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Lençóis Maranhenses, lugar de ver Deus

O Parque é um convite à contemplação e à aventura

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 O PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS MARANHENSES


Silvestre Gorgulho, de Barreirinhas (texto e fotos)


O Parque dos Lençóis é um convite à contemplação e à aventura A natureza brasileira é tão exuberante e a biodiversidade tão fantástica que, no Brasil, até deserto tem água. E muita água. Areia branca e água cristalina formam um dos ecossistemas mais belos da costa nordestina, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Visto de um avião, a dois mil metros de altura, o parque parece um imenso lençol estendido por mais de 100 km de extensão da costa atlântica do Maranhão e avançando 50 km continente a dentro.  E, acredite, um lençol estampado por incontáveis piscinas azuis intermediando as alvíssimas dunas. Maravilha? É pouco! Ao pôr-do-sol, os Lençóis Maranhenses seriam como um altar de rara beleza a reverenciar os Céus. Não há outra explicação: o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é lugar de ver Deus.


 


 
O Parque dos Lençóis é um convite à contemplação e à aventura. Verdadeiro lugar de ver Deus!



Vale conhecer, mas é importante respeitar


Em Brasília, os funcionários públicos estavam em greve. O Ibama também estava fechado há mais de duas semanas. Mas, no Parque dos Lençóis, o trabalho era normal. Dois fatos deixaram Barreirinhas totalmente lotada de turistas: as férias e o Rally do Sertão. A dedicação de Diana Floriani, funcionária do Ibama, era garantia de bom comportamente e de respeito dos turistas com o ambiente.


Quando o Toyota, tração quatro por quatro, estaciona na entrada do Parque dos Lençóis, já lotados por centenas de Toyotas, uma simpática loirinha, com sotaque catarinense organiza os grupos, faz algumas perguntas, anota e toma a palavra:


“Meus amigos, eu sou Diana, trabalho no Ibama, e gostaria de fazer algumas considerações com vocês. Para ser um Parque Nacional a área tem que ter algumas características especiais. A primeira delas é ser um ambiente muito bonito, de rara beleza cênica, que tenha importância ecológica e que tenha seus ecossistemas bem preservados. Existem, além do Parque dos Lençóis Maranhenses, mais 51 Parques Nacionais no Brasil. Então como é uma área única, a gente pede alguns cuidados para vocês”.


Didaticamente, ignorando a greve que os funcionários públicos promoviam em Brasília, Diana Floriani, estava a postos na defesa dos Lençóis e retoma sua aula:


LIXO – “A primeira coisa é o lixo. Tudo que vocês levarem, por favor, tragam de volta. Eu sei que a maioria de vocês já tem essa consciência ambiental. Mas é importante lembrar que venta muito nas dunas. Então qualquer saco plástico, guardanapo, papel, se ficar solto, com o vento vai tudo parar muito longe e aí tem que sair correndo para pegar. Guarde tudo que levarem bem próximo a vocês”.


SILÊNCIO – “A segunda coisa é o silêncio. Qualquer tipo de algazarra, festa, música alta vamos deixar para fazer à noite lá em Barreirinhas. E o silêncio é importante porque permite a gente admirar e contemplar melhor essa beleza que são os Lençóis. Sem poluição sonora”.


PROTEÇÃO SOLAR – “A terceira recomendação é se proteger do sol. Quem não tiver um guarda-sol, use protetor e fique mais dentro d´água”.


SEGURANÇA – “O quarto recado é importante para sua segurança: não dispersem muito do grupo, principalmente as crianças, porque o ambiente das dunas é muito parecido. Há casos de gente que se perdeu e demorou muito para ser encontrada”.


PRESERVAÇÃO – “A última coisa, já para encerrar é que eu gostaria de explicar por que a gente pede para os carros pararem aqui no início. O primeiro motivo é cênico, porque se você vem admirar, ninguém quer ficar vendo esse tanto de Toyotas paradas na beira das lagoas.
A poluição visual também é uma agressão ambiental. Também quando os carros sobem começa a desestabilizar, a descompactar as dunas e elas começam como que a diluir. Aí, de duna vira morro e de morro vai virar uma planície como esse estacionamento aqui. Então a lagoa de trás dela começa a escoar.
Se a gente não preserva, outras gerações não poderão contemplar o que vocês vão ver e aproveitar agora”.


