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Fotos
de Marcos Sá Correa

Abaixo,
a Pedra da Tartaruga, na parte alta
do Parque do Itatiaia, e a vegetação
característica de Mata Atlântica
na parte baixa do Parque

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Silvestre Gorgulho,
de Brasília
O Ministério do Meio Ambiente resolveu
agir e revitalizar a primeira unidade de conservação
criada no Brasil: o Parque Nacional do Itatiaia,
localizado na serra da Mantiqueira, divisa
do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas
Gerais. A ministra Marina Silva lançou,
dia 12 de abril, na sede do Parque, várias
ações elaboradas pela Diretoria
de Áreas Protegidas do MMA, marcando
o início das comemorações
pelos 70 anos do Itatiaia. Foi assinada uma
portaria com as Diretrizes para Visitação
em Unidades de Conservação e
um compromisso de programa de reformas para
o Parque.
Criado em junho de 1937 pelo
então presidente Getúlio Vargas,
o Parque Nacional do Itatiaia foi a primeira
unidade de conservação criada
no Brasil. Abrange uma área de cerca
de 30 mil hectares, que guarda centenas de
nascentes, formações rochosas
(como o pico das Agulhas Negras), além
de uma importante reserva de Mata Atlântica,
refúgio para uma rica fauna, incluindo
o sapo flamenguinho (Melanophryniscus moreirae),
espécie que só existe na região.
Jefferson
Rudy
Marina Silva anunciou
no Parque do Itatiaia o programa de
uso público dos parques nacionais
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Pelo documento assinado pela
ministra, o MMA propõe o desenvolvimento
do turismo nessas áreas de forma compatível
com um dos principais objetivos do Sistema
Nacional de Unidades de Conservação
da Natureza (Snuc): a preservação
da biodiversidade. Segundo Marina Silva, o
governo entende que a atividade, cuja demanda
vem crescendo a cada ano, pode gerar recursos
para a conservação da natureza
nas UCs e ainda potencializar o uso sustentável
dos serviços vinculados aos ecossistemas.
Os recursos para as obras são
provenientes de compensações
ambientais. No pacote de obras, a ministra
assinou termo de compromisso com a empresa
Novatrans no valor de R$ 3 milhões
e Furnas, no valor de R$ 500 mil. Os recursos
vão ser aplicados na ampliação
do centro de visitantes, que possui uma biblioteca
com obras raras, auditório para 50
pessoas, um museu para abrigar dezenas de
espécies empalhadas da Mata Atlântica,
e também na reforma de trilhas e estradas
e nova sinalização.
Durante a solenidade, a ministra
Marina Silva fez o pré-lançamento
do Programa Nacional de Estruturação
de Uso Público em Parques Nacionais,
com ações para expandir a visitação
de turistas brasileiros e estrangeiros aos
parques nacionais.
A idéia – explicou a
ministra Marina – é conceder à
iniciativa privada licença para investir
e explorar o potencial turístico desses
parques. O Parque Nacional do Itatiaia, da
Tijuca e da Serra dos Órgãos
(RJ), o Parque Nacional do Iguaçu (PR),
Abrolhos (BA), além do Arquipélago
de Fernando de Noronha serão as primeiras
unidades beneficiadas. A ministra também
anunciou a mais nova Unidade de Conservação
criada pelo governo federal, em fevereiro
deste ano: a Estação Ecológica
Guanabara.
A área de proteção
integral de uso sustentável vai proteger
os últimos remanescentes do manguezal
no estado do Rio de Janeiro, além de
permitir o repovoamento das espécies
de peixes.
Nas belas terras do
Visconde
As atrações da Mantiqueira:
a parte alta e a parte baixa do Parque Nacional
do Itatiaia
Silvestre Gorgulho
Visconde de Mauá é hoje um belo
e pequeno município encravado na serra
da Mantiqueira, com charmosíssimas
pousadas, que faz divisa com o município
mineiro de Aiuruoca, do outro lado do espinhaço.
Visconde de Mauá foi o que sobrou em
nome e sobrenome de todas as terras do empresário
Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de
Mauá. Foi seu filho, Henrique Irineu
de Souza, que instalou os dois núcleos
coloniais: Visconde de Mauá e Itatiaia.
Em 1908, a Fazenda Nacional adquiriu essas
terras para a criação dos núcleos.
De um lado e de outro, a serra da Mantiqueira
é exuberante em atrações
naturais. É um dos mais importantes
maciços montanhosos do País
que se espalha pelas divisas de São
Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Sua
linha de cumes começa no de Bragança
Paulista seguindo na direção
norte-nordeste por uns 500km, até a
cidade mineira de Barbacena. Nesse contexto
geológico, a Mantiqueira forma picos,
vales, planaltos e uma paisagem de encher
os olhos. O nome Mantiqueira vem do tupi-guarani
e se justifica pela grande quantidade de nascentes,
riachos, cachoeiras e lagos que se formam
em suas encostas: é a “Serra que
chora”. Já Itatiaia, também
vem do tupi-guarani e significa “Pedra
com pontas”.
Entre 1908 e 1916, foi instalado
na região do Parque Nacional do Itatiaia
um programa de fixação de europeus,
chamado de Serviço de Povoamento do
Solo Nacional. Ocuparam os núcleos
coloniais imigrantes suíços,
alemães, austríacos e ibéricos.
