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É tempo de Piracema

Os cuidados pela regeneração e pela multiplicação dos peixes

Silvestre Gorgulho, de Brasília


Está começando a época da piracema. É tempo de respeitar o defeso. Incompreendida muitas vezes por turistas e também pelos próprios ribeirinhos, o tempo de piracema é de essencial importância para revitalização dos rios e lagos. Mas qual a importância do defeso da piracema? É justamente para preservar a vida nos rios. Defeso é o período de restrição da pesca em águas interiores imposto pelo poder público. É uma medida de comando e controle que visa a colaborar com a proteção e manutenção dos estoquespesqueiros nos rios brasileiros, uma vez que mais de 80% das espécies de peixes nativos das bacias hidrográficas brasileiras são reofílicas, ou seja, realizam as migrações para se reproduzirem. E, nesta migração os peixes se tornam presas fáceis de pescadores que interrompem o processo reprodutivodas espécies.


Defeso é fundamental para
sobrevivência das espécies

A viagem de muitos quilômetros deixa os peixes extenuados e aí os pescadores aproveitam-se dessa fragilidade para capturá-los facilmente


No verão, quando as chuvas se tornam mais freqüentes e intensas, com o aquecimento e o aumento das águas dos rios, o instinto natural leva os peixes a iniciar a grande aventura de migração para reprodução. Isso acontece em grande parte do Brasil entre os meses de novembro e fevereiro. “Pode ter uma pequena variação nesse período, dependendo de região para região, em razão das características climáticas e ambientais” – explica Rômulo Mello, diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama – e conclui: “E é assim que se configura a piracema”.


A palavra piracema vem do Tupi-guarani: pira = peixe, cema = agitação. A explicação é fácil. Esse é o período em que os peixes nadam contra a correnteza buscando nas cabeceiras dos rios ambientes propícios para a reprodução, como águas mais limpas e mais tranqüilas, onde liberam e fecundam seus óvulos.


“Nessa viagem de risco, os peixes se agitam ruidosamente na linha da água, passando por momentos de grandes perigos. Além dos obstáculos naturais, precisam sobrepor as ameaças criadas pelo homem como a poluição, barragens e a pesca predatória. Ou seja, nós do Ibama temos que agir para evitar as armadilhas dos homens, com redes, tarrafas, puçás e tantos outros artifícios que interrompem esse processo de procriação, comprometendo a vida sustentável nos nossos rios”, acrescenta Rômulo Mello.








Silvestre Gorgulho


Rômulo Mello: “Nós do Ibama temos que agir para evitar as armadilhas dos homens, com redes, tarrafas, puçás e tantos outros artifícios que interrompem esse processo
de procriação, comprometendo a vida sustentável nos
nossos rios

Instinto animal
O instinto animal luta pela sobrevivência e faz um esforço fantástico para perpetuar a espécie. Esse é um instinto muito forte que começa antes, muito antes da reprodução propriamente dita acontecer. Assim, os animais interpretam os sinais ambientais de que a estação favorável está para chegar. São justamente os dias mais quentes, as chuvas mais freqüentes, a água mais oxigenada. Tudo isso é um sinal que o instinto deles sabe captar. E o que acontece? Os machos e as fêmeas dispersos em pontos diferentes dos rios como os lagos, baías e áreas de alimentação deixam esses pontos de sossego e vão para as calhas dos rios. Deslocam-se milhares de quilômetros formando cardumes que se dirigem às áreas de desova, onde estarão próximos, maduros, prontos para o acasalamento. A fecundação dos peixes migradores é externa, e a elevada concentração de machos e fêmeas aumenta as chances de fertilização no ambiente aquático.


E a lei da natureza continua: os milhões de ovos e larvas, como nuvens suspensas na coluna d’água, serão vítimas de predadores, da escassez de alimentos e de muitas outras condições adversas. Na verdade poucos chegarão à fase adulta. A dispersão dos ovos, embriões e larvas para as margens dos rios, feita pelas correntes, concorre para que encontrem maior quantidade de alimento e proteção, reduzindo essa perda.