Características dos Lençóis Maranhenses


Lagoas azuis
Pronto! Essa pequena aula de Diana Floriani é o passaporte para a aventura. Andando pouco mais de um quilômetro, numa areia bem fresca para o sol que se apresenta, surge a primeira lagoa: a Lagoa Azul. Poderia ser chamada de oásis. Mas é muito mais do que isso. É beleza que bate na retina e fixa no coração. Há milhares destes oásis nos Lençóis: lagoa do Peixe, lagoa da Esperança, lagoa da Lua, lagoa Bonita e não sei quantas mais sem nome. O fato é que todas elas são azuis e bonitas.


Algumas características
Uma característica dos Lençóis: as lagoas maiores permanecem, mas algumas menores vão secando com o tempo da seca, voltando a encher no início das chuvas, em março. Mas o curioso é que as dunas vão mudando. Uma nova vista a cada dia, marcada pelo contraste entre dunas e lagoas. O vento se encarrega de levar e trazer a areia, de fazer e desfazer dunas e de mudar o cenário a cada instante.


Outra característica interessante é que num lugar aparentemente desértico, deveria haver pouca diversidade biológica. Mas é só aparentemente. Além de diversas espécies de tartarugas-marinhas, existe uma rica fauna microscópica que cumpre papel fundamental na alimentação e reprodução de animais e aves. A região mais próxima da costa abriga aves migratórias e animais ameaçados de extinção, como a tartaruga marinha gigante.


Rio Preguiças, as belezas de um rio que parece lago
Preguiçosamente as águas do rio Preguiças chegam ao mar por entre dunas e manguezais


Barreirinhas é o portal do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. O nome Barreirinhas surgiu em função de muitas barreiras e dunas existentes na área. Aos visitantes, além dos Lençóis há algo tão belo para se apreciar: o rio Preguiças, que é o mais importante da região. O Preguiças nasce no povoado de Barra da Campineira, município de Anapurús, e percorre 120 km até sua foz, entre Caburé e Atins.


De Barreirinhas até o mar, o rio preguiçosamente serpenteia por 42 km, quando em linha reta são apenas 16 km. Tranqüilo, caudaloso e muito bonito, o Preguiças apresenta uma dúvida à primeira vista: para que lado ele corre? Foi a pergunta que fiz a um dos principais operadores do turismo em Barreirinhas, Bernardo Marconi, 40 anos, que opera barcos, Toyotas e tem todas as informações sobre o lugar. A resposta surpreende:


— Olha, agora o rio Preguiças está correndo pra lá…


— Como assim?


— É que o rio é muito calmo. Quando a maré sobe, o rio volta…. quando a maré baixa, o rio aproveita corre para o mar…


Alerta
Mas a verdade é que indo ou voltando, o Preguiças é muito bonito e mais parece um rio-lago. Não dá para perceber nitidamente para onde ele corre. O fato é que margeando dunas e manguezais, o rio Preguiças tem uma bela mata ciliar e é outra maravilha de Barreirinhas. Mas vale lembrar e alertar: a nova rodovia (250 km) que liga São Luiz a Barreirinhas facilitou muito o acesso ao Portal dos Lençóis. Antes do asfalto, eram oito horas de uma dura viagem. Hoje são no máximo três horas de uma viagem tranqüila.


A rodovia trouxe investimentos, aumentou o turismo e está provocando uma verdadeira revolução na cidade. O crescimento é da noite para o dia. O adensamento urbano, a questão do saneamento e disposição final do lixo, a construção de muitas casas de veraneio e de pousadas à beira do rio acaba por ser preocupante. Se tudo isto não obedecer uma ordenação efetiva, com certeza problemas sérios virão e vão colocar em risco o ambiente e a vida do Preguiças.


Caburé e a foz – Ao desaguar no Oceano Atlântico, o rio Preguiças se abre em braços de praias onde tem alguns povoados: do lado esquerdo, está Mandacaru, onde tem o Farol de 45 metros de altura, construído em 1944, para direcionar a navegação em Atins. À margem direita, estão os povoados de Alazão, Vassouras, Caburé e Brasília.


Em Caburé, entre as praias do rio Preguiças e as praias do Atlântico, numa distância que não passa de 800 metros, estão estabelecidas várias pousadas e restaurantes.


Outra coisa interessante, é que à esquerda do rio Preguiças está o Parque dos Grandes Lençóis e à direita o chamado Pequenos Lençóis. Não fosse o rio, com sua vegetação, seus manguezais e sua história, não haveria esta separação.


