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A nova nascente do rio São Francisco

Pesquisador descobre novas verdades sobre o Velho Chico: ele não nasce na Serra da Canastra, onde está a cachoeira Casca D´Anta, e tem novas medidas geográficas

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Silvestre Gorgulho, de Brasília

Entre os muitos estudos, histórias e causos que freqüentam o legendário rio São Francisco, um merece atenção muito especial: a verdadeira nascente do Velho Chico não está no Parque Nacional da Serra da Canastra, onde fica a belíssima cachoeira Casca D´Anta, que maravilhou bandeirantes e portugueses e continua a ser destaque na exuberante paisagem da região. Aliás, foi justamente essa exuberância que extasiou os primeiros desbravadores e naturalistas, como Saint-Hilaire, que preferiram dar ao São Francisco um berço mais nobre. As novas verdades sobre a correta nascente do São Francisco já foram objetos de discussão em pelo menos três congressos de sensoriamento remoto e, agora, estão comprovadas por uma equipe de técnicos que usaram imagens de satélite e medição por GPS geodésico.

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus e ao São Francisco o que é do São Francisco. Sobretudo, a correta certidão de nascimento. Como se vai revitalizar um rio se mal se sabe seu tamanho? Nem onde nasce? Essa é a questão colocada nesta reportagem que anuncia o resultado do relatório final de uma equipe técnica Codevasf
(a), coordenada por Geraldo Gentil Vieira, que dá uma guinada geográfica de 180 graus no local de nascimento do mais importante, polêmico, usado e expoliado rio brasileiro: o rio São Francisco, chamado de rio da integração nacional. Depois de percorrer toda extensão do São Francisco na Expedição Américo Vespúcio e de concluir o relatório da Codevasf, Geraldo Vieira pode anunciar: a beleza e a exuberância da cachoeira Casca D´Anta roubaram a verdadeira nascente do São Francisco, encurtando-lhe vários quilômetros(b). Pelos cálculos e estudos da equipe técnica, os dados geográficos do Velho Chico mudaram. Vieira, vários espeleólogos(1) e canoístas já sabiam disso: a verdadeira nascente não é onde todo mundo estuda, na Serra da Canastra, descendo em cachoeiras para formar a belíssima Casca D´Anta, no município de São Roque de Minas. E sim no planalto do Araxá, no município de Medeiros. É esta história fantástica, guardada num segredo de sete chaves, que a Folha do Meio Ambiente conta, em primeira mão, aqui e agora.







O mapa mostra o São Francisco, menor, caindo no rio Samburá que é maior em volume d´água e em comprimento, que por sua vez recebe as águas do rio Santo Antônio

Lendas, histórias de pescadores, causos, verdades e mentiras povoam as margens dos rios. E as margens do rio São Francisco, que atravessa três biomas(2) cinco estados e muitas culturas não fica atrás: é riquíssima em histórias e estórias. Mas nenhuma delas é tão forte como esta que o engenheiro agrônomo, técnico da Codevasf e idealizador da Expedição Américo Vespúcio, que percorreu toda extensão do rio durante 35 dias, em 2001. Vamos explicar melhor: a Expedição Américo Vespúcio foi a primeira viagem de caráter nitidamente ambiental e cultural a percorrer em barco o rio São Francisco de ponta a ponta, das nascentes à foz. Foi concebida e organizada por Geraldo Gentil Vieira, em função da revitalização da bacia por ocasião dos 500 anos de sua descoberta. Objetivo: realizar o mais amplo diagnóstico itinerante de todo o São Francisco.


(a) Equipe de trabalho da Codevasf: Geraldo Gentil Vieira (eng. agrônomo), Leonaldo Silva de Carvalho (agrimensor), Miguel Farinasso (eng. agrônomo), Paulo Afonso Silva (eng. civil) e Rosemery José Carlos (geógrafa).


(b) O comprimento do rio São Francisco não tem unanimidade: segundo a Delta Larousse de 1971, ele tem 2.624km; mas para a mesma Delta Larousse de 1986, sua extensão é de 3.161km. Na Mirador, seu comprimento também é de 2.624km; e para os sites oficiais da Codevasf, Chesf e Cemig o comprimento é de 2.700km. Assim, vemos uma grande variação numérica nas dimensões do rio. Pelos dados destes sites a diferença da nascente da Casca d´Anta para a nova nascente do rio Samburá é de 49,18 km. Levando-se em conta todos os diferentes dados, a nova nascente já apresentada no Congresso de Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento em BH 2003 e no SpeleoBrazil2001, o comprimento do São Francisco fica maior pela vertente do Samburá. O próximo passo será encaminhar o trabalho ao IBGE para homologação oficial.








