Reportagens

Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção

Os biomas Mata Atlântica e Cerrado, em conjunto, respondem


Angelo Machado é professor
do departamento
de Zoologia do Instituto de Ciências
Biológicas da UFMG, um dos
fundadores da Biodiversitas e presidente
da Conservação Internacional
do Brasil. Pesquisador de reconhecimento
internacional, destaca-se também
como autor de 31 livros infantis.


Gláucia Drummond:
a lista vermelha é importante
instrumento de política ambiental.

Silvestre Gorgulho
No início deste ano, veio de Paris
um sinal vermelho lançado por 1.230
cientistas de 35 países reunidos na
Conferência Internacional sobre Biodiversidade:
um terço dos anfíbios, uma quarta
parte dos mamíferos e um de cada oito
pássaros estão sob ameaça
de extinção neste mundo de Deus
e dos homens. Mais: a questão do desmatamento
é gravíssima: quase 50% das
florestas e mais de 10% dos corais estão
perdidos. São 15.589 espécies
animais e outras 60 mil espécies vegetais
sob risco de desaparecer. Tudo isto tem sua
causa: o desmatamento, a água doce
dos rios e lagos sofrendo um processo acelerado
de poluição, os resíduos
de material plástico e cerca 21 milhões
de barris de petróleo lançados
ao mar, provenientes de enxurradas, resíduos
industriais e vazamento de petroleiros. Em
meio a tanta agressão e destruição,
surgem pessoas e entidades lutando na busca
de estratégias para a proteção
deste ainda incalculável patrimônio
natural. O lançamento do Livro Vermelho
e a luta histórica do ambientalista
Ângelo Machado, fundador e presidente
da Fundação Biodiversitas, é
um dos mais importantes instrumentos de política
ambiental que possibilita o estabelecimento
de programas prioritários para a proteção
da biodiversidade

A Fundação Biodiversitas,
em parceria com a Conservação
Internacional do Brasil, lançou dia
16 de julho, o livro da Lista da Fauna Brasileira
Ameaçada de Extinção.
O lançamento da publicação
aconteceu paralelamente à programação
do XIX Congresso Anual da Society For Conservation
Biology, em Brasília. Segundo a Coordenadora
Geral da Biodiversitas, Gláucia Drummond,
para classificar as espécies foram
propostas categorias de ameaças baseadas
em critérios adotados pela União
Mundial para a Natureza (IUCN), referência
mundial na elaboração das Red
Lists.

Os critérios IUCN buscam
evidências relacionadas ao tamanho,
isolamento ou declínio populacional
das espécies e extensão de suas
áreas de distribuição.
A partir desses dados, as espécies
são agrupadas conforme as seguintes
categorias: Extinta, Extinta na natureza,
Criticamente em perigo, Em perigo, Vulnerável,
Quase Ameaçadas e Deficientes em Dados.

Números por biomas
Segundo informações da Fundação
Biodiversitas, para se ter uma idéia
da atual situação da fauna brasileira,
do total de 633 táxons (1) apontados
na Lista, 624 estão classificados em
uma destas três categorias de ameaça:
Criticamente em Perigo, Em Perigo e Vulnerável.
Os Vertebrados somam 67% do total de espécies
indicadas sendo que, entre estes, estão
cerca de 13% das espécies brasileiras
de mamíferos.

Mata Atlântica
O bioma Mata Atlântica é
o que apresenta maior número de espécies
ameaçadas ou extintas, com 383 táxons;

Cerrado – Logo
em seguida, vem o bioma Cerrado com 112 táxons;

Mar – Em terceiro
lugar vem a área marinha com 92 táxons;
Campos do Sul – O bioma vem em quarto lugar
com 60 táxons;

Amazônia – A
região amazônica está
em quinto lugar com 58 táxons;

Caatinga – O
bioma Caatinga, com 43 táxons, está
em sexto lugar;

Pantanal –
Em sétimo lugar está o bioma
Pantanal com 30 táxons.

Pelo estudo da Fundação
Biodiversitas, os biomas Mata Atlântica
e Cerrado, em conjunto, respondem por mais
de 78% das espécies da lista de espécies
ameaçadas ou extintas, ou seja, 495
táxons.

Listas Vermelhas
Para Gláucia Drummond, as Listas Vermelhas
que indicam as espécies ameaçadas
de extinção são importantes
instrumentos de política ambiental.
Esse trabalho possibilita o estabelecimento
de programas prioritários para a proteção
da biodiversidade. As informações
contidas nestes documentos fornecem subsídios
para a formulação de políticas
de fiscalização, criação
de unidades de conservação e
definição sobre a aplicação
de recursos técnicos, científicos,
humanos e financeiros em estratégias
de recuperação da fauna ameaçada.
As listas também são um importante
mecanismo de combate ao tráfico e ao
comércio ilícitos das espécies.