Por falar em manguezais, vale destacar os três tipos de mangues: o vermelho (Rhizophora mangle) que os ribeirinhos utilizam muito para retirar uma tinta vermelha para colorir seus artesanatos; o mangue-branco (Laguncularia racemosa) e mangues-siriuba (Avicencia tomentosa).


Barreirinhas, uma cidade em ebulição


Onde ficar
Barreirinhas tem muitas pousadas e vários restaurantes. Duas agências de viagem operam muito bem e têm bons pacotes:
Freeway – São Paulo
Fone: (11)50880999
patrícia@freeway.tur.br
Máxima – São Luiz
Fone: (98) 3221-0238
maximaturismo@elo.com.br


Os três melhores hotéis
O Porto Preguiças Resort, recém inaugurado e construído pelo empresário paulista Sérgio Dória, fica a uns três quilômetros da cidade, bem às margens do rio Preguiças. Possui uma bela piscina com 700m2 de espelho d’água, imitando uma lagoa Natural dos Lençóis e fundo de areia. Tem bom restaurante e confortáveis chalés. É o melhor.
Fone: (98) 3349-1220 – Fax: (98) 3349-0620
Email: sdoria@elo.com.brwww.portopreguicas.com.br
Pousada do Buriti também muito confortável, com bom restaurante e ótimo atendimento. Tem uma filial em Caburé, na foz do rio Preguiças.
Fone: (98) 3349-1053
O Rio Preguiças Hotel, com 40 apartamentos, fica na Praça da Matriz, bem no centro, também confortável e com bom restaurante.
Fone: (98) 3349-0425 / 3349-0616 – Fax: (98) 3349-0615.


Para Passear
As agências de viagem têm esquema de passeios de barco até Caburé e de Toyota para as dunas. Vale a pena também contactar diretamente o operador local Bernardo Marconi (98) 3349-1284 e celular (98) 8828-1284. Sai mais em conta.


Passeio de avião
É fundamental subir as dunas e tomar banho nas lagoas de águas transparentes, bem como fazer uma viagem de voadeira pelo rio Preguiças. Para quem puder e tiver afim, vale a pena fechar o passeio com um sobrevôo de 30 minutos pelo Preguiças e pelos Lençóis para se ter uma noção exata do parque e das belezas naturais da região. Mergulhar na lagoa Azul faz tanto bem ao corpo como faz bem à alma vê-la lá do alto. O avião leva três pessoas e o passeio fica em cerca de R$ 100,00 por pessoa. A dica é procurar Fábio Buhatem, peloto experiente, no Aeroclube de Barreirinhas: Fone: (98) 96042037.


Endereço do Ibama – Parque Nacional dos Lençóis
Fone: (98) 3349-1155 Fax (98) 3231-4332 – Av. Joaquim Soeiro de Carvalho, 746
65590-000 Barreirinhas – MA


Summary


Lençóis Maranhenses, place to see God
The Lençóis Park is an invitation to contemplation and adventure


Brazilian nature is so exuberant and the biodiversity so fantastic that, in Brazil, even the deserts have water. A lot of it. White sands and crystal clear water make up one of the most beautiful ecosystems in the northeastern coast, the national park of Lençóis Maranhenses. Seen from an airplane, at two thousand meters high, the Park looks like a large sheet extended over a one hundred-kilometer distance on the Atlantic coast of Maranhão and reaching fifty kilometers into the continent. A sheet printed with uncountable blue pools amid the blinding white sand dunes. A natural wonder doesn’t begin to describe it. At sunset, the Lençóis Maranhenses would be an altar of rare beauty to admire the heavens. No other explanation exists: the national park of Lençóis Maranhenses is a place to see God.


A few characteristics
One characteristic of Lençóis: the larger lagoons persevere, but some of the smaller ones dry out in the dry season only to come back at the beginning of the rainy season in March. A curious fact is that the dunes move around. A new view each day, marked by the contrast between the dunes and the lagoons. The wind is in charge of taking and bringing the sand, of making and unmaking dunes, and of changing the scenery each instant.


Another interesting characteristic is that there should be little biological diversity in a place apparently like a desert. This desert quality is only an appearance. This region houses several species of marine turtles as well as a rich microscopic fauna, which carries a fundamental role in the feeding and reproduction of animals and birds. The area closest to the coast is home to migratory birds and endangered animals, such as the giant marine turtle.