E por que existem restrições à pesca?
O instinto de perpetuar a espécie fala mais alto, por isso durante a piracema, o apelo para reprodução é tão intenso que os peixes se descuidam de suas estratégias de proteção e ficam muito vulneráveis. Tornam-se presa fácil. “A viagem de centenas de quilômetros os deixa extenuados. Aí os pescadores aproveitam-se dessa fragilidade para capturá-los facilmente. Pior: em grandes quantidades”, explica Rômulo Mello. “Agindo desse modo, interferem em todo o processo de perpetuação da espécie e renovação dos estoques, que será sentido na diminuição do tamanho dos peixes e na quantidade disponível para a pesca nos anos subseqüentes. Por isso é tão importante a proteção dos peixes na época da piracema”, acrescenta o diretor do Ibama e alerta: “Até a viagem de barco – só a passeio pelo rio – já é prejudicial. Os motores das embarcações não só dispersam cardumes, como provocam movimento das águas que acabam por influenciar no número de ovos fecundados, evidente que prejudicando terrivelmente a reprodução”.


A piracema no contexto legal, biogeográfico e social


A conscientização ambiental e a atuação dos governos estaduais e federal para preservação das espécies levaram a sociedade brasileira a situar a piracema no contexto legal, biogeográfico e social.


Contexto legal
O capítulo II, artigo 20, estabelece os bens da União. E o parágrafo III coloca por bens de domínio da União “os rios, lagos e quaisquer correntes de água situadas em terrenos de seu domínio, ou que sirvam de limites entre dois ou mais estados ou que banhem mais de um estado ou que sirvam de limite com outros países ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais, as praias fluviais, as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países”.


O Decreto-Lei nº 221, de 28 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a proteção e estímulo à pesca, define o que é a pesca, reconhece as diferentes categorias da atividade (profissional, amadora e científica) e estabelece as normas gerais para o seu exercício em águas dominiais.


A Lei nª 7.679, de 23 de novembro de 1988, impõe ao poder público o dever de estabelecer os tamanhos mínimos de captura, os aparelhos, petrechos, técnicas, métodos e artes de pesca permitidas, espécies que devem ser preservadas, bem como definir, anualmente, os períodos de defeso para cada bacia hidrográfica, onde ocorrem fenômenos migratórios para reprodução.


Atendendo a essas disposições, o Ibama edita portarias normativas onde são estabelecidos períodos e restrições à pesca, em cada temporada de piracema. Essa restrições referem-se a limitações de áreas, petrechos a serem utilizados e quantidade de pescado/pescador.


Durante esse período, pescadores profissionais que são aqueles que têm na pesca seu principal meio de vida, que estejam devidamente registrados, recebem o seguro desemprego, em atendimento ao disposto na Lei nª 8.287, de 20/12/91.


Contexto biogeográfico
A bacia hidrográfica é a unidade territorial utilizada para a implementação da política nacional de gestão dos recursos pesqueiros e compreende, além do rio principal, os rios formadores, os afluentes, os lagos e lagoas marginais, os reservatórios e demais coleções de água sob domínio da União. É na bacia hidrográfica que convergem os efeitos de fenômenos climáticos naturais, impactos positivos e negativos de ações antrópicas, bem como é o espaço onde se definem as comunidades, populações e espécies de peixes. Também nesta unidade territorial se caracterizam as técnicas e artes de pesca, intimamente relacionadas à história e cultura regional. Por tudo isso, o estabelecimento dos períodos de defeso se faz por bacias hidrográficas.


Contexto social
Neste contexto, entende-se a importância e a necessidade da compreensão e participação dos pescadores no cumprimento e respeito ao defeso da piracema. e houver o efetivo respeito às normas estabelecidas pelos órgãos ambientais, aumentam as chances de termos peixes nos rios brasileiros para suprir as necessidades da geração atual e das futuras.


Os órgãos ambientais, além de fiscalizar, vêm implementando dentro de sua nova filosofia de trabalho, diversas atividades voltadas para a Educação Ambiental, visando a proporcionar aos brasileiros o acesso à informação e ao conhecimento necessários para viabilizar o comprometimento da sociedade na preservação do meio ambiente.


A solução dos problemas ambientais não é obrigação de uma única instituição ou esfera de governo e sim da ação responsável que se inicia com o indivíduo e necessita de toda a sociedade.


