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Pororoca de expedições

Amazonas: a nascente é um mito e a foz é uma lenda

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Paula Saldanha e Roberto Werneck afirmam que os registros mostram que o Amazonas é ainda mais longo, pois faltam ser incluídos na medição cerca de 300km

Silvestre Gorgulho
Que me perdoe os Nilos, os Eufrates, os Ganges, os Danúbios, os Mississipes, os Yang Tsés, os Renos e os Tejos. Mas rio imponente, exuberante e místico é o rio Amazonas. Tão misterioso e tão fantástico que até hoje sua nascente é um mito e sua foz uma lenda. É tão descomunal que nem se sabe se o Amazonas deságua em estuário ou delta. No google.com encontramos 236 referências como delta e 206 para estuário. A cada ano, o rio aumenta 1 km ao depositar sedimentos sobre o Atlântico. Por isso, ainda hoje se discute onde o Amazonas termina. O rio é tão importante que influi mais do que no destino dos nove países que compõem sua bacia hidrográfica, mais do que na geopolítica de um continente e até mais do que no dia-a-dia das cidades ribeirinhas. O rio Amazonas influencia na vida do Oceano Atlântico, no clima do mundo e até no campo gravitacional da Terra.
Ninguém entra num rio, como o Amazonas, e continua o mesmo. Seja um simples turista, seja um cientista, seja um surfista que vai desafiar a Pororoca. Assim aconteceu com navegador Vicente Pinzón (1500), com Francisco Orellana (1542), com a Bandeira de Pedro Teixeira (1637) com, Jacques Cousteau, com Frank e Helen Schreider (1970) com Loren McIntyre (1971) e com a jornalista Paula Saldanha e o fotógrafo e cineasta Roberto Werneck. Assim será, também, com certeza, com os 43 pesquisadores dos nove países que compõem a bacia hidrográfica, que acabam de partir para uma viagem de pesquisa da foz à nascente. O rio Amazonas é assim, gigante pela própria natureza. Depois que o casal Paula Saldanha e Roberto Werneck chegaram à nascente geográfica do grande rio, em 1994, e puderam mostrar em filmes, fotos e relatos esta epopéia, nem Paula e nem Roberto foram mais os mesmos: das filmagens desta expedição nasceu o programa Expedições, que comemora em julho 10 anos.



Paula Saldanha e Roberto Werneck – ENTREVISTA







O rio Amazonas nasce no sul do Peru, nas cabeceiras do
Apurimac-Ucayali. Coordenadas 15º 30′ 49″ LS e 71º 40′ 36″ LO

Em dezembro de 2000, várias instituições científicas de todo o mundo, incluindo a National Geographic Society e a Smithsonian Institution, confirmaram o local da nascente, na Quebrada Carhuasanta, nevado Mismi, exatamente onde a dupla de documentaristas Paula Saldanha e Roberto Werneck esteve em 1994.Considerando esta nova nascente, no Nevado Mismi, o rio Amazonas tem seu comprimento aumentado em 90 km para o sul. Paula e Roberto afirmam, desde 1995, que os registros históricos mostram que o Amazonas é ainda mais longo, pois faltam ser incluídos na medição total cerca de 300 km até o final de seu delta. A dupla concluiu o documentário com gravações no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em 1995, informando aos pesquisadores as coordenadas desta nascente e solicitando a medição do grande Amazonas. Agora que o local da nascente do Amazonas foi homologado em mapa publicado pela Smithsonian Institution, Paula e Roberto estão propondo a diversas instituições que realizem trabalhos para a definição do limite extremo do delta, no oceano Atlântico, para posterior medição total deste rio lendário que em 1500 foi chamado de Mar Doce.


