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José Aparecido de Oliveira

Lições e segredos de um Mestre

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Zé Aparecido


Lições e Segredos de um Mestre

 


 Para alguns, José Aparecido de Oliveira era o “curriculum vitae” de Conceição do Mato Dentro, a cidade mineira que o viu nascer. Para outros, uma máquina de fazer amigos.


Só sei que ele era arrojado, generoso e controvertido. Muitas vezes nos dava muita alegria e outras vezes nos fazia perder a paciência. Tinha carisma, prestígio e amigos.


 


E que lições e segredos nos deixou esse Zé Aparecido de Oliveira, que foi deputado federal, secretário de Estado, fundador do Ministério da Cultura, Embaixador e Governador de Brasília?


 


Que lições e segredos nos deixou essa figura quase mítica da vida política brasileira; alguém que conseguiu reunir em torno de si tantos e tão qualificados homens públicos, intelectuais, jornalistas, gente do povo, estadistas e poetas?


 


De onde veio a força desse que, do interior de Minas, comandou decisivamente as eleições presidenciais de 1960, a primeira e única vitória da UDN no Brasil?


 


Para o próprio Zé Aparecido, não existiam nem lições, nem segredos. Apenas uma realidade: “Viver é construir a Pátria e fazer amigos. Viver bem é ser perseverante na arte de conservar amigos”.


 


Mas, ao contrário do que pensava, há muitas lições e segredos em sua vida.


Lições e segredos de perseverança, autoconfiança, ousadia, liderança, protestos e uso da autoridade. Lições e segredos de tolerância e solidariedade…


 


Convivi com José Aparecido de Oliveira desde os meus tempos de faculdade. Fazia estágio no Banco de Minas Gerais, cujo presidente – José Cabral – era muito seu amigo e correligionário.


E, nesses 40 anos de convivência, identifiquei 10 lições e segredos da sua arte de viver. O decálogo Zé Aparecido.


 


Primeira lição – O Solidário


Aparecido gostava mesmo de gente e de mais nada. Bebia mal e comia pior. Fumava sem prazer, tinha horror a futebol e detestava praia. Mas quando se tratava de fazer amigos, de assumir compromissos por outras pessoas, de resolver problemas dos outros… era único.


SEGREDO: Aparecido aprendeu a não endossar sua fama de avalista. Mas muito humano, era ele próprio um cheque ao portador.


 


Segunda lição – A Lealdade


Aparecido era um misto de águia e anjo. Enxergava longe, era intransigente com seus objetivos. Sabia manejar toda sua artilharia, todos os recursos à altura de suas mãos para construir pontes, articulações e ganhar posições. Sempre pela conquista do coração das pessoas.


SEGREDO: Aparecido nunca cobrou ou permitiu que lhe pagassem o bem praticado. Sua força era a gratuidade de sua moeda. Recebeu, está recebido. Deu, está dado… e vamos em frente.


 


Terceira lição – O Polêmico


Aparecido tinha a arte da boa polêmica. Afetuoso, adorava porém uma controvérsia. Se alguém criticava algum amigo seu, nascia ali uma ruidosa polêmica. A mesma polêmica rondava sua maneira de administrar. Como governador de Brasília, provocou uma verdadeira tempestade sobre o Lago ao abrir uma ciclovia, ao criar acesso para sua margem e ao derrubar cercas-verdes para construir calçadas. Sim, no Lago Sul – o bairro mais nobre de Brasília – não havia calçadas. A desprivatização das margens do Lago Paranoá mexeu com a República e com o interesse dos poderosos.


SEGREDO: Estava sempre pronto a expor as virtudes dos condenados e humildes e, na mesma proporção, expunha os defeitos de quem era exaltado e poderoso. Como governador de Brasília, acabou com privilégios e deu exemplos de dedicação ao trabalho. Entregava-se de corpo e alma à missão a ele confiada. Exemplo: mesmo ligado politicamente a Minas e sem pretensão de ser candidato em Brasília, fez questão de transferir para o Distrito Federal seu título de eleitor.


 


Quarta lição – O Jornalista


Aos 19 anos era editor da Rádio Inconfidência, em Belo Horizonte. Passou ainda pelo Diário do Comércio, Correio do Dia e Correio da Manhã.