A cada ano, próximo ao período da piracema, o Ibama negocia, define e publica as portarias que definem as datas de início e fim do defeso em cada bacia hidrográfica.


Sempre com o apoio dos órgãos estaduais de Meio Ambiente e representantes da sociedade civil. Estas portarias também definem normas específicas, quando necessário, para o exercício da pesca nesse período.


O diretor Rômulo Mello é enfático ao dizer que a atividade pesqueira, quando praticada de acordo com a legislação, contribui de forma significativa para o bem estar da população brasileira e para o equilíbrio da natureza. Para isso é importante a utilização racional dos recursos pesqueiros. “No entanto, existe uma parcela da comunidade constituída de pescadores clandestinos, profissionais e amadores que insiste em descumprir a legislação, em busca do lucro privado e imediato”, lembra Rômulo Mello e conclui: “E o pior é que, compartilhando com a sociedade o prejuízo e os impactos gerados, a pesca clandestina acaba por ameaçar a sobrevivência das espécies e da própria atividade pesqueira. Se não formos rígidos quem acaba sofrendo serão os próprios profissionais conscientes”.


Tocantins defende Piracema
Portaria proíbe pesca em tempo de defeso de novembro a 28 de fevereiro


Da redação
O governo do Tocantins também luta para fazer valer a fiscalização em tempo de piracema e o presidente do Instituto Natureza do Tocantins, Isac Braz da Cunha, assinou dia 29 de outubro a portaria da piracema, que proíbe a pesca predatória no período de desova dos peixes no período 1º de novembro a 28 de fevereiro. A assinatura da portaria aconteceu na antiga cascalheira, próximo ao Palacinho, no mesmo local onde foram incinerados materiais apreendidos pelo instituto. Vale lembrar que a pesca esportiva e para o consumo imediato continua liberada. Para Isac Braz da Cunha, a piracema é o período em que os cardumes se deslocam para reprodução. “Pescar nesta época pode interromper a procriação dos peixes, comprometendo a manutenção dos estoques pesqueiros nos rios. Normalmente, a desova ocorre de novembro a fevereiro, podendo variar em cada bacia hidrográfica”.


Naturatins luta pela multiplicação dos peixes


Todo o material apreendido em fiscalizações feitas, desde julho deste ano, pelo Naturatins – Instituto Natureza do Tocantins, e pelo Cipama – Companhia da Policia do Meio Ambiente, foram incinerados na quarta-feira, dia 29 de outubro, em Palmas.


O material é resultado de apreensões feitas nas regionais de Palmas, Araguaína e Gurupi. A queima foi feita na antiga cascalheira, na presença do presidente do Instituto Isac Braz Cunha, e do comandante do Cipama, Glauber de Oliveira Santos.


O material apreendido corresponde a cerca de 15.818 metros de rede, 7.088 quilos de pescado, 420 metros cúbicos de madeira, 68 animais silvestres, 109 tarrafas, dez barcos de madeira, 56 molinetes, 141 carretéis, 46 varas simples, 20 espingardas caseiras, 90 espinhais, 102 armas brancas, 18 caixas de isopor, 15 gaiolas e cinco cativeiros. A informação é do coordenador da Fiscalização do Naturatins, Idalto Vespúcio, que promete rigor na fiscalização, associado a um programa de educação ambiental para turistas e pescadores.


Canal da Piracema, o elo da vida
Um rio artificial de 7,5 km em Itaipu







Na foto acima, vista panorâmica do Canal da Piracema no Lago de Itaipu. Abaixo, o canal – um rio artificial de 7,5 km – e muita correnteza por vencer um desnível de 120 metros

A verdade é que qualquer construção de uma hidrelétrica tem impacto direto no ecossistema. A energia é importante e, por isso, a tecnologia busca formas de minimizar esses impactos. Assim aconteceu com a Usina de Itaipu, uma barragem que evidentemente teve forte reflexo na ictiofauna da região da bacia do rio Paraná.


Com o grande lago, no lugar dos peixes de corredeiras, cresceu a quantidade de espécies mais acostumadas às águas calmas. Além disso, a barragem passou a impedir que os peixes migrassem na época crucial para sua reprodução, a piracema.


