Reportagens
Lençóis Maranhenses, lugar de ver Deus
O Parque é um convite à contemplação e à aventura
O PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS MARANHENSES
Silvestre Gorgulho, de Barreirinhas (texto e fotos)
O Parque dos Lençóis é um convite à contemplação e à aventura A natureza brasileira é tão exuberante e a biodiversidade tão fantástica que, no Brasil, até deserto tem água. E muita água. Areia branca e água cristalina formam um dos ecossistemas mais belos da costa nordestina, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Visto de um avião, a dois mil metros de altura, o parque parece um imenso lençol estendido por mais de 100 km de extensão da costa atlântica do Maranhão e avançando 50 km continente a dentro. E, acredite, um lençol estampado por incontáveis piscinas azuis intermediando as alvíssimas dunas. Maravilha? É pouco! Ao pôr-do-sol, os Lençóis Maranhenses seriam como um altar de rara beleza a reverenciar os Céus. Não há outra explicação: o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é lugar de ver Deus.

O Parque dos Lençóis é um convite à contemplação e à aventura. Verdadeiro lugar de ver Deus!
Em Brasília, os funcionários públicos estavam em greve. O Ibama também estava fechado há mais de duas semanas. Mas, no Parque dos Lençóis, o trabalho era normal. Dois fatos deixaram Barreirinhas totalmente lotada de turistas: as férias e o Rally do Sertão. A dedicação de Diana Floriani, funcionária do Ibama, era garantia de bom comportamente e de respeito dos turistas com o ambiente.
Quando o Toyota, tração quatro por quatro, estaciona na entrada do Parque dos Lençóis, já lotados por centenas de Toyotas, uma simpática loirinha, com sotaque catarinense organiza os grupos, faz algumas perguntas, anota e toma a palavra:
“Meus amigos, eu sou Diana, trabalho no Ibama, e gostaria de fazer algumas considerações com vocês. Para ser um Parque Nacional a área tem que ter algumas características especiais. A primeira delas é ser um ambiente muito bonito, de rara beleza cênica, que tenha importância ecológica e que tenha seus ecossistemas bem preservados. Existem, além do Parque dos Lençóis Maranhenses, mais 51 Parques Nacionais no Brasil. Então como é uma área única, a gente pede alguns cuidados para vocês”.
Didaticamente, ignorando a greve que os funcionários públicos promoviam em Brasília, Diana Floriani, estava a postos na defesa dos Lençóis e retoma sua aula:
LIXO – “A primeira coisa é o lixo. Tudo que vocês levarem, por favor, tragam de volta. Eu sei que a maioria de vocês já tem essa consciência ambiental. Mas é importante lembrar que venta muito nas dunas. Então qualquer saco plástico, guardanapo, papel, se ficar solto, com o vento vai tudo parar muito longe e aí tem que sair correndo para pegar. Guarde tudo que levarem bem próximo a vocês”.
SILÊNCIO – “A segunda coisa é o silêncio. Qualquer tipo de algazarra, festa, música alta vamos deixar para fazer à noite lá em Barreirinhas. E o silêncio é importante porque permite a gente admirar e contemplar melhor essa beleza que são os Lençóis. Sem poluição sonora”.
PROTEÇÃO SOLAR – “A terceira recomendação é se proteger do sol. Quem não tiver um guarda-sol, use protetor e fique mais dentro d´água”.
SEGURANÇA – “O quarto recado é importante para sua segurança: não dispersem muito do grupo, principalmente as crianças, porque o ambiente das dunas é muito parecido. Há casos de gente que se perdeu e demorou muito para ser encontrada”.
PRESERVAÇÃO – “A última coisa, já para encerrar é que eu gostaria de explicar por que a gente pede para os carros pararem aqui no início. O primeiro motivo é cênico, porque se você vem admirar, ninguém quer ficar vendo esse tanto de Toyotas paradas na beira das lagoas.
A poluição visual também é uma agressão ambiental. Também quando os carros sobem começa a desestabilizar, a descompactar as dunas e elas começam como que a diluir. Aí, de duna vira morro e de morro vai virar uma planície como esse estacionamento aqui. Então a lagoa de trás dela começa a escoar.
Se a gente não preserva, outras gerações não poderão contemplar o que vocês vão ver e aproveitar agora”.