Folha do Meio – Como surgiu o projeto da expedição à nascente do Amazonas, realizada por vocês há 10 anos?
Paula Saldanha –
Já estávamos acompanhando a polêmica sobre a verdadeira nascente do Amazonas desde 1971, quando a revista americana Horizon publicou uma matéria de Frank e Helen Schreider. Eles foram os primeiros expedicionários a contestar a suposta nascente do rio Marañon, norte do Peru, como sendo o nascimento do Amazonas. Mas eles achavam que a nascente era no Monte Huagra.
Roberto Werneck – O Loren McIntyre, primeiro expedicionário a chegar à verdadeira nascente no Nevado Mismi, se inspirou nesse relato do casal Schreider e foi para o sul do Peru, a serviço da revista National Geographic. Fez um trabalho esplêndido com pesquisadores peruanos e determinou a nascente do Apurimar-Ucayali no Nevado Mismi, como sendo o ponto mais distante de onde brotam águas em direção à foz do Amazonas.


FMA – A viagem de vocês seguiu os passos de Loren McIntyre?
Roberto –
Curiosamente não tivemos conhecimento da expedição do Loren até chegar à nascente no Nevado Mismi e dar de cara com uma cruz em homenagem a ele. Os peruanos falavam de expedições científicas ao local, mas não nos deram detalhes.
Paula – Quando os cientistas do Instituto Geográfico Nacional do Peru nos forneceram as coordenadas da nova nascente, registramos a nascente do Nevado Mismi num mapa em nosso livro “Expedições”, publicado pela Editora Salamandra, em meados de 1994. Tivemos pouquíssimo tempo para preparar a viagem no mês de novembro. Fomos com a cara e a coragem em busca da verdadeira nascente do Amazonas.


FMA – Na parte final da expedição pelos Andes, foi difícil subir as montanhas? Como foi feita a escalada?
Roberto
– Não fizemos nenhum preparo físico anterior à viagem, só preparo mental. Saímos do nível do mar, subimos os Andes e passamos a caminhar acima de 5.500m de altitude. Foi muito difícil. Tivemos o chamado “sorocho”, ou mal da altitude.
Paula – A nascente do Amazonas fica na região mais seca do planeta, nos Andes, na metade da atmosfera terrestre! O ar rarefeito, pouco oxigênio… tudo dificultava a caminhada. Somente na descida, quando Roberto levou um tombo e quebrou uma costela, descobrimos que a equipe que nos acompanhava não tinha rádio para comunicação, nem garrafas de oxigênio para emergência. Mas os guias foram fundamentais para o sucesso da expedição.


FMA – Como foi o retorno ao Brasil, após a conquista?
Paula –
Passamos as coordenadas da nascente para o INPE e fizemos a proposta de um workshop com pesquisadores do Brasil e do exterior, para ser feita a medição total do rio. Soubemos, recente, que o pesquisador Paulo Martini levou adiante os trabalhos, que ainda estão em andamento.
Roberto – O Brasil tem condições de realizar todas as pesquisas. Com tecnologia de ponta, imagens de satélite e softwares, a medida total do rio poderá ser feita, tão logo seja definido o ponto extremo em sua foz.


FMA – E a questão da foz, não há controvérsias?
Roberto –
Evidente que há. Sem definir onde o rio termina, fica impossível concluir a medição. Muitos trabalhos divulgam um ponto no Canal Norte, como sendo o final da foz do Amazonas. Não se leva em consideração as ilhas que ficam mais ao norte e nordeste, formando o complexo e imenso delta. Não há mais dúvidas quanto ao local da nascente. Agora a questão é justamente saber até onde vai a foz. Alguns pesquisadores insistem em afirmar que o canal sul, por Breves, não deve ser considerado para medição do Amazonas. Mas estaremos apresentando toda esta questão agora, em julho, no Expedições “Amazonas, o maior rio do mundo”.
Nosso grande geógrafo, o Prof. Aziz Ab’Saber, deu uma entrevista que vale a pena lembrar. Diz que “Os dois canais foram criados pelo Amazonas, numa história geológica complexa. Para se medir o rio é preciso considerar sua nascente extrema, nos Andes, e seu braço mais extenso, até o final de seu delta”.
Paula – Só queria acrescentar que estamos lançando os documentários “Nascente do Amazonas”, em DVD, remasterizado e, também “Amazonas, o maior rio do mundo”, onde mostramos a entrevista que fizemos com Loren McIntyre.
Nesse último especial Loren, que faleceu recentemente, diz que escalamos pelo caminho mais difícil, mas nós chegamos exatamente no local onde ele esteve. Explicou então que, depois de décadas de pesquisas, a homologação desta nascente ocorreu em dezembro de 2000.


