Reportagens

Esporte e meio ambiente

A Copa do Mundo do Gol Verde

Silvestre Gorgulho,
de Brasília

A grande indústria da saúde,
do prazer e da paz chama-se esporte. O grande
formador do caráter, da disciplina,
da cooperação e da coragem chama-se
esporte. A grande força da educação
chama-se prática esportiva, pois desenvolve
o corpo, a mente e alimenta o espírito
de solidariedade, de respeito e de valores
éticos. O esporte favorece a consciência
do bem para o indivíduo e para o grupo.
A competição sadia e o esforço
para ultrapassar limites molduram corpo e
espírito.

Nesse partilhar emoções,
o esporte favorece as relações
entre os povos e é um do mais fortes
instrumentos para fortalecer o civismo. Em
suma, o esporte significa a inclusão
social, promoção da qualidade
de vida e do meio ambiente. Por isso, a prática
esportiva tem forte relação
com o desenvolvimento sustentável.
Não só na condução
dos eventos e na organização
dos jogos, mas também na gestão
dos recursos materiais. Se muitos esportes
precisam de água pura para suas promoções,
todos não podem prescindir de ar puro
e de ambiente saudável para o bom desempenho
dos atletas e a feliz participação
dos torcedores. E mais: a prática esportiva
não pode nunca ser motivo de violência
ou fonte de poluição.
E há outro dado fundamental. O esporte
é uma alavanca econômica fortíssima.
Além do segmento turismo, o esporte
envolve muitos recursos na produção
de equipamentos esportivos, no marketing de
vendas, na construção de quadras
e de estádios e nos direitos de imagem
e de transmissão.

Por fazer ídolos – por
sua exposição permanente em
todas modalidades de mídia – e por
ter poderosos patrocinadores, o esporte não
é só uma atividade econômico-financeira
de primeira grandeza, é também
um gerador de conceitos e um fermento de civilidade
e de conscientização ecológica.
Tanto a nível de atletas e torcedores,
em particular, como da população,
em geral. Pelo esporte todas as comunidades
e nações podem construir uma
sociedade mais justa, mais saudável,
mais alegre e mais equilibrada.

Não existe nenhuma outra
atividade no mundo que tenha mais implicação
na economia, no social, na política,
na promoção de bens de consumo
e até na segurança do que o
esporte. Para se ter uma idéia desta
força, é no esporte que as indústrias
do mal (cigarro e bebidas alcoólicas)
vão buscar parcerias para “encantar”
seus produtos. É no esporte dos mais
variados que estas indústrias gostam
de plantar, pelo marketing, a força
do belo, do forte, do alegre e do prazer.

Em tempo da Copa do Mundo, quando
bilhões de pessoas se postam para torcer
fanaticamente pela seleção de
seu país ou para ver o mais importante
torneio de futebol do planeta, vale a pena
estudar a relação e a força
do esporte com a gestão sustentável.
A Alemanha montou para a 18a Copa do Mundo
um evento de grandes proporções,
mas que gere pouca poluição
e que seja ecologicamente correto na produção,
na organização e no consumo.
Esse é um programa que nasceu ainda
na década de 90 e se chama Gol Verde!
Nomeou até um embaixador especial,
em parceria com a Fifa, para o gerenciamento
sustentável da Copa: o ambientalista
Klaus Toepfer.

O que é o Gol
Verde

A Copa da Alemanha implantou o programa Gol
Verde [Green Goal] que vai marcar posição
em quatro áreas: água, lixo,
energia e mobilidade. Jogada de craque. O
Gol Verde fará do evento, a Copa do
Meio Ambiente. São 32 seleções,
com cores variadas nos uniformes e bandeiras,
mas todas ostentando uma mesma cor nos seus
objetivos: o verde de desenvolvimento sustentável.
“Essa é uma Copa do Mundo que
quer ter não apenas um, mas vários
campeões ambientais”, explica
o Diretor da Divisão de Comunicação
e Informação Pública
do Pnuma, Eric Falt. “Pela primeira
vez os cuidados com o meio ambiente terão
prioridade máxima nessa competição,
com objetivos claros e mensuráveis,
e esperamos que a iniciativa deixe um legado”.
Todo o time do Gol Verde, capitaneado por
Klaus Toepfer, quer neutralizar todas as 100
mil toneladas de dióxido de carbono
geradas pelo sistema de transportes, construção
e manutenção dos estádios
da Alemanha. E, também, pela presença
dos mais de 3,2 milhões de espectadores.