O jornalista José Aparecido foi o primeiro a denunciar a prática do “mensalão” aos políticos. Em 1953, tornou público a primeira tentativa organizada de influência maciça do poder econômico na formação do poder político, ao lançar o livro “Inquérito do Banco do Brasil”. O livro denunciou empréstimos irregulares favorecendo políticos e empresários ligados ao governo. Em 1962, eleito deputado federal, comandou a CPI do IBAD – o estranho e misterioso Instituto Brasileiro de Ação Democrática que financiava, com recursos ninguém sabe de onde, a eleição de deputados.


 


SEGREDO: de tanto lidar com o fato político e de lutar pela moralização política, acabou abraçando o exercício da política. De chefe de gabinete do prefeito Celso Melo Azevedo, de Belo Horizonte, aos 24 anos, Aparecido escalou vários postos para ser, aos 30 anos, secretário particular do Presidente da República, Jânio Quadros. Aos 33 anos era deputado federal e, aos 35 anos, seu nome saiu na primeira lista de cassados pela Revolução de 64.


 


Quinta lição – Coragem e liderança


Marcou posição perante a História do País: ele foi a única vítima de atos institucionais da Revolução a protestar judicialmente contra a cassação do mandato e dos direitos políticos. Pela voz de seu advogado Heráclito Fontoura Sobral Pinto – outra legenda mineira de lutas memoráveis – argüiu o absolutismo instaurado no Brasil em 1964.


SEGREDO: Impedido de exercer a vida pública, Aparecido teve sua carreira amputada. Mas seu poder de liderança era exercido em qualquer circunstância. Iniciou, então, uma campanha ferrenha em favor dos valores culturais de Minas Gerais.


Sexta lição – A mineiridade


Político cassado, ostracismo posto. Mas pelas tramas do destino, mesmo sem os direitos políticos, ele permaneceu no Brasil e acabou ampliando sua atividade pública. Depois de defender a própria honra com protesto formal, continuou a desafiar, dentro da cautela mineira, o poder dominante. A partir do Rio de Janeiro e de Minas liderou várias campanhas pela volta à Democracia e amplificou seu grito de alerta em defesa do patrimônio material e imaterial brasileiros.


SEGREDO: A revolução de março de 1964 cortou-lhe a carreira, mas não o privou dos amigos e nem de sua liderança. Participava da vida nacional com instrumentos vários como campanhas de cidadania e apoio à mídia alternativa, cujo exemplo mais claro foi O Pasquim. Até seu próprio aniversário, em 17 de fevereiro, sempre comemorado em Conceição do Mato Dentro, virou marca de peregrinação política, de encontros e de tomadas de posição. A cassação o impediu de ser naturalmente governador de Minas Gerais, mas as circunstâncias o fizeram governador do Distrito Federal.


 


Sétima lição – O Administrador


Tinha vocação para vida pública, mas uma verdadeira aversão à burocracia. Tenho certeza de que a demissão do gerúndio, pelo governador José Roberto Arruda, foi um ato inspirado por Zé Aparecido. Foi o primeiro governador a criar uma Secretaria de Meio Ambiente, que entregou ao ambientalista Paulo Nogueira Neto. Criou também o Arquivo Público do DF e fez o primeiro tombamento cultural: ao lado de Afonso Arinos de Melo Franco Filho, sobrinho-neto do escritor de “Buriti Perdido”, tombou uma palmeira buriti, na Praça do Buriti.


SEGREDO: administrava pelo método confuso, cheio de gente em volta. Ouvia mil palpites, mas era um obstinado: queria resultados. Com a moral de um governante de mãos limpas, pôde convocar a iniciativa privada para construção de monumentos públicos. Estão todos aí: Panteão da Pátria, Teatro Amador, Espaço Oscar Niemeyer, Espaço Lúcio Costa, Casa do Cantador da Ceilândia, Museu da Memória dos Povos Indígenas, Jardim Botânico de Brasília etc.


 


Oitava lição –  O Determinado


Ao ser convidado pelo presidente José Sarney para ser governador de Brasília, Aparecido me chamou e disse: “- Silvestre, preciso de duas coisas: quero você como meu secretário de Comunicação e que me faça, com urgência, um relatório sucinto e honesto sobre o ‘Caso Mário Eugênio’. Crime misterioso não terá mais lugar em Brasília”. Fiz o relatório. O jornalista Mário Eugênio havia sido assassinado em 11 de novembro de 1984. E ninguém conseguia elucidar o crime. Em 27 de julho, portanto, dois meses após assumir o governo, eu soltava uma nota oficial elucidando o caso. Era a prova de sua autoridade contra o autoritarismo. O crime havia sido cometido por militares.


