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José Aparecido de Oliveira

Lições e segredos de um Mestre

 


Zé Aparecido


Lições e Segredos de um Mestre

 


 Para alguns, José Aparecido de Oliveira era o “curriculum vitae” de Conceição do Mato Dentro, a cidade mineira que o viu nascer. Para outros, uma máquina de fazer amigos.


Só sei que ele era arrojado, generoso e controvertido. Muitas vezes nos dava muita alegria e outras vezes nos fazia perder a paciência. Tinha carisma, prestígio e amigos.


 


E que lições e segredos nos deixou esse Zé Aparecido de Oliveira, que foi deputado federal, secretário de Estado, fundador do Ministério da Cultura, Embaixador e Governador de Brasília?


 


Que lições e segredos nos deixou essa figura quase mítica da vida política brasileira; alguém que conseguiu reunir em torno de si tantos e tão qualificados homens públicos, intelectuais, jornalistas, gente do povo, estadistas e poetas?


 


De onde veio a força desse que, do interior de Minas, comandou decisivamente as eleições presidenciais de 1960, a primeira e única vitória da UDN no Brasil?


 


Para o próprio Zé Aparecido, não existiam nem lições, nem segredos. Apenas uma realidade: “Viver é construir a Pátria e fazer amigos. Viver bem é ser perseverante na arte de conservar amigos”.


 


Mas, ao contrário do que pensava, há muitas lições e segredos em sua vida.


Lições e segredos de perseverança, autoconfiança, ousadia, liderança, protestos e uso da autoridade. Lições e segredos de tolerância e solidariedade…


 


Convivi com José Aparecido de Oliveira desde os meus tempos de faculdade. Fazia estágio no Banco de Minas Gerais, cujo presidente – José Cabral – era muito seu amigo e correligionário.


E, nesses 40 anos de convivência, identifiquei 10 lições e segredos da sua arte de viver. O decálogo Zé Aparecido.


 


Primeira lição – O Solidário


Aparecido gostava mesmo de gente e de mais nada. Bebia mal e comia pior. Fumava sem prazer, tinha horror a futebol e detestava praia. Mas quando se tratava de fazer amigos, de assumir compromissos por outras pessoas, de resolver problemas dos outros… era único.


SEGREDO: Aparecido aprendeu a não endossar sua fama de avalista. Mas muito humano, era ele próprio um cheque ao portador.


 


Segunda lição – A Lealdade


Aparecido era um misto de águia e anjo. Enxergava longe, era intransigente com seus objetivos. Sabia manejar toda sua artilharia, todos os recursos à altura de suas mãos para construir pontes, articulações e ganhar posições. Sempre pela conquista do coração das pessoas.


SEGREDO: Aparecido nunca cobrou ou permitiu que lhe pagassem o bem praticado. Sua força era a gratuidade de sua moeda. Recebeu, está recebido. Deu, está dado… e vamos em frente.


 


Terceira lição – O Polêmico


Aparecido tinha a arte da boa polêmica. Afetuoso, adorava porém uma controvérsia. Se alguém criticava algum amigo seu, nascia ali uma ruidosa polêmica. A mesma polêmica rondava sua maneira de administrar. Como governador de Brasília, provocou uma verdadeira tempestade sobre o Lago ao abrir uma ciclovia, ao criar acesso para sua margem e ao derrubar cercas-verdes para construir calçadas. Sim, no Lago Sul – o bairro mais nobre de Brasília – não havia calçadas. A desprivatização das margens do Lago Paranoá mexeu com a República e com o interesse dos poderosos.


SEGREDO: Estava sempre pronto a expor as virtudes dos condenados e humildes e, na mesma proporção, expunha os defeitos de quem era exaltado e poderoso. Como governador de Brasília, acabou com privilégios e deu exemplos de dedicação ao trabalho. Entregava-se de corpo e alma à missão a ele confiada. Exemplo: mesmo ligado politicamente a Minas e sem pretensão de ser candidato em Brasília, fez questão de transferir para o Distrito Federal seu título de eleitor.


 


Quarta lição – O Jornalista


Aos 19 anos era editor da Rádio Inconfidência, em Belo Horizonte. Passou ainda pelo Diário do Comércio, Correio do Dia e Correio da Manhã.


