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Catástrofe com as andorinhas azuis

Temporada de furacões nos EUA sacrifica 90% das andorinhas migratórias

 

andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca) | WikiAves - A Enciclopédia das Aves do Brasil

Silvestre Gorgulho,
de Brasília
A notícia é mais do que triste.
É terrível! O ornitólogo
John Dalgas Frisch começou o ano apavorado
com a tragédia que se abateu sobre
as andorinhas azuis (Progne subis), andorinhas
vermelhas (Hirundo rústica) e até
as batuíras (Tringa melanuleuca). Depois
de visitar pessoalmente os locais onde estas
pequenas aves migratórias costumavam
chegar no Brasil e de buscar informações
com autoridades e ambientalistas nos locais
onde ele não pode visitar, Dalgas Frisch
falou desanimado: “Perdemos mais de 90%
das andorinhas e batuíras que migram
todos os anos dos Estados Unidos e Canadá
para o Brasil fugindo do forte inverno no
Hemisfério Norte. Foi uma verdadeira
desgraça”. E a causa é
conhecida: os furacões Katryna, Rita
e Wilma.

“Para se entender um pouco
a gravidade da situação – diz
Dalgas – a cidade de Ribeirão Preto
(SP) costumava receber na segunda semana de
dezembro cerca de 100 mil andorinhas. Este
ano não tinha 10 mil. Em São
José do Rio Preto (SP), como em Barretos,
não chegou uma única andorinha
azul. Em Manaus, das mais de 200 mil que migravam
todo ano, este ano deveria ter um quinto delas”.
“A verdade nua e crua – resume o ornitólogo
– é que a temporada forte de furacões
do ano passado matou uns 90% das andorinhas
que costumavam migrar para o Brasil. Uma tragédia!
O Brasil recebia mais de 6 milhões
de andorinhas. As que não morreram
diretamente atingidas pelos furacões,
ficaram feridas e não conseguiram completar
a migração”.

Notícias tristes
Em Manaus chegavam, em dezembro, três
grupos de andorinhas. Dalgas Frisch explica
que o primeiro grupo, de mais ou menos 10.000
andorinhas, dormia nos tubos quentes da refinaria
da Petrobras; o segundo grupo, com cerca de
60.000 andorinhas, dormia nas arvores iluminadas
com luz de sódio no pátio de
estacionamento do Aeroporto Eduardo Gomes;
e um terceiro grupo dormia na praça,
no centro de Manaus.

Segundo Dalgas, “no estacionamento
do aeroporto de Manaus, nem os taxistas dão
notícias delas. [Em geral os taxistas
acompanham sempre o bando de andorinhas, por
causa da sujeira que fazem na capota dos táxis].

“Telefonei para a Refinaria
da Petrobras, a REMAN, e o engenheiro de produção
confirmou que chegaram pouquíssimas
andorinhas este ano”, informa com tristeza
o ornitólogo. Cada vez que busca mais
informações sobre as andorinhas,
as notícias são de tragédia.
Ou elas morreram em território americano,
em Nova Orleans, ou foram pegas pelos furacões
quando atravessavam o Golfo do México
ou o Caribe.

Quanto às batuíras
(Tringa melanuleuca) e maçaricos (Calidris
fuscicollis) alguns ainda conseguiram se salvar,
porque, com o mau tempo, eles ficam no chão
e buscam refúgio atrás de árvores
ou pedras.

Já as andorinhas, quando
descem, sempre posam em galhos de árvores
ou fios. Aí ficam totalmente desprotegidas.
Elas recebem um impacto tal dos furacões
que ficam muito machucadas, explica o ornitólogo
Dalgas Frisch.

Falcão da Groelândia
curte verão paulistano


Reinaldo Mandacaru dá show de
arte fotografando gastronomia e acaba
de fazer uma das fotos mais bonitas
de um falcão peregrino. A foto
foi tirada nas janelas do Hotel Gran
Sol Meliá, em São Paulo.

Bons agouros dinamarqueses,
vindos da ilha do Disco na Groelândia,
chegaram ao Brasil nas asas de um falcão
peregrino (Falco peregrinus tundrius). São
Paulo, maior cidade brasileira, acaba de receber
a especial visita desta ave, que tem o nome
de Zorro. Segundo o ornitólogo John
Dalgas Frisch, esse falcão peregrino
costuma fugir, todo ano do rigoroso inverno
das escarpas das montanhas da Groelândia
e aportar em terras brasileiras. “O Brasil
recebeu com especial carinho esta visita,
que despertou a atenção de milhares
de pessoas que vivem na cidade de São
Paulo”, diz Dalgas e explica: “Zorro
veio passar o Natal de 2005, se hospedando
em vários prédios e parques.

