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Carros elétricos no Brasil

Ausência de normas para emissão de poluentes impede crescimento do mercado de veículos elétricos. Toyota e a Honda saem na frente


Empresário Ângelo Vian, presidente da ABCE

Silvestre Gorgulho,
de Brasília
A pergunta é: Por quê os veículos elétricos não conseguem entrar no
mercado no Brasil? Quem dá a resposta é Ângelo Vian (foto), presidente
da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia: o problema é
apenas comercial. Tudo se resume na falta de definição sobre normas
para emissão de poluentes. Essa é uma das principais barreiras para a
redução no preço do veículo elétrico e, conseqüentemente, para o
desenvolvimento do seu mercado. O veículo elétrico híbrido é, para
Vian, a solução do momento. Segundo Vian, a diferença de preço dos VEs
em relação aos convencionais – cerca de 4 mil euros ou R$ 11,3 mil – é
um fator determinante no impedimento do crescimento do mercado de
veículos elétricos. “No entanto, se forem impostas restrições mais
drásticas na questão da poluição, o mercado para o veículo elétrico
será criado automaticamente”, avalia.

Esse
tema será discutido durante o 4° Seminário e Exposição de Veículos
Elétricos que o INEE – Instituto Nacional de Eficiência Energética
realiza nos dias 15 e 16 de agosto, na Escola Senai Mário Amato, em São
Bernardo do Campo-SP. Para reforçar sua opinião, Ângelo Vian cita a
imposição de regras em relação à emissão de poluentes na Califórnia,
EUA, berço do veículo elétrico. “A adoção de medidas contra os
automóveis que contribuiam para a poluição do ar estimulou o
desenvolvimento dos VEs”, lembra.

Toyota e Honda
Mesmo diante das barreiras existentes, Ângelo enxerga uma tendência de
crescimento do mercado. “A Toyota e a Honda saíram na frente e já
dispõem de modelos competitivos. Outros fabricantes de veículos tentam
recuperar o tempo perdido”, analisa Vian. Segundo ele, algumas
montadoras estão investindo em projetos de híbridos que combinam a
eletricidade e diesel (no lugar da gasolina), além de outras
iniciativas para tentar obter um motor a gasolina que polua menos. Na
sua avaliação, o veículo puramente elétrico tem uma autonomia limitada
e ainda depende de novas tecnologias para o desenvolvimento de baterias
mais leves. “O híbrido foi a grande jogada”, reforça.
As estimativas indicam que existem cerca de 300 mil veículos híbridos
em circulação em 23 países. Ângelo Vian considera essa frota ainda
tímida. Para ele, é importante voltar à atenção para o mercado de VEs,
uma vez que o desenvolvimento desse tipo de veículo alterará não apenas
o setor de transportes, mas, também, o de energia. “A frota atual no
mundo, embora pequena, gera cerca de 9 mil megawatts, o equivalente a
uma usina de Itaipu”, compara.
“Todos que estão envolvidos na geração e distribuição de energia devem
começar a estudar o impacto dos VEs para o setor, seja na condição de
consumidores de eletricidade para a recarga das baterias, ou como
fornecedores”, diz Vian.

Como funciona
O veículo elétrico híbrido tem um tanque de combustível, como um carro
convencional, mas os primeiros quilômetros do percurso são feitos com a
energia da bateria, que é recarregada por um gerador de eletricidade a
bordo e, também, pela energia aproveitada das frenagens. Já o híbrido
plug in, conta com uma bateria com capacidade maior que pode ser
recarregada numa tomada dentro da garagem da casa, tendo autonomia para
rodar os primeiros 30 a 40km somente com essa energia acumulada. Mas
ainda é preciso criar a infraestrutura para recarregar todas as
baterias a partir de uma simples tomada.
Ao ser carregada, a bateria tem uma carga especial que não é problema
para a rede elétrica, mas os impactos devem ser previstos e estudados
com todos os seus atores: geradores, transmissores e distribuidores
envolvidos no processo, explica Ângelo Vian.
Os VEs podem ser classificados em cinco famílias:

VE a bateria – VEB – a energia é fornecida por um conjunto de baterias que são recarregadas na rede elétrica.
VE híbrido – VEH – a energia é fornecida por um gerador a bordo.
VE de célula a combustível –
VECC é suprido por células a combustível, equipamento eletro-químico
que transforma a energia do hidrogênio diretamente em eletricidade.
VE ligado a rede ou troleibus – a energia é fornecida pela rede elétrica
VE Solar – VES – a energia é fornecida por placas fotovoltáicas.

O Seminário
O VE 2006 – 4° Seminário e Exposição de Veículos Elétricos, organizado
pelo INEE debaterá todos os aspectos relacionados aos veículos
elétricos, sejam a bateria, híbridos e de célula a combustível,
envolvendo os tipos, a eficiência, o mercado, as pesquisas, a
divulgação e a matriz energética.
Além do seminário haverá também uma exposição de tecnologias, produtos
e serviços com as novidades dos mercados que envolvem os veículos
elétricos. É aberta ao público.

Mais informações: www.ve.org.br/seminario.shtml

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Exposição inédita de Tarsila do Amaral chega a Brasília no Centro Cultural TCU

“Transbordar o mundo” reúne mais de 60 obras e ambiente imersivo que revisita trajetória de umas principais pintoras da arte brasileira

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Pela primeira vez em Brasília, o Centro Cultural TCU apresenta a exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, mostra inédita que convida o público a revisitar a trajetória de uma das figuras centrais do modernismo brasileiro. A exposição será aberta para visitação no dia 11 de fevereiro e permanecerá em cartaz até 10 de maio, com entrada gratuita.

A mostra reúne mais de 60 obras originais, entre elas Operários, além de uma sala imersiva com projeções de pinturas icônicas da artista, como AbaporuA Cuca e Antropofagia. O espaço evoca os chamados “jardins tarsilianos” – paisagens exuberantes e imaginárias que marcaram o universo visual de Tarsila do Amaral, criando uma atmosfera envolvente e sensorial para o visitante.

O percurso curatorial tensiona as relações entre modernidade, identidade e pertencimento cultural, destacando a forma singular como a artista formulou uma linguagem modernista profundamente enraizada na realidade brasileira.

Curadoria da exposição e da sala imersiva

Com curadoria de Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, a exposição apresenta Tarsila como um “corpo-em-obra“, cuja produção artística e intelectual se constrói em permanente elaboração, atravessando as principais inquietações estéticas, sociais e políticas do século 20.

Licenciado pela Tarsila do Amaral Licenciamento e Empreendimentos S.A. e desenvolvido pela empresa Live Idea, o espaço imersivo tem curadoria de Paola Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila do Amaral e diretora da Tarsila S.A., em parceria com Juliana Miraldi. A atuação das profissionais articula novas linguagens artísticas, pesquisa, tecnologia e mediação contemporânea da obra da artista.

Detalhes da exposição

Organizada em quatro núcleos curatoriais, a mostra acompanha os deslocamentos do olhar de Tarsila ao longo de sua trajetória: dos primeiros anos da produção como pintora até chegar à fase social, marcada por uma abordagem mais direta das desigualdades e transformações estruturais do país.

Além disso, outros dois núcleos abordam a fase de descoberta do espaço ao seu redor, conciliando a velocidade das metrópoles ao tempo dilatado da vida no interior, e do mundo da imaginação, com cores e formas fantásticas.

Entre os destaques está a tela Operários, uma das obras mais emblemáticas da artista e da história da arte brasileira, que sintetiza o olhar crítico de Tarsila sobre o processo de industrialização e o mundo do trabalho. O público também poderá conferir trabalhos como São Paulo, Estrada de ferro Central do Brasil, Autorretrato I, Palmeiras, Floresta e o retrato de Mário de Andrade, entre outros.