Como o empreendimento não foi bem,
as terras foram para o Ministério da
Agricultura que, em 1929, criou uma Estação
Biológica subordinada ao Jardim Botânico
do Rio de Janeiro.
Desde 1913, já havia uma idéia
do botânico Alberto Lofgren de transformar
as terras em Parque Nacional. Ainda neste
ano, José Umbmayer advogou essa causa,
através de uma conferência realizada
na Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro,
que contou com apoio e simpatia de Derby Lofgren
e o Barão Homem de Melo. Mas somente
em 1937, o então presidente Getúlio
Vargas criou o primeiro Parque Nacional do
Brasil – o Parque do Itatiaia.
Ecoturismo
Toda a região da Mantiqueira, em São
Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro é
muito procurada pelos ecoturistas, que buscam
desfrutar de um clima europeu, paisagens deslumbrantes,
pousadas de charme, culinária típica
e opções de passeios em trilha,
canoagem, rapel e banhos de cachoeira. Em
Minas, criou-se – além da APA da Mantiqueira
– um conceito turístico de Terras Altas
da Mantiqueira, que engloba nove municípios
chaves: Itamonte, Passa Quatro, Itanhandu,
Virgínia, Alagoa, Pouso Alto, São
Sebastião do rio Verde, Delfim Moreira
e Marmelópolis.
Atrações
na parte baixa do Parque
Lago Azul
Essa atração é uma piscina
natural do rio Campo Belo e fica bem próxima
do centro de visitantes. A trilha é
bem acessível, mas há uma escadaria
com aproximadamente 120 degraus.
Cachoeira Poranga
Partindo do centro de visitantes, a cachoeira
Poranga fica a 2,5 km subindo a partir do
Centro de Visitantes. Uns 450 metros depois
têm outra piscina natural que cai pelo
rio Campo Belo.
Devido o acesso difícil, tanto das
trilhas como das atrações, os
visitantes devem ter alguma experiência,
mesmo assim devem tomar muito cuidado.
Maromba
A 4km do centro de visitantes está
o complexo do rio Maromba, onde podem ser
encontrados uma piscina natural de Maromba
(1.110 metros de altitude) a cachoeira de
Itaporani e a famosa cachoeira Véu
de Noiva.
Segundo orientação do próprio
diretor do Parque do Itatiaia, Walter Behr,
os Três Picos é um outro atrativo
a que se pode ter acesso. Mas leva um dia
de caminhada, numa trilha íngreme de
6 km por dentro da Mata Atlântica. O
lugar é especial e oferece uma boa
visão do vale do Rio Paraíba,
do Parque e dos contrafortes da Serra da Mantiqueira
e da Serra do Mar. Todos esses acessos para
ser mais seguro devem ser feitos na companhia
de um guia local.
Na parte baixa ainda pode ser visitada a Pedra
de Fundação, que está
à beira da estrada, em frente ao portão
de acesso à Sede do Parque. E também
o Mirante do Último Adeus. Local com
uma vista panorâmica e privilegiada
do Parque, do Vale do rio Campo Belo e da
Serra do Mar.
O diretor Walter Behr ressalta que em épocas
de chuva sempre há que ter mais cuidado
devido as chamadas de cabeças d’água,
que é um fenômeno decorrente
do acúmulo de água na cabeceira
do rio, provocando uma enchente repentina.
Atrações
na parte alta do Parque
O acesso à parte alta
se dá pela via Dutra (Rio-São
Paulo) entrando em Engenheiro Passos, tomando
a rodovia para São Lourenço
e Caxambu. Na divisa com Minas Gerais, na
chamada Garganta do Registro, tem início
a estrada de terra de 13km que chega à
entrada do Parque.
Lá em cima, a 2.400 metros de altitude
nasce o rio Campo Belo, que percorre 38 km
pelo Parque e abastece a cidade de Itatiaia.
É ele o principal responsável
pelo equilíbrio da fauna, flora e forma
a maior parte das belezas naturais do Parque.
Pico das Agulhas Negras
e Maciço das Prateleiras
Na Parte Alta também encontramos o
Pico das Agulhas Negras (2.791 metros de altitude)
e o Maciço das Prateleiras (2.548 metros
de altitude). Quando o tempo está limpo,
que é difícil por causa da neblina
e das nuvens, pode-se avistar todo o vale
do rio Paraíba. À noite, pelos
focos de iluminação, pode-se
um grande número de cidades.
Próximo às Prateleiras – formada
por imponentes blocos de rochas – existem
diversos lagos e curiosas formações
rochosas como a Pedra da Tartaruga, a Pedra
da Maçã e a Pedra Assentada.
Vale do Aiuruoca e Pedra
do Altar
Vale ressaltar a importância de ter
um guia experiente para evitar contratempos
na visita, inclusive o risco de se perder.
Do lado oeste da Serra da Mantiqueira, ou
seja, do lago de Minas Gerais está
o vale do Aiuruoca, com muitas nascentes,
formações rochosas, cachoeiras
e lagos.
Outra atração muito visitada
é a Pedra do Altar, a 2.530 metros
de altitude, que tem um difícil grau
de acesso.