O mapa plani-altimétrico feito por computador mostra que a vazão, a calha e a profundidade do rio Samburá são maiores que o braço do São Francisco. Então, a verdade geográfica é clara: o Samburá é o rio principal



O vereador e guia Valdir Cruvinel,
Geraldo Gentil Vieira e o
agrimensor Leonaldo Silva de Carvalho realizam levantamento com o GPS geodésico para melhor definição da nascente do rio Samburá, bem no divisor da bacia do Samburá com o rio Araguari


As duas nascentes


O próprio Geraldo Gentil Vieira começa a contar a verdadeira história da nascente do São Francisco, tão logo voltou da expedição: “Ao retornar aos quadros da Codevasf em 1999, queria tirar uma dúvida. Afinal, nasci e vivi nas barrancas do rio São Francisco, na cidade de Iguatama, em Minas Gerais. Queria saber a extensão exata do Velho Chico e descobrir sua verdadeira nascente”. Na verdade, Gentil Vieira sabe o valor das medidas: “Tal como as pessoas têm a sua estatura, os rios têm suas medidas. Alguns deles não estão contentes com a sua altura. Assim, o orgulhoso Amazonas, o maior rio em volume de águas e até bem pouco tempo o segundo em tamanho com 6.436km, é alvo atual de expedições aos píncaros andinos e de intensas medições e avaliações em modelos e imagens digitais para superar o faraônico Nilo, com os seus 6.693km bem vividos”.


E por que com o velho guerreiro São Francisco ocorre o contrário? Por que teimam em encurtá-lo? Por que os 2.700km redondos? Gentil Vieira responde com a autoridade de um descobridor: “Não concordo que o São Francisco tenha menos de 3.001km de extensão. Conheço-o desde menino. Sei que ele cai no Samburá, seu primeiro “grande” afluente, que por sua vez já recebeu as águas do Santo Antônio”. E Gentil Vieira pergunta com razão: “Como um rio maior pode ser afluente do menor? Como pode ser mais importante do que seu afluente? A verdade é cristalina como as águas de todas as nascentes do mundo: o São Francisco é afluente do rio Samburá”.


Como o Pico da Bandeira até há alguns anos era o ponto culminante do Brasil e perdeu essa hegemonia para o Pico da Neblina, assim também parece acontecer com a nascente do São Francisco. Explicação? Gentil Vieira tem na ponta da língua, do lápis e do computador: “É só buscar imagens de satélite, fazer novas expedições para comprovar essa realidade. É só ir lá na confluência no cânion(3) de São Leão, uma beleza natural que poucos conhecem e ver as águas barrentas do São Francisco caindo no cristalino rio Samburá”.


No século 17 os bandeirantes deliberaram e batizaram o curso principal do São Francisco fascinados pela majestosa cachoeira Casca d’Anta, apelidada de cachoeira catedral, do alto dos seus 162,828 metros. Segundo Gentil Vieira a nascente do São Francisco está a 98,12km acima do encontro com o rio Samburá. Enquanto o São Francisco nasce a 1.469 metros de altitude, o Samburá nasce no planalto de Araxá a 1.254,66 metros. O Samburá tem precisamente 147,30km de extensão até encontrar o São Francisco e o São Francisco exatos 98,12km até encontrar o Samburá. Desta confluência até a foz são 2.716km.







Trecho histórico do São Francisco desde a nascente da Serra da Canastra: 2.814,12km
Trecho geográfico do Samburá: 2.863,30km

Novas medidas


Assim, desta óbvia constatação, surgiram os novos dados do maior rio totalmente brasileiro: 2.814,12km para o trecho tradicional ou histórico do rio, com as nascentes na serra da Canastra, e 2.863,30 km para o trecho dito geográfico do Samburá, que tem as nascentes na Serra d´Agua, no pequeno município de Medeiros.


