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A nova nascente do rio São Francisco

Pesquisador descobre novas verdades sobre o Velho Chico: ele não nasce na Serra da Canastra, onde está a cachoeira Casca D´Anta, e tem novas medidas geográficas

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Silvestre Gorgulho, de Brasília

Entre os muitos estudos, histórias e causos que freqüentam o legendário rio São Francisco, um merece atenção muito especial: a verdadeira nascente do Velho Chico não está no Parque Nacional da Serra da Canastra, onde fica a belíssima cachoeira Casca D´Anta, que maravilhou bandeirantes e portugueses e continua a ser destaque na exuberante paisagem da região. Aliás, foi justamente essa exuberância que extasiou os primeiros desbravadores e naturalistas, como Saint-Hilaire, que preferiram dar ao São Francisco um berço mais nobre. As novas verdades sobre a correta nascente do São Francisco já foram objetos de discussão em pelo menos três congressos de sensoriamento remoto e, agora, estão comprovadas por uma equipe de técnicos que usaram imagens de satélite e medição por GPS geodésico.

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus e ao São Francisco o que é do São Francisco. Sobretudo, a correta certidão de nascimento. Como se vai revitalizar um rio se mal se sabe seu tamanho? Nem onde nasce? Essa é a questão colocada nesta reportagem que anuncia o resultado do relatório final de uma equipe técnica Codevasf
(a), coordenada por Geraldo Gentil Vieira, que dá uma guinada geográfica de 180 graus no local de nascimento do mais importante, polêmico, usado e expoliado rio brasileiro: o rio São Francisco, chamado de rio da integração nacional. Depois de percorrer toda extensão do São Francisco na Expedição Américo Vespúcio e de concluir o relatório da Codevasf, Geraldo Vieira pode anunciar: a beleza e a exuberância da cachoeira Casca D´Anta roubaram a verdadeira nascente do São Francisco, encurtando-lhe vários quilômetros(b). Pelos cálculos e estudos da equipe técnica, os dados geográficos do Velho Chico mudaram. Vieira, vários espeleólogos(1) e canoístas já sabiam disso: a verdadeira nascente não é onde todo mundo estuda, na Serra da Canastra, descendo em cachoeiras para formar a belíssima Casca D´Anta, no município de São Roque de Minas. E sim no planalto do Araxá, no município de Medeiros. É esta história fantástica, guardada num segredo de sete chaves, que a Folha do Meio Ambiente conta, em primeira mão, aqui e agora.







O mapa mostra o São Francisco, menor, caindo no rio Samburá que é maior em volume d´água e em comprimento, que por sua vez recebe as águas do rio Santo Antônio

Lendas, histórias de pescadores, causos, verdades e mentiras povoam as margens dos rios. E as margens do rio São Francisco, que atravessa três biomas(2) cinco estados e muitas culturas não fica atrás: é riquíssima em histórias e estórias. Mas nenhuma delas é tão forte como esta que o engenheiro agrônomo, técnico da Codevasf e idealizador da Expedição Américo Vespúcio, que percorreu toda extensão do rio durante 35 dias, em 2001. Vamos explicar melhor: a Expedição Américo Vespúcio foi a primeira viagem de caráter nitidamente ambiental e cultural a percorrer em barco o rio São Francisco de ponta a ponta, das nascentes à foz. Foi concebida e organizada por Geraldo Gentil Vieira, em função da revitalização da bacia por ocasião dos 500 anos de sua descoberta. Objetivo: realizar o mais amplo diagnóstico itinerante de todo o São Francisco.


(a) Equipe de trabalho da Codevasf: Geraldo Gentil Vieira (eng. agrônomo), Leonaldo Silva de Carvalho (agrimensor), Miguel Farinasso (eng. agrônomo), Paulo Afonso Silva (eng. civil) e Rosemery José Carlos (geógrafa).