Características dos Lençóis Maranhenses
Lagoas azuis
Pronto! Essa pequena aula de Diana Floriani é o passaporte para a aventura. Andando pouco mais de um quilômetro, numa areia bem fresca para o sol que se apresenta, surge a primeira lagoa: a Lagoa Azul. Poderia ser chamada de oásis. Mas é muito mais do que isso. É beleza que bate na retina e fixa no coração. Há milhares destes oásis nos Lençóis: lagoa do Peixe, lagoa da Esperança, lagoa da Lua, lagoa Bonita e não sei quantas mais sem nome. O fato é que todas elas são azuis e bonitas.
Algumas características
Uma característica dos Lençóis: as lagoas maiores permanecem, mas algumas menores vão secando com o tempo da seca, voltando a encher no início das chuvas, em março. Mas o curioso é que as dunas vão mudando. Uma nova vista a cada dia, marcada pelo contraste entre dunas e lagoas. O vento se encarrega de levar e trazer a areia, de fazer e desfazer dunas e de mudar o cenário a cada instante.
Outra característica interessante é que num lugar aparentemente desértico, deveria haver pouca diversidade biológica. Mas é só aparentemente. Além de diversas espécies de tartarugas-marinhas, existe uma rica fauna microscópica que cumpre papel fundamental na alimentação e reprodução de animais e aves. A região mais próxima da costa abriga aves migratórias e animais ameaçados de extinção, como a tartaruga marinha gigante.
Rio Preguiças, as belezas de um rio que parece lago
Preguiçosamente as águas do rio Preguiças chegam ao mar por entre dunas e manguezais
Barreirinhas é o portal do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. O nome Barreirinhas surgiu em função de muitas barreiras e dunas existentes na área. Aos visitantes, além dos Lençóis há algo tão belo para se apreciar: o rio Preguiças, que é o mais importante da região. O Preguiças nasce no povoado de Barra da Campineira, município de Anapurús, e percorre 120 km até sua foz, entre Caburé e Atins.
De Barreirinhas até o mar, o rio preguiçosamente serpenteia por 42 km, quando em linha reta são apenas 16 km. Tranqüilo, caudaloso e muito bonito, o Preguiças apresenta uma dúvida à primeira vista: para que lado ele corre? Foi a pergunta que fiz a um dos principais operadores do turismo em Barreirinhas, Bernardo Marconi, 40 anos, que opera barcos, Toyotas e tem todas as informações sobre o lugar. A resposta surpreende:
— Olha, agora o rio Preguiças está correndo pra lá…
— Como assim?
— É que o rio é muito calmo. Quando a maré sobe, o rio volta…. quando a maré baixa, o rio aproveita corre para o mar…
Alerta
Mas a verdade é que indo ou voltando, o Preguiças é muito bonito e mais parece um rio-lago. Não dá para perceber nitidamente para onde ele corre. O fato é que margeando dunas e manguezais, o rio Preguiças tem uma bela mata ciliar e é outra maravilha de Barreirinhas. Mas vale lembrar e alertar: a nova rodovia (250 km) que liga São Luiz a Barreirinhas facilitou muito o acesso ao Portal dos Lençóis. Antes do asfalto, eram oito horas de uma dura viagem. Hoje são no máximo três horas de uma viagem tranqüila.
A rodovia trouxe investimentos, aumentou o turismo e está provocando uma verdadeira revolução na cidade. O crescimento é da noite para o dia. O adensamento urbano, a questão do saneamento e disposição final do lixo, a construção de muitas casas de veraneio e de pousadas à beira do rio acaba por ser preocupante. Se tudo isto não obedecer uma ordenação efetiva, com certeza problemas sérios virão e vão colocar em risco o ambiente e a vida do Preguiças.
Caburé e a foz – Ao desaguar no Oceano Atlântico, o rio Preguiças se abre em braços de praias onde tem alguns povoados: do lado esquerdo, está Mandacaru, onde tem o Farol de 45 metros de altura, construído em 1944, para direcionar a navegação em Atins. À margem direita, estão os povoados de Alazão, Vassouras, Caburé e Brasília.
Em Caburé, entre as praias do rio Preguiças e as praias do Atlântico, numa distância que não passa de 800 metros, estão estabelecidas várias pousadas e restaurantes.
Outra coisa interessante, é que à esquerda do rio Preguiças está o Parque dos Grandes Lençóis e à direita o chamado Pequenos Lençóis. Não fosse o rio, com sua vegetação, seus manguezais e sua história, não haveria esta separação.