É bom salientar que todos da equipe técnica responsável pelo relatório final “Determinação da Extensão do Rio São Francisco” deixam claro duas coisas: primeiro, para dirimir a polêmica sobre o que é curso principal e tributário(4) uma ampla pesquisa foi feita em sites de universidades brasileiras e americanas, Unesco, dicionários cartográficos e geológicos; segundo, “o conceito que envolve deságua ou desemboca sugere que o afluente tem na confluência uma cota de talvegue(5) mais alta. Já quando se diz que o afluente é um rio menor que contribui para a vazão de um outro maior, há a dúvida sobre qual o critério de comparação: se o maior dos dois é o rio que tem maior vazão, extensão, largura (na confluência) ou maior na bacia de contribuição”.


Nesta linha de raciocínio, Gentil Vieira explica porque a nascente então está no Samburá: “Na busca de dados geográficos mais precisos, comprovamos tecnicamente que a bacia hidrográfica, a vazão, a calha e a profundidade do Samburá são maiores. Para chegar a estes dados foram usadas imagens de satélite, cartografia adequada, visita às nascentes, e foi utilizado GPS geodésico Astech SCA 12S, teodolito Zeiss Theo 010, distanciômetro AGA210 Geodimeter e nível Zeiss. A equipe utilizou uma metodologia capaz de atender as escalas existentes”. E conclui o agrônomo-ambientalista com autoridade de quem se embrenhou nas matas e campos, vasculhou palmo a palmo as margens de um e de outro rio: “Assim são os rios, assim são os homens. Ambos têm os seus humores e critérios”. Hoje, já passados dois anos e concluídos os trabalhos da equipe da Codevasf, temos novos desafios: desengavetar e usar estes dados para uma próxima bandeira que será estender o Parque Nacional da Serra da Canastra até o Samburá. Temos que criar o Parque Estadual da Mata de Pains, de 6 mil hectares, unindo tudo isto pela Área de Proteção Ambiental das Dez Cidades-Mães do São Francisco(c) proposta que apresentamos no SpeleoBrazil2001 (13º Congresso Internacional de Espeleologia, 4° Congresso Latino-Americano e o 26o Congresso Brasileiro de Espeleologia, realizados em Brasília, com 43 países participantes) e ao governo federal, em 2004, no plano de revitalização do rio São Francisco”.


Para os proprietários de terra tradicionais e os recém-chegados sojicultores à região, Gentil Vieira dá boa dica: “Todo este trabalho de preservação abrirá as portas para o ecoturismo. Algumas atividades predadoras, já vêm sendo substituídos por pousadas e hotéis-fazenda. Esse é um novo veio de ouro e diamante que gera emprego, renda e desenvolvimento sustentável na região. Na minha opinião, o turismo ecológico, o queijo canastra/pecuária de leite, a piscicultura, a fruticultura, o café e a cachaça de qualidade devem ser o carro-chefe da economia regional. Temos que acabar, paulatinamente, com as lavouras anuais altamente impactantes ao solo e corpos d’água do frágil ecossistema das cabeceiras”.


(c) As dez cidades-mãe (ou das cabeceiras) do São Francisco são: Iguatama, Bambuí, Medeiros, São Roque de Minas, Vargem Bonita, Piumhi, Doresópolis, Córrego Fundo, Pains e Arcos.


Quem é Geraldo Gentil Vieira


Geraldo Gentil Vieira é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Lavras-UFLA (1975), especializado em Irrigação e Solos pelo Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas-IICA/FAO/Codevasf e Solos/Desertificação pelo The Egyptian International Centre for Agriculture-EICA, Cairo, Egito. Trabalha atualmente na Codevasf na área de Geoprocessamento. O mais importante disto tudo é que Gentil Vieira é um apaixonado pelas questões ambientais e vem se dedicando muito em pesquisa sobre recursos naturais e expedições, por isso foi o idealizador e coordenador técnico da Expedição Américo Vespúcio.







Glossário

1 – Espeleólogos – Estudiosos da espeleologia, a ciência que estuda e pesquisa as cavidades naturais da terra como cavernas, grutas e fontes.


2 – Bioma – Macroecossistema no qual predomina um tipo de vegetação, apresentando aspectos semelhantes em todo seu território como clima, latitude, relevo, regime de chuvas e tipo de solo. Podem ser terrestres e aquáticos.