GLOSSÁRIO
(1)TÁXON –
São as unidades
hierárquicas de classificação
dos organismos, a saber: Reino, Filo (Divisão)
Classe, Ordem, Família, Gênero
e Espécie.
[plural: taxa]

Informações
gerais e exemplos (Por grupos)

Aves – Total: 160
Algumas Aves brasileiras ameaçadas
na categoria Criticamente em Perigo:

— Pato-mergulhão
Mergus octosetaceus (Vieillot,
1817) – BA, GO, MG, PR, RJ, SC, SP, TO

— Arara-azul-de-lear
Anodorhynchus leari Bonaparte,
1856 – BA

Ave brasileira Extinta:

— Arara-azul-pequena
Anodorhynchus glaucus (Vieillot,
1816) – MS, PR, RS, SC

Espécies de aves
brasileiras Extintas na Natureza:

— Mutum-de-Alagoas
Mitu mitu (Linnaeus, 1766) – AL,
PE
— Ararinha-azul – Cyanopsitta
spixii (Wagler, 1832) – BA, MA, PE, PI, TO

Mamíferos – Total:
69

Alguns mamíferos brasileiros ameaçados
na categoria Criticamente em Perigo:

— Muriqui –
Brachyteles hypoxanthus (Kuhl, 1820) – BA,
ES, MG

— Mico-leão-de-cara-preta
Leontopithecus caissara (Lorini
& Persson, 1990)- PR, SP

— Baleia-azul
Balaenoptera musculus (Linnaeus,
1758) – PB, RJ, RS

— Peixe-boi-marinho
Trichechus manatus (Linnaeus, 1758)
– AL, AP, CE, MA, PA, PB, PE, PI, RN

Peixes – Total: 159
Alguns peixes brasileiros ameaçados
na categoria Criticamente em Perigo:

— Cação-bico-doce
Galeorhinus galeus (Linnaeus, 1758)
– PR, RJ, RS, SC, SP

— Peixe-serra
Pristis perotteti (Müller
& Henle, 1841) – AM, AP, MA, PA, RJ, SP

— Andirá,
anjirá –
Henochilus wheatlandii
(Garman, 1890) – MG

— Cascudo laje
Delturus parahybae (Eigenmann &
Eigenmann, 1889) – MG, RJ

Répteis – Total:
20

Alguns répteis brasileiros ameaçados
na categoria Criticamente em Perigo:

— Lagartixa-da-areia
Liolaemus lutzae (Mertens, 1938)
– RJ

— Jibóia-de-Cropan
Corallus cropanii (Hoge, 1953)
– SP

— Jararaca-de-Alcatrazes
Bothrops alcatraz (Marques, Martins
& Sazima, 2002) – SP

— Tartaruga-de-couro
Dermochelys coriacea (Linnaeus,
1766) – AL, BA, CE, ES, MA, PE, PR, RJ, RS,
SC, SP

Anfíbios – Total:
16

Alguns anfíbios brasileiros ameaçados
na categoria Criticamente em Perigo:

— Sapinho-narigudo-de-barriga-vermelha
Melanophryniscus macrogranulosus
(Braun, 1973) – RS

— Perereca-de-folhagem-com-perna-reticulada
Phyllomedusa ayeaye (B. Lutz, 1966)
– MG

— Perereca-verde
Hylomantis granulosa (Cruz, 1988)
– PE

Anfíbio brasileiro
Extinto:

— Perereca –
Phrynomedusa fimbriata (Miranda-Ribeiro,
1923) – SP

Invertebrados terrestres
– Total: 130

Alguns invertebrados terrestres classificados
na categoria Criticamente em perigo:

— Aranha-chicote
Charinus troglobius (Baptista &
Giupponi, 2003) – BA

— Abelha –
Exomalopsis atlantica (Silveira, 1996) – SP

— Borboleta –
Drephalys mourei (Mielke, 1968) –
RJ, SC

— Borboleta-
Nirodia belphegor (Westwood, 1851)
– MG

— Mariposa –
Dirphia monticola (Zerny, 1923) – RJ

— Libélula
Mecistogaster pronoti (Sjöstedt,
1918) – ES

Alguns invertebrados terrestres
classificados na categoria Extinta:

— Formiga – Simopelta
minima (Brandão, 1989) – BA

— Libélula
Acanthagrion taxaensis (Santos,
1965) – RJ

— Minhocuçu,
Minhoca-gigante –
Rhinodrilus fafner
(Michaelsen, 1918) – MG

Invertebrados aquáticos
– Total: 79

Alguns invertebrados aquáticos classificados
na categoria Criticamente em perigo:

— Marisco-do-junco
Diplodon koseritzi (Clessin, 1888)
– RS, Sub Bacia rio Jacuí e Bacia Atlântico
Sul;

— Ouriço-do-mar-irregular
Cassidulus mitis (Krau, 1954) –
RJ – Ambiente marinho.