O falcão peregrino sempre
foi símbolo de poder e prestígio
entre os povos antigos como no Egito, na Coréia
e Japão. Para Johan Dalgas Frisch,
que acaba de lançar dois novos livros
“Aves Brasileiras” e “Aves
Brasileiras Minha Paixão” a presença
de Zorro às vésperas do Natal,
na América do Sul, é interpretada
como um bom agouro para o próximo ano
de 2006 tanto para sua terra natal como para
o país que o recebeu. “É
por isso que milhares de olhos observam, diariamente,
com muita atenção, os céus
de São Paulo, afim de terem o privilégio
de ver o falcão peregrino e ter todos
os seus sonhos realizados”, explica o
ornitólogo. Zorro retorna à
Groelândia, no início de março.
Logo depois do Carnaval no Brasil!

As andorinhas e o
controle ecológico de pragas


O ornitólogo John Dalgas Frisch
e sua esposa Birte foram recebidos em
Grigsville, Illinois (EUA) por J. L.
Wade, presidente do Nature Society,
inventor das casinhas de alumínio
que salvaram as antorinhas-azuis da
extinção no Hemisfério
Norte.

A primeira conseqüência
é ambiental. Segundo os pesquisadores,
cada andorinha se alimenta de mais de 2 mil
pequenos insetos por dia, como pernilongos,
mosquitos, brocas, sugadores de cana-de-açucar,
vaquinhas-de-feijão etc. Elas praticam
o verdadeiro controle biológico de
pragas, pois devoram estes insetos justamente
nos meses de sua maior proliferação.
“Esse equilíbrio ecológico
feito pelas andorinhas faz baixar drasticamente
o número de insetos vivos, sobretudo
fêmeas dispostas à desova, evitando
o perigoso crescimento de larvas e lagartas”
explica Dalgas e alerta. “Logo, logo
vamos sentir na pele a conseqüência
do aumento dos pernilongos. E, também,
o fato terá conseqüências
econômicas, pois as plantações
vão exigir mais uso de agrotóxicos”.

Para se ter uma idéia
do benefício que as andorinhas traz
para os agricultores, Dalgas lembra que nos
Estados Unidos, como as floresas deram lugar
a extensas e mecanizadas lavouras, as andorinhas
azuis quase foram extintas por perderem seu
habitat de procriação. “O
extermínio destas andorinhas só
não aconteceu porque o agricultor norte-americano
percebeu o benefício que elas traziam,
pois bandos devoravam, diariamente, trilhares
de insetos e larvas.

Aí, os próprios
agricultores começaram a recuperar
seu habitat natural e até a instalar
em suas propriedades casinhas de alumínio
onde as aves pudessem morar e procriar”.

Conclui o ornitólogo
Dalgas Frisch: “Para quem ficava alardeando
que as aves migratórias poderiam trazer
a gripe aviária para o Brasil, fica
a triste lição. Nem gripe aviária
– o que era um absurdo dizer uma coisa destas
– e nem as próprias aves conseguiram
chegar”.

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Proposta de mudança do nome do parque do Sudoeste é arquivada

Audiência pública que seria realizada na quarta-feira (19) para debater a troca do nome também foi cancelada

Publicado

em

 

Foto: Agência Ceub

O projeto de lei nº 582/2023, que previa a modificação da nomenclatura do Parque Bosque do Sudoeste para Parque Monsenhor Jonas Abib, foi retirado de pauta e não será mais votado pela Casa. É o que anunciou o autor da proposta, deputado João Cardoso (Avante), em suas redes sociais na última sexta-feira (14).

O parlamentar afirmou que a iniciativa da proposta se deu para atender a uma reivindicação que chegou ao seu gabinete que visava homenagear o religioso fundador do movimento católico “Renovação Carismática”, mas que, após repercussão negativa dos moradores da Região Administrativa, optou por não dar seguimento à proposta. Consequentemente, a audiência pública organizada para debater o PL também foi cancelada.

Cardoso fez questão de frisar que tanto a iniciativa do PL quanto a decisão por seu arquivamento se deram em atendimento às demandas dos cidadãos, e que suas propostas visam o respeito pela opinião popular.

“Na audiência pública iriamos discutir a proposta, não seria uma imposição. Depois de ouvir diversas pessoas que nos procuraram, decidimos cancelar a audiência e retirar o PL nº 582/2023 de pauta. Quero que os moradores do Sudoeste se sintam tranquilos porque nosso mandato é voltado para a população, não estamos aqui para violentar ninguém, o parque vai continuar com seu nome”, afirmou da tribuna o parlamentar.