Ingresso: estádio
e transporte

Eric Falt explica que como parte de um plano
sólido de preservação
ambiental, quem comprar os ingressos para
qualquer uma das partidas nos 12 estádios
da Copa poderá usá-los para
ter acesso gratuito ao local do jogo por meio
dos transportes públicos durante 24h,
de acordo com o plano de ingresso Kombi. O
acordo de ingressos Kombi irá custar
cerca de 2 milhões de Euros ao Comitê
de organização da Copa, mas
deverá evitar a emissão de vários
gases causadores do efeito estufa ao reduzir
o uso de veículos particulares.

Energia elétrica
Outras táticas, como a de economizar
energia elétrica, estão centradas
nas atividades dos estádios. Por exemplo,
sistemas de gerenciamento de energia de última
geração foram instalados no
estádio de Munique e devem promover
uma redução de 20% no consumo
de energia todos os dias, sejam eles dias
de jogo ou não.

Reuso de água
Além disso, o gramado do Olympiastadion
entre outros estádios será irrigado
por um sistema especial que capta a água
da chuva, e mictórios sem água
nos banheiros masculinos serão utilizados
em diversos locais selecionados.

Reutilizar
Com a questão de evitar o desperdício
como prioridade, os organizadores apresentaram
o “Copo da Copa” reutilizável.
Os espectadores farão um depósito
caução de um Euro pelo copo
que utilizarem e poderão adquirir um
só copo em cada evento.
Hoje também foi anunciado que 300 voluntários,
treinados para educar os espectadores sobre
os objetivos do Gol Verde, estarão
em cada um dos 12 estádios.

Conscientização
Uma brochura sobre o Gol Verde, com os logotipos
das organizações que apóiam
a iniciativa, que inclui o Pnuma, o Ministério
do Meio Ambiente, DBU, FIFA, Deutsche Telekom,
Plastics Europe, Coca Cola, Deutsche Bahn,
EnBW and Total, já está disponível
em estações de trem e metrô
nas 12 cidades que abrigarão o torneio.
A brochura, elemento chave para a conscientização
do público, foi enviada nessa semana
para 25.000 jornalistas em todo o mundo.
“Impactos ambientais, inclusive aqueles
que causam aumento das taxas de mudanças
climáticas, estão sendo cada
vez mais levados em consideração
em eventos esportivos. O movimento olímpico,
do qual o Pnuma é parceiro atuante,
já é um desses caminhos”,
disse o porta-voz do Pnuma.
“O Comitê Organizador da Copa do
Mundo tem sido veemente na busca das mesmas
considerações para o futebol.
Nós fomos encorajados tanto por seus
planos quanto por seu entusiasmo e esperamos
ansiosamente trabalhar com o comitê
e com a Fifa, bem como esperamos atingir resultados
sólidos, confiáveis e aparentes
em áreas como eficiência energética,
cuidado com o desperdício e economia
de água”, salientou Eric Falt.

Pnuma

Klaus Toepfer, o embaixador-artilheiro
do Gol Verde da Copa

Klaus
Toepfer –
ENTREVISTA

Silvestre Gorgulho
Um craque ambiental entrou em campo para
gerenciar o programa do Gol Verde. É
Klaus Toepfer, ex-ministro da Alemanha, ex-
diretor executivo do Pnuma e hoje o Embaixador
do Gol Verde na Copa do Mundo. Com exclusividade,Toepfer
falou à
Folha do Meio.

Folha do Meio – Como
começou esta história de se
fazer a Copa do Mundo Verde?
Klaus Toepfer –
A idéia nasceu
no inicio da década de 90, quando a
Federação Alemã de Futebol
começou a pensar em sediar a Copa do
Mundo de 2006. Questões ambientais
ainda não faziam parte da lista de
deveres da FIFA relacionada aos estádios.
No entanto, o Comitê Organizador Local
sentiu a necessidade de incluir estas questões
em todos os planos desde o começo.

FMA – Como o senhor
está encarando este desafio de ser
o Embaixador Verde da Copa do Mundo?
Klaus Toepfer –
À medida que
a Copa do Mundo se aproxima, o interesse nos
objetivos e atividades do Green Goal começa
a decolar. Temos uma grande entrevista coletiva
(26 de maio) marcada em Berlim com a lenda
do futebol alemão Franz Beckenbauer.
Estou certo que isso vai impulsionar o programa
Gol Verde e elevar o papel do Embaixador.

