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Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção

Os biomas Mata Atlântica e Cerrado, em conjunto, respondem

Publicado

em


Angelo Machado é professor
do departamento
de Zoologia do Instituto de Ciências
Biológicas da UFMG, um dos
fundadores da Biodiversitas e presidente
da Conservação Internacional
do Brasil. Pesquisador de reconhecimento
internacional, destaca-se também
como autor de 31 livros infantis.


Gláucia Drummond:
a lista vermelha é importante
instrumento de política ambiental.

Silvestre Gorgulho
No início deste ano, veio de Paris
um sinal vermelho lançado por 1.230
cientistas de 35 países reunidos na
Conferência Internacional sobre Biodiversidade:
um terço dos anfíbios, uma quarta
parte dos mamíferos e um de cada oito
pássaros estão sob ameaça
de extinção neste mundo de Deus
e dos homens. Mais: a questão do desmatamento
é gravíssima: quase 50% das
florestas e mais de 10% dos corais estão
perdidos. São 15.589 espécies
animais e outras 60 mil espécies vegetais
sob risco de desaparecer. Tudo isto tem sua
causa: o desmatamento, a água doce
dos rios e lagos sofrendo um processo acelerado
de poluição, os resíduos
de material plástico e cerca 21 milhões
de barris de petróleo lançados
ao mar, provenientes de enxurradas, resíduos
industriais e vazamento de petroleiros. Em
meio a tanta agressão e destruição,
surgem pessoas e entidades lutando na busca
de estratégias para a proteção
deste ainda incalculável patrimônio
natural. O lançamento do Livro Vermelho
e a luta histórica do ambientalista
Ângelo Machado, fundador e presidente
da Fundação Biodiversitas, é
um dos mais importantes instrumentos de política
ambiental que possibilita o estabelecimento
de programas prioritários para a proteção
da biodiversidade

A Fundação Biodiversitas,
em parceria com a Conservação
Internacional do Brasil, lançou dia
16 de julho, o livro da Lista da Fauna Brasileira
Ameaçada de Extinção.
O lançamento da publicação
aconteceu paralelamente à programação
do XIX Congresso Anual da Society For Conservation
Biology, em Brasília. Segundo a Coordenadora
Geral da Biodiversitas, Gláucia Drummond,
para classificar as espécies foram
propostas categorias de ameaças baseadas
em critérios adotados pela União
Mundial para a Natureza (IUCN), referência
mundial na elaboração das Red
Lists.

Os critérios IUCN buscam
evidências relacionadas ao tamanho,
isolamento ou declínio populacional
das espécies e extensão de suas
áreas de distribuição.
A partir desses dados, as espécies
são agrupadas conforme as seguintes
categorias: Extinta, Extinta na natureza,
Criticamente em perigo, Em perigo, Vulnerável,
Quase Ameaçadas e Deficientes em Dados.

Números por biomas
Segundo informações da Fundação
Biodiversitas, para se ter uma idéia
da atual situação da fauna brasileira,
do total de 633 táxons (1) apontados
na Lista, 624 estão classificados em
uma destas três categorias de ameaça:
Criticamente em Perigo, Em Perigo e Vulnerável.
Os Vertebrados somam 67% do total de espécies
indicadas sendo que, entre estes, estão
cerca de 13% das espécies brasileiras
de mamíferos.

Mata Atlântica
O bioma Mata Atlântica é
o que apresenta maior número de espécies
ameaçadas ou extintas, com 383 táxons;

Cerrado – Logo
em seguida, vem o bioma Cerrado com 112 táxons;

Mar – Em terceiro
lugar vem a área marinha com 92 táxons;
Campos do Sul – O bioma vem em quarto lugar
com 60 táxons;

Amazônia – A
região amazônica está
em quinto lugar com 58 táxons;

Caatinga – O
bioma Caatinga, com 43 táxons, está
em sexto lugar;

Pantanal –
Em sétimo lugar está o bioma
Pantanal com 30 táxons.

Pelo estudo da Fundação
Biodiversitas, os biomas Mata Atlântica
e Cerrado, em conjunto, respondem por mais
de 78% das espécies da lista de espécies
ameaçadas ou extintas, ou seja, 495
táxons.

