Janela da Corte

DARCY RIBEIRO

Darcy, uma entrevista do além


 


Silvestre Gorgulho


Hoje é dia de Páscoa. Dia de exorcizar a morte. Dia da Ressurreição. Dia da Vida. Feito imortal pela Academia Brasileira de Letras e considerado imortal pelos amigos, o Darcy Ribeiro parece que não nos deixou. Ele continua entre nós com seus delírios intelectuais, com suas declarações polêmicas e com sua obra fantástica. Para matar a saudade de sua irreverência e de sua inteligência, de sua ternura e de sua luta, a “Janela da Corte” se abre hoje para o educador, escritor, antropólogo, político, romancista e poeta Darcy Ribeiro que está com dois livros prontinhos para serem lançados: “Confissões”, que conta toda sua história, e um livro de poemas “Eros e Tanatos”, concluído há dois anos e que a família vai publicar.



Antes das perguntas, feitas evidentemente com a ajuda de São Pedro, pois Darcy morreu há um mês (fevereiro/1997) é bom saber duas coisas importantes: há exatos 33 anos, Darcy Ribeiro deixava a Chefia da Casa Civil do Governo João Goulart, deposto pela Revolução de 1964; e também vale a pena conhecer um pouco da sua biografia: Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, MG (26/10/1922) e graduou-se em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia Política de São Paulo (1946) com especialização em Antropologia. Foi professor de Etnologia e Antropologia na Universidade do Brasil, primeiro Reitor da UnB e também romancista e indianista. Dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia. Neste período fundou o Museu do Índio e ajudou a criar o Parque Indígena do Xingu. Escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa da causa indígena. Viveu em vários países da América Latina onde, conduzindo programas de reforma universitária, com base nas idéias que defende em A Universidade Necessária. Foi assessor do presidente Salvador Allende, do Chile, e Velasco Alvarado, do Peru. Escreveu neste período os cinco volumes de seus Estudos de Antropologia da Civilização (O Processo Civilizatório, As Américas e a Civilização, O Dilema da América Latina, Os Brasileiros: 1. Teoria do Brasil, e 2. Os índios e a Civilização), que têm 96 edições em diversas línguas. Foi Ministro da Educação (18/09/62 a 23/01/63) e Ministro Chefe da Casa Civil de Jango Goulart. Exerceu cargos Técnicos e Administrativos no Rio de Janeiro, foi Senador da República, eleito em 1991, e Membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 1993. Darcy morreu em fevereiro de 1997, mas todas as respostas foram tiradas de seus livros e artigos.


1 – Darcy, o que mais lhe aborrece no Céu?
Ficar perto dos amigos que já vieram para cá, é ótimo. Ficar longe dos amigos que ficaram na terra, é ruim. Mas o que me aborrece mesmo, aqui no Céu, é Anjo não ter sexo.


2 – Agora já dá para fazer uma avaliação: qual foi o melhor momento lá na terra?
Olha, vivi muito porque vivi intensamente, porque trabalhei intensamente, porque amei intensamente. Foram muitos os momentos bons, mas aquele título de “Honoris Causa” que recebi da UnB foi especial. O Campus da UnB passou a ter o meu nome. A modéstia é uma atitude dos medíocres. Daqueles que estão contentes consigo mesmo e com o mundo. Não é comigo.


3 – Você sempre disse que o Senado é o paraíso. Diga aí: valeu a pena trocar de paraíso?
Essa pergunta é boa. Difícil de responder. Mas uma coisa é certa, já apresentei uns projetos para São Pedro para melhorar o paraíso de cá.