SEGREDO: a determinação de Aparecido, a transparência de suas ações e a volta da democracia fizeram valer a verdade. Foi feita justiça sobre um dos mais bárbaros crimes de Brasília.


 


Nona lição – Autoridade moral


Em 1961, no auge de seus 30 anos, era secretário particular e íntimo do Presidente Jânio Quadros. Depois, já deputado federal, ocupou três secretarias de Estado de outro amigo, o governador de Minas, Magalhães Pinto. Em ambas funções, Aparecido sofreu um revés e nos deixou lições. Por mais arguto que sejamos, por mais amigos que conquistamos, por melhores informações que possamos ter, a vida pode nos pregar peças. Com Aparecido também foi assim. É um verdadeiro mistério que, como principal assessor do Presidente Jânio Quadros, ele tenha sido surpreendido com sua renúncia. É também um mistério que, como super-secretário do governador Magalhães Pinto, outra vez foi surpreendido pelo golpe de 1964, que tinha Magalhães como líder político da Revolução.


Nem seu trânsito direto com o poder e nem sua habilidade e acesso à oposição conseguiram evitar os dois golpes fatais sobre a fragilizada democracia brasileira. Talvez pudesse ter mudado o curso da História, mas nem dissuadiu, nem aderiu e nem articulou para evitar tanto a renúncia como o golpe. A lição? O ser humano pode ser anjo, pode ser demônio, pode ser águia e pode ser até visionário. Mas não pode tudo. Não pode ser Deus.


SEGREDO: a autoridade moral de Aparecido evitou que tanto Jânio como Magalhães Pinto segredassem a ele seus verdadeiros planos. E, assim, Zé Aparecido foi engolido pela História, que prosseguiu seu fluxo. Como era para ser…


 


Décima lição – O Visionário


Para Aparecido, o impossível era algo que podia demorar um pouco mais para acontecer. Mas acontecia. Aos trancos e barrancos caminhava em direção à utopia. Como em sua luta para transformar uma cidade de 27 anos em Patrimônio Cultural da Humanidade. Quando divulgou seu projeto, foi chamado de lunático, fora da realidade. Como ousar querer o carimbo de eternidade para uma cidade de apenas 27 anos? Que soberba era esta de equiparar uma cidade de 20 anos com as Romas de 20 séculos? Plantou a idéia. Dia 7 de dezembro, quando a Unesco divulgou o resultado, eu próprio entreguei a ele um bilhete enviado pelo então senador Darcy Ribeiro: “Zé, você fincou uma lança na lua!”.


SEGREDO: ao comprar uma idéia, Aparecido conseguia defendê-la e colocava todos os seus amigos para jogar na mesma direção. Assim foi com o projeto para criar a Comunidade de Língua Portuguesa, com o de fazer Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade e com tantos outros sonhos impossíveis. Estava sempre envolvendo no mesmo esforço um mutirão de amigos como Oscar Niemeyer, José Sarney, Itamar Franco, o líder Mário Soares, o filósofo Agostinho da Silva, Josué Montello, Lúcio Costa, Austregésilo de Athayde, Cláudio Abramo, Hélio Fernandes, Osvaldo Peralva, Carlos Castelo Branco, Antônio Maria, Tom Jobim, Vinicius, Gerardo Mello Mourão, Alçada Baptista, Júlio Pomar, José Carlos de Vasconcelos, Lauro Moreira, Luís Fonseca, Amélia Mingas, Raul Solnado, Ziraldo, Millôr Fernandes, Jaguar, Henfil, Sebastião Nery, Villas-Bôas Correa, Mauro Santayana, Fernando Sabino, Rubem Braga, Otto Lara Resende, Paulo Francis, o historiador Hélio Silva, Ângelo Osvaldo, Fernanda Montenegro, Antônio Houaiss, Adolfo Block, Carlos Alberto Xavier, Paulo Tarso Flecha de Lima, Toninho Drumond e tantos outros. Aparecido era um verdadeiro amálgama que unia artistas, políticos, intelectuais e ambientalistas na direção de suas utopias.


 


Onde estiver – ao lado de JK e dos artistas construtores – José Aparecido de Oliveira sabe que livrou Brasília da sanha da especulação imobiliária. Preservou o projeto original de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.