O distrital anunciou ainda que está propondo um título de cidadão honorário ao monsenhor, que deverá ser votado em breve e que, futuramente, poderá propor a utilização de seu nome para batizar outra praça ou parque público de Brasília que ainda não tenha nome oficial.

Christopher Gama – Agência CLDF de Notícias

 

 

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Entrevista coletiva traz detalhes sobre Grand Prix de Boxe

Encontro com a imprensa será realizado nesta quarta (19), com a presença de atletas que representarão o Brasil nas Olimpíadas de Paris 2024

Publicado

em

 

Por Agência Brasília* | Edição: Carolina Caraballo

 

A Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal (SEL) realiza nesta quarta-feira (19), às 14h, na Arena BRB Nilson Nelson, a coletiva de imprensa que divulgará detalhes sobre o Grand Prix Internacional de Boxe.

O evento ocorre entre os dias 19 e 22 de junho na Arena BRB Nilson Nelson. A competição é a última antes da participação dos atletas nas Olimpíadas de Paris 2024.

Estão confirmados para a coletiva os atletas Bia Ferreira, Abner Teixeira, Barbara Santos e Luiz Bolinha Oliveira – eles representarão o Brasil na competição em Paris.

Coletiva de imprensa – Grand Prix de Boxe

• Dia: Quarta-feira (19)
•  Hora: 14h
• Local: Arena BRB Nilson Nelson

*Com informações da Secretaria de Esporte e Lazer

 

 

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‘A Funap mudou a minha vida’, conta reeducando empregado em restaurante do DF

De 2019 a 2024, o prazo de espera de uma pessoa originária do sistema semiaberto para conseguir um emprego caiu de nove para três meses; investimentos em cursos de capacitação e diálogo com os empresários foram responsáveis pela diminuição do prazo

Publicado

em

 

Por Rodrigo Pael, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

 

C.B.S. é um reeducando do sistema prisional do Distrito Federal que trabalha em um restaurante do Distrito Federal há um ano e quatro meses. Para conquistar uma vaga no mercado de trabalho, o funcionário frequentou cursos de capacitação oferecidos pela Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap).

Reforçado pela articulação com empresários, o programa Capacita Funap tem sido responsável pelo aumento do número de reeducandos reinseridos no mercado de trabalho | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

“Trabalho aqui com mais 70 pessoas, entre reeducandos do semiaberto e de monitorados por tornozeleira, e não temos nenhum problema de indisciplina. Muitos aqui, depois de aprenderem uma profissão, já conseguiram empregos em outros lugares”

C.B.S, reeducando

“A gente sabe da dificuldade de conquistar um emprego por já ter passado pelo sistema prisional. Então, eu tive essa visão de me colocar para trabalhar em empresas privadas depois dos cursos que fiz”, relata. “Graças a Deus, está dando certo. Trabalho aqui com mais 70 pessoas, entre reeducandos do semiaberto e de monitorados por tornozeleira, e não temos nenhum problema de indisciplina. Eu já fui cozinheiro, gerente de campo de obras e administrativo. Hoje eu sou um gestor. Sendo gestor, eu tenho a oportunidade de ensinar aos outros reeducandos. Muitos aqui, depois de aprenderem uma profissão, já conseguiram empregos em outros lugares .”

Em 2019, um reeducando do sistema prisional do Distrito Federal poderia ter que aguardar até nove meses para conseguir um emprego e a sua ressocialização. Neste ano, a fila de espera caiu para três meses. Em alguns casos, ex-detentos com cursos ou experiência comprovada podem aguardar até menos de 60 dias para uma recolocação profissional. O programa Capacita Funap, lançado em 2023, e a articulação com empresários foram os grandes responsáveis por essa mudança.

Oportunidades 

Os números de reeducandos reinseridos pela Funap no mercado de trabalho vêm crescendo ao longo dos anos. Em 2019, eram 830 contratados; já em 2020, essa cifra pulou para 1.261. Em 2021, 1.838 apenados estavam trabalhando em empregos conveniados com a fundação no DF. Em 2022, esse número passou para 2.111 e em 2023, para 2.495. O maior salto será computado em 2024. Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, 3.100 reeducandos estão contratados por meio da instituição do Governo do Distrito Federal (GDF) – só em maio, 350 reeducandos assinaram contrato de trabalho.

O programa Capacita é gerido pela Funap, órgão ligado à Secretaria de Justiça e de Cidadania do DF (Sejus). “Conquistamos esses números graças à completa reestruturação da fundação”, explica a diretora da Funap, Deuselita Pereira Martins. “Informatizamos todos os processos, e com isso ganhamos em qualidade para atender os reeducandos e as empresas que contratam. A performance da fundação melhorou muito depois da informatização. Equipamos e adquirimos um software de gestão e, com isso, ganhamos em credibilidade”.