Listas Vermelhas
Para Gláucia Drummond, as Listas Vermelhas
que indicam as espécies ameaçadas
de extinção são importantes
instrumentos de política ambiental.
Esse trabalho possibilita o estabelecimento
de programas prioritários para a proteção
da biodiversidade. As informações
contidas nestes documentos fornecem subsídios
para a formulação de políticas
de fiscalização, criação
de unidades de conservação e
definição sobre a aplicação
de recursos técnicos, científicos,
humanos e financeiros em estratégias
de recuperação da fauna ameaçada.
As listas também são um importante
mecanismo de combate ao tráfico e ao
comércio ilícitos das espécies.

GLOSSÁRIO
(1)TÁXON –
São as unidades
hierárquicas de classificação
dos organismos, a saber: Reino, Filo (Divisão)
Classe, Ordem, Família, Gênero
e Espécie.
[plural: taxa]

Informações
gerais e exemplos (Por grupos)

Aves – Total: 160
Algumas Aves brasileiras ameaçadas
na categoria Criticamente em Perigo:

— Pato-mergulhão
Mergus octosetaceus (Vieillot,
1817) – BA, GO, MG, PR, RJ, SC, SP, TO

— Arara-azul-de-lear
Anodorhynchus leari Bonaparte,
1856 – BA

Ave brasileira Extinta:

— Arara-azul-pequena
Anodorhynchus glaucus (Vieillot,
1816) – MS, PR, RS, SC

Espécies de aves
brasileiras Extintas na Natureza:

— Mutum-de-Alagoas
Mitu mitu (Linnaeus, 1766) – AL,
PE
— Ararinha-azul – Cyanopsitta
spixii (Wagler, 1832) – BA, MA, PE, PI, TO

Mamíferos – Total:
69

Alguns mamíferos brasileiros ameaçados
na categoria Criticamente em Perigo:

— Muriqui –
Brachyteles hypoxanthus (Kuhl, 1820) – BA,
ES, MG

— Mico-leão-de-cara-preta
Leontopithecus caissara (Lorini
& Persson, 1990)- PR, SP

— Baleia-azul
Balaenoptera musculus (Linnaeus,
1758) – PB, RJ, RS

— Peixe-boi-marinho
Trichechus manatus (Linnaeus, 1758)
– AL, AP, CE, MA, PA, PB, PE, PI, RN

Peixes – Total: 159
Alguns peixes brasileiros ameaçados
na categoria Criticamente em Perigo:

— Cação-bico-doce
Galeorhinus galeus (Linnaeus, 1758)
– PR, RJ, RS, SC, SP

— Peixe-serra
Pristis perotteti (Müller
& Henle, 1841) – AM, AP, MA, PA, RJ, SP

— Andirá,
anjirá –
Henochilus wheatlandii
(Garman, 1890) – MG

— Cascudo laje
Delturus parahybae (Eigenmann &
Eigenmann, 1889) – MG, RJ

Répteis – Total:
20

Alguns répteis brasileiros ameaçados
na categoria Criticamente em Perigo:

— Lagartixa-da-areia
Liolaemus lutzae (Mertens, 1938)
– RJ

— Jibóia-de-Cropan
Corallus cropanii (Hoge, 1953)
– SP

— Jararaca-de-Alcatrazes
Bothrops alcatraz (Marques, Martins
& Sazima, 2002) – SP

— Tartaruga-de-couro
Dermochelys coriacea (Linnaeus,
1766) – AL, BA, CE, ES, MA, PE, PR, RJ, RS,
SC, SP

Anfíbios – Total:
16

Alguns anfíbios brasileiros ameaçados
na categoria Criticamente em Perigo:

— Sapinho-narigudo-de-barriga-vermelha
Melanophryniscus macrogranulosus
(Braun, 1973) – RS

— Perereca-de-folhagem-com-perna-reticulada
Phyllomedusa ayeaye (B. Lutz, 1966)
– MG

— Perereca-verde
Hylomantis granulosa (Cruz, 1988)
– PE

Anfíbio brasileiro
Extinto:

— Perereca –
Phrynomedusa fimbriata (Miranda-Ribeiro,
1923) – SP

Invertebrados terrestres
– Total: 130

Alguns invertebrados terrestres classificados
na categoria Criticamente em perigo:

— Aranha-chicote
Charinus troglobius (Baptista &
Giupponi, 2003) – BA

— Abelha –
Exomalopsis atlantica (Silveira, 1996) – SP

— Borboleta –
Drephalys mourei (Mielke, 1968) –
RJ, SC

— Borboleta-
Nirodia belphegor (Westwood, 1851)
– MG

— Mariposa –
Dirphia monticola (Zerny, 1923) – RJ

— Libélula
Mecistogaster pronoti (Sjöstedt,
1918) – ES

Alguns invertebrados terrestres
classificados na categoria Extinta:

— Formiga – Simopelta
minima (Brandão, 1989) – BA

— Libélula
Acanthagrion taxaensis (Santos,
1965) – RJ

— Minhocuçu,
Minhoca-gigante –
Rhinodrilus fafner
(Michaelsen, 1918) – MG

Invertebrados aquáticos
– Total: 79

Alguns invertebrados aquáticos classificados
na categoria Criticamente em perigo:

— Marisco-do-junco
Diplodon koseritzi (Clessin, 1888)
– RS, Sub Bacia rio Jacuí e Bacia Atlântico
Sul;

— Ouriço-do-mar-irregular
Cassidulus mitis (Krau, 1954) –
RJ – Ambiente marinho.

Mais informações:

Fundação Biodiversitas – (31)
2129-1300
www.
biodiversitas.org.br

comunicacao@biodiversitas.org.br

ENTREVISTA
– Cássio Soares Martins

Brasil tem mais de
633 espécies em extinção

“A
nova lista foi elaborada segundo os critérios
da União Mundial para a Natureza.
Assim, o Brasil passa a ter uma avaliação
por critérios padronizados mundialmente,
visando acompanhar as mudanças
quanto à conservação
das espécies a nível nacional

e internacional”.

Cássio Soares
Martins,

Coordenador do CDCB
da Biodiversitas

Silvestre Gorgulho
Cássio Soares Martins sabe das
coisas. Experiente e dedicado, Cássio
tem atuado há mais de 10 anos na elaboração
de metodologias de gerenciamento de informações
sobre a biodiversidade brasileira. O foco
principal de seu trabalho é a interação
entre a comunidade científica e setores
governamentais em projetos envolvendo espécies
e áreas prioritárias para conservação
da nossa biodiversidade. Engenheiro-agrônomo
formado em Viçosa, Ms. Geografia pela
UFMG, Cássio Martins é o gerente
de Geoprocessamento de Dados da Biodiversitas
e o coordenador do Centro de Dados para Conservação
da Biodiversidade – CDCB.

Folha do Meio – Quando
foram elaboradas as listas de espécies
ameaçadas no Brasil?
Cássio –
A primeira lista
de espécies da fauna brasileira ameaçada
de extinção foi elaborada em
1972 e contava com 86 espécies. Na
revisão de 1989, a lista passou para
208 espécies e excluiu grupos importantes
como os peixes, quirópteros e diversos
grupos de invertebrados devido à insuficiência
de informações sobre as espécies.
A lista atual, elaborada no final de 2002,
após 13 anos, já conta com 633
espécies.

FMA – Que mudanças metodológicas
foram estas utilizadas na elaboração
da lista atual?
Cássio –
A revisão
da Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada
de Extinção foi encomendada
pelo Ibama à Biodiversitas. Hoje a
Biodiversitas é considerada centro
de referência no levantamento e aplicação
do conhecimento científico no desenvolvimento
de programas envolvendo a conservação
da biodiversidade brasileira, como a elaboração
de listas vermelhas. Vale salientar que o
Centro de Dados para Conservação
da Biodiversidade da Biodiversitas conta com
mais de 200 pesquisadores, ligados a conceituadas
instituições científicas
de ensino e de pesquisa em todo o País
e no exterior. E o CDCB da Biodiversitas reuniu
informações de aproximadamente
1,2 mil espécies candidatas, durante
11 meses na formação de um minucioso
banco de dados referente às espécies
brasileiras ameaças de extinção.

Os pesquisadores tiveram a Internet como um
agente facilitador dos trabalhos através
de uma ampla consulta por meio de um banco
de dados on-line, ou seja, atualizado em tempo
real em qualquer lugar. Esta metodologia permitiu
democratizar o acesso entre os pesquisadores
na busca de um consenso sobre as espécies
a comporem a nova lista, além de reunir
um maior volume de informações
com um baixo custo operacional.