 


Só mesmo um Zé Aparecido, que não ligava para o impossível, poderia plantar a união dos povos de Língua Portuguesa. Poderia plantar uma comunidade lusófona. Poderia plantar uma cidade-capital mais importante em futuro do que em passado.


 


Temos que agradecer Zé Aparecido por ter plantado tantos sonhos!


Ele plantou o amanhã!


 

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Monumentos de Brasília estão entre as melhores fotos turísticas do mundo

Décima edição do concurso internacional da enciclopédia online Wikipedia selecionou pontos da cidade para concorrer ao prêmio de melhor click

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O Museu Histórico de Brasília está entre as imagens do fotógrafo brasiliense  classificadas para a final do concurso da Wikipedia | Fotos: Francisco Saldanha

 

AGÊNCIA BRASÍLIA* | EDIÇÃO: SAULO MORENO

A enciclopédia online Wikipédia vai anunciar, em fevereiro, a fotografia de monumento mais representativa do mundo postada na internet. Entre as dez finalistas, Brasília concorre com quatro trabalhos do fotógrafo Francisco Willian Saldanha: Museu Histórico, Memorial JK, Santuário Dom Bosco e Catedral Metropolitana.

As fotos foram escolhidas para a etapa brasileira do Wiki Loves Monuments 2021 entre 928 trabalhos inscritos, sendo 596 pela primeira vez. A décima edição do concurso contou com a participação de 113 fotógrafos, 72 deles novatos na competição.

“Nossa capital é diferente de tudo que já se viu. Somos uma cidade única, a oitava mais instagramável do mundo entre os patrimônios tombados pela Unesco, somos a terceira capital brasileira preferida como destino interno, estamos entre os dez melhores lugares para se visitar no verão, por compra de pacotes turísticos. Tudo isso é reflexo de nossas entregas, de um trabalho diuturno que só um governo de ação, como o nosso, é capaz de conseguir”Vanessa Mendonça, secretária de Turismo

O vencedor da etapa Brasil foi um fotógrafo lituano que mora no Rio de Janeiro. Donatas Dabravolskas registrou a estátua do escritor Carlos Drummond de Andrade, localizada em Copacabana, e outros dois trabalhos dele também foram selecionados entre os 10 melhores. Já o brasiliense Francisco Willian Saldanha, que em anos anteriores emplacou duas fotos entre os melhores registros de monumentos do mundo no concurso, garantiu quatro trabalhos entre os dez melhores do Brasil este ano e garantiu a segunda colocação nacional com a fotografia do Museu Histórico de Brasília.

 

 

Vitrais do Santuário Dom Bosco chamaram a atenção do júri, em 2019, com a nona colocação mundial. Este ano, estão em oitavo e voltam a disputar a final

 

 

“Eu gosto de mostrar a grandiosidade da beleza de Brasília, acho linda a leveza do concreto nos monumentos, o Museu da História retrata muito bem esse trabalho incrível de Niemeyer colocando blocos suspensos. Fico feliz em poder mostrar para o mundo, por meio da fotografia, a nossa capital. O meu objetivo é esse, levar Brasília para o mundo e trazer visitantes para cá”, afirma Francisco Willian Saldanha.

A secretária de Turismo do Distrito Federal comemorou a nova conquista para a cidade: “Nossa capital é diferente de tudo que já se viu. Somos uma cidade única, a oitava mais instagramável do mundo entre os patrimônios tombados pela Unesco, somos a terceira capital brasileira preferida como destino interno, estamos entre os dez melhores lugares para se visitar no verão, por compra de pacotes turísticos. Tudo isso é reflexo de nossas entregas, de um trabalho diuturno que só um governo de ação, como o nosso, é capaz de conseguir”, celebrou Vanessa Mendonça.

 

Na sétima colocação ficou a foto do Memorial JK, construído para homenagear o 21º presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira

 

 

O Wiki Loves Monuments é realizado desde 2015 no Brasil, e este ano com uma categoria dedicada exclusivamente à Bahia. Desde o início do concurso, o número de registros na Wikidata, uma base de dados livres que gera listas de monumentos, aumentou de 1,5 mil para mais de 10 mil, com representantes de todas as regiões do país. Segundo Éder Porto, um dos organizadores da seleção, a ideia é estimular a captura de imagens de monumentos “fora da rota” e sujeitos ao vandalismo, à negligência e ao abandono do Estado. “Esse registro pode ser o último”, diz ele.