“A questão da não reincidência está muito vinculada à possibilidade de essas pessoas terem vínculos empregatícios, portanto é preciso criar as oportunidades para que esses detentos se capacitem”

Marcela Passamani, secretária de Justiça e Cidadania

As ações do GDF para reinserção de reeducandos no mercado de trabalho também impactam a segurança. Os índices de reincidência caíram para menos de 5%. Para garantir esses ganhos a toda a sociedade, a Funap repassa aos ex-detentos contratados um vale-transporte diário de R$ 11 e um vale-alimentação no valor de R$ 17 por dia trabalhado durante três meses, além de uma bolsa que varia entre 3/4 de um salário mínimo para reeducandos sem experiência profissional a um valor próximo de um salário mínimo para portadores de diploma de nível superior ou para o trabalhador que demonstre sólida formação profissional.

“Oferecer profissionalização aos reeducandos é contribuir para a função ressocializadora atribuída às penas privativas de liberdade a fim de reintegrá-los à sociedade”, resume a secretária de Justiça e Cidadania do Distrito Federal, Marcela Passamani. “A questão da não reincidência está muito vinculada à possibilidade de essas pessoas terem vínculos empregatícios, portanto é preciso criar as oportunidades para que esses detentos se capacitem.”

Capacitação

Os cursos ofertados aos reeducandos são das áreas de gastronomia (garçom, copeiros, cozinheiro), construção civil (pintor de parede, bombeiro hidráulico, serralheria, eletricista) e outras capacitações, como costura, práticas agrícolas, empreendedorismo, instalação e manutenção de ar-condicionado e restauração de móveis.

“Os cursos são escolhidos por meio das demandas apresentadas pelas empresas”, explica Deuselita. “São elas que orientam quais as necessidades e nós tentamos atender. Os cursos são contratados em valor que varia entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil por aluno.”

Os reeducandos não têm vínculo com as empresas, e esta é uma vantagem para os empregadores. “Com todo esse investimento, a fundação ganhou ainda mais credibilidade”, afirma Deuselita. “A fundação acompanha, por meio de um preposto que visita as empresas e todos os ex-detentos contratados. Durante os primeiros três meses de experiência, as visitas são mais frequentes; depois desse período, ainda fazemos visitas, mas menos frequentes e sempre que solicitadas”.

Convênio

“Além da qualidade do trabalho e da oportunidade para essas pessoas, as vantagens financeiras para a contratação são muito grandes para a empresa. Aqui dentro é todo mundo igual, todo mundo é funcionário”

B.M.C, gerente de restaurante

Um restaurante no DF é o maior empregador privado em convênio com a Funap, tendo contratado 70 funcionários que cumprem pena. O contrato com a fundação foi firmado há um ano. Os proprietários do estabelecimento fizeram um trabalho de conscientização com a vizinhança para tentar diminuir o preconceito.

“Eu só tenho elogios a fazer à fundação e aos funcionários que trabalham aqui”, avalia o gerente do estabelecimento, B.M.C. “Já estamos estudando para contratar mais 30 reeducandos. Entre dez que vêm trabalhar com a gente, um não se adapta. Isso é mínimo. Nós selecionamos os perfis e estabelecemos as funções, quem vai para trabalho interno e quem vai para o atendimento no restaurante. Nós fazemos um campeonato aqui dentro. Quem tiver a melhor avaliação no Google ganha uma gratificação.”

O gestor faz questão de manter o mesmo tratamento com os contratados: “Além da qualidade do trabalho e da oportunidade para essas pessoas, as vantagens financeiras para a contratação são muito grandes para a empresa. Nossa maior dificuldade é a discriminação que eles sofrem quando são reconhecidos como do sistema prisional. Mas aqui dentro é todo mundo igual, todo mundo é funcionário”.

G.S.S, 28, trabalha no restaurante há um ano. Foi chamado para a empresa por indicação de outro reeducando que já estava empregado. “Eu acreditava que não iria me adaptar em trabalhar neste ramo, mas, com o tempo e com o acolhimento de todos aqui, as dicas que me deram, eu me senti muito melhor”, relata. “Já ganhei até folgas e férias aqui. Hoje tenho uma profissão, sou garçom. Com esse emprego, eu já consegui financiar uma casa para mim no Jardim Ingá. Meu sonho para o futuro é quitar o financiamento. Me sinto muito bem aqui. Aqui não tem discriminação”.

 

 

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