3 – Cânion – Vale estreito, em forma de U, com bordas muito abruptas, geralmente cava por um curso d´água.


4 – Tributário – Diz-se de um curso d’água, em relação a outro, cujas águas afluem em direção a este outro. Por isso, são também ditos afluentes. O rio “A” é tributário, ou afluente, de “B” quando as águas de “A” desembocam em “B”.


5 – Talvegue – O canal mais profundo do leito de um curso d´água.







summary

The new source of the São Francisco River


What is Caesar’s is Caesar’s; what is God’s is God’s and what is the São Francisco’s, is the São Francisco’s. Most important of all is the correct birth certificate. How can we expect to revitalize a river, when we do not even know how big it is, or where its source lay? These are some of the questions, which are approached in this story covering the results of the final Codevasf (Geraldo Gentil Vieira, Miguel Farinasso, Leonaldo Silva de Carvalho, Paulo Afonso Silva e Rosemery José Carlos) technical report which is a 180 degree geographical about-face, inasmuch as concerns the birthplace of a highly contested issue regarding the Brazilian river and for which reason it is called the river of national integration. After thoroughly researching the full extent of the São Francisco river during the Americo Vespucci expedition and concluding the Codevasf report, Geraldo Vieira could announce to Brazil and the world: the beauty and exuberance of the Casca D’Anta falls robbed the true source of the São Francisco, shortening it by several kilometers.


According to the calculations and studies of the Codevasf technical team, the geographical data of the Velho Chico changed. Vieira and several speleologists, already knew that the true source is not where everyone has learned, i.e., in the Serra da Canastra flowing down river in falls to form the fantastic Casca D’Anta, in the township of São Roque de Minas. Rather, it is really located in the plateaus of Araxá in the township of Medeiros in the state of Minas Gerais. This is the fantastic story, kept under lock and key which the Folha do Meio Ambiente unfolds first hand here and now.


In the 17th century, the pioneers baptized the main course of the São Francisco, fascinated by the majestic Casca d’Anta falls from a height of 163 meters. According to Gentil Vieira, the source of the São Francisco is 98.12 km above the convergence with the Samburá River. The São Francisco rises at an altitude of 1,469 meters, while the Samburá rises in the plains of the Araxá at 1,254.66 meters. The Samburá extends for exactly 147.30 km until it converges with the São Francisco and the São Francisco extends exactly 98.12 kilometers until it converges with the Samburá. From this confluence to the mouth there are 2,716 km.


Therefore, from this obvious observation, new data has come forth attesting to the largest Brazilian river completely within Brazilian territory: 2,814.12 km of the so called traditional or historic course of the river, including the sources in the Serra da Canastra and 2,863.30 km of the geographically called part of the Samburá, which has its sources in the Serra d´Agua, in the small township of Medeiros.


The technical team made two points clear: first, to settle the issue regarding the main course and the tributary, broad research was conducted and second, the concept involving the mouth of the river, suggests that the tributary stream has in the confluence a level of thalweg. However, when it is said that the tributary stream is a smaller river which empties into another larger river, there is some doubt about the comparison criteria used: whether the larger of the two is the river which empties more and has the greatest length and width (at confluence) or greater in the contribution.”


Along this line of thinking, Gentil Vieira explains why the source is in the Samburá: “in the search for more precise geographic data, we technically proved that the hydrographic basin, the flow, the channel and the trough of the Samburá are greater. To arrive at these data, satellite images were used, as well as a appropriate cartography, visits to the sources and the use of geodesic GPS ASTECH SCA 12S, theodolite Zeiss THEO 010, distance meter AGA210 Geodometer and Zeiss level.”


silvestre@gorgulho.com

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Comedouros Criativos

A alimentação complementar aumenta a diversidade nas cidades

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Importante lembrar que aquele hábito antigo de colocar ração ou frutas em um recipiente fora de casa para atrair os passarinhos, não era capricho das nossas avós: essa prática de fato beneficia as espécies a longo prazo. A revista científica “Nature Communications” monitorou voluntários que, durante quatro décadas, gostavam de alimentar pássaros em comedouros de jardins e praças urbanas do Reino Unido. O estudo foi publicado comprovando que o número de pássaros não só aumentou como outras variedades se aproximaram e sobreviveram às intempéries e ao forte avanço dos centros urbanos.