DADOS TÉCNICOS


O rio Amazonas nasce na Quebrada Carhuasanta, Nevado Mismi, Cordilheira de Chila, sul do Peru, nas cabeceiras do Apurimac-Ucayali, a 5.597 metros de altitude. Coordenadas 15º 30′ 49″ LS e 71º 40′ 36″ LO.


O rio Nilo mede 6.690km. O rio Amazonas, levando em conta a nascente no Monte Huagra, foi publicada no Guinness Book de 1993, como tendo 6.750km. Se levar em conta a nascente no Nevado Mismi, o Amazonas ganha mais 90km para o sul, ou seja, passa para 6.840km.


Falta agora comprovar definitivamente o final do delta, para ter então o cumprimento total do rio Amazonas. O interessante é que, devido à grande quantidade de água e ao processo de sedimentação, o rio Amazonas continua aumentando a cada ano. Um quilômetro por ano.


Pelas convenções internacionais, é considerada a nascente de um rio o lugar onde nasce seu formador mais extenso – no caso do Amazonas, o tributário mais longo e volumoso não é o Marañon, como se acreditava na década de 70, mas sim o Ucayali.


Depois de três décadas de pesquisas e diversas expedições às cabeceiras do Apurimac-Ucayali a Smithsonian Institution publicou um mapa homologando a nascente no Nevado Mismi. Uma expedição conjunta da National Geographic Society e Smithsonian Institution, em julho de 2000, mobilizou 22 cientistas de cinco países e forneceu os dados finais para a homologação.


Em junho de 2005, outra expedição formada por 43 profissionais partiu para pesquisar o rio Amazonas. São técnicos especialistas em desertificação, economia, meio ambiente, engenharia, médicos, geólogos, botânicos, geógrafos, sociólogos, arqueólogos e antropólogos, agrimensores e jornalistas de todos os países da bacia hidrográfica [Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela]. A expedição vai pesquisar a região das cabeceiras do Ucayali e o conteúdo sedimentológico que vem erodindo os Andes e se dispersando na bacia hidrográfica Amazônica. Os cientistas vão fazer uma radiografia das águas doces da Amazônia Sul Americana, que representam 20% de toda água potável disponível no planeta.

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Comedouros Criativos

A alimentação complementar aumenta a diversidade nas cidades

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Importante lembrar que aquele hábito antigo de colocar ração ou frutas em um recipiente fora de casa para atrair os passarinhos, não era capricho das nossas avós: essa prática de fato beneficia as espécies a longo prazo. A revista científica “Nature Communications” monitorou voluntários que, durante quatro décadas, gostavam de alimentar pássaros em comedouros de jardins e praças urbanas do Reino Unido. O estudo foi publicado comprovando que o número de pássaros não só aumentou como outras variedades se aproximaram e sobreviveram às intempéries e ao forte avanço dos centros urbanos.

No Brasil, que não tem um inverno tão forte, ocorre fenômeno semelhante. Um fato de fácil constatação é que o número de espécies que não frequentam a “boca-livre” permaneceu estável. Também não há aumento na quantidade de pássaros em regiões onde os comedouros não são tão comuns.

Nos comedouros preparados por Johan Dalgas Frisch na sua casa, no centro de São Paulo, logo ao amanhecer, as primeiras interessadas que chegam logo ao amanhecer são as jandaias.