É bom lembrar que um dos desafios é
trazer algum realismo para as expectativas
públicas do Gol Verde. Quando se estabele
um projeto desse tipo, sempre haverá
aqueles que dizem “Não é
o suficiente, por que você não
vai mais além?!” E isso é
bom, nós precisamos ser pressionados
pela opinião pública e pelas
ONGs. Sabemos que estamos inovando. Essa é
a primeira Copa em que o meio ambiente faz
parte da agenda. Acho que podemos aprender
com a Copa da Alemanha para que futuras Copas
do Mundo se tornem mais verdes.

FMA – O senhor jogou
futebol?
Klaus Toepfer –
Como qualquer garoto
que cresce em ambientes não privilegiados,
jogar bola com os amigos foi um dos poucos
esportes acessíveis e disponíveis.
Joguei até meus 26 anos, quando perdi
contato com meu clube amador, localizado perto
de Hanover. Quando criança, joguei
de ala, pela direita. E era bastante ágil.
Com o tempo, passei a jogar no meio de campo
pela direita. Finalmente acabei jogando na
lateral direita, onde espero ter sido uma
boa barreira.

FMA – Quais seriam os
principais impactos ambientais em relação
ao esporte, em geral, e ao futebol, em particular?
Klaus Toepfer –
Alguns dos principais
impactos ambientais vêm na fase de projeto
e nas construções.
É vital levar em consideração
nessa fase a acústica ambiental como
energia solar ativa e passiva, reaproveitamento
da água, boas linhas de transporte
público etc. Se apenas no final das
obras for levado em conta tudo isso, os custos
vão ser muito mais elevados. Também
é importante que novas estruturas sejam
erguidas em locais apropriados, com vistas
ao uso sustentável pós-evento.
A operação de grandes estruturas
também pode consumir enorme quantidade
de eletricidade e isso contribui para a emissão
de gases de efeito estufa. Também vale
citar a grande quantidade de lixo gerada tanto
na construção como durante os
eventos.
Os grandes torneios de futebol, em termos
ambientais, têm os mesmos desafios das
Olimpíadas.

FMA – Como o Pnuma,
o governo alemão, a Fifa e os organizadores
da Copa vão agir para conseguir incorporar
as questões ambientais na preparação
e execução de cada jogo?
Klaus Toepfer –
Com a aproximação
da Copa, o Comitê Organizador está
contente em dizer que o clima de equilíbrio
ambiental para todo o torneio foi alcançado
pela primeira vez na história das Copas
do Mundo da FIFA. É essencial que se
alcance todos objetivos que foram estabelecidos:
redução de 20% de energia nos
estádios, 20% de uso de água
e 20% de lixo.
O Comitê Organizador vai trabalhar de
perto e em conjunto com os estádios,
com o governo alemão, com a FIFA, com
as várias industrias e parceiros de
negócios, e com a UNEP para alcançar
esses objetivos e para comunicar todos os
esforços ao público.
Quanto às seleções, como
da Alemanha e do Brasil, houve um acordo para
que os jogadores e comissão técnica
usem o trem para as viagens, sempre que for
possível.

FMA – E em relação
aos torcedores nos estádios?
Klaus Toepfer –
Folhetos do Gol Verde
estão sendo distribuídos aos
torcedores nas estações de trens
para que eles conheçam nossas metas.
Há também o incentivo ao uso
dos transportes públicos. Temos um
ingresso chamado Kombi. Como parte dos planos
de transportes ambientalmente corretos, torcedores
que adquirirem esses tickets para qualquer
um dos jogos, terão acesso livre ao
transporte público por 24 horas.
O compromisso do “ticket Kombi”,
isoladamente, vai custar ao Comitê de
Organização cerca de 2 milhões
de Euros. Mas vai diminuir as grandes quantidade
de gases de efeito estufa, por reduzir o uso
de carros particulares. Nós esperamos
que um em cada dois torcedores usem o transporte
público.
Quanto ao lixo, os organizadores introduziram
o re-utilizável “Copo da Copa”.
Os torcedores vão pagar 1 Euro pelo
copo, que vai ser o único vendido e
usado para as bebidas nos campos.
Haverá também 300 voluntários,
treinados para educar os torcedores em relação
aos objetivos do programa Gol Verde. Eles
vão estar distribuídos em cada
um dos 12 estádios.
Um filmete vai ser apresentado antes de cada
partida. Esse filme tem como alvo não
só torcedores, mas também os
jogadores durante seus exercícios de
aquecimento. O filme a ser apresentado pela
primeira vez, em Berlim, na semana que vem,
tem o slogan “Campeões Mundiais
pelo Meio Ambiente – Estamos Trabalhando
Nisso”.