Mais informações:

Fundação Biodiversitas – (31)
2129-1300
www.
biodiversitas.org.br

comunicacao@biodiversitas.org.br

ENTREVISTA
– Cássio Soares Martins

Brasil tem mais de
633 espécies em extinção

“A
nova lista foi elaborada segundo os critérios
da União Mundial para a Natureza.
Assim, o Brasil passa a ter uma avaliação
por critérios padronizados mundialmente,
visando acompanhar as mudanças
quanto à conservação
das espécies a nível nacional

e internacional”.

Cássio Soares
Martins,

Coordenador do CDCB
da Biodiversitas

Silvestre Gorgulho
Cássio Soares Martins sabe das
coisas. Experiente e dedicado, Cássio
tem atuado há mais de 10 anos na elaboração
de metodologias de gerenciamento de informações
sobre a biodiversidade brasileira. O foco
principal de seu trabalho é a interação
entre a comunidade científica e setores
governamentais em projetos envolvendo espécies
e áreas prioritárias para conservação
da nossa biodiversidade. Engenheiro-agrônomo
formado em Viçosa, Ms. Geografia pela
UFMG, Cássio Martins é o gerente
de Geoprocessamento de Dados da Biodiversitas
e o coordenador do Centro de Dados para Conservação
da Biodiversidade – CDCB.

Folha do Meio – Quando
foram elaboradas as listas de espécies
ameaçadas no Brasil?
Cássio –
A primeira lista
de espécies da fauna brasileira ameaçada
de extinção foi elaborada em
1972 e contava com 86 espécies. Na
revisão de 1989, a lista passou para
208 espécies e excluiu grupos importantes
como os peixes, quirópteros e diversos
grupos de invertebrados devido à insuficiência
de informações sobre as espécies.
A lista atual, elaborada no final de 2002,
após 13 anos, já conta com 633
espécies.

FMA – Que mudanças metodológicas
foram estas utilizadas na elaboração
da lista atual?
Cássio –
A revisão
da Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada
de Extinção foi encomendada
pelo Ibama à Biodiversitas. Hoje a
Biodiversitas é considerada centro
de referência no levantamento e aplicação
do conhecimento científico no desenvolvimento
de programas envolvendo a conservação
da biodiversidade brasileira, como a elaboração
de listas vermelhas. Vale salientar que o
Centro de Dados para Conservação
da Biodiversidade da Biodiversitas conta com
mais de 200 pesquisadores, ligados a conceituadas
instituições científicas
de ensino e de pesquisa em todo o País
e no exterior. E o CDCB da Biodiversitas reuniu
informações de aproximadamente
1,2 mil espécies candidatas, durante
11 meses na formação de um minucioso
banco de dados referente às espécies
brasileiras ameaças de extinção.

Os pesquisadores tiveram a Internet como um
agente facilitador dos trabalhos através
de uma ampla consulta por meio de um banco
de dados on-line, ou seja, atualizado em tempo
real em qualquer lugar. Esta metodologia permitiu
democratizar o acesso entre os pesquisadores
na busca de um consenso sobre as espécies
a comporem a nova lista, além de reunir
um maior volume de informações
com um baixo custo operacional.

FMA – Quais as maiores mudanças
em relação à lista anterior?
Cássio –
A nova lista foi
elaborada segundo os critérios de avaliação
adotados pela IUCN na avaliação
das espécies a nível mundial.
Com isso, o Brasil passa a ter uma avaliação
por critérios padronizados, visando
acompanhar as mudanças quanto à
conservação das espécies
a nível nacional e internacional.
Com relação à lista de
1989, saíram da lista espécies
como a harpia [a maior ave de rapina brasileira],
a surucucu-bico-de-jaca, o pirarucu e o jacaré-de-papo-amarelo
(Caiman latirostris). Para algumas dessas
espécies, o manejo tem sido maior importância
na preservação dessas espécies.
No entanto, para a maioria das espécies
da lista, a perda de habitat tem tornado as
populações vulneráveis
e de forma irreversível.