Por falar em manguezais, vale destacar os três tipos de mangues: o vermelho (Rhizophora mangle) que os ribeirinhos utilizam muito para retirar uma tinta vermelha para colorir seus artesanatos; o mangue-branco (Laguncularia racemosa) e mangues-siriuba (Avicencia tomentosa).
Barreirinhas, uma cidade em ebulição
Onde ficar
Barreirinhas tem muitas pousadas e vários restaurantes. Duas agências de viagem operam muito bem e têm bons pacotes:
Freeway – São Paulo
Fone: (11)50880999
patrícia@freeway.tur.br
Máxima – São Luiz
Fone: (98) 3221-0238
maximaturismo@elo.com.br
Os três melhores hotéis
O Porto Preguiças Resort, recém inaugurado e construído pelo empresário paulista Sérgio Dória, fica a uns três quilômetros da cidade, bem às margens do rio Preguiças. Possui uma bela piscina com 700m2 de espelho d’água, imitando uma lagoa Natural dos Lençóis e fundo de areia. Tem bom restaurante e confortáveis chalés. É o melhor.
Fone: (98) 3349-1220 – Fax: (98) 3349-0620
Email: sdoria@elo.com.br – www.portopreguicas.com.br
Pousada do Buriti também muito confortável, com bom restaurante e ótimo atendimento. Tem uma filial em Caburé, na foz do rio Preguiças.
Fone: (98) 3349-1053
O Rio Preguiças Hotel, com 40 apartamentos, fica na Praça da Matriz, bem no centro, também confortável e com bom restaurante.
Fone: (98) 3349-0425 / 3349-0616 – Fax: (98) 3349-0615.
Para Passear
As agências de viagem têm esquema de passeios de barco até Caburé e de Toyota para as dunas. Vale a pena também contactar diretamente o operador local Bernardo Marconi (98) 3349-1284 e celular (98) 8828-1284. Sai mais em conta.
Passeio de avião
É fundamental subir as dunas e tomar banho nas lagoas de águas transparentes, bem como fazer uma viagem de voadeira pelo rio Preguiças. Para quem puder e tiver afim, vale a pena fechar o passeio com um sobrevôo de 30 minutos pelo Preguiças e pelos Lençóis para se ter uma noção exata do parque e das belezas naturais da região. Mergulhar na lagoa Azul faz tanto bem ao corpo como faz bem à alma vê-la lá do alto. O avião leva três pessoas e o passeio fica em cerca de R$ 100,00 por pessoa. A dica é procurar Fábio Buhatem, peloto experiente, no Aeroclube de Barreirinhas: Fone: (98) 96042037.
Endereço do Ibama – Parque Nacional dos Lençóis
Fone: (98) 3349-1155 Fax (98) 3231-4332 – Av. Joaquim Soeiro de Carvalho, 746
65590-000 Barreirinhas – MA
Summary
Lençóis Maranhenses, place to see God
The Lençóis Park is an invitation to contemplation and adventure
Brazilian nature is so exuberant and the biodiversity so fantastic that, in Brazil, even the deserts have water. A lot of it. White sands and crystal clear water make up one of the most beautiful ecosystems in the northeastern coast, the national park of Lençóis Maranhenses. Seen from an airplane, at two thousand meters high, the Park looks like a large sheet extended over a one hundred-kilometer distance on the Atlantic coast of Maranhão and reaching fifty kilometers into the continent. A sheet printed with uncountable blue pools amid the blinding white sand dunes. A natural wonder doesn’t begin to describe it. At sunset, the Lençóis Maranhenses would be an altar of rare beauty to admire the heavens. No other explanation exists: the national park of Lençóis Maranhenses is a place to see God.
A few characteristics
One characteristic of Lençóis: the larger lagoons persevere, but some of the smaller ones dry out in the dry season only to come back at the beginning of the rainy season in March. A curious fact is that the dunes move around. A new view each day, marked by the contrast between the dunes and the lagoons. The wind is in charge of taking and bringing the sand, of making and unmaking dunes, and of changing the scenery each instant.
Another interesting characteristic is that there should be little biological diversity in a place apparently like a desert. This desert quality is only an appearance. This region houses several species of marine turtles as well as a rich microscopic fauna, which carries a fundamental role in the feeding and reproduction of animals and birds. The area closest to the coast is home to migratory birds and endangered animals, such as the giant marine turtle.