 

HIGIENTE É IMPORTANTE

Mas há um dado significativo e essencial: a higiene dos comedouros é super importante. Não basta colocar alimentos nos jardins de sua casa e garantir a alimentação diária às aves. A má higiene dos comedouros pode contribuir para a transmissão de doenças entre as aves e atrair animais não desejáveis como ratos. Por isso, certifique-se de que o seu comedouro esteja sempre limpinho.

 

AS LIÇÕES DE ROBERTO HARROP

Os comedouros para aves podem ser sofisticados e muito simples. Podem servir de objetos de decoração e algo bem natural como simplesmente colocar um pedaço de frutas espetados num galho de árvore.

 

O cientista social e pesquisador de mercado Roberto Harrop é fascinado por aves. Pernambucano do Recife, tem residência no Condomínio Bosque Águas de Aldeia, onde se dedica a estudar, alimentar, proteger e fotografar as aves da região.

 

Roberto Harrop faz do estudo, da pesquisa e da proteção da natureza seu meio de vida. Na região onde mora, são centenas de espécies de aves , sendo quase cem já fotografadas por Roberto Harrop. Muitas delas compõem seu livro ALVES DE ALDEIA – ORNITOLOGIA DA NAÇÃO PERNAMBUCANA.

 

AVES DE ALDEIA seleciona 75 pássaros do universo ornitológico plantados na aldeia pernambucana onde Roberto Harrop colhe todas as manhãs pelo seu olhar ornitófilo.

 

No prefácio da publicação, o ornitólogo Johan Dalgas Frisch foi muito feliz ao dizer: “… As aves são assim: provocam paixões e despertam encantamento. As aves alimentam a alma humana de humildade, criatividade, engenho e de amor à natureza”.

 

 COMEDOUROS DECORATIVOS

Alguns tipos de comedouros criativos e decorativos que atraem aves até às varandas e jardins das casas.

 

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Pantanal apoia primeira brigada comunitária

Primeira brigada comunitária de São Pedro de Joselândia, no Pantanal de MT, será formada neste fim de semana

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Sesc Pantanal

Treinamento da SOS Pantanal, em parceria com o Polo Socioambiental Sesc Pantanal, acontece nos dias 19, 20 e 21 de junho

 

Começa neste final de semana, o treinamento para a formação da primeira brigada comunitária de São Pedro de Joselândia (171 km de Cuiabá), distrito de Barão de Melgaço, no Pantanal mato-grossense.

A turma de 28 pessoas, que inclui moradores e guarda-parques da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal), faz parte da iniciativa do Instituto SOS Pantanal para estabelecer 28 brigadas no bioma.

São Pedro de Joselândia faz divisa com a RPPN, unidade do Polo Socioambiental Sesc Pantanal que é parceiro da ação e responsável pelos equipamentos doados pela SOS Pantanal em benefício da comunidade. A RPPN Sesc Pantanal é a maior reserva natural privada do país, com 108 mil hectares, e também está localizada no município de barão de Melgaço.

COMBATE À INCÊNDIOS FLORESTAIS
As brigadas serão treinadas com apoio do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos recursos naturais renováveis (Ibama), em convênio com a SOS Pantanal. Também apoiam o treinamento o Corpo de Bombeiros e o Serviço Florestal dos Estados Unidos.

A capacitação consiste em duas etapas. A primeira é uma parte teórica, onde são passadas as instruções e os procedimentos para organização das equipes durante o combate. A segunda é a parte prática, onde os brigadistas aprendem no campo como funciona o combate às chamas.

 

BRIGADAS PANTANEIRAS

Durante os meses de junho e julho, a SOS Pantanal capacitará cerca de 200 brigadistas, em 8 municípios diferentes de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As brigadas estão espalhadas nos principais pontos onde historicamente o fogo é mais intenso e recorrente.

 

SESC PANTANAL

Com 20 anos de experiência na prevenção e combate a incêndios no Pantanal, a Brigada Sesc Pantanal também fará parte da formação. A instituição já realizou no mês de maio a sua capacitação anual de novos brigadistas, em Poconé e Barão de Melgaço, que faz parte das ações preventivas do Polo para a temporada da seca no bioma. Realizada em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso, a formação foi destinada a 40 pessoas, entre guarda-parques, funcionários de fazendas e comunidades rurais e pantaneiras.