FMA – E haverá
um programa específico para trabalhar
a mídia, os jornalistas e até
os patrocinadores da Copa?
Klaus Toepfer –
Essa semana 25 mil
folhetos do Gol Verde vão ser entregues
aos jornalistas do mundo inteiro. Apesar da
grande conferência de imprensa acontecer
na semana que vem, o programa vem distribuindo
e atualizando as notícias regularmente.

FMA – Como é
ser a primeira Copa “climaticamente neutra”?
Klaus Toepfer –
O esquema do Clima
Neutro vai compensar todas as 100 mil toneladas
de dióxido de carbono geradas, na Alemanha,
a partir de transportes, construção
e manutenção dos estádios,
além de 3.2 milhões de torcedores
esperados. Parte dessas emissões será
compensada por projetos de carbono como a
plantação de árvores
e produção de energia limpa
em países em desenvolvimento.

FMA – Que mensagem o
senhor acha que vai ficar para os bilhões
de torcedores que verão a Copa?
Klaus Toepfer –
Espero que os torcedores
desta Copa lembrem-se do evento como um fantástico
espetáculo responsavelmente organizado
e também, que se levou muito em conta
as questões ambientais. Que as futuras
Copas demandem medidas ambientais mais fortes
ainda.

FMA – Agora, só
para nós aqui: quais seleções
vão fazer o final da Copa?
Klaus Toepfer –
Que pergunta! Meu
coração espera que a Alemanha
chegue lá. Mas, não será
surpresa se o outro for esse mágico
time do Brasil.

summary

Klaus Toepfer –
INTERVIEW
Klaus Toepfer is the former Executive
Director of the United Nations Environment
Programme (UNEP) and Green Goal Ambassador
for the FIFA World Football (Soccer) Cup

The Idea
The idea was born in the early 90’s when the
German Football Federation first thought about
bidding for the 2006 FIFA World Cup. Environmental
questions were not a part of the FIFA booklet
of duties that is binding for the stadiums,
but the Local Organizing Committee felt a
need to include this issue in the overall
plans from the very start.

The challenges
As the 2006 FIFA World Cup gets ever closer
to kick off, the interest in the aims and
activities of the Green Goal are really beginning
to take off. We have a big press conference
scheduled in Berlin (26 May) with German football
legend Franz Beckenbauer.
I am sure that this will propel Green Goal
and the role of the Ambassador to increasing
heights. Let me add that one of the challenges
is to bring some realism to the public expectations
of the Green Goal. When you establish such
a project there will always be those who say
“It is not enough, why do you not go
further?” And that is good, we need to
be pressed by the public and by NGOs. But,
you know, we are really breaking new ground
here. This is the first World Cup where environment
is being put firmly on the agenda.
I think we can learn from the event in Germany
so that future World Cups become ever greener.

I played football (soccer Like
any small boy growing up in a less than privileged
background, kicking a ball around with friends
was one of the few sports available and affordable.
I played regularly until about aged 26 when
I lost touch with my amateur club based in
a small village not too far from Hanover.
As a child, I played on the right wing and
I was pretty fast. As the years progressed
I switched first to right midfield and then
finely right defense where I hope I was pretty
tough and impregnable!

Environmental impacts
Some of the main environmental impacts come
in the design and construction phase. It is
vital that environmentally sound design, like
passive and active solar, water recycling,
good public transport links and so on, is
factored in at the outset. Otherwise it can
become much more expensive if added in at
the end. It is also important that new structures
are sensitively sited and that there is an
eye on their sustainable use post the event
they were built and designed for.
The operation of massive structures and buildings
can also consume huge amounts of electricity
and this adds to greenhouse gas emissions.
There are also the large quantities of waste
generated both in the construction phase and
when large numbers of crowds are gathering
to watch events or a match.
I think big football tournaments are really
no different in terms of environmental challenges
than say the Olympics.