Pela primeira vez em Brasília, este conjunto expressivo de obras – provenientes de importantes acervos públicos e privados – oferece uma visão panorâmica e, ao mesmo tempo, aprofundada da produção de Tarsila do Amaral, evidenciando sua relevância estética e intelectual e a atualidade de seu pensamento artístico.

Mais do que uma retrospectiva, “Transbordar o mundo” se afirma como gesto de atualização crítica da obra de Tarsila e evidencia sua capacidade de dialogar com temas contemporâneos como identidade, alteridade, território e memória.

Parcerias institucionais

O conjunto apresentado resulta de ampla articulação institucional do Tribunal de Contas da União (TCU) com importantes acervos públicos e privados, entre eles o Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Estado de São Paulo; a Associação Paulista de Medicina; o Museu de Valores do Banco Central (Bacen); Casa Guilherme de Almeida; a Fábrica de Arte Marcos Amaro (FAMA); o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP); o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP); o Museu de Arte Brasileira (MAB-FAAP); a Pinacoteca de São Paulo; a Galeria Almeida e Dale, além de coleções particulares como a Coleção Ivani e Jorge Yunes; a Coleção Orandi Momesso; a Coleção Paulo Vieira; a Coleção Rose e Alfredo Setúbal; e a Coleção Salvador Lembo.

A exposição conta com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição pertencente ao estado brasileiro, do Banco de Brasília (BRB) e apoio do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis).

Arte-educação

Além da exposição, o Centro Cultural TCU oferecerá programação educativa complementar, com visitas mediadas e ações voltadas a estudantes, professores e público em geral. Também serão realizadas oficinas de arte-educação aos finais de semana, em diálogo com a temática da exposição.

Serviço

Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral

Data: 11 de fevereiro a 10 de maio de 2026

Local: Centro Cultural TCU – Brasília/DF – Setor de Clubes Sul, Trecho 3

Entrada gratuita

Secom: ISC/pc

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Ação Carnaval Sem Assédio é lançada pelo quarto ano consecutivo no DF

Iniciativa da Secretaria da Mulher (SMDF) reforça a prevenção à violência de gênero durante a folia, amplia a conscientização e fortalece os canais de denúncia em todas as regiões administrativas

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Agência Brasília* | Edição: Paulo Soares

A Secretaria da Mulher (SMDF) lança, nesta sexta-feira (6), às 14h, o calendário de atuação da ação Carnaval Sem Assédio, iniciativa que chega ao seu quarto ano consecutivo com o objetivo de prevenir e combater situações de assédio e violência contra as mulheres durante o período carnavalesco.

A ação leva equipes da SMDF a estabelecimentos comerciais e blocos de carnaval em regiões administrativas do DF, promovendo conscientização, orientação e acolhimento. A estratégia busca alertar foliões, comerciantes e trabalhadores do setor de entretenimento sobre a importância do respeito e reforçar os canais de denúncia disponíveis para vítimas e testemunhas de violência de gênero, prática que tende a se intensificar nesta época do ano.

Com o slogan “Não acabe com a minha festa”, cerca de 3 mil cartazes e adesivos começaram a ser entregues desde o dia 2 de fevereiro por cerca de 90 servidores da pasta. Os materiais são fixados em locais de grande circulação, como banheiros e entradas de bares e restaurantes, garantindo que o maior número possível de foliões tenha acesso às informações.

“O Carnaval é um momento de alegria e celebração e nenhuma mulher pode ter esse direito violado por atitudes de desrespeito ou violência”

Celina Leão, vice-governadora

“O Carnaval é um momento de alegria e celebração e nenhuma mulher pode ter esse direito violado por atitudes de desrespeito ou violência”, destaca a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão. “Com o trabalho de todo o GDF, vamos buscar ter um carnaval sem casos de assédio e garantir segurança, orientação e o acolhimento das mulheres”.