 

 

 

 

 

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Meu amigo Orlando Villas-Bôas seu nome é paz!

Carta de saudade

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A vida ensina sempre. Ensinou a você, Orlando, Álvaro, Leonardo e Claudio, ensina a mim e ensina aos nossos filhos. Uma das coisas que aprendi é que só a saudade faz a gente parar no tempo. Sua despedida neste 12 de dezembro 2003, me fez voltar ao mesmo dezembro de 1972, quando você, que tinha acabado de chegar das margens do rio Peixoto, no Xingu, onde contactava os Krenhacãrore, pegou uma kombi em São Paulo e foi para Belo Horizonte paraninfar a turma de Comunicação da UFMG 1972. Por três dias ficou hospedado na minha “república” no 26ª andar do edifício JK, na praça Raul Soares.

À véspera da formatura, 20 de dezembro de 1972, meus 29 colegas e eu tivemos uma verdadeira Aula Magna de Brasil. Foi a mais importante aula dos meus quatro anos de universidade. A aula que direcionou meu caminhar profissional: o jornalismo de meio ambiente. Éramos 30 formandos que, na véspera da grande festa, sentamos no chão do meu apartamento, em círculo como nas tribos, para embevecidos escutar você falando de florestas, de índios, de brancos, de rios, de solidariedade e de bichos.

Sua primeira lição foi, para mim, ex-seminarista, um susto:

“Desde o Descobrimento o homem branco destrói a cultura indígena. Primeiro para salvar sua alma, depois para roubar sua terra”.

Depois vieram as perguntas para matar nossas curiosidades. Suas respostas doces, duras e definitivas vinham aquecidas pela vasta vivência de décadas na Amazônia, como último dos pioneiros da saga da expedição Roncador/Xingu. Eram ouvidas com máxima atenção:

“Foram os índios que nos deram um continente para que o tornássemos uma Nação. Temos para com os índios uma dívida que não está sendo paga”.

“Não fosse a Escola Paulista de Medicina, a Força Aérea Brasileira e a nossa teimosia, muitas tribos já teriam sido aniquiladas”.

“O Serviço de Proteção ao Índio, no Brasil, nunca teve lugar seguro: começou no Ministério da Guerra, com o Marechal Rondon. Depois foi transferido para o Ministério da Agricultura, estagiou no Ministério do Interior e estacionou no Ministério da Justiça. Como o próprio índio, esse serviço parece um estorvo”.

“O índio só pode sobreviver dentro de sua própria cultura”.

 

AMIGO ORLANDO, você junto com Leonardo, Álvaro e Cláudio, irmãos aventureiros na solidariedade, sempre devem estar relembrando histórias fantásticas. Para os índios, vocês vão se juntar ao Sol e ao trovão para virar lenda. E, para os brancos, deixam uma lição de vida e de coragem.

Das lições daquela noite de 20 de dezembro de 1972, eu guardo uma muito especial. Em vez de ensinar, o homem branco deveria ter humildade para aprender. Você falava da harmonia em uma tribo:
“O velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo”.

 

Meu amigo, obrigado pelas lições dadas há exatos 49 anos.

Obrigado por você ter me apresentado o Brasil e ensinado a ser brasileiro.

Nunca mais vou esquecer que para a criança ser a dona do mundo, nós temos que seguir seu exemplo de garra, de audácia e de aventura para defender nossas culturas, conservar nossa diversidade, preservar nossas florestas, proteger nossos rios e contactar sempre em nome da paz.

A PAZ não se pode manter pela violência e pela força, mas sim pelo respeito, pela tolerância e pela serenidade.

 

MEU AMIGO ORLANDO VILLAS-BÔAS. SEU NOME É PAZ!

 

 

 

 

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