminha no oposto, já que ainda depende de combustíveis fósseis para geração de energia –  o que coloca o país em desvantagem.

Com o agravamento da crise climática e a urgência da agenda ambiental ser alinhada, na prática, com um discurso sustentável, fica cada vez mais evidente que o futuro da energia passa pela matriz limpa e sustentável – o que desempenha um papel fundamental no setor  elétrico.

Lacuna social

De acordo com os dados divulgados pela Agência Internacional de Energia Renovável (International Renewable Energy Agency – Irena), em paralelo à queda no investimento de óleo e gás, as energias renováveis apresentaram recorde de investimentos no primeiro trimestre de 2020 (em meio a pandemia de Covid-19). Embora os recursos renováveis estejam frequentemente ligados às pautas ambientais e a busca por um futuro sustentável, o uso desses recursos reflete no desenvolvimento econômico e social do país.

Um maior aproveitamento das energias renováveis não engloba apenas a transição energética do país, mas também caminha como ferramenta de igualdade social. Recentemente, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Reive Barros, divulgou que, atualmente, o país tem 83% de sua matriz elétrica originada de fontes renováveis. Agora, é preciso promover políticas que reforcem o uso de energias renováveis de forma eficiente e que funcionem com a economia global.

O Brasil ainda precisa lidar com um de seus principais entraves nas questões ambientais: entender que um meio ambiente preservado é um direito de todo cidadão e que a utilização de recursos naturais impulsionam o desenvolvimento socioeconômico. Por muitas vezes, esse discurso de sustentabilidade é visto como obstáculo e não como um potencial a ser desenvolvido: a competitividade industrial. A produção industrial de baixo carbono gera empregos em grande escala e o país possui recursos para o investimento em insumos de baixo carbono.

Há, ainda, o fator mais colaborativo para esse cenário. No Brasil, as regiões de maior potencial para fontes de energia eólica e solar são os municípios que possuem um baixo IDH. Consequentemente, apostar e investir nessas localidades é uma potencial ferramenta de combate à desigualdade social.

Sobre a Dra. Cristiana Nepomuceno de Sousa Soares

É graduada em Direito e Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Pós-Graduada em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto- MG. Especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Alicante/Espanha. Mestre em Direito Ambiental pela Escola Superior Dom Helder Câmara.

Foi assessora jurídica da Administração Centro-Sul da Prefeitura de Belo Horizonte, assessora jurídica da Secretaria de Minas e Energia- SEME do Estado de Minas Gerais, consultora jurídica do Instituto Mineiro de Gestão das Águas- IGAM, assessora do TJMG e professora de Direito Administrativo da Universidade de Itaúna/MG. Atualmente é presidente da Comissão de Direito de Energia da OAB/MG.

 

 

Continue a Ler

Reportagens

A escola ideal é o tema do Quinto Desafio

Desafio global incentiva o conhecimento de jovens sobre sustentabilidade, economia circular e cidades circulares; Inscrições continuam abertas e participantes novos ainda podem competir em três desafios;

Publicado

em

 

Está no ar a quinta etapa do PlayEnergy, desafio global promovido pela Enel Spa para incentivar o conhecimento de jovens sobre sustentabilidade, economia circular e cidades circulares. Com o tema “Torne a escola digital”, o quinto desafio propõe que as equipes projetem a escola ideal. Com prêmios que podem chegar a 2000€, podem se inscrever estudantes com idades entre 14 e 20 anos, sozinhos ou em equipes de até 3 pessoas, através do site: https://playenergy.enel.com/ Não é necessário ter participados dos outros desafios para competir nessa etapa. Ainda é possível participar de três desafios, que estarão no ar nos próximos três meses, além do Final Online Challenge.

 

Em uma cidade circular, todas as escolas têm baixo impacto ambiental e foram projetadas a partir de critérios sustentáveis. Os participantes deverão imaginar como é a escola que eles desejam, incluindo iniciativas que sejam relevantes para o dia a dia da comunidade escolar e para a cidade em seu entorno. Lembrando sempre de colocar em prática conceitos de economia circular e desenvolvimento sustentável.

 

As Equipes são convidadas a criar seus projetos utilizando as ferramentas disponibilizadas no site do evento. Todas as Equipes que completarem o projeto ganham 100 pontos e os projetos serão colocados para votação, ganhando pontos extras pelos votos recebidos. Os membros da equipe podem também compartilhar seus projetos nas redes sociais, para incentivar a votação. Nove equipes serão premiadas no ranking mensal, com prêmios que vão de 75 euros a 150 euros em compras online. Em caso de empate, para determinar o ranking mensal, será considerada vencedora a equipe que tenha obtido primeiro a pontuação que levou ao empate.

 

Entenda o PlayEnergy

Nesta edição do PlayEnergy, poderão participar estudantes com idades entre 14 e 20 anos e professores de sete países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Grécia, Itália e Peru. Participantes poderão se inscrever sozinhos ou em equipes de até 3 pessoas e ganhar pontos extras com outras atividades pelas redes sociais. Serão sete desafios ao longo de sete meses e um desafio final, o Final Online Challenge, com foco no conceito de Cidade Circular. Inscrições podem ser feitas através do site https://playenergy.enel.com/.

 

A PLAYENERGY é uma iniciativa global da Enel Spa, multinacional de energia e um player integrado líder nos mercados globais de energia e energias renováveis, em parceria com a Campus Party. Para mais informações sobre participação, desafios e premiação, veja o regulamento do concurso no site https://playenergy.enel.com/br/assets/pdf/rules.pdf

 

Sobre a Enel Brasil

A Enel atua no Brasil com geração, distribuição e transmissão de energia por meio da Enel Brasil e suas subsidiárias. Em distribuição, o Grupo atende mais de 17 milhões de clientes por meio de suas subsidiárias brasileiras em São Paulo, Ceará, Rio e Goiás. No setor de geração, o Grupo Enel é o maior produtor de energia solar e eólica do país em capacidade instalada e portfólio de projetos com uma capacidade instalada total de 3,4 GW, dos quais 1.210 MW são eólicos, 979 MW solares e 1.269 MW hidrelétricos. No país, o Grupo também possui e opera duas linhas de transmissão com uma capacidade total de 2.200 MW conectando o país à Argentina. A estratégia de atuação da Enel é baseada no seu Plano de Sustentabilidade e nos compromissos assumidos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. Globalmente, a Enel está presente em mais de 30 países, com cerca de 74 milhões de clientes finais corporativos e residenciais em distribuição de energia.

Continue a Ler

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010