Quatro das dez fotos de monumentos selecionadas como as melhores do Brasil retratam Brasília. Todas são de autoria de Francisco William Saldanha. Em 2020, Saldanha ficou com a nona colocação mundial com uma foto dos vitrais azuis do Santuário Dom Bosco, igreja projetada pelo arquiteto Carlos Alberto Naves em homenagem ao padroeiro de Brasília. Ele também foi o vencedor da etapa brasileira. E em 2019, quando obteve o 13º lugar global com uma foto da escultura Os Guerreiros, de Bruno Giorgi, mais conhecida como Os Candangos. A escultura foi criada em 1959 e fica na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

A imagem do Museu Histórico de Brasília, também conhecido como Museu da Cidade, ficou com a 2ª colocação. O museu foi projetado por Oscar Niemeyer e integra o Conjunto Cultural Três Poderes. Ele tem por objetivo preservar os trabalhos relativos à história da construção de Brasília. É o mais antigo da capital, inaugurado no dia 21 de abril de 1960 – no dia da inauguração da cidade, evento que marcou a transferência oficial da capital do Rio de Janeiro para Brasília. Lá está uma exposição permanente com inscrições históricas, transcritas em braille e inglês.

Na sétima colocação ficou a foto do Memorial JK, que é um museu, mausoléu e centro cultural construído para homenagear o 21º presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira. O Santuário Dom Bosco foi mais uma vez retratado pelo fotógrafo e ficou com a oitava colocação, agora mostrando um novo ângulo dos vitrais. E em nono lugar ficou a imagem da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como Catedral de Brasília. O monumento concebido por Oscar Niemeyer venceu em 1988 o Prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura.


*Com informações da Secretaria de Turismo do DF

 

 

 

 

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Mais R$ 1,5 milhão investidos em sistemas de esgoto

Programa da Emater, que garante mais segurança à produção de alimentos, já beneficiou 1,3 mil agricultores e moradores de áreas rurais desde 2020

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Para levar saneamento básico às comunidades do campo do Distrito Federal, a Emater criou o Programa de Saneamento Rural. Entre 2020 e 2021, foi investido R$ 1,57 milhão na implantação de 284 sistemas individuais de tratamento de esgoto do tipo fossa ecológica ou biodigestor instalados em propriedades, que ampliou o acesso de produtores e moradores de áreas rurais ao saneamento básico.

Para este ano, a previsão é que outros 200 sistemas sejam instalados, mais um investimento de R$ 1,5 milhão.

O programa surgiu da necessidade de melhoria da qualidade sanitária dos alimentos produzidos, bem como para garantir a proteção ambiental e a promoção da saúde.

Pelo projeto, a instalação dos sistemas de tratamento é feita em propriedades de agricultores de baixa renda, fornecedores dos programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e de aquisição da Produção da Agricultura (Papa-DF) e agricultores que estão em processo de certificação no Programa de Boas Práticas Agropecuárias.

Mais de 1,3 mil agricultores e moradores do campo foram beneficiados pelo programa nos últimos dois anos

De acordo com a presidente da Emater, Denise Fonseca, o alcance dos benefícios que a instalação dos sistemas traz não se limita à propriedade rural. “Nos últimos dois anos foram mais de 1,3 mil agricultores e moradores do campo beneficiados. Fora o atendimento indireto da população do Distrito Federal, que são os consumidores dos alimentos produzidos. Tudo que a gente faz no campo também beneficia a cidade”, destaca.

Para a coordenadora do programa, Ana Paula Rosado, o projeto dá condições dignas aos moradores do campo, garantindo sustentabilidade e alimentos saudáveis. “O esgoto liberado diretamente no meio ambiente pode contaminar o solo, a água e os alimentos produzidos, sendo prejudicial à saúde dos moradores do campo e da população de maneira geral. Muitos produtores não têm condição financeira para essa implantação”, explica.

Até o momento, os sistemas instalados em 2020 e 2021 contaram com o recurso de emendas parlamentares dos deputados Leandro Grass e Reginaldo Sardinha. Em 2022, pelo menos 200 instalações serão feitas por meio de recursos destinados também por Leandro Grass e pelo deputado Jorge Vianna. Segundo o extensionista Antônio Dantas, executor do contrato pela Emater, caso haja recurso, a expectativa é que o número de sistemas de tratamento de esgoto instalados possa chegar a 350.