(b) O comprimento do rio São Francisco não tem unanimidade: segundo a Delta Larousse de 1971, ele tem 2.624km; mas para a mesma Delta Larousse de 1986, sua extensão é de 3.161km. Na Mirador, seu comprimento também é de 2.624km; e para os sites oficiais da Codevasf, Chesf e Cemig o comprimento é de 2.700km. Assim, vemos uma grande variação numérica nas dimensões do rio. Pelos dados destes sites a diferença da nascente da Casca d´Anta para a nova nascente do rio Samburá é de 49,18 km. Levando-se em conta todos os diferentes dados, a nova nascente já apresentada no Congresso de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento em BH 2003 e no SpeleoBrazil2001, o comprimento do São Francisco fica maior pela vertente do Samburá. O próximo passo será encaminhar o trabalho ao IBGE para homologação oficial.








O mapa plani-altimétrico feito por computador mostra que a vazão, a calha e a profundidade do rio Samburá são maiores que o braço do São Francisco. Então, a verdade geográfica é clara: o Samburá é o rio principal



O vereador e guia Valdir Cruvinel,
Geraldo Gentil Vieira e o
agrimensor Leonaldo Silva de Carvalho realizam levantamento com o GPS geodésico para melhor definição da nascente do rio Samburá, bem no divisor da bacia do Samburá com o rio Araguari


As duas nascentes


O próprio Geraldo Gentil Vieira começa a contar a verdadeira história da nascente do São Francisco, tão logo voltou da expedição: “Ao retornar aos quadros da Codevasf em 1999, queria tirar uma dúvida. Afinal, nasci e vivi nas barrancas do rio São Francisco, na cidade de Iguatama, em Minas Gerais. Queria saber a extensão exata do Velho Chico e descobrir sua verdadeira nascente”. Na verdade, Gentil Vieira sabe o valor das medidas: “Tal como as pessoas têm a sua estatura, os rios têm suas medidas. Alguns deles não estão contentes com a sua altura. Assim, o orgulhoso Amazonas, o maior rio em volume de águas e até bem pouco tempo o segundo em tamanho com 6.436km, é alvo atual de expedições aos píncaros andinos e de intensas medições e avaliações em modelos e imagens digitais para superar o faraônico Nilo, com os seus 6.693km bem vividos”.


E por que com o velho guerreiro São Francisco ocorre o contrário? Por que teimam em encurtá-lo? Por que os 2.700km redondos? Gentil Vieira responde com a autoridade de um descobridor: “Não concordo que o São Francisco tenha menos de 3.001km de extensão. Conheço-o desde menino. Sei que ele cai no Samburá, seu primeiro “grande” afluente, que por sua vez já recebeu as águas do Santo Antônio”. E Gentil Vieira pergunta com razão: “Como um rio maior pode ser afluente do menor? Como pode ser mais importante do que seu afluente? A verdade é cristalina como as águas de todas as nascentes do mundo: o São Francisco é afluente do rio Samburá”.


Como o Pico da Bandeira até há alguns anos era o ponto culminante do Brasil e perdeu essa hegemonia para o Pico da Neblina, assim também parece acontecer com a nascente do São Francisco. Explicação? Gentil Vieira tem na ponta da língua, do lápis e do computador: “É só buscar imagens de satélite, fazer novas expedições para comprovar essa realidade. É só ir lá na confluência no cânion(3) de São Leão, uma beleza natural que poucos conhecem e ver as águas barrentas do São Francisco caindo no cristalino rio Samburá”.


No século 17 os bandeirantes deliberaram e batizaram o curso principal do São Francisco fascinados pela majestosa cachoeira Casca d’Anta, apelidada de cachoeira catedral, do alto dos seus 162,828 metros. Segundo Gentil Vieira a nascente do São Francisco está a 98,12km acima do encontro com o rio Samburá. Enquanto o São Francisco nasce a 1.469 metros de altitude, o Samburá nasce no planalto de Araxá a 1.254,66 metros. O Samburá tem precisamente 147,30km de extensão até encontrar o São Francisco e o São Francisco exatos 98,12km até encontrar o Samburá. Desta confluência até a foz são 2.716km.