O jornalista José Aparecido foi o primeiro a denunciar a prática do “mensalão” aos políticos. Em 1953, tornou público a primeira tentativa organizada de influência maciça do poder econômico na formação do poder político, ao lançar o livro “Inquérito do Banco do Brasil”. O livro denunciou empréstimos irregulares favorecendo políticos e empresários ligados ao governo. Em 1962, eleito deputado federal, comandou a CPI do IBAD – o estranho e misterioso Instituto Brasileiro de Ação Democrática que financiava, com recursos ninguém sabe de onde, a eleição de deputados.


 


SEGREDO: de tanto lidar com o fato político e de lutar pela moralização política, acabou abraçando o exercício da política. De chefe de gabinete do prefeito Celso Melo Azevedo, de Belo Horizonte, aos 24 anos, Aparecido escalou vários postos para ser, aos 30 anos, secretário particular do Presidente da República, Jânio Quadros. Aos 33 anos era deputado federal e, aos 35 anos, seu nome saiu na primeira lista de cassados pela Revolução de 64.


 


Quinta lição – Coragem e liderança


Marcou posição perante a História do País: ele foi a única vítima de atos institucionais da Revolução a protestar judicialmente contra a cassação do mandato e dos direitos políticos. Pela voz de seu advogado Heráclito Fontoura Sobral Pinto – outra legenda mineira de lutas memoráveis – argüiu o absolutismo instaurado no Brasil em 1964.


SEGREDO: Impedido de exercer a vida pública, Aparecido teve sua carreira amputada. Mas seu poder de liderança era exercido em qualquer circunstância. Iniciou, então, uma campanha ferrenha em favor dos valores culturais de Minas Gerais.


Sexta lição – A mineiridade


Político cassado, ostracismo posto. Mas pelas tramas do destino, mesmo sem os direitos políticos, ele permaneceu no Brasil e acabou ampliando sua atividade pública. Depois de defender a própria honra com protesto formal, continuou a desafiar, dentro da cautela mineira, o poder dominante. A partir do Rio de Janeiro e de Minas liderou várias campanhas pela volta à Democracia e amplificou seu grito de alerta em defesa do patrimônio material e imaterial brasileiros.


SEGREDO: A revolução de março de 1964 cortou-lhe a carreira, mas não o privou dos amigos e nem de sua liderança. Participava da vida nacional com instrumentos vários como campanhas de cidadania e apoio à mídia alternativa, cujo exemplo mais claro foi O Pasquim. Até seu próprio aniversário, em 17 de fevereiro, sempre comemorado em Conceição do Mato Dentro, virou marca de peregrinação política, de encontros e de tomadas de posição. A cassação o impediu de ser naturalmente governador de Minas Gerais, mas as circunstâncias o fizeram governador do Distrito Federal.


 


Sétima lição – O Administrador


Tinha vocação para vida pública, mas uma verdadeira aversão à burocracia. Tenho certeza de que a demissão do gerúndio, pelo governador José Roberto Arruda, foi um ato inspirado por Zé Aparecido. Foi o primeiro governador a criar uma Secretaria de Meio Ambiente, que entregou ao ambientalista Paulo Nogueira Neto. Criou também o Arquivo Público do DF e fez o primeiro tombamento cultural: ao lado de Afonso Arinos de Melo Franco Filho, sobrinho-neto do escritor de “Buriti Perdido”, tombou uma palmeira buriti, na Praça do Buriti.


SEGREDO: administrava pelo método confuso, cheio de gente em volta. Ouvia mil palpites, mas era um obstinado: queria resultados. Com a moral de um governante de mãos limpas, pôde convocar a iniciativa privada para construção de monumentos públicos. Estão todos aí: Panteão da Pátria, Teatro Amador, Espaço Oscar Niemeyer, Espaço Lúcio Costa, Casa do Cantador da Ceilândia, Museu da Memória dos Povos Indígenas, Jardim Botânico de Brasília etc.