Partners
As we’re approaching the tournament, the Local
Organizing Committee is happy to say that
climate neutrality for the overall tournament
has been achieved – a first in FIFA World
Cup history. Now it’s vitally important to
reach the goals that were set for the stadiums
– 20% less energy in the stadiums, 20% less
water use, 20 % less trash The Local Organizing
Committee will work in close cooperation with
the stadiums, the German government, FIFA,
the various industry and business partners
and UNEP to reach these goals and to communicate
all efforts to the public.
In terms of the teams, some like Germany and
Brazil, have committed themselves to using
the train as much as possible for traveling
to venues.

Cup of the Cup
Our Green Goal brochure is being made available
to fans at train stations so they know our
aims. Other measures include encouraging fans
to travel by public transport. We have a thing
called a Kombi ticket. As part of an environmentally
sound transport plan, fans purchasing tickets
for the matches in the 12 World Cup venues
will be able to use them for free access to
local public transportation during 24h, as
part of the Kombi ticket scheme.
The Kombi ticket commitment alone will cost
the World Cup 2006 Organizing Committee some
two million Euros, but should save large amounts
of greenhouse gases by reducing private car
use.
Indeed we hope every second fan will arrive
and depart from matches on public transport.
With the issue of waste avoidance foremost
on their minds, the organizers have also introduced
the reusable “Cup of the Cup”. Fans
will pay a deposit of one Euro for the cup
which will be the only one sold and used for
drinks at the grounds. There will also be
300 volunteers, trained to educate fans about
the aims and objectives of Green Goal, located
inside each of the 12 stadia.

Journalists
This week 25,000 of the Green Goal brochures
are being delivered to journalists world-wide
and, apart from next week’s big press conference,
Green Goal has been issuing regular press
releases and updates.

Climate Neutral
The Climate Neutral scheme will offset all
100,000 tonnes of carbon dioxide generated
within Germany by transportation, construction
and maintenance of the stadia, and the presence
of 3.2 million expected spectators.
Part of these emissions will be offset by
carbon friendly projects like tree planting
and clean energy schemes, in developing countries.

Future Word Cups
I hope the fans watching the 2006 FIFA World
Cup will remember the event as a fantastic
spectacle that was well and responsibly organized
and that part of that responsibility extended
to the environment in meaningful and verifiable
ways. And that fans at future World Cups will
demand ever stronger environmental measures.

Final Match
What a question!! My heart hopes for Germany
to be there and my head tells me that, not
surprisingly, the other team will be the wizards
from Brazil!!

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Pesquisa identifica oito planetas candidatos a ter vida extraterrestre

Estudo foi feito por pesquisador brasileiro no Observatório Nacional

Publicado

em

Por

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Um pesquisador brasileiro identificou oito planetas localizados fora do Sistema Solar, os chamados exoplanetas, que têm uma possibilidade maior de ter água em estado líquido e, consequentemente, permitir o desenvolvimento de vida. O levantamento foi feito pelo cientista Fábio Calabrio Evangelista da Silva, sob a orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional.

Silva analisou as informações de mais de 6 mil exoplanetas já descobertos até agora, a partir de um banco de dados da Nasa, a agência espacial estadunidense. Ele examinou informações como raio, densidade e distância em que orbitam em relação à estrela.

A partir dessas informações, conseguiu identificar aqueles que têm um raio e densidade semelhantes aos do planeta Terra. Separou também aqueles que estão na chamada zona de habitabilidade.

“A zona de habitabilidade é uma zona que possibilita a água líquida porque não é nem tão quente, mais próximo da estrela, e nem tão frio, para longe da estrela. Então é a zona perfeita. A gente chama de Goldilocks Zone, a Zona dos Cachinhos Dourados”, explica Silva.

Por fim, estimou as características da atmosfera, além da pressão e temperatura da superfície. Silva, então, elencou os oito exoplanetas mais parecidos com o nosso, portanto, com maiores possibilidades de possuir água em estado líquido e sustentar vida.

“A Terra é o único exemplo que a gente vai ter, por enquanto, para se definir vida, para se definir quais são as características necessárias para se ter água líquida”, afirma o pesquisador, que apresentou seu trabalho nesta semana, na 6ª edição do Astrobion, evento sobre astrobiologia organizado pelo Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Dos oito exoplanetas, o mais parecido com a Terra é chamado de GJ 1002b, que, segundo a pesquisa do Observatório Nacional, tem 98% de similaridade com o nosso planeta.