Trecho histórico do São Francisco desde a nascente da Serra da Canastra: 2.814,12km
Trecho geográfico do Samburá: 2.863,30km

Novas medidas


Assim, desta óbvia constatação, surgiram os novos dados do maior rio totalmente brasileiro: 2.814,12km para o trecho tradicional ou histórico do rio, com as nascentes na serra da Canastra, e 2.863,30 km para o trecho dito geográfico do Samburá, que tem as nascentes na Serra d´Agua, no pequeno município de Medeiros.


É bom salientar que todos da equipe técnica responsável pelo relatório final “Determinação da Extensão do Rio São Francisco” deixam claro duas coisas: primeiro, para dirimir a polêmica sobre o que é curso principal e tributário(4) uma ampla pesquisa foi feita em sites de universidades brasileiras e americanas, Unesco, dicionários cartográficos e geológicos; segundo, “o conceito que envolve deságua ou desemboca sugere que o afluente tem na confluência uma cota de talvegue(5) mais alta. Já quando se diz que o afluente é um rio menor que contribui para a vazão de um outro maior, há a dúvida sobre qual o critério de comparação: se o maior dos dois é o rio que tem maior vazão, extensão, largura (na confluência) ou maior na bacia de contribuição”.


Nesta linha de raciocínio, Gentil Vieira explica porque a nascente então está no Samburá: “Na busca de dados geográficos mais precisos, comprovamos tecnicamente que a bacia hidrográfica, a vazão, a calha e a profundidade do Samburá são maiores. Para chegar a estes dados foram usadas imagens de satélite, cartografia adequada, visita às nascentes, e foi utilizado GPS geodésico Astech SCA 12S, teodolito Zeiss Theo 010, distanciômetro AGA210 Geodimeter e nível Zeiss. A equipe utilizou uma metodologia capaz de atender as escalas existentes”. E conclui o agrônomo-ambientalista com autoridade de quem se embrenhou nas matas e campos, vasculhou palmo a palmo as margens de um e de outro rio: “Assim são os rios, assim são os homens. Ambos têm os seus humores e critérios”. Hoje, já passados dois anos e concluídos os trabalhos da equipe da Codevasf, temos novos desafios: desengavetar e usar estes dados para uma próxima bandeira que será estender o Parque Nacional da Serra da Canastra até o Samburá. Temos que criar o Parque Estadual da Mata de Pains, de 6 mil hectares, unindo tudo isto pela Área de Proteção Ambiental das Dez Cidades-Mães do São Francisco(c) proposta que apresentamos no SpeleoBrazil2001 (13º Congresso Internacional de Espeleologia, 4° Congresso Latino-Americano e o 26o Congresso Brasileiro de Espeleologia, realizados em Brasília, com 43 países participantes) e ao governo federal, em 2004, no plano de revitalização do rio São Francisco”.


Para os proprietários de terra tradicionais e os recém-chegados sojicultores à região, Gentil Vieira dá boa dica: “Todo este trabalho de preservação abrirá as portas para o ecoturismo. Algumas atividades predadoras, já vêm sendo substituídos por pousadas e hotéis-fazenda. Esse é um novo veio de ouro e diamante que gera emprego, renda e desenvolvimento sustentável na região. Na minha opinião, o turismo ecológico, o queijo canastra/pecuária de leite, a piscicultura, a fruticultura, o café e a cachaça de qualidade devem ser o carro-chefe da economia regional. Temos que acabar, paulatinamente, com as lavouras anuais altamente impactantes ao solo e corpos d’água do frágil ecossistema das cabeceiras”.