 


Oitava lição –  O Determinado


Ao ser convidado pelo presidente José Sarney para ser governador de Brasília, Aparecido me chamou e disse: “- Silvestre, preciso de duas coisas: quero você como meu secretário de Comunicação e que me faça, com urgência, um relatório sucinto e honesto sobre o ‘Caso Mário Eugênio’. Crime misterioso não terá mais lugar em Brasília”. Fiz o relatório. O jornalista Mário Eugênio havia sido assassinado em 11 de novembro de 1984. E ninguém conseguia elucidar o crime. Em 27 de julho, portanto, dois meses após assumir o governo, eu soltava uma nota oficial elucidando o caso. Era a prova de sua autoridade contra o autoritarismo. O crime havia sido cometido por militares.


SEGREDO: a determinação de Aparecido, a transparência de suas ações e a volta da democracia fizeram valer a verdade. Foi feita justiça sobre um dos mais bárbaros crimes de Brasília.


 


Nona lição – Autoridade moral


Em 1961, no auge de seus 30 anos, era secretário particular e íntimo do Presidente Jânio Quadros. Depois, já deputado federal, ocupou três secretarias de Estado de outro amigo, o governador de Minas, Magalhães Pinto. Em ambas funções, Aparecido sofreu um revés e nos deixou lições. Por mais arguto que sejamos, por mais amigos que conquistamos, por melhores informações que possamos ter, a vida pode nos pregar peças. Com Aparecido também foi assim. É um verdadeiro mistério que, como principal assessor do Presidente Jânio Quadros, ele tenha sido surpreendido com sua renúncia. É também um mistério que, como super-secretário do governador Magalhães Pinto, outra vez foi surpreendido pelo golpe de 1964, que tinha Magalhães como líder político da Revolução.


Nem seu trânsito direto com o poder e nem sua habilidade e acesso à oposição conseguiram evitar os dois golpes fatais sobre a fragilizada democracia brasileira. Talvez pudesse ter mudado o curso da História, mas nem dissuadiu, nem aderiu e nem articulou para evitar tanto a renúncia como o golpe. A lição? O ser humano pode ser anjo, pode ser demônio, pode ser águia e pode ser até visionário. Mas não pode tudo. Não pode ser Deus.


SEGREDO: a autoridade moral de Aparecido evitou que tanto Jânio como Magalhães Pinto segredassem a ele seus verdadeiros planos. E, assim, Zé Aparecido foi engolido pela História, que prosseguiu seu fluxo. Como era para ser…


 


Décima lição – O Visionário


Para Aparecido, o impossível era algo que podia demorar um pouco mais para acontecer. Mas acontecia. Aos trancos e barrancos caminhava em direção à utopia. Como em sua luta para transformar uma cidade de 27 anos em Patrimônio Cultural da Humanidade. Quando divulgou seu projeto, foi chamado de lunático, fora da realidade. Como ousar querer o carimbo de eternidade para uma cidade de apenas 27 anos? Que soberba era esta de equiparar uma cidade de 20 anos com as Romas de 20 séculos? Plantou a idéia. Dia 7 de dezembro, quando a Unesco divulgou o resultado, eu próprio entreguei a ele um bilhete enviado pelo então senador Darcy Ribeiro: “Zé, você fincou uma lança na lua!”.


SEGREDO: ao comprar uma idéia, Aparecido conseguia defendê-la e colocava todos os seus amigos para jogar na mesma direção. Assim foi com o projeto para criar a Comunidade de Língua Portuguesa, com o de fazer Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade e com tantos outros sonhos impossíveis. Estava sempre envolvendo no mesmo esforço um mutirão de amigos como Oscar Niemeyer, José Sarney, Itamar Franco, o líder Mário Soares, o filósofo Agostinho da Silva, Josué Montello, Lúcio Costa, Austregésilo de Athayde, Cláudio Abramo, Hélio Fernandes, Osvaldo Peralva, Carlos Castelo Branco, Antônio Maria, Tom Jobim, Vinicius, Gerardo Mello Mourão, Alçada Baptista, Júlio Pomar, José Carlos de Vasconcelos, Lauro Moreira, Luís Fonseca, Amélia Mingas, Raul Solnado, Ziraldo, Millôr Fernandes, Jaguar, Henfil, Sebastião Nery, Villas-Bôas Correa, Mauro Santayana, Fernando Sabino, Rubem Braga, Otto Lara Resende, Paulo Francis, o historiador Hélio Silva, Ângelo Osvaldo, Fernanda Montenegro, Antônio Houaiss, Adolfo Block, Carlos Alberto Xavier, Paulo Tarso Flecha de Lima, Toninho Drumond e tantos outros. Aparecido era um verdadeiro amálgama que unia artistas, políticos, intelectuais e ambientalistas na direção de suas utopias.


