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Rio Amazonas: aventura da nascente à foz

Pedro Werneck – ENTREVISTA

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O enigma da nascente nos cumes gelados dos Andes e a grandiosidade da foz, no oceano Atlântico, fazem do rio Amazonas um mar de mistérios. Pedro Werneck se aventurou pelo maior rio do mundo e documentou sua geografia, cultura e diversidade nos 6.993 quilômetros percorridos. A chegada do expedicionário ocorreu justamente no Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho.










Pedro Werneck se aventura pelo maior rio do mundo e documenta sua geografia e cultura nos 6.993 quilômetros de muita diversidade


 


 


 


Qual o maior rio do mundo? Esta pergunta já foi respondida por pesquisadores e referendada por aparelhos científicos de última geração. Onde nasce o rio Amazonas? Esta pergunta também já foi respondida por técnicos brasileiros e peruanos, em 2007. Mas muitas outras perguntas e respostas vão ser dadas nesta reportagem que conta uma aventura do documentarista e expedicionário brasileiro, Pedro Werneck, que percorreu sozinho o maior rio do mundo, desde sua nascente, nas montanhas geladas do sul do Peru, até a foz no oceano Atlântico, no Brasil.


Desde a oficialização por Peru e Brasil, em 2007, do local da nascente do rio Amazonas, e após a publicação pelo INPE, em 2009, dos trabalhos de medição comparativa do comprimento do Amazonas e do rio Nilo, a expedição do documentarista Pedro Werneck foi a mais completa. Ele percorreu quase sete mil quilômetros: a pé pelos Andes, de carro margeando a nascente, e de barco no sentido Oeste para Leste, pelo lado do Peru e do Brasil.
A expedição navegou por toda a extensão do sistema Apurimac-Ene-Tambo-Ucayali-Amazonas, registrando a geografia, a cultura e toda diversidade do maior rio do Planeta. A expedição durou um mês e percorreu 6.993 quilômetros. Pedro Werneck seguiu as mesmas coordenadas utilizadas pelo INPE para a medição do Amazonas. Ele foi o primeiro documentarista do mundo a descer o Amazonas, a partir da nascente e ir até o extremo da foz e não apenas até Macapá ou Canal Norte.


 


 Pedro Werneck   ENTREVISTA


18 de Junho de 2009


Pedro Werneck chegou a Belém e ao extremo da foz no dia 5 de junho de 2009, quando se comemorava o Dia Mundial do Meio Ambiente. Na chegada, o expedicionário foi recebido com uma grande festa na Estação das Docas, com homenagens da comunidade científica, do público e da Marinha do Brasil. Nesta entrevista, Pedro Werneck dá suas impressões sobre a aventura.


 


A chegada de Pedro à foz do Amazonas, no Oceano Atlântico


 


 


 


 


FMA – O que levou você a
fazer esta grande expedição?

Pedro Werneck – Meu principal objetivo é sempre chamar a atenção para a importância do rio Amazonas, não apenas para o Brasil, mas para o Planeta. O Amazonas é um rio que empurra o Oceano Atlântico, despejando um volu­me de água impressio­nante.
A vazão é de mais de 300 mi­lhões de m3 por segundo.
Mas minha ligação com o rio Amazonas é bem antiga. Tenho acompanhado, desde pequeno, os trabalhos de meus pais, a jornalista e escritora Paula Saldanha e o biólogo e documentarista Roberto Werneck. Eles estiveram na nascente do Amazonas, ao sul do Peru, em novembro de 1994. Nossa produtora RW Cine organizou e financiou a Primeira Expedição Científica Brasileira e Peruana, em 2007, que fixou marcos geodésicos e oficializou o setor da nascente do Amazonas. A partir dessa oficialização, o INPE pode concluir os trabalhos de medição do Amazonas.


FMA –  Qual foi a parte mais difícil?
Pedro –  Passei por momentos muito pesados e perigosos. Primeiro, a subida ao cume do Nevado Mismi, com quase seis mil metros de altitude. A partir dos 5 mil metros, começa a chamada a zona da morte, porque você tem apenas metade do oxigênio na atmosfera e qualquer esforço provoca, no mínimo, tonteiras e uma grande falta de ar.
O mais difícil foi agüentar a temperatura de 20 graus negativos. Nosso acampamento sobre o gelo e a neve foi castigado à noite pelo vento e a sensação térmica era de menos 30 graus.


FMA – O que você encontrou no cume das monta­nhas andinas?
Pedro – É muito curiosa essa região do Nevado Mismi, porque ele é o divisor de águas, dos rios que correm para sudoeste, para o Oceano Pacífico, a apenas 300 quilômetros, e dos rios que correm para nordeste – como é o caso do Amazonas (ou sistema Apurimac-Ucayali-Amazonas), que percorre quase 7 mil quilômetros e vai desaguar no Oceano Atlântico.
Outra coisa que me encantou foi documentar a drenagem da laguna McIntyre, considerada nascente do Amazonas. Essa laguna glaciar alimenta a Quebrada Carhuasanta, com águas que passam por entre as pedras.