Para corrigir ou pelo menos amenizar essas distorções, Itaipu construiu em parceria com o governo do estado do Paraná, o Canal da Piracema, um rio artificial de 7,5 quilômetros que liga o rio Paraná ao reservatório da usina.


Autêntico elo da vida, o Canal da Piracema ajuda os peixes a vencerem o desnível de 120 metros entre a superfície do lago e o rio. A obra ficou pronta em dezembro de 2002 e, por isso, ainda não há dados que comprovem o sucesso do investimento.


No entanto, agora em novembro já é possível acompanhar visualmente a migração de algumas espécies.


De quebra, as corredeiras do Canal da Piracema servirão também para competições internacionais de canoagem, uma das finalidades para as quais foram construídas. Mais informações: Canal da Piracema (0xx45) 520-6984, 520-6985 e 520-6988 ou www.itaipu.gov.br


Discriminação por bacias hidrográficas dos
períodos de proteção durante a piracema















O que é Piracema? O que é Defeso? Denúncia

Piracema (do Tupi-guarani: pira = peixe, cema = agitação) é o período em que os peixes nadam contra a correnteza, buscando nas cabeceiras dos rios, ambientes propícios para a reprodução, onde liberam e fecundam seus óvulos. Nessa viagem de risco, os peixes se agitam ruidosamente na linha d’água, passando por momentos de grandes perigos. Além dos obstáculos naturais, precisam sobrepor a poluição, as barragens e a pesca predatória.

Defeso é a ação de proteção às espécies de Piracema, que consiste em fiscalizar a pesca no período em que a piracema acontece, ou seja, de outubro a maio, tendo como principal objetivo coibir a pesca predatória, principalmente através de utensílios de pesca em grande quantidade, como as redes, as tarrafas, os puçás, bombas, os paris e até espingarda de pesca submarina.

Como é feita a denúncia – O Ibama mantém o telefone da LINHA VERDE 0800-61 80 80 para receber denúncias que serão verificadas por um dos três escritórios regionais envolvidos na campanha. A ligação é gratuita. Se quiser entre em contato direto com a Ouvidoria do Ibama ou com os uperintendentes em cada estado pelo site do órgão: www.ibama.gov.br
Fone em Brasília: (61) 316-1002 e 316-1015 Fax em Brasília: (61) 322-1058
Seguro Desemprego
Tão logo foram publicadas pelo Ibama as portarias de defeso da Piracema, foi aberto o direito ao seguro desemprego para os pescadores profissionais. Eles devem fazer a solicitação ao Ministério Trabalho, de acordo com a lei 8.287, de 20/12/91. Para a Confederação Nacional dos Pescadores, o Brasil têm cerca de 77 mil pescadores (artesanais/profissionais) recebendo seguro desemprego. O seguro desemprego dura de três a quatro meses, enquanto ficar proibida a pesca. Pescador profissional é o que exerce a atividade de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar, sem contratação de terceiros, ou seja, o que faz da pesca seu principal meio de vida.

O valor do seguro desemprego é de um salário mínimo. Para recebê-lo o pescador deverá comprovar o pagamento de pelo menos duas contribuições previdenciárias anterior a data do início do defeso.


Para a comprovação do grupo familiar, o pescador artesanal deverá apresentar certidão de casamento, ou designação de companheira, certidão de nascimento dos filhos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. Essa situação se aplica aos componentes do grupo familiar (filhos e cônjuge) maiores de 14 anos. Também deve comprovar não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário.

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Concorrência do etanol e subvenção fazem preço da gasolina cair

Em maio, combustível foi maior impacto de alívio na inflação

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Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

 

A concorrência com o etanol e ações do governo para subsidiar combustíveis fizeram a gasolina ficar mais barata nos postos. Em maio, o preço recuou 1,46%, representando o produto que mais puxou para baixo a inflação oficial do mês.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio ficou em 0,58%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (12).

O comportamento do preço da gasolina significou impacto de -0,08 ponto percentual (p.p.) no IPCA do mês.

A queda segue dois meses de alta, provocada pelo conflito no Oriente Médio, que causou disrupção na cadeia internacional do petróleo, encarecendo derivados como a gasolina e o óleo diesel em praticamente todo o mundo.