Descoberto em 2022, o GJ 1002b, localiza-se a 16 anos-luz do nosso planeta (ou seja, a luz leva 16 anos para fazer o trajeto entre os dois planetas). Ele orbita uma estrela anã-vermelha (tipo M), que é mais fria que o Sol. Cada volta em torno da estrela, leva apenas 10 dias.

Busca por extraterrestres

“A gente está buscando um planeta que tenha condições similares à Terra. Mas isso não quer dizer que seja o único lugar possível de ter vida no universo, porque podem existir outras formas de vida que a gente ainda não conheça e que precisem de características químico-físicas diferentes”, ressalta o professor Marcelo Borges Fernandes.

A possibilidade de haver vida fora da terra é parte do imaginário popular há séculos. Na Grécia Antiga, pensadores já especulavam sobre a possibilidade de haver vida na Lua. A busca por organismos extraterrestres ganhou força com o início da corrida espacial, entre os anos 50 e 60.

Nas primeiras décadas, no entanto, a busca se focou em nosso Sistema Solar, em especial naqueles corpos celestes mais próximos da Terra, como a própria Lua e o planeta Marte, e na recepção de sinais enviados por eventuais civilizações extraterrestres.

Em 1992, no entanto, os primeiros exoplanetas, chamados de Poltergeist e Phobetor, foram descobertos. De lá para cá, foram mais de 6 mil descobertas na nossa galáxia, elevando assim o número de locais onde a vida pode ter se desenvolvido.

A busca por vida nesses locais, no entanto, é uma tarefa difícil, uma vez que todos eles estão a anos-luz da Terra, o que inviabiliza, pelo menos com a tecnologia existente, que sejam visitados. O estudo desses exoplanetas é feito por meio de observações intermediadas pela estrela à qual eles orbitam.

A forma de verificar a possível existência de vida nesses casos é através do exame da atmosfera desses exoplanetas. Telescópios, como o James Webb, possuem equipamentos que analisam as ondas de luz emitidas pela estrela quando o planeta está transitando em frente a ela. Esses aparelhos conseguem perceber as variações ocorridas quando elas interagem com a atmosfera do exoplaneta, já que cada substância química tem sua própria marca.

“Com alta resolução espectral, você pode ver se existe uma atmosfera, determinar a composição química da atmosfera e, com isso, você vai juntando cada pecinha do quebra-cabeça de forma tentar definir se aquele planeta pode ter condições ideais para existência da vida ou não”, explica Fernandes.

O que os cientistas que buscam vida fora da Terra, os chamados astrobiólogos, buscam são as chamadas bioassinaturas. São substâncias ou uma combinação delas que, na Terra, são comumente produzidas pela ação de mecanismos biológicos, como é o caso da coexistência dos gases metano e oxigênio.

Recentemente um estudo liderado pela Universidade de Cambridge analisou a atmosfera do exoplaneta K2-18b e encontrou sinais de metano e dióxido de carbono. Também foi detectada uma assinatura que poderia ser sulfeto de dimetila (DMS), uma molécula que, na Terra, é produzida apenas por seres vivos, como os fitoplânctons.

Como este é um planeta que tem probabilidade de ser coberto por um oceano de água global, veículos de imprensa noticiaram que cientistas haviam descoberto sinais de vida em um planeta distante.

Evidências

O problema é que muitas das bioassinaturas, inclusive as substâncias encontradas em K2-18b, poderiam ser produzidas também por meios abióticos, como processos geológicos ou radiação.

“A gente tem que ter sempre muito cuidado para analisar isso e comparar com o único exemplo que a gente tem, que é a Terra, para saber se a única explicação seria uma fonte de vida ou se pode ser de fontes geológicas ou atmosféricas não ligadas à vida, que reproduziriam aquela possível bioassinatura”, ressalta Fernandes.

De acordo com o pesquisador do Laboratório Analítico de Astrobiologia da Nasa José Aponte, encontrar bioassinaturas de forma isolada no espaço não é sinal inequívoco de vida. “Nenhuma análise, por si só, pode garantir uma confirmação definitiva [da existência de vida]. É preciso haver mais de uma linha de evidência para que isso aconteça”.

Aponte destaca que a combinação de três aspectos pode ser um forte indicador de que aquelas bioassinaturas são mesmo produzidas por seres vivos. O primeiro seria a repetição de moléculas no ambiente. “Se aquela molécula se repete exaustivamente e isso é consistente depois de várias medições, isso poderia representar uma bioassinatura”.