(c) As dez cidades-mãe (ou das cabeceiras) do São Francisco são: Iguatama, Bambuí, Medeiros, São Roque de Minas, Vargem Bonita, Piumhi, Doresópolis, Córrego Fundo, Pains e Arcos.


Quem é Geraldo Gentil Vieira


Geraldo Gentil Vieira é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Lavras-UFLA (1975), especializado em Irrigação e Solos pelo Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas-IICA/FAO/Codevasf e Solos/Desertificação pelo The Egyptian International Centre for Agriculture-EICA, Cairo, Egito. Trabalha atualmente na Codevasf na área de Geoprocessamento. O mais importante disto tudo é que Gentil Vieira é um apaixonado pelas questões ambientais e vem se dedicando muito em pesquisa sobre recursos naturais e expedições, por isso foi o idealizador e coordenador técnico da Expedição Américo Vespúcio.







Glossário

1 – Espeleólogos – Estudiosos da espeleologia, a ciência que estuda e pesquisa as cavidades naturais da terra como cavernas, grutas e fontes.


2 – Bioma – Macroecossistema no qual predomina um tipo de vegetação, apresentando aspectos semelhantes em todo seu território como clima, latitude, relevo, regime de chuvas e tipo de solo. Podem ser terrestres e aquáticos.


3 – Cânion – Vale estreito, em forma de U, com bordas muito abruptas, geralmente cava por um curso d´água.


4 – Tributário – Diz-se de um curso d’água, em relação a outro, cujas águas afluem em direção a este outro. Por isso, são também ditos afluentes. O rio “A” é tributário, ou afluente, de “B” quando as águas de “A” desembocam em “B”.


5 – Talvegue – O canal mais profundo do leito de um curso d´água.







summary

The new source of the São Francisco River


What is Caesar’s is Caesar’s; what is God’s is God’s and what is the São Francisco’s, is the São Francisco’s. Most important of all is the correct birth certificate. How can we expect to revitalize a river, when we do not even know how big it is, or where its source lay? These are some of the questions, which are approached in this story covering the results of the final Codevasf (Geraldo Gentil Vieira, Miguel Farinasso, Leonaldo Silva de Carvalho, Paulo Afonso Silva e Rosemery José Carlos) technical report which is a 180 degree geographical about-face, inasmuch as concerns the birthplace of a highly contested issue regarding the Brazilian river and for which reason it is called the river of national integration. After thoroughly researching the full extent of the São Francisco river during the Americo Vespucci expedition and concluding the Codevasf report, Geraldo Vieira could announce to Brazil and the world: the beauty and exuberance of the Casca D’Anta falls robbed the true source of the São Francisco, shortening it by several kilometers.


According to the calculations and studies of the Codevasf technical team, the geographical data of the Velho Chico changed. Vieira and several speleologists, already knew that the true source is not where everyone has learned, i.e., in the Serra da Canastra flowing down river in falls to form the fantastic Casca D’Anta, in the township of São Roque de Minas. Rather, it is really located in the plateaus of Araxá in the township of Medeiros in the state of Minas Gerais. This is the fantastic story, kept under lock and key which the Folha do Meio Ambiente unfolds first hand here and now.


In the 17th century, the pioneers baptized the main course of the São Francisco, fascinated by the majestic Casca d’Anta falls from a height of 163 meters. According to Gentil Vieira, the source of the São Francisco is 98.12 km above the convergence with the Samburá River. The São Francisco rises at an altitude of 1,469 meters, while the Samburá rises in the plains of the Araxá at 1,254.66 meters. The Samburá extends for exactly 147.30 km until it converges with the São Francisco and the São Francisco extends exactly 98.12 kilometers until it converges with the Samburá. From this confluence to the mouth there are 2,716 km.


Therefore, from this obvious observation, new data has come forth attesting to the largest Brazilian river completely within Brazilian territory: 2,814.12 km of the so called traditional or historic course of the river, including the sources in the Serra da Canastra and 2,863.30 km of the geographically called part of the Samburá, which has its sources in the Serra d´Agua, in the small township of Medeiros.