Barreirinhas
Barreirinhas is the portal to the national park of Lençóis Maranhenses. The name Barreirinhas (which means small sand barriers in Portuguese), originated from the fact that there are many sand barriers and sand dunes in the area. The visitors can also enjoy the River Preguiças (meaning ‘lazy’ in Portuguese), which is the most important river of the region. The river originates in the village of Barra da Campineira, city of Anapurús, and runs one hundred and twenty kilometers to its mouth, between Caburé and Atins.


From Barreirinhas until the ocean, the river winds lazily for forty-two kilometers, which in a straight line it would be a mere sixteen kilometers. The River Preguiças branches out into beaches at the point where it meets the Atlantic Ocean. The settlement of Mandacaru (which is located on the left side of the river) has a lighthouse of forty-five meters in height, built in 1944, to aid in the navigation of Atins. On the right side, we can find the villages of Alazão, Vassouras, Caburé, and Brasília.


In Caburé there are many inns and restaurants established in the area between the beaches of the River Preguiças and the beaches of the Atlantic Ocean, a distance that does not exceed eight hundred meters.


silvestre@gorgulho.com

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Brasília recebe evento para apaixonados por carros neste fim de semana

A capital recebe dois eventos voltados para os amantes de carros. O Campeonato Brasiliense de Drift garante muita adrenalina neste sábado (6/8) e domingo (7/8). O Brasília Diecast, em 13 de agosto, reunirá aficionados por miniaturas

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Para os amantes de carros e de velocidade, os próximos finais de semana estão recheados de eventos automobilísticos no Distrito Federal. Hoje e amanhã, a capital recebe a 4ª etapa do Campeonato Brasiliense de Drift que reúne 28 pilotos de todo o país em um momento de adrenalina pura e cheio de velocidade. Os colecionadores de miniaturas de carros têm o 7º Encontro Brasília Diecast marcado para o próximo dia 13.

Criado na década de 1970, no Japão, o drift é uma técnica automobilística de pilotagem que conta com alta velocidade e derrapagem. Organizador do Campeonato Brasiliense, Gustavo Rocha destaca que a modalidade está crescendo no país. “Em Brasília, por incrível que pareça, a gente tem aqui o piloto mais jovem do país e um campeão brasileiro na etapa da temporada passada. Mesmo sem autódromo, a gente consegue se destacar no cenário nacional”, comenta o ex-piloto e apaixonado por velocidade.

No evento de velocidade, dois carros vão para o circuito, iniciado com 100 pontos. Um vai na frente e o outro o segue para pressionar o máximo possível. Em alguns locais do trajeto, há critérios de avaliação para as manobras. Quem errar menos, passa de fase, quando serão montadas as oitavas, quartas, semi e final, que será amanhã. Para quem for ao evento, Gustavo destaca a carona radical, que é um ingresso que dá oportunidade de ir ao lado do piloto no circuito. “É rápido, mas é uma emoção única”, garante.

Velocidade alta
Piloto mais jovem do país, o brasiliense Lucas Medeiros, 14 anos, é uma das atrações no campeonato. O adolescente conta que começou a pilotar aos sete anos no kart. “Desde pequeno, eu assisto Fórmula 1. Gosto muito. Eu amo a velocidade, pra mim é tudo. Essa é a minha terapia. Acho incrível”, destaca. Morador do Park Way, o jovem sonha em seguir carreira no automobilismo e correr na Stock Car.

Iniciando no mundo das manobras com quatro anos, Gustavo Cavalcanti, 23 anos, é um dos competidores no evento. Em 2012, o Drift surgiu na vida dele. “Naquela época, tinha pouco conhecimento sobre o drift, olhava o vídeo da galera andando, lá, no Japão e daqui e tentava fazer igual”, recorda-se o esportista, lembrando que das limitações dos carros que usava. “Agora, a gente montou ela (o carro) e está de ponta”, comemora. “Paixão é a velocidade”, acrescenta. Morador de Planaltina, Gustavo é acompanhado pela mãe, Clarice Cavalcanti, que diz ficar com o coração acelerado ao ver o filho competir. “Ele gosta, e o que compensa é ver a felicidade dele”, ressalta, orgulhosa.