 


Onde estiver – ao lado de JK e dos artistas construtores – José Aparecido de Oliveira sabe que livrou Brasília da sanha da especulação imobiliária. Preservou o projeto original de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.


 


Só mesmo um Zé Aparecido, que não ligava para o impossível, poderia plantar a união dos povos de Língua Portuguesa. Poderia plantar uma comunidade lusófona. Poderia plantar uma cidade-capital mais importante em futuro do que em passado.


 


Temos que agradecer Zé Aparecido por ter plantado tantos sonhos!


Ele plantou o amanhã!


 

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Pesquisa identifica oito planetas candidatos a ter vida extraterrestre

Estudo foi feito por pesquisador brasileiro no Observatório Nacional

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Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

Um pesquisador brasileiro identificou oito planetas localizados fora do Sistema Solar, os chamados exoplanetas, que têm uma possibilidade maior de ter água em estado líquido e, consequentemente, permitir o desenvolvimento de vida. O levantamento foi feito pelo cientista Fábio Calabrio Evangelista da Silva, sob a orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional.

Silva analisou as informações de mais de 6 mil exoplanetas já descobertos até agora, a partir de um banco de dados da Nasa, a agência espacial estadunidense. Ele examinou informações como raio, densidade e distância em que orbitam em relação à estrela.

A partir dessas informações, conseguiu identificar aqueles que têm um raio e densidade semelhantes aos do planeta Terra. Separou também aqueles que estão na chamada zona de habitabilidade.

“A zona de habitabilidade é uma zona que possibilita a água líquida porque não é nem tão quente, mais próximo da estrela, e nem tão frio, para longe da estrela. Então é a zona perfeita. A gente chama de Goldilocks Zone, a Zona dos Cachinhos Dourados”, explica Silva.

Por fim, estimou as características da atmosfera, além da pressão e temperatura da superfície. Silva, então, elencou os oito exoplanetas mais parecidos com o nosso, portanto, com maiores possibilidades de possuir água em estado líquido e sustentar vida.

“A Terra é o único exemplo que a gente vai ter, por enquanto, para se definir vida, para se definir quais são as características necessárias para se ter água líquida”, afirma o pesquisador, que apresentou seu trabalho nesta semana, na 6ª edição do Astrobion, evento sobre astrobiologia organizado pelo Observatório Nacional, no Rio de Janeiro.

Dos oito exoplanetas, o mais parecido com a Terra é chamado de GJ 1002b, que, segundo a pesquisa do Observatório Nacional, tem 98% de similaridade com o nosso planeta.

Descoberto em 2022, o GJ 1002b, localiza-se a 16 anos-luz do nosso planeta (ou seja, a luz leva 16 anos para fazer o trajeto entre os dois planetas). Ele orbita uma estrela anã-vermelha (tipo M), que é mais fria que o Sol. Cada volta em torno da estrela, leva apenas 10 dias.

Busca por extraterrestres

“A gente está buscando um planeta que tenha condições similares à Terra. Mas isso não quer dizer que seja o único lugar possível de ter vida no universo, porque podem existir outras formas de vida que a gente ainda não conheça e que precisem de características químico-físicas diferentes”, ressalta o professor Marcelo Borges Fernandes.

A possibilidade de haver vida fora da terra é parte do imaginário popular há séculos. Na Grécia Antiga, pensadores já especulavam sobre a possibilidade de haver vida na Lua. A busca por organismos extraterrestres ganhou força com o início da corrida espacial, entre os anos 50 e 60.

Nas primeiras décadas, no entanto, a busca se focou em nosso Sistema Solar, em especial naqueles corpos celestes mais próximos da Terra, como a própria Lua e o planeta Marte, e na recepção de sinais enviados por eventuais civilizações extraterrestres.