4 – O governador Cristóvam Buarque diz que você foi único. Foi exemplo. Soube gozar a vida e soube até zombar a morte. Para ele, você é imortal. É mesmo?
Imortal é quem planta e sabe cultivar o que plantou. E o Cristóvam está plantando uma semente fundamental em Brasília. A semente da Educação. O Cristóvam é meu amigo. Aqui mesmo na “Janela da Corte” ele já me homenageou dizendo que, na Educação, eu era o exemplo profissional do Brasil. Eu quero ajudá-lo a cultivar o que ele está plantando…


5 – Que tal ser imortal?
Olha, depois do nascimento, a morte é o episódio mais importante na vida do Homem. Passei pelos dois. Aliás, na Academia Brasileira de Letras também sou imortal. Depois da morte a gente vira santo, faz milagre e pode até nascer de novo. Se eu for nascer de novo, estou pensando nascer índio para escrever sobre os brancos.


6 – Darcy, o mundo ficou órfão de você. Você que já fugiu de hospital, não dá para dar uma fugidinha aí do Céu?
Por enquanto não. Estou curtindo meus amigos Araribóia, Cláudio Villas Boas, Carlos Drumond de Andrade, João Goulart, Tom Jobim, Austregésilo de Athayde, Oswald de Andrade, Callado, o Francis, Simonsen e muita gente mais.


7 – E como foi o encontro com o Carlos Drumond de Andrade?
Ótimo! Ele foi logo dizendo: – A cachoeira de Sete Quedas acabou. Mas você é o cara mais Sete Quedas que conheço. Não acaba!


8 – Você acha que a Vera Brant se chateou com sua brincadeira lá no hospital Sarah quando você disse para ela: – “Ô Verinha, vamos fazer uma troca. Você morre e eu fico por aqui”.
A Verinha? Nunca! Você não conhece a Verinha. Ela é o único e verdadeiro Anjo que tem sexo!


9 – Diga uma coisa, Darcy: depois disso tudo, você acha que foi um vencedor?
Olha, tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não salvei. Tentei fazer uma universidade séria, fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas detestaria estar no lugar de quem me venceu.


10 – Aqui na terra você não perdia tempo. Amava seus projetos, seus livros, seus alunos, seus amigos, suas mulheres e seus sonhos. E agora?
Ah! agora é melhor. Quem morre antes tem uma vida eterna maior…


11 – Há dez anos Brasília foi declarada pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade. Valeu esse Tombamento de Brasília?
Se valeu! Só assim Brasília não será esquartejada. O Zé Aparecido fincou uma lança na lua…


12 – E a Fundação Darcy Ribeiro?
Espero que vá ficar lá no Campus da UnB. Quero que todos meus livros, meus quadros, meus objetos pessoais, minha vida vá lá para a Fundação. Sabe, vai ter até “Beijódromo”, um pequeno anfiteatro ao ar livre para os estudantes olharem a lua, ouvirem músicas, estudarem, fazerem teatro e, evidente, se beijarem.


13 – E quais os próximos lançamentos?
Tenho dois livros que serão lançados em breve. Um de poesia “Eros e Tanatos” que é um negócio todo sem vergonha em que eu me entrego todo. E “Confissões”, de 500 páginas, onde falo de todas as minhas vidas, desde Montes Claros, passando pela selva, pelos meus amigos, por Brasília, pelos meus inimigos, pelo exílio, pelo Rio, pela política e falo da minha guerra de 23 anos contra o câncer. Sem nenhum compromisso com a verdade histórica, mas sim com minha memória. Mas não é um livro de memórias, que é coisa de velho, de quem vai morrer. É um livro onde conto tudo. Uma confissão.


14 – Darcy, você não vai aparecer aqui? O Brasil está com saudades.
Vou aparecer, sim. Vou com o pessoal do MST que faz essa marcha para Brasília. Tenho que dar força a eles. Já imaginaram, eu – Sem Corpo – com o pessoal do Sem Terra!


15 – Agora, uma mensagem a seus amigos.
Prestem atenção e não se esqueçam nunca: os mortos são apenas invisíveis, mas não são ausentes.