Barreirinhas
Barreirinhas is the portal to the national park of Lençóis Maranhenses. The name Barreirinhas (which means small sand barriers in Portuguese), originated from the fact that there are many sand barriers and sand dunes in the area. The visitors can also enjoy the River Preguiças (meaning ‘lazy’ in Portuguese), which is the most important river of the region. The river originates in the village of Barra da Campineira, city of Anapurús, and runs one hundred and twenty kilometers to its mouth, between Caburé and Atins.
From Barreirinhas until the ocean, the river winds lazily for forty-two kilometers, which in a straight line it would be a mere sixteen kilometers. The River Preguiças branches out into beaches at the point where it meets the Atlantic Ocean. The settlement of Mandacaru (which is located on the left side of the river) has a lighthouse of forty-five meters in height, built in 1944, to aid in the navigation of Atins. On the right side, we can find the villages of Alazão, Vassouras, Caburé, and Brasília.
In Caburé there are many inns and restaurants established in the area between the beaches of the River Preguiças and the beaches of the Atlantic Ocean, a distance that does not exceed eight hundred meters.
Reportagens
Alessandro Vieira pede indiciamento do PGR e de ministros do STF
Relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira sugere alterações legais e pede indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal, além do procurador-geral da República
Saulo Cruz/Agência Senado
A CPI do Crime Organizado encerra nesta terça-feira (14), a partir das 14h, as atividades com a leitura e análise do relatório final que contém pedidos de indiciamento por crimes de responsabilidade de três ministros do Supremo Tribunal Federal — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes —, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Emitido após 120 dias de trabalho, o relatório de 220 páginas do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresenta um diagnóstico do funcionamento do crime organizado no Brasil e propõe medidas para combater o avanço da criminalidade.
O modus operandi de facções e milícias em diferentes regiões do país foi o norte inicial para o processo investigatório realizado com o recebimento de 134 documentos, 312 requerimentos e 18 reuniões para oitiva de autoridades como ministro, governadores, magistrados, representantes da segurança pública, policiais, jornalistas, entre outros.
Além de investigar a ocupação territorial por facções, a CPI fez um levantamento dos crimes relacionados às atividades econômicas, à lavagem de dinheiro, e de infiltração no poder público, como no caso do Banco Master.
Para o relator, “o fenômeno da criminalidade organizada no Brasil atingiu um patamar de complexidade e enraizamento que representa uma ameaça concreta à soberania do Estado, à democracia e aos direitos fundamentais da população”.
Banco Master
No relatório, Alessandrio Vieira pede indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade e condutas consideradas incompatíveis com o exercício de suas funções.
Os ministros são incluídos no rol dos indiciados por não terem se declarados suspeitos — quando há parcialidade do magistrado por razões subjetivas de ordem pessoal — no julgamento do caso do Banco Master pelo Supremo.
Com relação ao ministro Dias Toffoli, o relatório de Alessandro Vieira aponta que haveria vínculos indiretos do ministro com investigados do Banco Master, o que configura conflito de interesses e interferência nas investigações.
O relator apontou que a empresa Maridt, da qual o ministro Toffoli é sócio, transacionou com o Fundo Arleen, administrado por Fabiano Zettel — cunhado de Daniel Vorcaro e identificado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema criminoso investigado.
Segundo o relator, o ministro Alexandre de Moraes também teria atuado em processos para os quais deveria ter se declarado impedido, já que haveria relações financeiras entre a empresa investigada e o escritório de advocacia de sua esposa.
A relação entre a cônjuge do magistrado e o banco é causa objetiva de impedimento, disse o relator: “Trata-se de hipótese de impedimento absoluto, insanável e cognoscível a qualquer tempo, que independe de comprovação de prejuízo ou de influência subjetiva”.
Já o ministro Gilmar Mendes, segundo o senador, teria faltado com decoro por usar de “estratégia articulada de contenção investigatória, executada por magistrado que não detém a relatoria da matéria, em favor de interesses de colega de tribunal”. Ainda, por ter determinado a inutilização de dados, o que comprometeria apurações.
Por fim, o procurador-geral Paulo Gonet entra no rol dos indiciados por omissão. “A renúncia à persecução de crimes de responsabilidade praticados pelos mais altos magistrados do país é a negação radical dessa missão constitucional. Quando o titular da ação penal se omite diante de indícios claros e suficientes, sua conduta deixa de ser exercício de discricionariedade e passa a configurar omissão funcional”, afirmou o relator.