The technical team made two points clear: first, to settle the issue regarding the main course and the tributary, broad research was conducted and second, the concept involving the mouth of the river, suggests that the tributary stream has in the confluence a level of thalweg. However, when it is said that the tributary stream is a smaller river which empties into another larger river, there is some doubt about the comparison criteria used: whether the larger of the two is the river which empties more and has the greatest length and width (at confluence) or greater in the contribution.”


Along this line of thinking, Gentil Vieira explains why the source is in the Samburá: “in the search for more precise geographic data, we technically proved that the hydrographic basin, the flow, the channel and the trough of the Samburá are greater. To arrive at these data, satellite images were used, as well as a appropriate cartography, visits to the sources and the use of geodesic GPS ASTECH SCA 12S, theodolite Zeiss THEO 010, distance meter AGA210 Geodometer and Zeiss level.”


silvestre@gorgulho.com

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UnDF ganha o primeiro campus, no Lago Norte

Estrutura vai atender alunos oriundos da região Norte do DF; governo já trabalha para a construção de um segundo polo de ensino, no Parque Tecnológico

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Ian Ferraz, da Agência Brasília I Edição: Débora Cronemberger

 

“Essa é uma das maiores obras do nosso governo. Sou fruto da oportunidade e a oportunidade vem através do ensino e da educação. Aqui teremos profissionais qualificados lutando por uma educação de qualidade na nossa cidade”Governador Ibaneis Rocha

A Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury (UnDF) ganhou o seu primeiro campus nesta terça-feira (28). Localizado no CA 2, no Lago Norte, o espaço vai atender alunos de toda a ponta norte do DF, como Varjão, Granja do Torto, Paranoá, Paranoá Park, Itapoã, Sobradinho, Sobradinho II, Planaltina e demais interessados em ingressar na instituição de ensino.

A cerimônia de inauguração da estrutura do Lago Norte contou com a participação do governador Ibaneis Rocha, da reitora pro tempore da UnDF, Simone Benck, e da secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, entre outras autoridades. Para o governador, a obra é um dos grandes marcos da gestão.

“Essa é uma das maiores obras do nosso governo, uma obra muito importante. Sou fruto da oportunidade, e a oportunidade vem por meio do ensino e da educação. Aqui teremos profissionais qualificados lutando por uma educação de qualidade na nossa cidade”, destacou o governador Ibaneis Rocha.

A criação da UnDF democratiza o acesso ao ensino superior. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2020, o DF teve 42,4 mil matrículas no ensino superior público e 106,9 mil matrículas em instituições privadas para o ensino presencial. Ou seja, 71,5% das vagas estão concentradas em entidades privadas de ensino.

O GDF trabalha para abrir um segundo campus no Parque Tecnológico (Biotic) para abrigar as faculdades de engenharia, tecnologia e inovação e a reitoria. No local serão investidos R$ 56 milhões para a construção do campus

“É importante lembrar que em 2019 tínhamos 124 mil jovens de 15 a 29 anos que não trabalhavam nem estudavam. Com a pandemia, esse cenário se tornou mais perverso, e a possibilidade da UnDF é ampliar essa oferta”, observou a reitora pro tempore da UnDF, Simone Benck.

O Campus Norte ocupa um espaço de 6,5 mil m² em um prédio cedido pela Terracap. A estrutura conta com 46 salas de aula e foi toda reformada, com a recuperação de calçadas, pátios, salas, banheiros, estacionamento e jardinagem – serviços que foram custeados pela Secretaria de Educação (SEE). O campus poderá comportar até 1,5 mil alunos.

“O maior beneficiário dessa universidade será, sem dúvida, o estudante da rede pública de ensino. Formaremos professores de qualidade que vão colaborar com os nossos alunos”, acrescenta a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá.