Os cartazes trazem um QR Code que direciona para o site da Secretaria da Mulher, além dos principais canais de denúncia: 190 (Polícia Militar), 156 – opção 6 (Central do GDF), 180 (Central de Atendimento à Mulher).

 

Carnaval sem assédio

De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), não houve registro de ocorrências de assédio durante o período de Carnaval nos últimos dois anos, resultado atribuído às ações preventivas, à presença do poder público nos territórios e ao fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres.

“Estar nos blocos, nos bares e nos espaços onde as pessoas estão é fundamental”, enfatiza a secretária da Mulher, Giselle Ferreira. “O Carnaval Sem Assédio é uma ação que salva vidas, porque informa, orienta e mostra às mulheres que elas não estão sozinhas. Respeito também faz parte da festa”.

A iniciativa também coloca em prática o Protocolo Por Todas Elas, instituído pelo Decreto nº 45.772/2024, que regulamenta a Lei nº 7.241/2023. O protocolo prevê que espaços públicos e privados adotem medidas para garantir segurança, proteção e apoio às mulheres vítimas de violência, assédio ou importunação sexual, bem como àquelas que estejam sob risco de sofrer esse tipo de violência, reforçando a atuação integrada da rede de proteção durante grandes eventos.

Serviço

Dia: 06/02
Hora: 14h
Local: New Mercaditto – 201 Sul

*Com informações da SMDF

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Deputados abordam crise do BRB e repasses para educação durante sessão ordinária

Parlamentares da oposição reforçam pedido para abertura de CPI e lamentam cortes do GDF em repasses para a educação

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Foto: Carlos Gandra/Agência CLDF

A sessão ordinária da Câmara Legislativa desta quarta-feira (4) foi reservada a debates parlamentares. Os parlamentares presentes concentraram suas falas sobre a crise envolvendo o processo de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e o repasse de recursos para a educação pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

O líder da minoria, deputado Gabriel Magno (PT), pediu a presença de representantes do GDF no plenário da Casa para prestar esclarecimentos sobre as investigações envolvendo o BRB. “É inaceitável que, diante da maior crise, não tenham coragem de vir aqui, de dar respostas ao que nós estamos vivendo”, afirmou o parlamentar, que ainda pediu a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar a questão.

Os deputados da oposição Chico Vigilante (PT), Fábio Felix (Psol), Max Maciel (Psol) e Paula Belmonte (PSDB) também defenderam a abertura da CPI. No início da tarde desta quarta-feira, novo pedido de impeachment foi protocolado na CLDF.

Educação

Durante a sessão, distritais demonstraram preocupação com o impacto da crise sobre a educação do Distrito Federal. Uma das medidas de contenção de despesas foi a não impressão do nome das escolas nos uniformes dos estudantes.
De acordo com o deputado Ricardo Vale (PT), a falta de identificação da unidade de ensino “pode trazer uma insegurança muito grande para as famílias, para os professores, para os diretores, porque qualquer um agora com a camisa ‘Regional de Ensino’ da cidade entrará na escola”.

A deputada Paula Belmonte (PSDB), por sua vez, relatou que o GDF cancelou emendas da sua autoria destinadas a escolas públicas que somavam cerca de R$ 11 milhões. “Esse dinheiro, que é de todos nós, era para dar dignidade para as nossas crianças. São 129 escolas que não foram atendidas e o governo pegou [o recurso] para pagar dívida. Pagar dívida porque gastou mais do que podia, gastou sem responsabilidade”, apontou.

De acordo com Gabriel Magno, somando todos os distritais, o GDF cancelou R$ 49 milhões em emendas parlamentares destinadas ao Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), responsável por transferir recursos financeiros diretamente às escolas públicas e coordenações regionais de ensino.

Assista à sessão na íntegra:

 

Mario Espinheira – Agência CLDF

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