As movimentações bilionárias suspeitas do Banco Master, acompanhadas de crescimento acelerado, impacto relevante no sistema financeiro, com uso de mecanismos sofisticados para ocultação de recursos ilícitos foram destacados no documento pelo relator.
Interferências
Alessandro Vieira afirma no documento que decisões monocráticas de ministros do Supremo Tribunal Federal esvaziaram sistematicamente os poderes investigatórios da CPI, criando obstáculos graves ao desenvolvimento dos trabalhos.
“A anulação de quebras de sigilo regularmente aprovadas, a conversão de convocações obrigatórias em meros convites e a concessão reiterada de habeas corpus em favor de investigados produziram um efeito paralisante que comprometeu a capacidade da Comissão de produzir provas. Essa interferência, somada à conduta de ministros que mantiveram relações financeiras e pessoais com investigados, fundamentou os indiciamentos propostos”.
Milícias e facções
De acordo com o relatório, 90 organizações criminosas foram mapeadas pela CPI. Duas são apontadas como de atuação nacional e transnacional e estão presentes em 24 estados e no Distrito Federal.
O texto faz considerações sobre as milícias que atuam no Rio de Janeiro e de facções criminosas como Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), do Rio de Janeiro, e Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, que atuariam “como verdadeiros para-estados, exercendo domínio territorial sobre comunidades inteiras, impondo regras de convivência, cobrando tributos ilegais e fornecendo serviços que deveriam ser de competência estatal”. Além do tráfego de drogas, essas organizações teriam expandido suas atuações para extorsões e outras atividades econômicas, inclusive de aparência lícita.
O relatório afirma que pelo menos 26% do território nacional estariam sob algum tipo de controle do crime organizado e que 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas com a presença desses criminosos.
Alessandro Vieira apontou que a extensa linha de fronteiras contribui sobremaneira para o crime, “que ameaça cada vez mais a soberania de amplas parcelas do território nacional e coloca em perigo a incolumidade física de nossos cidadãos”.
Corrupção de menores
Homicídios, tráfico de drogas e armas e domínio territorial são alguns dos fatos relacionados ao crime organizado, envolvendo corrupção de menores, com a utilização de crianças e adolescentes para atos ilícitos.
“Essa prática permite compreender que o envolvimento de crianças e adolescentes com o crime organizado não se configura como fenômeno episódico ou desorganizado, mas como parte de uma lógica estruturada de recrutamento e utilização. Sob essa perspectiva, sua participação pode ser analisada como forma de exploração sistemática da força de trabalho, sendo possível enquadrá-la entre as piores formas de trabalho infantil”, afirma o relator.
Lavagem de dinheiro
O documento demonstra ainda que a lavagem de dinheiro é “o mecanismo central de sustentação do crime organizado”, que se beneficia de setores como venda de cigarro, ouro, mercado imobiliário e bebidas, em alinhamento com o uso de fintechs, criptomoedas e fundos de investimento.
“A criminalidade organizada opera com grau de sofisticação empresarial que exige resposta igualmente qualificada do Estado. O caso Master, parcialmente investigado por esta Comissão, ilustra de forma emblemática como o crime organizado pode capturar instâncias do poder público, comprometendo a integridade de instituições que deveriam ser bastiões da legalidade”, expõe o relator.
Propostas legislativas
Relatório apresenta propostas legislativas sobre os seguintes temas:
- modernização de mecanismos de combate às organizações criminosas, a ser apresentado em forma de projeto de lei;
- aprimoramento da detecção e repressão de crimes financeiros, com melhoria na definição de competências entre Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Banco Central; fortalecimento do Coaf, ampliação da transparência das pessoas jurídicas e dos fundos de investimento, modernização da Lei Antilavagem;
- regulamentação do lobby;
- aperfeiçoamento do controle interno e externo da Administração Pública;
- Marco legal da atividade de inteligência (entre eles o PL 6.423/2025, em análise no Plenário do Senado);
- modernização do sistema socioeducativo e da legislação infracional;
- aprimoramento legislativo das CPIs;
- proposta de Emenda à Constituição (PEC) para “maior rigor ético” no regime jurídico aplicável aos membros dos tribunais superiores.