Histórico

Iniciado ainda em 2017, o trabalho partiu de uma parceria com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri). A pasta doava os equipamentos, a Emater ajudava na seleção das famílias e os produtores e moradores arcavam com os custos de instalação. Nos dois primeiros anos, chegaram a ser instalados 105 kits nesta modalidade.

412sistemas de saneamento foram instalados desde 2017 no projeto de parceria com a Seagri

Em 2020, a Emater retomou o projeto, que passou por remodelação com a entrega do kit completo e já instalado. Os custos de mão de obra, muitas vezes, dificultavam e até inviabilizavam sua instalação. Nesta nova modalidade, foram colocados 165 kits em 2020 e outros 119 em 2021. “Calculamos que, incluindo material e instalação, cada kit sairia em torno de R$ 7 mil. E há propriedades que necessitam de mais de um, pois cada kit atende uma casa com até cinco pessoas”, enumera Ana Rosado.

Se somados, os kits de tratamento instalados desde 2017, no projeto de parceria com a Seagri, aos que foram colocados até dezembro de 2021, 412 sistemas de saneamento foram instalados graças às iniciativas da Seagri e da Emater.

Como funciona

As fossas ecológicas que estão sendo instaladas no meio rural pela Emater fazem um tipo de tratamento dos dejetos da cozinha e do banheiro. A água suja passa por mais de um processo de filtragem e chega ao final com pelo menos 80% do resíduo tratado. Em alguns modelos, a eficácia do tratamento chega a 95%. O restante, o próprio meio ambiente consegue absorver sem risco de contaminação.

Um dos beneficiados pelo Programa de Saneamento Rural da Emater, o trabalhador rural Ênio Tomas de Aquino, de 62 anos, comemora a instalação. Ele estava preocupado com a água que, em Vargem Bonita, é muito rasa, o que a deixa vulnerável a contaminações. “Vai melhorar nossa saúde e também do meio ambiente, porque nosso planeta está precisando que a gente cuide dele”, afirma.

Critérios para programa

Como a Emater atua de maneira supletiva atendendo as propriedades rurais que necessitam, é feita uma seleção prévia das famílias. Cada escritório analisa individualmente os casos antes de definir quais terão os equipamentos instalados.

Entre os critérios, estão enquadrar-se como família de baixa renda e comercializar alimentos em programas de compra institucional. Também são levados em conta os produtos cultivados. Hortaliças, por exemplo, são mais suscetíveis à contaminação do solo, por isso acabam sendo priorizadas.

*Com informações da Emater

 

 

 

 

 

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Governo Federal finalizou mais de 60 obras para segurança hídrica e investiu R$ 1,1 bilhão em 2021

Jornada das Águas, conclusão da última etapa do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco e do Ramal do Agreste, além da proposição de um novo Marco Hídrico para o setor, estão entre as grandes realizações da área no ano passado

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SEGURANÇA HÍDRICA

 

Governo Federal finalizou mais de 60 obras para segurança hídrica e investiu R$ 1,1 bilhão em 2021

Esses recursos vão possibilitar o início, a retomada ou a realização de estudos e projetos de 17 obras hídricas, de irrigação e de saneamento na região do Semiárido, além de garantir a continuidade de empreendimentos em execução – Foto: MDR

 

 

Garantir a segurança hídrica para a população que convive com a seca tem sido uma das prioridades do Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Por isso, durante todo o ano de 2021, a Pasta não deixou faltar recursos para a área e investiu mais de R$ 1,1 bilhão para obras e projetos no setor.

Os investimentos garantiram a conclusão de 61 obras e projetos que vão ampliar a oferta de água e beneficiar cerca de 14,5 milhões de pessoas, principalmente no Nordeste. Desse total, 50 estão situados na região.

Nesse contexto, o Governo Federal inaugurou o último trecho do canal do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, concluindo as últimas obras físicas necessárias para garantir o caminho das águas dos dois Eixos (Leste e Norte). A conclusão era aguardada pela população há 13 anos. Outro grande empreendimento hídrico concluído em 2021 foi o Trecho IV do Canal do Sertão Alagoano.

Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Regional iniciou a construção do Ramal do Apodi (RN) e iniciou a elaboração de projetos e estudos, tais como Projeto Seridó, Canal do Sertão Baiano, Canal do Xingó, Ramal do Salgado, Adutora do Agreste Potiguar, transposição de bacias no Piauí e Maranhão.

 

 

 

 

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