FMA – Quais as maiores mudanças
em relação à lista anterior?
Cássio –
A nova lista foi
elaborada segundo os critérios de avaliação
adotados pela IUCN na avaliação
das espécies a nível mundial.
Com isso, o Brasil passa a ter uma avaliação
por critérios padronizados, visando
acompanhar as mudanças quanto à
conservação das espécies
a nível nacional e internacional.
Com relação à lista de
1989, saíram da lista espécies
como a harpia [a maior ave de rapina brasileira],
a surucucu-bico-de-jaca, o pirarucu e o jacaré-de-papo-amarelo
(Caiman latirostris). Para algumas dessas
espécies, o manejo tem sido maior importância
na preservação dessas espécies.
No entanto, para a maioria das espécies
da lista, a perda de habitat tem tornado as
populações vulneráveis
e de forma irreversível.

FMA – Qual a importância
da publicação da lista pela
Biodiversitas?
Cássio –
Na desta publicação
da Biodiversitas, além da categorização
das espécies ameaçadas de extinção,
foram incluídas também a lista
das espécies consideradas “quase
ameaçadas” e a lista das espécies
avaliadas como “deficiente em dados”.
Todas estas listas são importantes,
pois servirão para direcionar as pesquisas,
uma vez que a inclusão de uma espécie
na lista sugere que seu ecossistema está
fragilizado, além de que muitas outras
espécies estão desaparecendo
antes mesmo de sabermos de sua existência.

FMA – Que tipo de resultados a publicação
desta lista tem trazido para a conservação
das espécies?
Cássio –
As listas vermelhas
são um mecanismo utilizado internacionalmente
como mecanismo de conter o tráfego
e o comércio ilegal de espécies.
Permitem ainda a priorização
de recursos e ações de proteção
das espécies, além de alertar
a sociedade e os governos sobre a necessidade
de adoção de medidas efetivas
para sua proteção. Neste sentido,
após a elaboração da
lista a Biodiversitas lançou o Programa
Espécies Ameaçadas, subsidiado
pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos.
O objetivo máximo é promover
a proteção e o manejo das espécies
da fauna e flora ameaçadas da Mata
Atlântica do Brasil.

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Com 10% de umidade do ar, DF entra em alerta vermelho

Registro foi feito em uma estação do Inmet do Gama no domingo (19) acompanhado de termômetros marcando mais de 30º. Atenção às dicas da Defesa Civil

Publicado

em

A situação crítica favorece também a ocorrência de incêndios. A queimada de lixo ou qualquer atividade com fogo merece atenção | Fotos Joel Rodrigues/ Agência Brasília
MARLENE GOMES, DA AGÊNCIA BRASÍLIA | EDIÇÃO: ROSUALDO RODRIGUES

O Distrito Federal está em estado vermelho com relação à baixa umidade do ar. Isso significa que a região entrou no estado de emergência, depois de apresentar níveis críticos, como o índice de 10º registrado no Gama, neste domingo (19). O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O alerta somente é emitido quando a umidade do ar fica abaixo de 12%. Nessa situação, existe grande risco de ocorrências de incêndios florestais. Também é preciso redobrar os cuidados com a saúde porque aumentam os riscos de doenças respiratórias e das pessoas apresentarem dores de cabeça, sangramento do nariz e secura nos olhos, entre outros problemas.

Apesar de parecer pior do que nos anos anteriores, o chefe da Defesa Civil do DF em exercício, tenente coronel do Corpo de Bombeiros Rossano Bohnert, garante que a baixa umidade e o calor são semelhantes e comuns neste período de final da seca.

 

Valem as dicas de sempre: hidratação constante, evitando a prática de esportes e a exposição ao sol nos períodos mais críticos do dia – além de uma alimentação mais balanceada

 

Enquanto isso, valem as dicas de sempre: hidratação constante, evitando a prática de esportes e a exposição ao sol nos períodos mais críticos do dia – além de atenção a uma alimentação mais balanceada, sempre que possível. “Sabemos que o consumo de alimentos leves, como saladas, frutas e legumes, ajuda na digestão e dá mais disposição para suportar o calor e ar mais rarefeito”, explica Bohnert.

O Inmet prevê chuvas para a próxima semana, o que ainda não está confirmado.