Veja o comportamento do preço da gasolina no Brasil depois do início do conflito, em 28 de fevereiro:

Março 4,59%
Abril 1,86%
Maio -1,46%

O analista do IBGE Fernando Gonçalves aponta que o etanol ficou 6,2% mais barato em maio, sendo o segundo produto que mais puxou para baixo o IPCA. “Caiu por conta de uma disponibilidade maior”, contextualiza.

Gonçalves explica que o produto está mais rentável e isso faz com que os produtores disponibilizem a safra de cana mais para a produção do etanol em detrimento ao açúcar.

Com mais etanol no mercado, menor o preço de venda. “Com etanol mais barato, a gasolina, por concorrência, acaba também reduzindo o preço”, completa.

O Brasil tem grande parte da frota de automóveis flex, o que permite o motorista escolher entre gasolina ou etanol na hora em que chega ao posto de combustível.

Subvenção

O outro elemento que ajudou a derrubar o preço da gasolina é a política de subvenção adotada pelo governo, uma espécie de reembolso para produtores e importadores do combustível.

A medida é uma das formas de o governo evitar que a escalada no custo dos derivados de petróleo cause choque de preços no Brasil.

subvenção, atualmente em R$ 0,44 por litro, é o valor que o governo paga aos agentes do mercado, em troca do repasse do “desconto” aos consumidores finais.

Na prática, é como se o governo devolvesse às refinarias e importadores parte dos tributos federais cobrados sobre os combustíveis, como Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

A medida contribuiu para diminuir o impacto de um aumento recente anunciado pela Petrobras, principal produtora de gasolina do país. A estatal reajustou o preço em R$ 0,48, mas apenas o valor de R$ 0,04 foi repassado ao consumidor.

Diesel

A política de subvenção também foi aplicada ao óleo diesel, majoritariamente usado por caminhões e ônibus. Em maio, o IBGE apurou recuo de 2,34%, sendo o quarto produto que mais puxou a inflação para baixo.

Em março, primeiro mês de guerra no Oriente Médio, o combustível subiu 13,9%. Em abril, 4,46%.

No diesel, a subvenção chegou a R$ 1,52 por litro pago aos importadores e R$ 1,12 aos produtores em maio.

Frete ainda pesa

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, o de transportes ─ que inclui os combustíveis ─ foi o único que apresentou deflação em maio, ou seja, na média, ficou mais barato (-0,46%).

Apesar desse comportamento, o frete ainda pesou no mês e ajudou os alimentos a subirem 1,33%, sendo o maior impacto de alta no IPCA de maio (0,29 p.p.)

“O frete caiu, mas ainda está onerando o preço dos alimentos”, diz Gonçalves.

Guerra e preço

Iniciada no último fim de semana de fevereiro, a guerra dos Estados Unidos e de Israel ao Irã teve reflexos como ataques a países vizinhos do Irã também produtores de petróleo. Outra consequência foi o fechamento do Estreito de Ormuz, no Sul do Irã, que liga os golfos Pérsico e de Omã. Por lá, passavam antes da guerra cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural.

Com a cadeia logística em turbulência, a oferta do óleo cru e seus derivados diminuiu no mundo, levando à escalada dos preços. O barril do Brent, referência internacional de preços, saltou de US$ 70 para mais de US$ 100, atingindo picos ao redor de US$ 120.

O petróleo é uma commodity, isto é, mercadoria negociada a preços internacionais. Isso fez com que o encarecimento fosse sentido também no Brasil, mesmo sendo país produtor.

No caso do diesel, especificamente, o país não é autossuficiente, e precisa importar cerca de 30% do que consome.

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Câmara Legislativa abre inscrições para seminário sobre Direito Eleitoral Contemporâneo

Iniciativa reunirá especialistas de renome nacional em evento gratuito e com certificação, em 29 e 30 de junho

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Foto: Diogo Lima/Agência CLDF

Evento é voltado a servidores da CLDF, profissionais das áreas legislativa e jurídica, de comunicação e gestão pública, além de estudantes e pesquisadores

Estão abertas as inscrições para o Seminário Direito Eleitoral Contemporâneo: Poder, Tecnologia e Integridade nas Eleições, que será realizado na Câmara Legislativa (CLDF) em 29 e 30 de junho, das 13h às 19h. Promovido pela Escola do Legislativo do Distrito Federal (Elegis) em parceria com a Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), o evento é gratuito e oferece certificado de participação.