Os cursos da UnDF estão previstos para as áreas de Ciências da saúde e humanas, Cidadania e meio ambiente, Gestão governamental de políticas públicas e de serviços, Educação e magistério, Letras, artes e línguas estrangeiras modernas, Ciências da natureza e matemática, Educação física e esportes, Segurança pública e defesa social, Engenharia e áreas tecnológicas de setores produtivos e Arquitetura e urbanismo.

 

Cerimônia de inauguração do primeiro campus da UnDF, no Lago Norte, nesta terça-feira (28)

De olho na ampliação da estrutura e da oferta de ensino, o Governo do Distrito Federal (GDF) trabalha para abrir um segundo campus no Parque Tecnológico (Biotic), a fim de  abrigar as faculdades de engenharia, tecnologia e inovação e a reitoria. No local serão investidos R$ 56 milhões.

O convênio, celebrado nesta terça-feira (28) com o lançamento pedra fundamental, é firmado entre UnDF, Novacap, Biotic e Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) – que vai investir R$ 56 milhões na criação de um espaço de laboratórios multiúso para o desenvolvimento de pesquisas de alta tecnologia, em associação com grandes centros de pesquisa e desenvolvimento do país e do mundo.

A sanção da lei que criou a UnDF foi assinada em julho de 2021 pelo governador Ibaneis Rocha. Fruto de um sonho de décadas, o projeto pioneiro, de autoria do Executivo local, autoriza a construção do primeiro centro universitário distrital, ampliando a oferta gratuita de vagas no ensino superior

“O GDF, por meio da FAP-DF, já investiu mais de R$ 359 milhões em projetos de ciência, tecnologia e inovação. A UnDF não é diferente, e contou com fomento da fundação desde o início, com estudos de viabilidade, metodologias e estruturação da universidade, até o convênio para a construção da unidade voltada ao desenvolvimento de pesquisas de alta tecnologia”, detalha o diretor-presidente da FAP-DF, Marco Antônio Costa Júnior.

Também nesta terça-feira foi publicada no Diário Oficial do DF (DODF) a Resolução nº 5, que dispõe sobre a criação da Escola de Engenharia, Tecnologia e Inovação (Eseti), conectada ao Centro Interdisciplinar de Engenharias, Tecnologia e Inovação, que compõe a estrutura organizacional executiva da UnDF. Os primeiros cursos serão de Sistema de Informação, de Ciência da Computação, de Engenharia de Softwares e de Engenharia da Computação

A universidade

De iniciativa do Poder Executivo local, o Projeto de Lei Complementar nº 34/2020 enviado à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em 19 de março de 2020 enfrentava, enfim, uma incômoda realidade: o DF figurava, junto ao Acre, Rondônia, Sergipe e Espírito Santo, como uma das cinco unidades federativas no país que não tinham uma universidade pública estadual sob sua alçada.

A sanção da lei que criou a UnDF foi assinada em julho de 2021 pelo governador Ibaneis Rocha. Fruto de um sonho de décadas, o projeto pioneiro, de autoria do Executivo local, autoriza a construção do primeiro centro universitário distrital, ampliando a oferta gratuita de vagas no ensino superior.

Na ocasião, o GDF anunciou investimento de R$ 200 milhões pelos próximos quatro anos, a realização de concurso público para professores e tutores e a destinação de espaços para as instalações acadêmicas.

“Ela nasce de um compromisso nosso em 2018. Há muito tempo se falava da criação da universidade do DF. Fizemos um trabalho arrojado com a participação do nosso saudoso professor Jorge Amaury e da [reitora pro tempore] Simone Benck. Conseguimos encaminhar à CLDF o projeto de lei, criando e garantindo recursos para a universidade. Hoje, 11 meses após a sanção do projeto de lei, estamos entregando o primeiro prédio da universidade, com o concurso nas ruas para a contratação de professores e tutores, e estamos lançando também a pedra fundamental do novo prédio da universidade no Parque Tecnológico da Biotic”, declarou o governador.