A segunda linha de evidências seria a predominância de um tipo de quiralidade. Moléculas quirais são aquelas que têm a mesma estrutura química, mas não são exatamente iguais. Algumas desviam a luz para a esquerda e outras, para a direita. Um bom exemplo para explicar isso são as mãos esquerda e direita. Elas são a imagem espalhada uma da outra, mas se formos sobrepô-las (ambas com as palmas para baixo), elas não se encaixam.

Na Terra, os organismos usam quase que exclusivamente os aminoácidos de configuração L (ou seja, são como nossa mão esquerda), salvo poucas exceções. Já os açúcares são praticamente todos de configuração D (isto é, como a mão direita). “Então uma segunda linha de evidência seria encontrar a predominância de um tipo de molécula quiral [no lugar investigado]”.

E a terceira linha de evidências seria a análise de isótopos, isto é, elementos químicos que têm massas diferentes. Na Terra, a vida tem preferência pelos isótopos mais leves, como o carbono 12, em vez do carbono 13, e pelo hidrogênio em vez do deutério (isótopo mais pesado do hidrogênio).

“Bioassinaturas em outros lugares também poderiam ser ricas nos isótopos mais leves. Então, não se trata apenas de encontrar uma única molécula, mas sim de encontrar mais de uma linha de evidência combinada”, explica o pesquisador da Nasa.

Ingredientes da vida

Mesmo aquelas moléculas orgânicas que são chamadas de ingredientes da vida, como os aminoácidos ou as bases nitrogenadas que formam nosso código genético, não podem ser consideradas provas da existência de vida extraterrestre.

Aponte é parte do grupo de cientistas que analisou amostras de rochas coletadas por uma sonda no asteroide Bennu, que orbita próximo à Terra. Dezenas de moléculas orgânicas foram detectadas no corpo celeste, entre elas os três componentes dos ácidos nucleicos: fosfatos, o açúcar ribose (que é parte da estrutura do RNA, o ácido ribonucleico) e as cinco bases nitrogenadas que formam os nucleotídeos de todos os seres vivos: adenina, guanina, citosina, timina e uracila.

Também foram detectados, nada menos que 14 dos 20 aminoácidos usados na produção de proteínas pelos organismos terrestres, inclusive o triptofano, que nunca havia sido observado em amostras extraterrestres.

Nada disso, no entanto, é sinal de vida extraterrestre, já que essas moléculas podem ter sido formadas de forma abiótica pela ação de radiação ou de reações químicas em um ambiente aquoso, há centenas de milhões de anos.

“No caso de encontrarmos um composto do tipo nucleotídeo ou uma cadeia de RNA, a história é outra. Isso poderia ser uma evidência mais robusta, porque moléculas como essas são muito frágeis e se decompõem muito rapidamente em termos geológicos”, afirma Aponte.

Expectativas

Apesar das dificuldades para se localizar vida fora da Terra, há grandes expectativas em relação a futuras missões não tripuladas dentro do próprio Sistema Solar, como a Europa Clipper, que deve chegar, em 2030, a Europa, satélite que orbita Júpiter. Há indícios de que, sob a crosta de gelo dessa lua joviana, exista um oceano de água salgada, que pode ter condições de abrigar vida.

Outra missão, a Dragonfly, deverá ser lançada em 2028, rumo a Titan, uma das luas de Saturno, que possui uma atmosfera possivelmente rica em nitrogênio, além de metano em forma líquida em sua superfície. O robô, que tem o mesmo nome da missão, deve chegar a Titan em 2034 e buscará indicadores químicos de vida baseada em água ou em hidrocarbonetos, como o metano.

Há expectativas também em relação a outra lua de Saturno, Enceladus, que, assim como Europa, também pode abrigar um oceano sob sua crosta de gelo; e a Marte, onde há calotas de gelo e possivelmente reservatórios subterrâneos de água.

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Voluntários transformam tempo em cuidado há 61 anos no Hospital de Base

Com 52 integrantes, serviço acolhe pacientes e ajudou a abrir caminho para outras iniciativas de voluntariado na unidade 

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Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes

Há 61 anos, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) conta com pessoas que escolheram transformar tempo e disposição para ajudar em uma forma de cuidado. Criado em 1965, o Serviço Auxiliar de Voluntários (SAV) acompanha quase toda a trajetória do hospital, que completou 66 anos, e mantém o paciente no centro de sua atuação. Atualmente, 52 voluntários participam de atividades como acolhimento nos leitos, reiki, doação de kits de higiene e artigos hospitalares, além de ações voltadas à socialização e ao bem-estar. Ao longo de seis décadas, o SAV também ajudou a abrir espaço para a chegada de outras iniciativas de voluntariado ao HBDF.