Intervenção federal
O relatório sugere ainda o fortalecimento das instituições de combate ao crime organizado, a criação do Ministério da Segurança Pública, o desenvolvimento de estratégias para o enfrentamento da criminalidade, melhorias na fiscalização e controle de armas, mais integração entre as instituições públicas. Também está sendo proposta intervenção federal no Rio de Janeiro.
Caso aprovado, o relatório será encaminhado à Mesa do Senado para as providências cabíveis quanto aos ministros do STF e ao procurador-geral e será remetido ainda ao Ministério Público Federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Reportagens
Educação do campo no DF: audiência aponta déficit de vagas e conflitos territoriais
Debate na CLDF destacou falhas no atendimento à população camponesa, impacto da expansão urbana, precarização do trabalho docente e a necessidade de políticas específicas para orientar o novo PDE
Foto: Felipe Ando/Agência CLDF
A Comissão de Educação e Cultura (CEC) promoveu, nesta segunda-feira (13), um debate sobre a infraestrutura e a concepção pedagógica das escolas do campo no DF. Conforme explicou o presidente da comissão, deputado Gabriel Magno (PT), a reunião ocorre no contexto da criação do novo Plano Nacional de Educação (PNE 2026–2036), aprovado no Senado Federal em março e encaminhado para sanção presidencial.
O parlamentar destacou que a legislação nacional servirá de base para a elaboração do próximo Plano Distrital de Educação (PDE) e que, por isso, é necessário discutir desde já o modelo de escola do campo que o DF pretende consolidar.
Magno ressaltou que, segundo levantamento do comitê de acompanhamento do PDE, a meta referente à garantia de educação à população do campo no DF não foi atingida. Em 2023, a população camponesa em idade escolar (de 4 a 17 anos) era de 37.870 pessoas, enquanto a oferta de vagas em escolas do campo foi de 25.422. “Isso significa que cerca de um terço dessa população de 4 a 17 anos está fora da escola”, pontuou.
“É preciso que o nosso plano distrital de educação avance para além da universalização e contemple o debate da qualidade, da estrutura e da ampliação das escolas do campo. Eu acredito que seja possível fazer essa mudança no DF”, afirmou o deputado.
A ameaça da expansão urbana
Ao longo da audiência, representantes de movimentos sociais, pesquisadores, gestores escolares e professores ressaltaram que os desafios da educação do campo no DF vão além do déficit de vagas e estão profundamente ligados às disputas territoriais, à precarização do trabalho docente e à ausência de políticas públicas específicas e continuadas.
Um dos pontos centrais do debate foi a relação entre a educação do campo e o ordenamento territorial do Distrito Federal. Segundo os participantes, a expansão urbana e a especulação imobiliária têm descaracterizado territórios historicamente rurais, impactando diretamente as escolas do campo.
Conforme avaliam os especialistas que participaram da reunião, no entendimento da atual gestão, a mudança de classificação de um território de rural para urbano pode fazer com que a escola perca o status de “escola do campo”, mesmo continuando a atender majoritariamente estudantes camponeses. Para os debatedores, essa lógica ignora a identidade pedagógica dessas instituições e fragiliza direitos já consolidados.

A professora da Universidade de Brasília (UnB) Mônica Molina afirmou que a educação do campo não pode ser tratada apenas como uma modalidade administrativa, mas como “parte de um projeto social e territorial”.
Ela lembrou que, no âmbito nacional, houve avanços importantes com a recriação da Política Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (Pronacampo) e com a previsão, no novo PNE, de metas e estratégias específicas para esses povos. No entanto, alertou que o Plano Distrital de Educação ainda não incorporou plenamente esses avanços, especialmente no que diz respeito à formação e à contratação de professores com perfil específico para atuar nas escolas do campo.
Formação específica
Representando o Sindicato dos Professores do DF (Sinpro), Fernando Augusto Batista defendeu a realização de concursos públicos específicos para docentes formados em Licenciatura em Educação do Campo, além do fortalecimento da formação continuada. “Esses profissionais necessitam de uma formação que os capacite para atuar nessas escolas”, afirmou.
Participantes também apontaram que a alta rotatividade de professores temporários compromete a construção de vínculos com as comunidades e inviabiliza projetos pedagógicos de longo prazo, fundamentais para a educação do campo.