Coleção de milhares
Quem acha que carrinho é somente para crianças está muito enganado. No DF, o Brasília Diecast, em 13 de agosto, reúne colecionadores de miniaturas. Raul Fernando Scotini, organizador do encontro que ocorre a cada dois meses, revela que, em Brasília, há pessoas com acervos com até 15 mil exemplares. “É uma volta ao passado ter nas mãos as miniaturas de carros que alguns tiveram e viram de verdade, mas já não existem mais”, comenta. Segundo o organizador, há uma variedade de modelos de veículos antigos, clássicos, temáticos, esportivos, de rali, de corrida, modelos de filmes, de desenhos e de personagens.

O evento contará com a participação do Pink Car com exposição das colecionadoras de Brasília. Além disso, haverá várias outras atrações como exposição e encontro de carros antigos dentro do shopping, os mini carros, teatro infantil e a maquete gigante da cidade italiana, Monza.

Serviço
Mega Drift

Data: 6 e 7 e de agosto
Horário: 9h às 18h
Local: Arena BRB – Estacionamento Mané Garrincha
Meia entrada solidária para todos a partir de R$40,00 (doando 1kg de alimento não perecível)
Ingressos no site: www.megadriftbrasil.com.br

7º Encontro Brasília Diecast

Data: 13 de agosto
Horário: 9h às 19h
Local: Liberty Mall Shopping – SCN Quadra 2 Bl. D, Asa Norte
Entrada gratuita
Informações: (61) 99175-7888

 

 

 

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Brasília recebe exposição imersiva com obras de Van Gogh; veja fotos

A experiência ‘Beyond Van Gogh’ usa uma tecnologia de projeção para apresentar obras que marcaram a carreira do pintor

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Após uma temporada em São Paulo, uma exposição imersiva nas pinturas do artista holandês Vincent van Gogh chegou a Brasília nesta quinta-feira (4). A experiência Beyond Van Gogh usa tecnologia de projeção para apresentar obras que marcaram a carreira do pintor, buscando levar o público para “dentro” da pintura.

De acordo com a organização do evento, são apresentadas cerca de 350 obras que “ganham vida, aparecem e desaparecem, fluem por múltiplas superfícies, projetadas no chão e nas paredes que se envolvem em luz, cor e formas para revelar flores, cafés, paisagens”.

“Achei essa experiência superimersiva, literalmente você se sente dentro das pinturas do Van Gogh. Fora as histórias que são contadas até [a gente] chegar à sala de projeções, que já vão contextualizando a trajetória dele”, disse Ana Carolina Valença, visitante da exposição.

Ainda segundo a organização do projeto, para a projeção das imagens são usados 40 projetores. A exposição está localizada em um pavilhão no estacionamento do Park Shopping.

O espetáculo de arte, que já viajou pelos Estados Unidos e Canadá, expõe obras como A Noite Estrelada, Autorretrato e Terraço do Café na Praça do Fórum.

A exposição vai ficar na capital até 30 de outubro e está aberta ao público de segunda a domingo, a partir das 10h. Os ingressos estão disponíveis no site do evento.

Quem foi Van Gogh?
Nascido em 1853, na Holanda, Vincent van Gogh foi um pintor representante do movimento pós-impressionista. Com cerca de 900 pinturas e 1.100 desenhos, o artista produziu obras por dez anos. Van Gogh também se tornou um dos maiores influenciadores do expressionismo e foi importante para o desenvolvimento dos artistas brasileiros.

*Estagiária, sob supervisão de Fausto Carneiro

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Cem anos do rádio no Brasil: conheça a história do Repórter Esso

Programa é um ícone do radiojornalismo nacional

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O ano era 1941. A Segunda Guerra Mundial estava em curso. Em junho, a Alemanha invadia a União Soviética com 3 milhões de soldados. Em outro continente, os Estados Unidos usavam sua política de boa vizinhança para se firmar como potência mundial e liderança entre as nações das Américas.

american way of life (estilo de vida americano) era propagado no Brasil, trazendo elementos que iam da Coca-Cola ao personagem da Disney Zé Carioca, aliado a grandes projetos estruturais – como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Foi nesse contexto que chegou ao país o programa que é um ícone do radiojornalismo nacional: o Repórter Esso.

O programa que revolucionou os jornais brasileiros era um produto de comunicação da Standart Oil Company of Brazil, a gigante do petróleo estadunidense que dá nome ao radiojornal. Seu conteúdo era supervisionado pela agência de publicidade McCann-Erickson e produzido pela agência internacional de notícias United Press Associations (UPA).