Em 1992, no entanto, os primeiros exoplanetas, chamados de Poltergeist e Phobetor, foram descobertos. De lá para cá, foram mais de 6 mil descobertas na nossa galáxia, elevando assim o número de locais onde a vida pode ter se desenvolvido.

A busca por vida nesses locais, no entanto, é uma tarefa difícil, uma vez que todos eles estão a anos-luz da Terra, o que inviabiliza, pelo menos com a tecnologia existente, que sejam visitados. O estudo desses exoplanetas é feito por meio de observações intermediadas pela estrela à qual eles orbitam.

A forma de verificar a possível existência de vida nesses casos é através do exame da atmosfera desses exoplanetas. Telescópios, como o James Webb, possuem equipamentos que analisam as ondas de luz emitidas pela estrela quando o planeta está transitando em frente a ela. Esses aparelhos conseguem perceber as variações ocorridas quando elas interagem com a atmosfera do exoplaneta, já que cada substância química tem sua própria marca.

“Com alta resolução espectral, você pode ver se existe uma atmosfera, determinar a composição química da atmosfera e, com isso, você vai juntando cada pecinha do quebra-cabeça de forma tentar definir se aquele planeta pode ter condições ideais para existência da vida ou não”, explica Fernandes.

O que os cientistas que buscam vida fora da Terra, os chamados astrobiólogos, buscam são as chamadas bioassinaturas. São substâncias ou uma combinação delas que, na Terra, são comumente produzidas pela ação de mecanismos biológicos, como é o caso da coexistência dos gases metano e oxigênio.

Recentemente um estudo liderado pela Universidade de Cambridge analisou a atmosfera do exoplaneta K2-18b e encontrou sinais de metano e dióxido de carbono. Também foi detectada uma assinatura que poderia ser sulfeto de dimetila (DMS), uma molécula que, na Terra, é produzida apenas por seres vivos, como os fitoplânctons.

Como este é um planeta que tem probabilidade de ser coberto por um oceano de água global, veículos de imprensa noticiaram que cientistas haviam descoberto sinais de vida em um planeta distante.

Evidências

O problema é que muitas das bioassinaturas, inclusive as substâncias encontradas em K2-18b, poderiam ser produzidas também por meios abióticos, como processos geológicos ou radiação.

“A gente tem que ter sempre muito cuidado para analisar isso e comparar com o único exemplo que a gente tem, que é a Terra, para saber se a única explicação seria uma fonte de vida ou se pode ser de fontes geológicas ou atmosféricas não ligadas à vida, que reproduziriam aquela possível bioassinatura”, ressalta Fernandes.

De acordo com o pesquisador do Laboratório Analítico de Astrobiologia da Nasa José Aponte, encontrar bioassinaturas de forma isolada no espaço não é sinal inequívoco de vida. “Nenhuma análise, por si só, pode garantir uma confirmação definitiva [da existência de vida]. É preciso haver mais de uma linha de evidência para que isso aconteça”.

Aponte destaca que a combinação de três aspectos pode ser um forte indicador de que aquelas bioassinaturas são mesmo produzidas por seres vivos. O primeiro seria a repetição de moléculas no ambiente. “Se aquela molécula se repete exaustivamente e isso é consistente depois de várias medições, isso poderia representar uma bioassinatura”.

A segunda linha de evidências seria a predominância de um tipo de quiralidade. Moléculas quirais são aquelas que têm a mesma estrutura química, mas não são exatamente iguais. Algumas desviam a luz para a esquerda e outras, para a direita. Um bom exemplo para explicar isso são as mãos esquerda e direita. Elas são a imagem espalhada uma da outra, mas se formos sobrepô-las (ambas com as palmas para baixo), elas não se encaixam.

Na Terra, os organismos usam quase que exclusivamente os aminoácidos de configuração L (ou seja, são como nossa mão esquerda), salvo poucas exceções. Já os açúcares são praticamente todos de configuração D (isto é, como a mão direita). “Então uma segunda linha de evidência seria encontrar a predominância de um tipo de molécula quiral [no lugar investigado]”.