O nome da UnDF é uma homenagem ao professor Jorge Amaury, que esteve na luta pela implantação dessa universidade até 2021 e faleceu vítima de covid-19.

 

 

 

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Rua do Lazer será estendida a todas as regiões administrativas

Diário Oficial publica decreto que possibilita a ampliação de espaços ao ar livre para lazer e a prática esportiva e cultural em todo o DF

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Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

 

Publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta terça-feira (28) o Decreto nº 43.485, que institui o programa Rua do Lazer em todas as regiões administrativas do DF. Já implantada no Eixão e no Paranoá, a iniciativa possibilita a ampliação de espaços a céu aberto para a realização de exercícios físicos e práticas esportivas e, naturalmente, lazer à comunidade em geral.

Coordenado pela Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), o programa estabelece o fechamento de vias públicas para prática de atividades físicas, lazer e cultura. Administrações regionais interessadas podem requerer a implementação da atividade por meio do Sistema Eletrônico de Informações (SEI).

“Ao possibilitar o acesso gratuito da população a locais propícios para a prática de atividades físicas, estamos democratizando o esporte e levando mais qualidade de vida e saúde para a população”, afirma a secretária de esporte e lazer Giselle Ferreira.

O processo de solicitação de implantação passará por análise do corpo técnico de órgãos como DF Legal, Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), Secretaria de Segurança Pública (SSP) e Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que vão ajudar a definir os melhores pontos para o programa em cada região.

A Rua do Lazer inclui fechamento de pontos específicos aos domingos e feriados, das 6h às 17h, desde que a operação seja requerida com antecedência mínima de 30 dias. O trânsito de veículos no local será proibido durante o horário de funcionamento do programa, e o uso de sinalização viária para bloqueio da via é obrigatório.

*Com informações da Secretaria de Esporte e Lazer

 

 

 

 

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Governo Federal instala mais de 17 mil novos pontos de internet em todo o país

Cidades das regiões Norte e Nordeste concentram 75% das antenas instaladas, contribuindo para o fortalecimento da educação e para o desenvolvimento socioeconômico em localidades com baixo índice de conectividade

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Conexão por satélite e via terrestre, gratuita e com alta velocidade, está instalada em 1.460 cidades nordestinas; 6.807 escolas na região têm acesso à internet garantido – Foto: MCom

Por meio do programa que oferece gratuitamente conexão à internet em banda larga, foram entregues 17 mil pontos ativos no país, beneficiando mais de 11 milhões de brasileiros, em cerca de 3,1 mil cidades.

São 13,3 mil pontos instalados em localidades rurais (78% do total), onde garantir o acesso à internet é um desafio ainda maior. O programa instala antenas e roteadores em locais específicos, como escolas, assentamentos, Unidades Básicas de Saúde (UBS), comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, além de telecentros comunitários, por exemplo.

Juntos, Alagoas e Maranhão dispõem de mais de 2,8 mil antenas. Os locais com acessos instalados recebem conexão com velocidades que alcançam 10, 15 ou 20 megabites por segundo (Mbps).

A conexão permite que moradores se conectem com mais pessoas, naveguem por uma rede sem limites de conhecimentos e explorem ferramentas digitais disponíveis na palma da mão, ferramenta importante sobretudo para as escolas, que não tinham internet, e, a partir de abril, já contam com um contrato que prevê a conexão de 12 mil unidades. Atualmente, no Nordeste, 6.803 escolas têm acesso à internet garantido.

Bahia

O estado da Bahia é o estado com maior número de escolas conectadas no Nordeste. São, até o momento, 1.877 unidades de rede pública de ensino com internet. Para os baianos, já foram destinados, ao todo, 2.244 pontos, 80% deles em localidades rurais.

Com informações da Casa Civil.

 

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(61) 98442-1010