 

Primavera

Nesta quarta-feira (22), começa oficialmente a primavera. As chuvas esperadas na estação trazem o clima mais ameno, que caracteriza o período. “Por enquanto, o clima deve continuar do mesmo jeito até quarta-feira (21). Vai predominar o calorzão e a secura. Só teremos possibilidade de chuvas lá para quinta-feira (23)”, explica a metereologista Naiane Araújo, do Inmet.

Com a temperatura máxima passando da casa dos 30º e a baixa umidade do ar, na capital federal, é importante que a população redobre os cuidados. A cartilha que o brasiliense não pode esquecer indica que é preciso beber bastante líquidos, evitar a exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, usar hidratante na pele e procurar umidificar o ambiente.

A situação crítica favorece também a ocorrência de incêndios. A queimada de lixo ou qualquer atividade com fogo merece atenção. Os fumantes devem ter o cuidado de não jogar no chão as bitucas de cigarro. Esse hábito torna-se muito perigoso, principalmente nas margens de vias e rodovias. Qualquer pessoa que observar um foco de incêndio deve comunicar ao Corpo de Bombeiros, pelo número 193.

 

Mensagens de alerta

A Defesa Civil, da Secretaria de Segurança Pública do DF, faz o monitoramento dos alertas emitidos pelo Inmet. O órgão, então, envia mensagens advertindo sobre o tempo e a prevenção de riscos para os moradores cadastrados.

Para se cadastrar no serviços de alerta da Defesa Civil, o interessado deve enviar uma mensagem de texto para o número 40199, com o Código de Endereçamento Postal (CEP) da região.

 

 

 

 

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Energias renováveis ajudam no combate à desigualdade social no Brasil

Publicado

em

 

*Cristiana Nepomuceno Soares
 

Por conta da grande extensão territorial e da diversidade de biomas, o Brasil conta com uma variedade de recursos naturais – o que proporciona um maior investimento em uma matriz energética limpa. Mas, a realidade atual reflete um cenário adverso ao esperado. É em meio à crise climática e à pandemia de Covid-19, que a necessidade de renovação da matriz energética evidenciou  um problema que o país enfrenta nas diferentes esferas: a desigualdade social.

É cada vez mais evidente que, não é mais possível alimentar essa disparidade. Enquanto os demais países caminham para a expansão de políticas que reafirmam o compromisso ambiental, o Brasil caminha no oposto, já que ainda depende de combustíveis fósseis para geração de energia –  o que coloca o país em desvantagem.

Com o agravamento da crise climática e a urgência da agenda ambiental ser alinhada, na prática, com um discurso sustentável, fica cada vez mais evidente que o futuro da energia passa pela matriz limpa e sustentável – o que desempenha um papel fundamental no setor  elétrico.

Lacuna social

De acordo com os dados divulgados pela Agência Internacional de Energia Renovável (International Renewable Energy Agency – Irena), em paralelo à queda no investimento de óleo e gás, as energias renováveis apresentaram recorde de investimentos no primeiro trimestre de 2020 (em meio a pandemia de Covid-19). Embora os recursos renováveis estejam frequentemente ligados às pautas ambientais e a busca por um futuro sustentável, o uso desses recursos reflete no desenvolvimento econômico e social do país.

Um maior aproveitamento das energias renováveis não engloba apenas a transição energética do país, mas também caminha como ferramenta de igualdade social. Recentemente, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Reive Barros, divulgou que, atualmente, o país tem 83% de sua matriz elétrica originada de fontes renováveis. Agora, é preciso promover políticas que reforcem o uso de energias renováveis de forma eficiente e que funcionem com a economia global.

O Brasil ainda precisa lidar com um de seus principais entraves nas questões ambientais: entender que um meio ambiente preservado é um direito de todo cidadão e que a utilização de recursos naturais impulsionam o desenvolvimento socioeconômico. Por muitas vezes, esse discurso de sustentabilidade é visto como obstáculo e não como um potencial a ser desenvolvido: a competitividade industrial. A produção industrial de baixo carbono gera empregos em grande escala e o país possui recursos para o investimento em insumos de baixo carbono.

Há, ainda, o fator mais colaborativo para esse cenário. No Brasil, as regiões de maior potencial para fontes de energia eólica e solar são os municípios que possuem um baixo IDH. Consequentemente, apostar e investir nessas localidades é uma potencial ferramenta de combate à desigualdade social.

Sobre a Dra. Cristiana Nepomuceno de Sousa Soares

É graduada em Direito e Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Pós-Graduada em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto- MG. Especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Alicante/Espanha. Mestre em Direito Ambiental pela Escola Superior Dom Helder Câmara.