FMA – Qual a importância
da publicação da lista pela
Biodiversitas?
Cássio –
Na desta publicação
da Biodiversitas, além da categorização
das espécies ameaçadas de extinção,
foram incluídas também a lista
das espécies consideradas “quase
ameaçadas” e a lista das espécies
avaliadas como “deficiente em dados”.
Todas estas listas são importantes,
pois servirão para direcionar as pesquisas,
uma vez que a inclusão de uma espécie
na lista sugere que seu ecossistema está
fragilizado, além de que muitas outras
espécies estão desaparecendo
antes mesmo de sabermos de sua existência.

FMA – Que tipo de resultados a publicação
desta lista tem trazido para a conservação
das espécies?
Cássio –
As listas vermelhas
são um mecanismo utilizado internacionalmente
como mecanismo de conter o tráfego
e o comércio ilegal de espécies.
Permitem ainda a priorização
de recursos e ações de proteção
das espécies, além de alertar
a sociedade e os governos sobre a necessidade
de adoção de medidas efetivas
para sua proteção. Neste sentido,
após a elaboração da
lista a Biodiversitas lançou o Programa
Espécies Ameaçadas, subsidiado
pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos.
O objetivo máximo é promover
a proteção e o manejo das espécies
da fauna e flora ameaçadas da Mata
Atlântica do Brasil.

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Reportagens

Jovens negros do Rio e da Bahia recebem bolsa para estudar no exterior

Os três estudantes selecionados pelo Fundo Baobá receberão R$ 42 mil

Publicado

em

Por

Matheus Crobelatti* – Estagiário da Agência Brasil

Estudar no exterior é a vontade de muitas pessoas ao longo da vida. Cursar a graduação em outro país permite não só acessar ambientes de excelência acadêmica global, mas também construir conexões culturais. Mas se o processo de aprovação já apresenta desafios robustos, fica ainda mais difícil ter os recursos necessários para permanecer nesses espaços.

É com base nessa percepção que o Fundo Baobá – instituição social que busca promover a equidade racial – criou o programa Black STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A iniciativa selecionou três estudantes negros para receberem a bolsa de R$ 42 mil destinada à permanência no exterior. Eles embarcam em setembro para cursar a graduação.

Esta semana, a instituição deu boas-vindas aos três estudantes aprovados no programa:  

  1. Caio Ramos vai estudar Design, no Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), nos Emirados Árabes Unidos;
  2. Quezia Fernanda cursará Engenharia Elétrica, na Universidade de Jaén, na Espanha;
  3. João Vitor será aluno de Ciência da Computação, na Northwestern University, nos Estados Unidos.
Brasília - 06/08/2026 - Projeto premia estudantes com bolsa para continuidade de estudos no exterior. Foto:  Thalita Guimarães
Estudantes João, Caio e Quezia foram selecionados para bolsa de R$ 42 mil, destinada à permanência no exterior – Foto: Thalita Guimarães

Design

Caio Ramos, de 23 anos, é morador de Irajá, cidade do Rio de Janeiro. O estudante escolheu estudar em Didi, após se encantar pela cidade de Dubai, em uma viagem em família.

Antes da aprovação, Caio passou por severos desafios acadêmicos e familiares. Durante a pandemia de covid-19, em 2020, o estudante ficou sem aulas durante um ano inteiro, porque sua escola não tinha estrutura para fornecer aulas online.

No mesmo ano, o pai de Caio começou a apresentar sintomas de Alzheimer e Parkinson. Com o avanço das doenças degenerativas, ele teve que parar de trabalhar.

Sem recursos financeiros para contratar um cuidador e diante do alto custo dos remédios, Caio precisou começar a trabalhar em 2022 para ajudar no sustento da casa.

Essa nova rotina prejudicou a entrada no ensino superior. Apesar das dificuldades, ele conta que busca não se limitar. Essa determinação é o impulso para procurar alternativas internacionais.

“Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas eu sei também que é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas”, destacou Caio.

Engenharia

A estudante Quezia Fernanda nasceu em Rio das Ostras, também no estado do Rio de Janeiro. A jovem de 19 anos cursou o ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense.

Foi por meio de uma parceria entre o instituto e a Faculdade de Jaén, na Espanha, que a jovem teve acesso à informação sobre a existência de uma bolsa de estudos no exterior, permitindo-lhe perseguir um sonho que antes considerava distante.

Durante bate-papo no evento de boas-vindas, com a jornalista Adriana Couto, ela contou sobre a motivação em cursar Engenharia Elétrica.

“Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero poder me aprofundar na área sustentável,” explicou Quezia.