E a terceira linha de evidências seria a análise de isótopos, isto é, elementos químicos que têm massas diferentes. Na Terra, a vida tem preferência pelos isótopos mais leves, como o carbono 12, em vez do carbono 13, e pelo hidrogênio em vez do deutério (isótopo mais pesado do hidrogênio).

“Bioassinaturas em outros lugares também poderiam ser ricas nos isótopos mais leves. Então, não se trata apenas de encontrar uma única molécula, mas sim de encontrar mais de uma linha de evidência combinada”, explica o pesquisador da Nasa.

Ingredientes da vida

Mesmo aquelas moléculas orgânicas que são chamadas de ingredientes da vida, como os aminoácidos ou as bases nitrogenadas que formam nosso código genético, não podem ser consideradas provas da existência de vida extraterrestre.

Aponte é parte do grupo de cientistas que analisou amostras de rochas coletadas por uma sonda no asteroide Bennu, que orbita próximo à Terra. Dezenas de moléculas orgânicas foram detectadas no corpo celeste, entre elas os três componentes dos ácidos nucleicos: fosfatos, o açúcar ribose (que é parte da estrutura do RNA, o ácido ribonucleico) e as cinco bases nitrogenadas que formam os nucleotídeos de todos os seres vivos: adenina, guanina, citosina, timina e uracila.

Também foram detectados, nada menos que 14 dos 20 aminoácidos usados na produção de proteínas pelos organismos terrestres, inclusive o triptofano, que nunca havia sido observado em amostras extraterrestres.

Nada disso, no entanto, é sinal de vida extraterrestre, já que essas moléculas podem ter sido formadas de forma abiótica pela ação de radiação ou de reações químicas em um ambiente aquoso, há centenas de milhões de anos.

“No caso de encontrarmos um composto do tipo nucleotídeo ou uma cadeia de RNA, a história é outra. Isso poderia ser uma evidência mais robusta, porque moléculas como essas são muito frágeis e se decompõem muito rapidamente em termos geológicos”, afirma Aponte.

Expectativas

Apesar das dificuldades para se localizar vida fora da Terra, há grandes expectativas em relação a futuras missões não tripuladas dentro do próprio Sistema Solar, como a Europa Clipper, que deve chegar, em 2030, a Europa, satélite que orbita Júpiter. Há indícios de que, sob a crosta de gelo dessa lua joviana, exista um oceano de água salgada, que pode ter condições de abrigar vida.

Outra missão, a Dragonfly, deverá ser lançada em 2028, rumo a Titan, uma das luas de Saturno, que possui uma atmosfera possivelmente rica em nitrogênio, além de metano em forma líquida em sua superfície. O robô, que tem o mesmo nome da missão, deve chegar a Titan em 2034 e buscará indicadores químicos de vida baseada em água ou em hidrocarbonetos, como o metano.

Há expectativas também em relação a outra lua de Saturno, Enceladus, que, assim como Europa, também pode abrigar um oceano sob sua crosta de gelo; e a Marte, onde há calotas de gelo e possivelmente reservatórios subterrâneos de água.

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Voluntários transformam tempo em cuidado há 61 anos no Hospital de Base

Com 52 integrantes, serviço acolhe pacientes e ajudou a abrir caminho para outras iniciativas de voluntariado na unidade 

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Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes

Há 61 anos, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) conta com pessoas que escolheram transformar tempo e disposição para ajudar em uma forma de cuidado. Criado em 1965, o Serviço Auxiliar de Voluntários (SAV) acompanha quase toda a trajetória do hospital, que completou 66 anos, e mantém o paciente no centro de sua atuação. Atualmente, 52 voluntários participam de atividades como acolhimento nos leitos, reiki, doação de kits de higiene e artigos hospitalares, além de ações voltadas à socialização e ao bem-estar. Ao longo de seis décadas, o SAV também ajudou a abrir espaço para a chegada de outras iniciativas de voluntariado ao HBDF.

Para ser voluntário, basta procurar o escritório do serviço no Hospital de Base para passar por uma entrevista. Outra opção é realizar o cadastro pelo site da entidade, preencher o formulário disponível e aguardar o contato da equipe. A presidente do SAV, Vandelícia Dias, ressalta que não é preciso ter experiência para participar, mas disposição para doar tempo.