A iniciativa visa promover o debate qualificado sobre temas contemporâneos do direito eleitoral, com enfoque em democracia, violência política, estruturas de poder, impactos da tecnologia e da desinformação, bem como em respostas jurídicas às novas dinâmicas eleitorais. As palestras e mesas-redondas serão conduzidas por especialistas nacionalmente renomados.

De acordo com a chefe do Núcleo de Educação Permanente da Elegis, Thais Alcantara, o seminário encerra uma trilha de aprendizagem construída para responder aos desafios concretos de um ano eleitoral. “A parceria com a Abradep nos permite trazer à Câmara Legislativa um debate qualificado sobre temas como violência política, abuso de poder, desinformação e inteligência artificial, que impactam diretamente a democracia, a confiança nas instituições e a formação cidadã”, destacou.

O evento é voltado, prioritariamente, para servidores da CLDF, assessores parlamentares, membros de gabinetes, profissionais das áreas legislativa, jurídica, de comunicação institucional, de educação legislativa e de gestão pública, além de estudantes e pesquisadores. As inscrições podem ser feitas neste link.

Palestrantes confirmados

A conferência de abertura será ministrada pelo presidente da Associação Brasileira dos Tribunais de Contas dos Municípios (Abracom), Nelson Pellegrino. Vice-presidente do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, o conselheiro é mestre em direito, especialista em Direito do Estado, e acumula experiência como deputado federal (seis mandatos), estadual (dois mandatos), gestor público e advogado.

Também farão parte da abertura a deputada Paula Belmonte (PSDB), segunda vice-presidente da CLDF; o desembargador do TRE-DF Guilherme Pupe, diretor da Escola Judiciária Eleitoral Rui Barbosa e presidente do Colégio Permanente de Juristas da Justiça Eleitoral; a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral, Roberta Rangel; o presidente da OAB-DF, Paulo Maurício; e o diretor da Elegis, Luiz Eduardo Coelho Neto.

Entre os palestrantes já confirmados, destacam-se a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha, especialista em direitos digitais, regulação de inteligência artificial e políticas públicas; e o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques Neto, jurista e professor titular da Faculdade de Direito da USP.

Outro destaque é o professor e advogado Bruno Rangel Avelino da Silva, doutor em Direito Eleitoral pela Universidade de Brasília e membro fundador da Abradep. O Seminário contará ainda com palestra da controladora-geral do município de Belém, Talita Reis Magalhães, mestranda em Direito e Políticas Públicas e especialista em Direito Eleitoral pelo IDP e em Direito Civil e Processo Civil pela FGV.

Também estão confirmadas as palestras da ministra substituta do TSE Edilene Lôbo, doutora em Direito Processual Civil; da advogada Gabriela Gonçalves Rollemberg, cientista política com quase 20 anos de experiência em campanhas eleitorais; da mestranda em Direito Constitucional Valéria Dias Paes Landim, especialista em Direito Eleitoral; e do ministro substituto do TSE Nauê Bernardo de Azevedo, mestre em Direito Constitucional e doutorando em Direito pela UnB.

A palestra de encerramento será realizada pela ministra substituta do TSE e vice-diretora da Escola Judiciária Eleitoral, Vera Lúcia Santana Araújo, renomada jurista e advogada com ampla experiência na defesa dos direitos humanos.

Confira aqui a programação completa.

Serviço:
Seminário Direito Eleitoral Contemporâneo: Poder, Tecnologia e Integridade nas Eleições

Data: 29 e 30 de junho
Horário: 13h às 19h
Local: Auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal
Carga horária: 12 horas
Formato: Presencial
Público prioritário: Servidores da CLDF, assessores parlamentares, membros de gabinetes, profissionais das áreas legislativa, jurídica, comunicação institucional, educação legislativa e gestão pública, estudantes e pesquisadores.