Para ser voluntário, basta procurar o escritório do serviço no Hospital de Base para passar por uma entrevista. Outra opção é realizar o cadastro pelo site da entidade, preencher o formulário disponível e aguardar o contato da equipe. A presidente do SAV, Vandelícia Dias, ressalta que não é preciso ter experiência para participar, mas disposição para doar tempo.

Voluntários visitam paciente no Hospital de Base: “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, observa a presidente do SAV, Vandelícia Dias | Fotos: Divulgação

Para Vandelícia Dias, a essência desse trabalho está na disponibilidade para o outro. “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, afirma.

Desde 2010, a entidade alcança uma média de 3,7 mil acolhimentos a pacientes por mês, entre atendimentos realizados dentro do hospital e itens doados. Parte das ações é viabilizada com recursos obtidos por meio das vendas do bazar do SAV, abastecido por doações. “No que estiver dentro da nossa condição, nós sempre iremos ajudar. De pouquinho em pouquinho, nós vamos atendendo as demandas e espalhando o bem”, comemora Vandelícia.

 

Uma história construída dentro do hospital

Fundado pelo médico Oscar Moren, o SAV iniciou o trabalho com foco na pediatria e, ao longo dos anos, ampliou a atuação para outras áreas do Hospital de Base. Entre as frentes que ganharam destaque está a psiquiatria, onde são desenvolvidas atividades lúdicas voltadas para a socialização e o bem-estar dos pacientes.

Essa trajetória também contribuiu para fortalecer a presença do voluntariado na unidade. “O SAV e o Hospital de Base caminharam juntos desde o começo. Nosso trabalho abriu portas e permitiu que outras instituições também viessem para cá. Servimos de exemplo”, afirma Vandelícia.

Atividades lúdicas voltadas à socialização e ao bem-estar dos pacientes ganharam destaque nas atividades dos voluntários no HBDF

Ao mesmo tempo em que acolhe pacientes, o trabalho deixa marcas em quem escolhe dedicar parte da própria vida ao outro. Salete Paulina Malinski entrou para o SAV há 29 anos, depois de ouvir no rádio um anúncio que convidava pessoas para o voluntariado.

“Amo trabalhar com pacientes. A gente sempre consegue levar um pouco de alegria, um pouco de leveza. Gosto de me doar para os outros, de conversar e de trazer paz. Me sinto muito bem”, confessa.

Se Salete carrega quase três décadas de experiência, Rosimeire Costa representa quem está começando essa trajetória. Aposentada, ela decidiu dedicar parte do tempo livre ao voluntariado e integra o SAV há dois meses.

“Aqui, você consegue ser uma gotinha de coisas boas na vida de outras pessoas. É muito gratificante promover um momento de descanso, de alegria, de descontração a um paciente que está passando por um momento difícil. Isso traz sentido para a vida”, comemora.

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Câmara Legislativa realiza sessão solene em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis

Cerimônia está marcada para terça-feira (22), a partir das 19h, e terá transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital e pelo YouTube

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Foto: Francisco Arrais

Homenagem presta reconhecimento público a atletas, professores, treinadores, dirigentes e organizações que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF

A Câmara Legislativa fará uma sessão solene, na próxima terça-feira (22), às 19h, em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis. De autoria do deputado Martins Machado (Republicanos), o evento visa destacar a relevante contribuição dessas modalidades para o desenvolvimento do esporte no Distrito Federal. A solenidade ocorrerá no plenário e será transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital.

De acordo com Martins Machado, além de promover hábitos saudáveis, as modalidades incentivam a disciplina, a superação de desafios e a convivência social. “A expansão dessas práticas esportivas também gera impactos positivos na economia local, por meio da realização de torneios, eventos, capacitações e atividades ligadas ao setor esportivo, promovendo oportunidades de trabalho e fortalecendo o turismo esportivo”, ressalta o distrital.

Ainda de acordo com o parlamentar, a homenagem representa o reconhecimento público aos atletas, professores, treinadores, dirigentes, organizadores de eventos, clubes e academias que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF.

Agência CLDF

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