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Janela da Corte

ARLETE SAMPAIO

Publicado

em

Artele

Por nascimento, ela é baiana de Itajiba;
Por educação secundária,
ela é mineira de Belo Horizonte; Pela
universidade e pela política, ela é
brasiliense da gema. Arlete Sampaio, vice-governadora
do DF, médica-sanitarista, uma das
fundadoras da CUT-DF, com profunda militância
sindical, mora em Brasília há
26 anos. Duas coisas me chamaram atenção
na conversa com a vice-governadora e no acompanhamento
diário que faço do Governo petista.
Primeiro: Arlete veio da ala mais radical
do partido, uma trotskista de carteirinha,
e hoje é o equilíbrio do partido
e do Governo Cristóvam. Segundo: neste
caleidoscópio de críticas a
membros do governo petista, neste emaranhado
de brigas e disputas, a vice-governadora –
queiram ou não – é inatacável.
Da linha trotskista de ontem ela virou o ponto
de unidade de hoje. É por isso que
vale a pena saber um pouco mais desta mulher
que, no difícil cargo de vice, é
– por assim dizer – uma unanimidade de seriedade
e coerência. Uma médica que está
sempre pronta a colocar mercúrio-cromo
nas feridas abertas por companheiros do partido
e do governo. Arlete Sampaio abriu a Janela
da Corte deste domingo e mostrou que tanto
a baianice como a mineirice ficaram lá
para trás. Agora a vice é uma
candanga legítima que não está
disposta a entregar, de graça, o espaço
e o respeito que conquistou.

1 – O que mais a incomoda
na política?

A predominância dos projetos individuais
sobre os projetos coletivos.

2 – Ser governo lhe
agrada?

Sim, no sentido de poder realizar os nossos
ideais.

3 – Em três anos
de governo do PT, no difícil papel
de vice-governadora, quais foram os três
momentos mais gratificantes?

A participação nas plenárias
do Orçamento Participativo. As inaugurações
de obras que mudam para melhor a qualidade
de vida da população. A visualização
do crescimento da consciência-cidadã,
como no programa Paz no Trânsito.

4 – E quais foram os
três momentos mais amargos?

As injustas críticas feitas ao GDF,
principalmente no primeiro ano. As incompreensões
mútuas entre o GDF e o Movimento Sindical.
As críticas amargas feitas por companheiros
que participaram do Governo.

5 – Há algum
desconforto em ser vice?

Vice, como se diz, é vice. Há
um certo desconforto por nem sempre poder
imprimir um estilo próprio de trabalho.

6 – O Lula não
queria sair candidato à Presidência.
E saiu. A senhora não gostaria de ser
novamente vice. Vai ser?

Tudo depende da discussão que estamos
fazendo no âmbito interno do PT e depois
com os Partidos da Frente. Se for necessário,
repito a dose.

7 – Como médica-sanitarista,
a saúde pública brasileira tem
jeito?

Claro que tem. Depende apenas de vontade política
e de profundo compromisso com o povo.

8 – Onde a senhora mais
se realizou: coordenando os programas de saúde
pública do DF, na direção
no PT-DF ou no cargo de vice-governadora?

Pela amplitude das ações das
quais tenho participado é, sem dúvida,
mais gratificante ser vice-governadora.

9 – Como vice-governadora
a senhora coordena as Administrações
Regionais e órgãos do GDF; implantou
o Programa Integrado de Combate ao Uso e Abuso
de Drogas no DF; coordena o Orçamento
Participativo; e coordena as bancadas petistas
na Câmara Distrital e Federal. Governar
é mais fácil do que se pensava?

Primeiro, uma correção: não
coordeno as bancadas. Quem coordena é
o Governador. E, neste ano, o melhor trabalho
realizado foi no planejamento político-financeiro
do governo e na coordenação
na área de habitação.
Agora vamos à resposta: é sempre
fácil fazer qualquer coisa, quando
fazemos com boas intenções,
com clareza do que queremos e com firmeza
de posições.

10 – Se o Governo petista
começasse hoje e fazendo um replay
do que passou: qual o principal erro que a
senhora tentaria evitar?

Cometemos alguns erros. Talvez o maior tenha
sido em não divulgar, com dados e fatos,
a situação caótica em
que encontramos o Distrito Federal.