Computação

O terceiro estudante contemplado pela bolsa é João Vitor, da cidade de Cruz das Almas, na Bahia. Desde a infância, ele conta ter facilidade com computação e interesse pela manutenção de computadores. Essa afinidade foi consolidada quando ingressou no Instituto Federal para cursar informática.

O jovem cresceu no Recôncavo Baiano, o que lhe permitiu conviver de perto com lideranças negras e comunidades quilombolas. A decisão de estudar na Northwestern University ocorreu quando ele descobriu que a instituição contava com Jean, um estudante brasileiro de origem quilombola.

“Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim”, ressalta João Victor.

Permanência

Além do valor destinado para custear moradia, transporte, alimentação e material acadêmico, o programa fornece mentorias de carreira, workshops, conexões com lideranças negras e acompanhamento psicológico.

O diretor-executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, explicou que oferecer rede de apoio e de suporte é extremamente importante para a permanência dos estudantes em outros países.

“Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte.”

Segundo ele, a iniciativa busca criar condições para despertar em pessoas negras a crença de que é possível alcançar e ocupar espaços de destaque.

*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior

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Circuito Paroquial leva turismo religioso a sete regiões do Distrito Federal

Projeto valoriza festas tradicionais de matriz católica, incentiva o deslocamento de visitantes e movimenta a economia local

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Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

O Distrito Federal recebe, entre agosto e outubro, o Circuito Paroquial do Distrito Federal, iniciativa voltada para o fortalecimento do turismo religioso e a valorização das festividades tradicionais de matriz católica. Realizado em sete localidades, o projeto descentraliza o fluxo turístico e amplia a movimentação de visitantes e a geração de renda em diferentes regiões administrativas.

A programação teve início em agosto, com duas festas realizadas no mesmo fim de semana: na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Taguatinga, entre os dias 7 e 9 de agosto; e na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Ceilândia, nos dias 8 e 9 de agosto.

O circuito segue com outras cinco festividades programadas até outubro:

  • Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Samambaia: 14 a 16 de agosto;
  • Paróquia Nossa Senhora das Lágrimas, em Vicente Pires: 12 e 13 de setembro;
  • Paróquia São José, em Samambaia: 11 a 13 de setembro;
  • Paróquia São Pedro e São Paulo, em Taguatinga: 19 e 20 de setembro;
  • Paróquia João Paulo II, no Jardins Mangueiral: 10 e 11 de outubro.

A expectativa do projeto é reunir cerca de 5 mil pessoas por edição, alcançando aproximadamente 35 mil visitantes ao longo de todo o circuito. Além das celebrações religiosas, as festividades contam com apresentações de bandas regionais, barracas gastronômicas, espaços de convivência e estrutura preparada para receber o público com segurança e acessibilidade.

 

O circuito fortalece o turismo religioso, a economia criativa e o empreendedorismo local

O circuito também contribui para o fortalecimento da economia criativa e do empreendedorismo local, a partir da contratação de bandas regionais e da participação de comerciantes e empreendedores responsáveis pelas barracas de alimentação e serviços, contribuindo para a geração de trabalho e renda durante os eventos.

Outro objetivo é incentivar o deslocamento de moradores de diferentes regiões do Distrito Federal e do Entorno motivados pela fé, devoção e interesse pelas manifestações culturais e religiosas. Dessa forma, o projeto contribuiu para ampliar a circulação de pessoas pelo território e estimular o consumo de produtos e serviços nas comunidades que recebem as festividades.

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Giro Distrital destaca aprovação do projeto de passe livre estudantil

Foto: Reprodução / TV Câmara Distrital

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Já está no ar a 211ª edição do programa Giro Distrital, com o resumo da semana na Câmara Legislativa e reportagens que aprofudam os temas discutidos na Casa de Leis do Distrito Federal.

Nesta edição:

1) De volta ao Plenário! Deputados distritais abrem trabalhos do segundo semestre com pronunciamentos;

2) Tarifa Zero: projeto aprovado na CLDF amplia possibilidade de uso do passe livre estudantil;

3) Arte plural: diversidade de estilos é destaque da nova exposição em cartaz na CLDF;

4) Natureza em foco: reportagem especial explica por que a CLDF reconheceu a Fercal como patrimônio do ecoturismo;

5) Os destaques da semana na Câmara Legislativa.

O Giro Distrital é um programa da TV Câmara Distrital, com transmissão todo domingo às 12h nos canais 9.3 (aberto), 11 (Claro) e 9 (Vivo), com reprises ao longo da semana.

 

Agência CLDF

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(61) 98442-1010