Foi assessora jurídica da Administração Centro-Sul da Prefeitura de Belo Horizonte, assessora jurídica da Secretaria de Minas e Energia- SEME do Estado de Minas Gerais, consultora jurídica do Instituto Mineiro de Gestão das Águas- IGAM, assessora do TJMG e professora de Direito Administrativo da Universidade de Itaúna/MG. Atualmente é presidente da Comissão de Direito de Energia da OAB/MG.

 

 

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A escola ideal é o tema do Quinto Desafio

Desafio global incentiva o conhecimento de jovens sobre sustentabilidade, economia circular e cidades circulares; Inscrições continuam abertas e participantes novos ainda podem competir em três desafios;

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em

 

Está no ar a quinta etapa do PlayEnergy, desafio global promovido pela Enel Spa para incentivar o conhecimento de jovens sobre sustentabilidade, economia circular e cidades circulares. Com o tema “Torne a escola digital”, o quinto desafio propõe que as equipes projetem a escola ideal. Com prêmios que podem chegar a 2000€, podem se inscrever estudantes com idades entre 14 e 20 anos, sozinhos ou em equipes de até 3 pessoas, através do site: https://playenergy.enel.com/ Não é necessário ter participados dos outros desafios para competir nessa etapa. Ainda é possível participar de três desafios, que estarão no ar nos próximos três meses, além do Final Online Challenge.

 

Em uma cidade circular, todas as escolas têm baixo impacto ambiental e foram projetadas a partir de critérios sustentáveis. Os participantes deverão imaginar como é a escola que eles desejam, incluindo iniciativas que sejam relevantes para o dia a dia da comunidade escolar e para a cidade em seu entorno. Lembrando sempre de colocar em prática conceitos de economia circular e desenvolvimento sustentável.

 

As Equipes são convidadas a criar seus projetos utilizando as ferramentas disponibilizadas no site do evento. Todas as Equipes que completarem o projeto ganham 100 pontos e os projetos serão colocados para votação, ganhando pontos extras pelos votos recebidos. Os membros da equipe podem também compartilhar seus projetos nas redes sociais, para incentivar a votação. Nove equipes serão premiadas no ranking mensal, com prêmios que vão de 75 euros a 150 euros em compras online. Em caso de empate, para determinar o ranking mensal, será considerada vencedora a equipe que tenha obtido primeiro a pontuação que levou ao empate.

 

Entenda o PlayEnergy

Nesta edição do PlayEnergy, poderão participar estudantes com idades entre 14 e 20 anos e professores de sete países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Grécia, Itália e Peru. Participantes poderão se inscrever sozinhos ou em equipes de até 3 pessoas e ganhar pontos extras com outras atividades pelas redes sociais. Serão sete desafios ao longo de sete meses e um desafio final, o Final Online Challenge, com foco no conceito de Cidade Circular. Inscrições podem ser feitas através do site https://playenergy.enel.com/.

 

A PLAYENERGY é uma iniciativa global da Enel Spa, multinacional de energia e um player integrado líder nos mercados globais de energia e energias renováveis, em parceria com a Campus Party. Para mais informações sobre participação, desafios e premiação, veja o regulamento do concurso no site https://playenergy.enel.com/br/assets/pdf/rules.pdf

 

Sobre a Enel Brasil

A Enel atua no Brasil com geração, distribuição e transmissão de energia por meio da Enel Brasil e suas subsidiárias. Em distribuição, o Grupo atende mais de 17 milhões de clientes por meio de suas subsidiárias brasileiras em São Paulo, Ceará, Rio e Goiás. No setor de geração, o Grupo Enel é o maior produtor de energia solar e eólica do país em capacidade instalada e portfólio de projetos com uma capacidade instalada total de 3,4 GW, dos quais 1.210 MW são eólicos, 979 MW solares e 1.269 MW hidrelétricos. No país, o Grupo também possui e opera duas linhas de transmissão com uma capacidade total de 2.200 MW conectando o país à Argentina. A estratégia de atuação da Enel é baseada no seu Plano de Sustentabilidade e nos compromissos assumidos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. Globalmente, a Enel está presente em mais de 30 países, com cerca de 74 milhões de clientes finais corporativos e residenciais em distribuição de energia.

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SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010