11 – Sinceramente, qual
o grande mérito do Governo Cristóvam
Buarque?

Ser democrático, popular e honesto.

12 – Delfin Neto disse
que Lula será mais uma vez sparring
eleitoral. Isso tem sentido?

Claro que não. Ele sabe bem das incertezas
do momento político brasileiro e sabe
que Lula tem boas chances eleitorais e pode
bem nocautear FHC.

13 – Como a senhora
vê a saída de Luiza Erundina
e Vitor Buaiz do PT: Uma Questão de
acomodação.

foram tarde. O PT tem regra para ser cumprida.
Grande perda. Estavam no ninho errado.
Embora seja uma perda, o PT tem regras para
serem cumpridas.

14 – Dê o nome
de três brasileiros vivos que a senhora
mais admira.

Luiz Inácio Lula da Silva, pela inteligência
excepcional; Chico Buarque de Holanda, pela
sensibilidade quase feminina; e Fernanda Montenegro,
que aliás é minha xará,
por seu talento.

15 – Qual destas três
máximas está mais próxima
da verdade:

· Exatamente no momento em que você
pensa que vai conseguir juntar duas extremidades,
alguém as muda de lugar.
· Nunca ande por caminhos já
traçados. No máximo eles vão
levar a lugares onde outros já estiveram.
· Atrás de um grande homem tem
sempre uma grande mulher.
Nenhuma delas faz minha cabeça.

16 – O PT tem que mudar
para crescer ou tem que crescer para mudar
ou tem que continuar como está?

Nenhuma das formulações expressam
as necessidades do PT, mas poderia admitir
que “tem que crescer para mudar”,
na medida em que crescendo expressaria melhor
o sentimento da nossa população.

17 – O Partido aceitará
contribuição da iniciativa privada
para a próxima campanha eleitoral?

No último encontro, o partido decidiu
aprovar as contribuições de
Pessoas Jurídicas, mas dentro da mais
absoluta transparência.

21/12/1997
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Janela da Corte

LOURIVAL NOVAES DANTAS

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Publicado

em

Lourival
Novaes Dantas chegou a Brasília na
década de 60 e não perdeu tempo:
em 68, fundava a Editora Gráfica Vera
Cruz e, em 72, fundou a Editora Gráfica
Ipiranga, transformando-a em uma das maiores
do ramo no Centro-Oeste. Mas suas preocupações
iam além dos negócios, pois
Lourival esteve sempre preocupado em lutar
peIo movimento sindical patronal, do qual
é um dos fundadores, em Brasília.
Além de ter sido presidente do Sindigraf
(Indústrias Gráficas) e do Conselho
Diretor da Abigraf, Lourival Dantas respondeu
durante seis os pela vice-presidência
da Federação das Indústrias
de Brasília – Fibra,

da qual é presidente hoje. Abrindo
a JANELA DA CORTE, neste domingo, Lourival
fala da política de incentivo do DF,
do Imposto Simplificado, de Reeleição,
da Feira do Paraguai, onde, também,
não nega, já foi fazer suas
comprinhas.

1 – Duas coisas
que mais o incomoda Brasília?


Os assentamentos irregulares e o desemprego.

2 – Brasília
será sempre uma cidade administrativa,
prestadora de serviço ou tem futuro
industrial também?


Sem perder suas características de
Centro Administrativo do País, Brasília
só poderá resolver o desemprego
com uma industrialização planejada
e consciente.

3 – Dê duas
estratégias para o correto desenvolvimento
industrial de Brasília.


A primeira estratégia é o Plano
de Desenvolvimento Industrial apresentado
há pouco pelo governador Cristovam
e que teve uma parceria efetiva da Fibra.
A segunda é a responsável implantação
deste Plano.

4– A Fibra é
a entidade de classe mais forte e no DF. Mas
a Fibra não vem perdendo espaço
para outras entidades que estão sabendo
usar melhor o marketing?