Ele já existia em outros países – ao longo de sua história, foi transmitido em 15 nações por 60 emissoras. No projeto original, o Repórter Esso dedicava-se a trazer notícias sobre a Segunda Guerra Mundial, em horários fixos ao longo do dia e também em edições extraordinárias, quando necessário. Com cinco minutos de duração e normas rígidas de conteúdo, com notícias curtas e diretas, praticava o contrário do que vigorava na época em jornais falados. Foi sobretudo o formato do Esso que trouxe inovação para o radiojornalismo.

O acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) recuperou o manual sonoro do Repórter Esso, narrado por Heron Domingues: “às 8h, primeiro horário do Repórter Esso, a saudação aos ouvintes deve ser feita com otimismo, voz clara e sem qualquer sinal de sono. Há necessidade de que, neste primeiro horário de nosso boletim, o ouvinte seja acordado pela voz alegre, firme e pontual do Repórter Esso“, orienta o guia.

 

“Ele inaugurou um modelo que depois foi seguido por outras emissoras do Brasil e da América Latina”, diz Luciano Klöckner, autor do livro O Repórter Esso: A Síntese Radiofônica Mundial que Fez História. “O estilo europeu vigorava no Brasil nos anos 1930 e 1940. Era pomposo, os horários não eram tão respeitados. Passou-se para um estilo mais seco e direto, sem adjetivações. Claro que nem sempre isso ocorreu – eles adjetivavam bastante as notícias”.

O noticiário fez sua primeira transmissão em 28 de agosto de 1941, estreando na então hegemônica Rádio Nacional, emissora estatal que dominava a audiência na época. Depois, passou a ser transmitido também em outras rádios. Alguns de seus locutores ficaram marcados pelo enorme prestígio que conquistaram por causa da apresentação do programa. Um deles foi Heron Domingues, voz do Esso na Nacional de 1944 a 1962.

 

Repórter Esso (Lançamento) - 1941

 

Cartaz de 1941 anuncia o lançamento do Repórter Esso – Reprodução

Testemunha ocular da história

Junto ao público, o Repórter Esso conquistou credibilidade e audiência. O Ibope media blocos de 15 minutos de audiência na época, segundo Klökner. “Não tinha como mirar a lupa para os cinco minutos do Repórter Esso, mas os blocos onde ele estava inserido tinham uma elevação de audiência de 25%, chegando a registrar aumento de 50% durante a Segunda Guerra”, conta.

Seu slogan “O primeiro a dar as últimas” era levado a sério pelos ouvintes. E esse prestígio rendeu uma história que ilustra a confiança que as pessoas tinham no jornal. No dia 2 de setembro de 1945, a Rádio Tupi surpreendeu o público ao anunciar o fim da Segunda Guerra Mundial. A notícia, no entanto, não tinha ido ao ar ainda no Repórter Esso. E o conflito só foi considerado encerrado pelos brasileiros quando o locutor Heron Domingues entrou no ar repetindo, empolgadamente: “terminou a guerra! Terminou a guerra!”.

Luciano Klökner detalha o caso: “Há duas versões. Pelo que se sabe, a Tupi teria recebido a informação da Associated Press (AP), e ela deu a notícia no ar. Mas houve um desmentido, e o contexto dessa notícia é que ela era verdadeira, mas os negociadores da rendição alemã pediram que a imprensa segurasse a informação. E a AP não segurou, repassou para as associadas dela. A outra versão me foi contada pessoalmente pelo [locutor] Luiz Mendes, amigo do Heron Domingues. Ele, Mendes, teria dado a notícia primeiro na Rádio Globo. E contam que houve um clamor público na Praça Mauá, onde funcionava a sede da Rádio Nacional, porque as pessoas perguntavam por que a notícia do fim da guerra não tinha saído no Esso”.

O episódio ficou marcado ainda pelos detalhes que antecedem o dia histórico. Segundo Klökner, à época, foi bastante divulgado que Heron Domingues pediu à emissora para deixar uma cama de campanha na redação para conseguir dar a notícia em primeira mão, e isso era muito divulgado à época.

O áudio original com o anúncio do fim da guerra perdeu-se com o tempo. Em 1956, por ocasião dos 20 anos da Nacional, foi produzido um disco com momentos marcantes da história da emissora, e Domingues fez uma reprodução do que foi ao ar na época.