FMA – Qual o trecho do rio que mais impressionou?
Pedro – Durante toda a expedição passei por trechos muito interessantes e diversos. Aliás, diversidade é um conceito maravilhoso, quando se fala do Amazonas: diferentes paisa­gens, culturas, populações. Paisagem e cultura dos Incas, no Alto Apurimac, tradições da floresta nas Amazônias peruana e brasileira. Agressões ao rio e à mata ciliar e à própria Floresta Amazônica.


FMA – Como foi a descida do maior rio do Planeta?
Pedro – Desci os trechos do Amazonas nas montanhas dos Andes, a pé, caminhando na neve. Depois, fui acompanhando riachos que se juntam para formar o famoso Apurimac – o rio sagrado dos incas. Fui bordeando o Apurimac, de carro e navegando em pequenos botes. Já na planície, enfrentei infindáveis jornadas de barco de carga, navegando pelo Ucayali, na selva peruana. O Apurimac e o Ucayali são, na verdade, o próprio Amazonas, com os nomes dados nas diferentes regiões.


FMA – O que sua expedição traz como novidade?
Pedro – Fui a primeira pessoa do mundo a descer o rio Amazonas, seguindo as coordenadas fornecidas pelo INPE – do ponto extremo de onde desce a primeira gota para formar o Apurimac-Ucayali-Amazonas, até o extremo da foz, no oceano Atlântico. Outras pessoas desceram, a partir de nascentes de afluentes – muitas vezes a partir do Marañon –  e terminaram suas jornadas, antes do extremo da foz.
É importante ressaltar que muita gente acha que o rio Amazonas começa em Iquitos e corre para leste, por causa da nomenclatura, nos mapas. Este ponto está ao norte do Peru, enquanto a verdadeira nascente está ao sul.


 


Uma preguiça presa – o tráfico de animais é uma constante


 


 


Quem é Pedro Werneck
A regra é clara e o DNA não mente: filho de peixe, peixinho é. Pedro Werneck é filho da jornalista, autora e ilustradora de livros Paula Saldanha e do biólogo/fotógrafo Roberto Werneck. Nasceu vivendo a aventura expedicionária dos pais. Pedro, além da paixão pela natureza e pela aventura, é documentarista especializado em produções sobre meio ambiente. Há seis anos tornou-se diretor, fotógrafo e editor da empresa criada por Paula e Roberto (RW Cine) há 32 anos. Há 25 anos, a família Werneck faz um dos melhores programas educativos e de aventura da tevê brasileira: a TV Expedições.


 


Mapa das etapas percorridas


 



Pedro Werneck fez o percurso em cinco etapas. A primeira etapa (nascente a Cailloma);   A segunda etapa (Cailloma a Atalaya);   A terceira etapa (Atalaya a Iquitos);   A quarta etapa (Iquitos a Manaus);   A quinta etapa (Manaus à Foz). Como previsto, a aventura de Pedro Werneck terminou no Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho.



 Pedro Werneck passou por momentos perigosos ao subir o cume do Nevado Mismi, com quase 6 mil metros de altitude


 


 


 


Barco de Atalaya a Pucalpa: pelo grande rio se comercializa de tudo, sobretudo madeira, frutas, animais e até drogas


 


 


 


FMA – Depois de concluir esta expedição, o que você planeja?
Pedro – As viagens não acabaram. Retornarei a alguns locais para documentar, de forma mais aprofundada algumas regiões. Depois, vou me concentrar ainda mais nesse projeto, para produzir um documentário longa-metragem: ‘Amazonas, maior rio do mundo – uma aventura da nascente à foz.’
Quero colocar o Amazonas em pauta. A região norte não tem apenas a maior floresta equatorial do mundo, mas uma colossal bacia hidrográfica, com a maior concentração de água doce, em estado líquido, do Planeta. Descer o Amazonas, da nascente à foz, e chamar a atenção para a importância do maior rio do mundo foi, realmente, uma expedição fantástica, a mais importante de minha vida!


 


Madeira nobre da Floresta Amazônica sendo retirada pelo Porto de Pucalpa


 


 


 


 





O RIO NILO


Por muito tempo o Nilo foi considerado o maior rio do mundo com extensão de 6.695 quilômetros


O rio Nilo também tem suas controvérsias quanto ao tamanho. O Nilo está no nordeste da África, com uma extensão é de 6.695Km (5.600Km desde o lago Vitória). Bacia: 3.000.000 Km2.
O rio nasce de um curso de água de Burundi, com o nome de Kagera, e depois se lança no lago Vitória, do qual sai denominado Nilo Vitória, em Uganda. Atravessa o lago Kioga e depois o lago Mobutu, recebendo então o nome de Bahr el-Gebel. Penetra no Sudão e recebe o Bahr el-Ghazal pela margem direita e o Sobat pela margem direita, tomando o nome de Nilo Branco.
Em Cartum, conflui com o Nilo Azul (procedente da Etiópia) e depois recebe o Atbara na região das cataratas.
Atravessa o Egito do sul ao norte,  lançando-se no mar Mediterrâneo por um grande delta, que começa no Cairo e avança em duas ramificações: a de Roseta (1.076m3/segundo) e a de Damieta (500m3/segundo).