A Fibra não esteve e nem está
preocupada em perder ou ganhar espaço.
A nossa atuação, com eficiência,
os objetivos que nos propusemos atingir.

5– As representações
políticas do DF – Câmara Distrital
e Congresso Nacional – estão sempre
divididas entre duas categorias: os sindicalistas
e os empresários. Isso significa mais
corporativismo ou mais dinheiro nas campanhas?


Nem uma coisa nem outra! Isso significa apenas
que esta havendo uma maior conscientização
do setor produtivo da população.
É perfeitamente natural, e até
desejável, que esses segmentos busquem,
através da política, as soluções
para os problemas.

6 – E o Imposto
Simplificado para pequenas e médias
empresas lançado por FHC. Se estados
e Municípios não aderirem tem
perigo de não funcionar?


Esse imposto é de tal importância
para a permanência e manutenção
da “saúde” financeira das
micro e pequenas empresas, que, creio eu,
dificilmente um Estado do poderá não
aderir ao programa.

7 – A implantação
do Projeto do Imposto Simples vai, como se
diz, diminuir a sonegação e
aumentar a arrecadação?


Empresário nunca teve a intenção
de sonegar imposto. Se alguns o fazem é
por total impossibilidade de cumprir a legislação,
que todo mundo sabe, é caótica
e conflitante. Com o imposto simplificado,
todos podarão pagar e aí é
aquela história, todos pagando, paga-se
menos.

😯 presidente da CNI
já confessou que foi comprar na Feira
do Paraguai. E o presidente da Fibra já
foi?


Já.

9 – O fim da Feira do
Paraguai vai trazer desemprego, como alega
o GDF?


A solução a ser encontrada passará,
necessariamente, pela formalização
da Feira. Proibir seu funcionamento é
uma solução simplista.

10 – Então a
Fibra é a favor da Feira do Paraguai?


Não. Sou a favor de e que se encontre
uma solução. O próprio
Estado deve ajudar esses feirantes a sair
da economia informal.

11 – A Fibra é
uma entidade sempre alinhada com o Governo.
Isso é bom para a classe empresarial?


Em muitas ocasiões a Fibra tem ido
contra as soluções encontradas
pelo GDF. Mas estamos trabalhando juntas.
Governo e empresários buscam soluções
que melhor atendam a comunidade.

12 – A classe
sindical patronal é tímida,
fisiologista, tem muito corporativismo intra-diretoria
e é culpada pelos associados porque
os dirigentes na maioria das vezes procura
seus próprios interesses. Isso é
pragmatismo sindical?


Não concordo com a premissa da pergunta.

13 – O que as entidades
sindicais tem feito para enfrentar a globalização
da economia?


Trabalhado intensamente em busca da qualidade
e de maior produtividade. Precisamos –
e trabalhamos com o Governo para isto –
minimizar o chamado Custo Brasil, carga tributaria
que inviabiliza qualquer intenção
de concorrência internacional.

14 – Um nome que
sabe fazer Brasília ser respeitada
?


A dobradinha Aloysio Campos da Paz e o Hospital
Sarah Kubitschek

15 – O tema hoje
é reeleição. Você
é a favor da Reeleição
de FHC?


Sou a favor. Esse é um projeto mais
econômico do que político, pois
está em jogo a estabilidade da moeda.

16 – Todo mundo
sabe que o processo de sucessão na
Fibra já foi deflagrado. Você
é candidato à reeleição?


Tudo tem seu tempo. Ainda é cedo para
saber.

1 7 – Qual o pecado
capital de Brasília?


Exercer o fascínio de que, vindo para
cá, se arruma emprego fácil,
se arruma lote e se vive bem.