Voluntários visitam paciente no Hospital de Base: “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, observa a presidente do SAV, Vandelícia Dias | Fotos: Divulgação

Para Vandelícia Dias, a essência desse trabalho está na disponibilidade para o outro. “O primordial é o acolhimento, é ceder seu tempo para ouvir a outra pessoa. Pode ser que ele precise de alguém para conversar”, afirma.

Desde 2010, a entidade alcança uma média de 3,7 mil acolhimentos a pacientes por mês, entre atendimentos realizados dentro do hospital e itens doados. Parte das ações é viabilizada com recursos obtidos por meio das vendas do bazar do SAV, abastecido por doações. “No que estiver dentro da nossa condição, nós sempre iremos ajudar. De pouquinho em pouquinho, nós vamos atendendo as demandas e espalhando o bem”, comemora Vandelícia.

 

Uma história construída dentro do hospital

Fundado pelo médico Oscar Moren, o SAV iniciou o trabalho com foco na pediatria e, ao longo dos anos, ampliou a atuação para outras áreas do Hospital de Base. Entre as frentes que ganharam destaque está a psiquiatria, onde são desenvolvidas atividades lúdicas voltadas para a socialização e o bem-estar dos pacientes.

Essa trajetória também contribuiu para fortalecer a presença do voluntariado na unidade. “O SAV e o Hospital de Base caminharam juntos desde o começo. Nosso trabalho abriu portas e permitiu que outras instituições também viessem para cá. Servimos de exemplo”, afirma Vandelícia.

Atividades lúdicas voltadas à socialização e ao bem-estar dos pacientes ganharam destaque nas atividades dos voluntários no HBDF

Ao mesmo tempo em que acolhe pacientes, o trabalho deixa marcas em quem escolhe dedicar parte da própria vida ao outro. Salete Paulina Malinski entrou para o SAV há 29 anos, depois de ouvir no rádio um anúncio que convidava pessoas para o voluntariado.

“Amo trabalhar com pacientes. A gente sempre consegue levar um pouco de alegria, um pouco de leveza. Gosto de me doar para os outros, de conversar e de trazer paz. Me sinto muito bem”, confessa.

Se Salete carrega quase três décadas de experiência, Rosimeire Costa representa quem está começando essa trajetória. Aposentada, ela decidiu dedicar parte do tempo livre ao voluntariado e integra o SAV há dois meses.

“Aqui, você consegue ser uma gotinha de coisas boas na vida de outras pessoas. É muito gratificante promover um momento de descanso, de alegria, de descontração a um paciente que está passando por um momento difícil. Isso traz sentido para a vida”, comemora.

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Câmara Legislativa realiza sessão solene em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis

Cerimônia está marcada para terça-feira (22), a partir das 19h, e terá transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital e pelo YouTube

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Foto: Francisco Arrais

Homenagem presta reconhecimento público a atletas, professores, treinadores, dirigentes e organizações que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF

A Câmara Legislativa fará uma sessão solene, na próxima terça-feira (22), às 19h, em homenagem ao Beach Tennis e ao Tênis. De autoria do deputado Martins Machado (Republicanos), o evento visa destacar a relevante contribuição dessas modalidades para o desenvolvimento do esporte no Distrito Federal. A solenidade ocorrerá no plenário e será transmitida ao vivo pela TV Câmara Distrital.

De acordo com Martins Machado, além de promover hábitos saudáveis, as modalidades incentivam a disciplina, a superação de desafios e a convivência social. “A expansão dessas práticas esportivas também gera impactos positivos na economia local, por meio da realização de torneios, eventos, capacitações e atividades ligadas ao setor esportivo, promovendo oportunidades de trabalho e fortalecendo o turismo esportivo”, ressalta o distrital.

Ainda de acordo com o parlamentar, a homenagem representa o reconhecimento público aos atletas, professores, treinadores, dirigentes, organizadores de eventos, clubes e academias que contribuem para o fortalecimento do Beach Tennis e do Tênis no DF.

Agência CLDF

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