No Brasil, que não tem um inverno tão forte, ocorre fenômeno semelhante. Um fato de fácil constatação é que o número de espécies que não frequentam a “boca-livre” permaneceu estável. Também não há aumento na quantidade de pássaros em regiões onde os comedouros não são tão comuns.

Nos comedouros preparados por Johan Dalgas Frisch na sua casa, no centro de São Paulo, logo ao amanhecer, as primeiras interessadas que chegam logo ao amanhecer são as jandaias.

 

HIGIENTE É IMPORTANTE

Mas há um dado significativo e essencial: a higiene dos comedouros é super importante. Não basta colocar alimentos nos jardins de sua casa e garantir a alimentação diária às aves. A má higiene dos comedouros pode contribuir para a transmissão de doenças entre as aves e atrair animais não desejáveis como ratos. Por isso, certifique-se de que o seu comedouro esteja sempre limpinho.

 

AS LIÇÕES DE ROBERTO HARROP

Os comedouros para aves podem ser sofisticados e muito simples. Podem servir de objetos de decoração e algo bem natural como simplesmente colocar um pedaço de frutas espetados num galho de árvore.

 

O cientista social e pesquisador de mercado Roberto Harrop é fascinado por aves. Pernambucano do Recife, tem residência no Condomínio Bosque Águas de Aldeia, onde se dedica a estudar, alimentar, proteger e fotografar as aves da região.

 

Roberto Harrop faz do estudo, da pesquisa e da proteção da natureza seu meio de vida. Na região onde mora, são centenas de espécies de aves , sendo quase cem já fotografadas por Roberto Harrop. Muitas delas compõem seu livro ALVES DE ALDEIA – ORNITOLOGIA DA NAÇÃO PERNAMBUCANA.

 

AVES DE ALDEIA seleciona 75 pássaros do universo ornitológico plantados na aldeia pernambucana onde Roberto Harrop colhe todas as manhãs pelo seu olhar ornitófilo.

 

No prefácio da publicação, o ornitólogo Johan Dalgas Frisch foi muito feliz ao dizer: “… As aves são assim: provocam paixões e despertam encantamento. As aves alimentam a alma humana de humildade, criatividade, engenho e de amor à natureza”.

 

 COMEDOUROS DECORATIVOS

Alguns tipos de comedouros criativos e decorativos que atraem aves até às varandas e jardins das casas.

 

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Pantanal apoia primeira brigada comunitária

Primeira brigada comunitária de São Pedro de Joselândia, no Pantanal de MT, será formada neste fim de semana

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Sesc Pantanal

Treinamento da SOS Pantanal, em parceria com o Polo Socioambiental Sesc Pantanal, acontece nos dias 19, 20 e 21 de junho

 

Começa neste final de semana, o treinamento para a formação da primeira brigada comunitária de São Pedro de Joselândia (171 km de Cuiabá), distrito de Barão de Melgaço, no Pantanal mato-grossense.

A turma de 28 pessoas, que inclui moradores e guarda-parques da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal), faz parte da iniciativa do Instituto SOS Pantanal para estabelecer 28 brigadas no bioma.

São Pedro de Joselândia faz divisa com a RPPN, unidade do Polo Socioambiental Sesc Pantanal que é parceiro da ação e responsável pelos equipamentos doados pela SOS Pantanal em benefício da comunidade. A RPPN Sesc Pantanal é a maior reserva natural privada do país, com 108 mil hectares, e também está localizada no município de barão de Melgaço.

COMBATE À INCÊNDIOS FLORESTAIS
As brigadas serão treinadas com apoio do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos recursos naturais renováveis (Ibama), em convênio com a SOS Pantanal. Também apoiam o treinamento o Corpo de Bombeiros e o Serviço Florestal dos Estados Unidos.

A capacitação consiste em duas etapas. A primeira é uma parte teórica, onde são passadas as instruções e os procedimentos para organização das equipes durante o combate. A segunda é a parte prática, onde os brigadistas aprendem no campo como funciona o combate às chamas.

 

BRIGADAS PANTANEIRAS

Durante os meses de junho e julho, a SOS Pantanal capacitará cerca de 200 brigadistas, em 8 municípios diferentes de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As brigadas estão espalhadas nos principais pontos onde historicamente o fogo é mais intenso e recorrente.