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Janela da Corte

OLIVEIRA BASTOS

Publicado

em

 

Brasília no topo dos destinos – Agência Brasília

Foto: Divulgação/Setur

 

 

Evandro de OLIVEIRA BASTOS nasceu no Pará,  colonizado por franceses, e talvez por essa herança cultural tenha sido o maior crítico literário brasileiro, antes de ser o diretor de jornais importantes de todo o País, inclusive este Jornal de Brasília. Fundou uma enorme escola de Jornalismo, sem cadeiras e sem diplomas. Descobriu, por exemplo, o incrível poeta maranhense da virada do século, Sousândrade, e o revelou aos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Foi secretário de Oswald de Andrade, Augusto Frederico Schmidt, Anísio Teixeira e Roberto Campos. Conviveu com Governos e Presidentes e está preparando suas memórias num livro sobre Imprensa e o Poder. Aliás, um livro muito esperado por quem a mira a pena ferina de um dos textos mais brilhantes do País. Hoje é a vez de Oliveira Bastos debruçar-se sobre a Janela da Corte.

1 – Duas coisas que mais o incomodam em Brasília.

Em primeiro lugar o clima de secura, acompanhada de frio e ventos. Incrível como a meteorologia e os veículos de comunicação ainda associam “tempo bom” à ausência de chuvas… Outra coisa detestável, pelo ridículo, é a caricatura em que se transformam muitas pessoas que perderam o poder e necessitam mostrar que ainda possuem alguma importância, como se o poder fosse a melhor, ou talvez a única característica de suas personalidades. Drumond dizia: “Como são tristes as coisas (quando) consideradas sem ênfase”.

2 – Duas coisas que mais o incomodam no Governo Cristovam.

Primeiro, não ser Governo. Depois pensarem que o governo é do Cristovam.

3 -Quem precisa cair no Real?

A sociedade brasileira que está custando a entender que um Presidente como Fernando Henrique não acontece em todas eleições.

4 – Para quem vai a Medalha de Ouro e a Medalha de Lata no Governo de Brasília, na equipe de FHC, no Congresso e na Imprensa?

Pensar coisas tão sérias em termos de medalhinhas é ridículo. Depois, corre-se sempre o risco da síndrome de Zagalo que consiste em destinar medalhas de ouro a quem nunca mereceu a de lata.

5 – Um recado para o governador Cristovam Buarque.

Mestre: faça uma reforminha agrária no DF, começando pelas “posses” improdutivas e pelos arrendamentos não cumpridos. Tem muito chão bom de palanque…

6 – Quais foram o pior e o melhor Governador de Brasília?

Brasília sempre foi bem administrada e por dois motivos: sempre teve recursos e sempre foi muito vigiada e até perseguida pela opinião pública nacional. Mas o Roriz, realmente, mudou o metabolismo da cidade, tirando-a da fantasia (“Capital da Esperança”) e fincando-a de vez na pobre realidade de Goiás. Foi o maior de todos os governadores, mas dizem que quer voltar, o que seria um erro trágico. Sua campanha, com os bandidos que ele deixou órfãos, não seria eleitoral mas criminal.

7 – Dois nomes que sabem fazer Brasília ser respeitada lá fora? 

Kássia Éller e Joaquim Cruz.

8 – Quem daria um bom governador de Brasília?

O Cristovam.

9 – Quem jamais deveria governar Brasília?

Quem quer muito ser governador. A escolha deveria sempre recair em alguém que não queira. Não é assim que são escolhidos os Papas? Talvez, por eleger os que não querem ser Papa, a Igreja tem 2.000 anos e seus Chefes são infalíveis.

10 – Qual o pecado capital de Brasília?

Não ter estrutura para estimular os pecados veniais, ligados ao ócio com dignidade.

11 – O brasileiro quer revolução ou quer espetáculo?

O velho Rivarol disse que o povo não se interessa por revoluções, mas pelo seu espetáculo. Os Sem Terra parecem confirmar isso. Brasília, como cidade, é uma revolução que precisa de espetáculos. Tudo aqui, com exceção da cidade e do pôr-do-sol, é medíocre. Como a cidade é monumental, a vida transcorre nesse limite perigoso entre o tédio e o deslumbramento. É preciso fazer a cidade chegar ao povo. Até hoje o Lago Paranoá é uma miragem para a maioria dos brasilienses. Pode?!

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