 

O crédito pelo anúncio do suicídio do presidente Getúlio Vargas também é disputado por diferentes jornais – mas a versão aceita pelos pesquisadores é que o povo acreditou, mesmo, quando ouviu no Repórter Esso. É o que contou à TV Brasil o radialista Antônio Carlos, que foi locutor da Rádio Nacional no início da sua carreira, nos anos 1950. Neste vídeo, ele reforça a relevância do Repórter Esso para os ouvintes e a sociedade:

 

Esso foi, como outro de seus slogans atesta, “testemunha ocular da história”. Até 1945, exclusivamente da Segunda Guerra Mundial. Com o fim do conflito, introduziu aos poucos notícias do país e também as regionais, de cada estado em que transmitia.

Este áudio, cedido pelo pesquisador Luciano Klöckner, compila manchetes e notícias extraídas do Repórter Esso e fez parte do programa especial de 24 anos de irradiação do noticiário.

A mudança editorial, combinando notícias mais próximas dos brasileiros com a credibilidade já consolidada que possuía, rendeu-lhe histórias menos pomposas que os anúncios históricos, mas que demonstravam a força do programa junto ao público – e, ainda, o potencial de mobilização que o jornalismo tem na sociedade.

É o caso da aterrisagem de um avião no aeroporto de Campo Grande em uma pista que estava às escuras. De acordo com o que narrou Klökner em seu livro, um apelo foi feito no Repórter Esso para que carros fossem levados para iluminar o local. Os motoristas compareceram, e a aeronave pousou com a ajuda dos faróis, sem que nenhuma das 14 pessoas a bordo ficassem feridas.

 

Declínio

O radiojornalismo em geral foi atingido duramente pelo regime militar em 1964 – até mesmo o Repórter Esso, que tinha uma linha editorial cuidadosa para não desagradar a governos e autoridades.

No dia 1º de abril daquele ano, uma das edições do Repórter Esso não foi ao ar – pelo menos em São Paulo. “Ali eu me dei conta que o processo da revolução já tinha se instalado”, conta o locutor Fabbio Perez, que faria o jornal das 8h pela Rádio Tupi. O mesmo aconteceu em diferentes emissoras e jornais impressos.

Repórter Esso sobreviveu até 1968 – na televisão, onde tinha estreado em 1952, durou até 1970. Na avaliação do pesquisador Luciano Klökner, o desgaste político que culminou com o fim do Repórter Esso tem a ditadura militar entre seus motivadores – embora não seja o único. “Houve queda de audiência motivada pela concorrência com outras emissoras e a televisão, e ainda o interesse da empresa [Esso] de distribuir verbas publicitárias, sem concentrá-la em um único programa”.

 

Repórter Esso

O Repórter Esso estreou na televisão em 1952, e ficou no ar até 1970 – Divulgação/Repórter Esso

Sua última transmissão no rádio foi ao ar no dia 31 de dezembro de 1968, na locução de Roberto Figueiredo. O fim de uma história de 27 anos ficou eternizado na voz emocionada do profissional (ouça o áudio recuperado pelo programa Todas as Vozes, que foi ao ar pela Rádio MEC):

 

Repórter Esso

Anúncio comunica a última edição do Repórter Esso na televisão – Divulgação/Repórter Esso

Série de reportagens

Em comemoração aos cem anos do rádio no Brasil, completados em 7 de setembro de 2022, a Agência Brasil publica uma série de reportagens sobre as principais curiosidades históricas do rádio brasileiro. Veja as matérias já publicadas:

Cem anos do rádio no Brasil: o padre brasileiro que inventou o rádio

Cem anos do rádio no Brasil: Recife foi “berço”, dizem pesquisadores

Cem anos do rádio no Brasil: das emissoras pioneiras até a Era de Ouro

Cem anos do rádio no Brasil: caráter educativo marca história da mídia

Cem anos do rádio no Brasil: o nascimento do radiojornalismo

O centenário do rádio no país também será celebrado com ações multiplataforma em outros veículos da EBC, como a Radioagência Nacional e a Rádio MEC que transmitirá, diariamente, interprogramas com entrevistas e pesquisas de acervo para abordar diversos aspectos históricos relacionados ao veículo. A ideia é resgatar personalidades, programas e emissoras marcantes presentes na memória afetiva dos ouvintes.

 

 

 

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