 

SESC PANTANAL

Com 20 anos de experiência na prevenção e combate a incêndios no Pantanal, a Brigada Sesc Pantanal também fará parte da formação. A instituição já realizou no mês de maio a sua capacitação anual de novos brigadistas, em Poconé e Barão de Melgaço, que faz parte das ações preventivas do Polo para a temporada da seca no bioma. Realizada em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso, a formação foi destinada a 40 pessoas, entre guarda-parques, funcionários de fazendas e comunidades rurais e pantaneiras.

 

 

 

 

 

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Meu amigo Orlando Villas-Bôas seu nome é paz!

Carta de saudade

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A vida ensina sempre. Ensinou a você, Orlando, Álvaro, Leonardo e Claudio, ensina a mim e ensina aos nossos filhos. Uma das coisas que aprendi é que só a saudade faz a gente parar no tempo. Sua despedida neste 12 de dezembro 2003, me fez voltar ao mesmo dezembro de 1972, quando você, que tinha acabado de chegar das margens do rio Peixoto, no Xingu, onde contactava os Krenhacãrore, pegou uma kombi em São Paulo e foi para Belo Horizonte paraninfar a turma de Comunicação da UFMG 1972. Por três dias ficou hospedado na minha “república” no 26ª andar do edifício JK, na praça Raul Soares.

À véspera da formatura, 20 de dezembro de 1972, meus 29 colegas e eu tivemos uma verdadeira Aula Magna de Brasil. Foi a mais importante aula dos meus quatro anos de universidade. A aula que direcionou meu caminhar profissional: o jornalismo de meio ambiente. Éramos 30 formandos que, na véspera da grande festa, sentamos no chão do meu apartamento, em círculo como nas tribos, para embevecidos escutar você falando de florestas, de índios, de brancos, de rios, de solidariedade e de bichos.

Sua primeira lição foi, para mim, ex-seminarista, um susto:

“Desde o Descobrimento o homem branco destrói a cultura indígena. Primeiro para salvar sua alma, depois para roubar sua terra”.

Depois vieram as perguntas para matar nossas curiosidades. Suas respostas doces, duras e definitivas vinham aquecidas pela vasta vivência de décadas na Amazônia, como último dos pioneiros da saga da expedição Roncador/Xingu. Eram ouvidas com máxima atenção:

“Foram os índios que nos deram um continente para que o tornássemos uma Nação. Temos para com os índios uma dívida que não está sendo paga”.

“Não fosse a Escola Paulista de Medicina, a Força Aérea Brasileira e a nossa teimosia, muitas tribos já teriam sido aniquiladas”.

“O Serviço de Proteção ao Índio, no Brasil, nunca teve lugar seguro: começou no Ministério da Guerra, com o Marechal Rondon. Depois foi transferido para o Ministério da Agricultura, estagiou no Ministério do Interior e estacionou no Ministério da Justiça. Como o próprio índio, esse serviço parece um estorvo”.

“O índio só pode sobreviver dentro de sua própria cultura”.

 

AMIGO ORLANDO, você junto com Leonardo, Álvaro e Cláudio, irmãos aventureiros na solidariedade, sempre devem estar relembrando histórias fantásticas. Para os índios, vocês vão se juntar ao Sol e ao trovão para virar lenda. E, para os brancos, deixam uma lição de vida e de coragem.

Das lições daquela noite de 20 de dezembro de 1972, eu guardo uma muito especial. Em vez de ensinar, o homem branco deveria ter humildade para aprender. Você falava da harmonia em uma tribo:
“O velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo”.

 

Meu amigo, obrigado pelas lições dadas há exatos 49 anos.

Obrigado por você ter me apresentado o Brasil e ensinado a ser brasileiro.

Nunca mais vou esquecer que para a criança ser a dona do mundo, nós temos que seguir seu exemplo de garra, de audácia e de aventura para defender nossas culturas, conservar nossa diversidade, preservar nossas florestas, proteger nossos rios e contactar sempre em nome da paz.

A PAZ não se pode manter pela violência e pela força, mas sim pelo respeito, pela tolerância e pela serenidade.

 

MEU AMIGO ORLANDO VILLAS-BÔAS. SEU NOME É PAZ!

 

 

 

 

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