Mario Espinheira – Agência CLDF

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Roteiro cultural tem Arena Brasil, Festival do Parque e Flib até o dia 17

Programação reúne cinema, literatura, humor, design, exposições, shows, oficinas e atividades gratuitas em várias regiões do DF

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Carlos Eduardo Bafutto, da Agência Brasília | Edição: José Renato Garcia

O Roteiro cultural desta semana reúne opções para diferentes públicos no Distrito Federal, com cinema, literatura, humor, oficinas, exposições, shows, feiras, atividades infantis e transmissões dos jogos da Copa do Mundo. Até o dia 17 deste mês, a programação passa pelo Cine Brasília, Espaço Cultural Renato Russo, Museu Nacional da República, Memorial dos Povos Indígenas, Museu de Arte de Brasília (MAB), Teatro Nacional Claudio Santoro, Complexo Cultural de Planaltina e muito mais.

No Cine Brasília, na EQS 106/107, esta sexta-feira (12) terá sessões especiais de Dia dos Namorados, com Antes do Amanhecer, às 10h; O Amor Não Tira Férias, às 15h15; Diário de uma Paixão, às 18h; e Um Lugar Chamado Notting Hill, às 20h35. No sábado (13), a sala exibe As Ovelhas Detetives, às 11h, e a sessão acessível de Aqui Não Entra Luz, às 14h. No domingo (14), a programação começa às 11h, com As Ovelhas Detetives, seguida por O Gênio do Crime, às 15h30; a sessão dupla Fenda + Top Gun: Ases Indomáveis, às 17h40; e Backrooms: Um Não-Lugar, às 20h30. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria ou pela plataforma Ingresso.com – Aqui começa o seu momento!

No Cine Brasília, na EQS 106/107, a programação da semana está bastante diversificada | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

O Caldeirão Cultural ocupa o Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, até esta sexta-feira. No último dia de programação, das 9h às 11h, o Galpão das Artes recebe a oficina gratuita de Ballet Fitness com Marcelo Smyth. A atividade une princípios do balé clássico a exercícios funcionais, com foco em força, alongamento, postura e consciência corporal. A participação é aberta ao público e não exige inscrição prévia.

Ainda no Espaço Cultural Renato Russo, Gabriel Reis e Hugo Perpétuo apresentam, nesta sexta, o especial de humor Tudo o que Você não Deveria Fazer no Dia dos Namorados, às 20h, no Teatro de Bolso. Os humoristas, que atuam no cenário cultural do DF há mais de sete anos, levam ao palco um stand-up voltado tanto a casais quanto a quem vai passar a data sem companhia. Os ingressos custam R$ 30 o promocional para casal, R$ 20 a meia e R$ 40 a inteira.

No Museu Nacional da República, duas atividades gratuitas integram a programação da semana. Na sexta, às 16h, a exposição Colagem e Poéticas da Alteridade recebe um encontro em formato de oficina de colagem ministrada por artistas do Coletivo Iló, na Galeria 3. No sábado, às 16h30, a exposição Dípticos, Arte e Curadoria terá bate-papo com mediação de Taís Aragão e participação dos curadores Cinara Barbosa e Léo Tavares, na Galeria 2. As duas mostras seguem em cartaz até o dia 21, com entrada gratuita.

Também no campo das artes visuais, o Teatro Nacional Claudio Santoro segue com a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, no foyer da Sala Villa-Lobos. A mostra reúne cerca de 40 artistas do DF e fica aberta diariamente, das 10h às 20h, até 17 de julho. A entrada é gratuita, sem necessidade de retirada de ingresso.

No Museu de Arte de Brasília, a exposição Rejuntes Afetivos, da artista visual Isabel Becker, abre ao público no sábado, às 11h. A mostra tem curadoria de Cecília Fortes e parte de referências ligadas aos azulejos usados em cozinhas e banheiros no Brasil entre as décadas de 1950 e 1970. A visitação segue até 30 de agosto, todos os dias, exceto às terças-feiras, das 10h às 19h, com entrada gratuita.

O Memorial dos Povos Indígenas recebe atividades da Brasília Design Week 2026, que ocupa diferentes espaços de Brasília até domingo. A semana reúne palestras, oficinas, visitas guiadas, circuito de lojas, feira de design, moda circular, experiências, exposições e ativações ligadas à economia criativa. As atividades gratuitas exigem inscrição conforme a programação de cada ação.