Outro tema amplamente debatido foi a infraestrutura. Gestores escolares relataram falta de recursos, estruturas físicas inadequadas e dependência crescente de emendas parlamentares para a manutenção das unidades. Para Gabriel Magno, esse modelo é equivocado e evidencia a omissão do Poder Executivo no financiamento regular da educação.
O parlamentar criticou os cortes no orçamento da área e alertou que as escolas do campo são ainda mais impactadas pela insuficiência de recursos.“As escolas não pode ser reféns de emendas parlamentares. Não é tarefa do diretor e dos professores pedir dinheiro para deputado, isso [investimento nas escolas] deveria ser a tarefa da secretaria de educação”, afirmou.
A diretora da Escola Classe Córrego do Arrozal, Francineia Soares, apresentou a experiência da unidade na construção do inventário da realidade local, elaborado com a participação direta da comunidade. Segundo ela, o instrumento tem sido fundamental para aproximar a escola das famílias, valorizar os saberes do território e orientar práticas pedagógicas contextualizadas.

Apesar disso, a gestora destacou demandas históricas não atendidas, como a ausência de creches, saneamento básico e outras políticas públicas essenciais nas comunidades atendidas pela escola, que muitas vezes têm na unidade escolar a única presença do Estado. Ela também reforçou a necessidade de incentivo à formação específica para atuação nas escolas do campo: “É fundamental um concurso específico para professores de escola do campo”, destacou.
Adonilton Rodrigues, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chamou atenção para o fato de que praticamente não há escolas do campo instaladas em assentamentos no DF, o que obriga estudantes a percorrer longas distâncias diariamente. Para ele, esse cenário favorece a evasão escolar, enfraquece os vínculos comunitários e reforça desigualdades históricas de acesso à educação. Rodrigues também observou que o modelo atual de “escola rural” não dialoga com a realidade e o conceito da escola do campo.
Gigliola Mendes, formadora da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Eape), avaliou que o DF dispõe de uma política avançada para a educação do campo, mas que ela não vem sendo efetivamente implementada. Segundo a educadora, desde 2017 houve um esvaziamento da formação continuada e da articulação institucional, o que tem levado à perda da identidade das escolas do campo, à padronização indevida e ao desrespeito a instrumentos centrais da modalidade, como o inventário da realidade e a gestão democrática.
Ela também criticou o sucateamento da Eape, a inexistência de critérios obrigatórios de formação para atuar nas escolas do campo e as tentativas de militarização dessas unidades, consideradas incompatíveis com seus princípios pedagógicos. Para Mendes, o novo Plano Distrital de Educação precisa garantir a implementação do que já está previsto em lei. “Educação do campo é direito nosso, dever do Estado e compromisso da comunidade”, destacou.
Encaminhamentos
Ao final da audiência, Gabriel Magno informou que a Comissão de Educação e Cultura irá oficiar a Secretaria de Educação sobre as demandas apresentadas e articular, junto ao Fórum de Educação do Campo do DF, a construção coletiva de propostas a serem incorporadas ao novo Plano Distrital de Educação.
Entre os encaminhamentos sugeridos estão o fortalecimento da escola de formação continuada, a implementação de um Centro de Referência em Educação do Campo no DF — conforme previsto no Pronacampo — e a ampliação do debate público sobre o PDE, com participação efetiva das comunidades escolares e dos movimentos sociais.
Christopher Gama – Agência CLDF de Notícias
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Curso gratuito de panificação e gastronomia tem 50 vagas abertas
Inscrições estarão disponíveis de segunda-feira (13) ao dia 22, no site da Sedet-DF
Por
Agência Brasília* | Edição: Chico Neto
Por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF), o Governo do Distrito Federal (GDF) publicou chamamento público para o preenchimento de vagas em qualificação profissional do projeto Pró-Comunidade – Curso de Panificação e Gastronomia.
De acordo com o edital, estão sendo ofertadas 50 vagas para o segundo ciclo da formação, que tem como objetivo capacitar participantes para atuação na área de panificação e gastronomia, ampliando as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
As inscrições serão feitas exclusivamente de forma eletrônica, por meio do portal da Sedet-DF, entre os dias 13 e 22 deste mês. Para participar, basta preencher o formulário online disponível na página.
A iniciativa faz parte do projeto Pró-Comunidade, que busca promover qualificação profissional gratuita à população do Distrito Federal, contribuindo para geração de renda e desenvolvimento econômico local.
*Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda
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