Também no Memorial dos Povos Indígenas, a exposição Conexões Ancestrais apresenta peças do acervo relacionadas a povos indígenas como karajá, desana, tiriyó, tukano, urubu-kaapor, terena, yawalapiti, serente, maxakali, kadiwéu, kamayurá, waurá, kayabi, bororo, pataxó, xucuru e jenipapo-kanindé. A mostra tem curadoria de Daniela Jenipapo e visitação gratuita.

 

Em Sobradinho, a 26ª edição da Feira de Exposição da Indústria, Comércio, Turismo e Agronegócio de Sobradinho (Feicotur) segue até domingo, no estacionamento do Estádio Augustinho Lima. A feira tem entrada gratuita, com retirada de ingresso pelo Sympla, e reúne shows musicais, expositores, empreendedores, gastronomia regional, artesanato, agricultura familiar, produtos e serviços.

Foto: Divulgação Feicotur

Em Planaltina, o Complexo Cultural recebe programação entre esta sexta e domingo. Um dos destaques é o evento Entardecer dos Ojás, sábado e domingo, com entrada franca. A agenda divulgada pelo espaço também inclui atividades formativas e artísticas, como oficina de artes visuais e percussão.

Ainda em Planaltina, o projeto Quintal de Memórias encerra temporada na sexta-feira, no Complexo Cultural. A iniciativa do Coletivo Entrevazios reúne a ação formativa Barraca de Memórias e o espetáculo-instalação Carrego o que Posso, Faço Quintal Onde Dá, com foco nas histórias de mulheres que participaram da construção de Brasília. As atividades formativas seguem para grupos agendados, com acesso gratuito.

Em São Sebastião, a 5ª Feira Literária da Biblioteca do Bosque (Flib) ocupa o Balão Central do Bosque na sexta e no sábado, das 15h às 22h, com entrada gratuita. A programação reúne literatura, música, poesia, teatro, dança, artesanato, atividades infantis, brinquedos infláveis, pintura de rosto, mágica, mamulengos, quadrilha junina e a ação Florescendo Poesia, que troca flores por poemas compartilhados pelo público. A edição conta com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC).

No Guará, o Viva Guará chega ao Teatro de Arena do Cave no sábado e no domingo, das 14h às 22h. A programação gratuita, mediante retirada de ingresso pelo Sympla, reúne oficinas, teatro infantil, feira colaborativa, praça de alimentação, espaço infantil e shows. No sábado, a partir das 17h, sobem ao palco a Escola de Samba Lobo Guará e o grupo Du Nada um Samba, com transmissão de Brasil x Marrocos às 19h. No domingo, a programação musical terá Luana Dias, Quinta Essência, Brazilian Blues Band e Old is School.

A Copa do Mundo também pauta o Arena Brasil, na Birosca, no Setor de Diversões Sul. O projeto começa no sábado, durante a partida entre Brasil e Marrocos, e segue até 19 de julho, com transmissão dos jogos, música, gastronomia e programação cultural. Na abertura, a programação será em parceria com a Makossa Samba Baile e terá BNegão Bota Som, Coisa de Pele com Ellen Oléria e Dhi Ribeiro, além dos DJs Chicco Aquino, Janna e New Nay. A iniciativa é promovida pela Influ Produções, com recursos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Distrito Federal (LIC-DF).

 Castelo Magic Land é um dos destaques do festival montado no Parque da Cidade | Fotos: Melina Miranda/Agência Brasília

No Parque da Cidade, o Festival do Parque 2026 segue até domingo, na Praça das Fontes, no Estacionamento 9. A atração principal é o Magic Land, com castelo cenográfico, personagens infantis, parque de diversões, áreas de convivência, experiências interativas, praça gastronômica e apresentações para crianças. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingresso e doação de 1 kg de alimento não perecível ou agasalho novo ou em bom estado. No sábado e no domingo, a programação começa às 12h, com apresentações de personagens como Turma da Disney, Moana, Toy Story, Pequena Sereia, Patrulha Canina e Frozen, além da Parada Mágica, às 21h30

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