 


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AMAZON RIVER ADVENTURE
Pedro Werneck adventures along the largest river in the world documenting the geography and culture of 6,993km of wide ranging diversity


18 de Junho de 2009


What is the largest river in the world? This question has been answered by researchers and substantiated by the latest scientific devices. Where is the source of the Amazon River? This question has also been answered by Brazilian and Peruvian technicians in 2007. But there are many other questions and answers that will be posed in this report that describe the adventure of the Brazilian documentary film maker and adventurer, Pedro Werneck, who traveled alone along the largest river in the world, from the source in the icy mountains in the south of Peru to the mouth in the Atlantic Ocean in Brazil.



Since the location of the source of the Amazon was made official by Peru and Brazil and afterward published by INPE in 2009, and the work involved in comparative measurement of the length of the Amazon and the Nile, the expedition conducted by the documentary film maker Pedro Werneck has been the most complete. He traveled 6,993 kilometers on foot through the Andes, by car along the source and by boat traveling East to West between Peru and Brazil. The expedition navigated the entire extent of the Apurimac-Ene-Tambo-Ucayali-Amazonas system, recording the geography, culture and all the diversity of the largest river on the planet. Pedro Werneck was the first documentary film maker in the world to travel down the Amazon, from the source of the river to the extreme mouth and not just as far as Macapá or the North Channel.


Who is Pedro Werneck
DNA doesn’t lie, Pedro Werneck is a chip off the old block; he is the son of journalist, author and book illustrator, Paula Saldanha and biologist/photographer, Roberto Werneck. He was born living the expeditionary adventure of his parents. Pedro, in addition to his passion for nature and adventure, is a documentary film maker specialized in productions concerning the environment. Six years ago he became a director, photographer and editor of the company created by his parents,  Paula and Roberto, (RW Cine) 32 years ago.  For 25 years, the Werneck family has produced one of the best educational and adventure programs for Brazilian TV:  TV Expedições.


The expedition stages
Pedro Werneck conducted the expedition in five stages. The first stage (mouth to Cailloma); the second stage (Cailloma to Atalaya); the third stage (Atalaya to Iquitos); the fourth stage (Iquitos to Manaus) and the fifth stage (Manaus to the mouth). As forecast, Pedro Werneck’s adventure ended on June 5, World Environment Day. When he arrived in Belém, the expeditionary received an enormous welcoming party at the Estação das Docas, including speeches honoring him from the scientific community, the public and the Brazilian Navy.


Pedro Werneck – INTERVIEW
My main objective has always been to draw attention to the importance of the Amazon River. The Amazon is a river that empties an impressive volume of water into the Atlantic Ocean. The outflow is over 300 million m3 per second. I experienced difficult and dangerous moments. First, there was a climb up to the peak of the Nevado Mismi, nearly 6,000 meters in altitude.  Beginning at 5,000 meters it is referred to as the death zone.  I descended parts of the Amazon in the Andes Mountains on foot, hiking through the snow. Then I followed the streams that form the famous Apurimac – the sacred river of the Incas.  I trailed the Apurimac by car and navigated in small boats.  On the plains, I endured endless cargo boat travels, navigating the Ucayali, in the Peruvian jungle.  The Apurimac and the Ucayali are in reality the Amazon itself, bearing names given it in different regions. I was the first person in the world to go down the Amazon River, following the coordinates provided by the INPE – the true source where the first drop descends to form the Apurimac-Ucayali-Amazonas, until the mouth in the Atlantic Ocean.  Other persons have descended from the source of an affluent –  often beginning in Marañon – and ending their journeys before the extreme mouth.  It is important to emphasize that many people believe that the Amazon River begins in Iquitos and flows east, owed to its nomenclature on the maps. This point is to the north of Peru, while the true source is to the south. The journeys have not ended.  I will return to some of the locations to document some regions in more depth.  Afterward I will also concentrate more on this project to produce a long reel film:  “The Amazon, the largest river in the world – an adventure from beginning to the end.”




silvestre@gorgulho.com




 

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Com 10% de umidade do ar, DF entra em alerta vermelho

Registro foi feito em uma estação do Inmet do Gama no domingo (19) acompanhado de termômetros marcando mais de 30º. Atenção às dicas da Defesa Civil

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A situação crítica favorece também a ocorrência de incêndios. A queimada de lixo ou qualquer atividade com fogo merece atenção | Fotos Joel Rodrigues/ Agência Brasília
MARLENE GOMES, DA AGÊNCIA BRASÍLIA | EDIÇÃO: ROSUALDO RODRIGUES

O Distrito Federal está em estado vermelho com relação à baixa umidade do ar. Isso significa que a região entrou no estado de emergência, depois de apresentar níveis críticos, como o índice de 10º registrado no Gama, neste domingo (19). O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O alerta somente é emitido quando a umidade do ar fica abaixo de 12%. Nessa situação, existe grande risco de ocorrências de incêndios florestais. Também é preciso redobrar os cuidados com a saúde porque aumentam os riscos de doenças respiratórias e das pessoas apresentarem dores de cabeça, sangramento do nariz e secura nos olhos, entre outros problemas.

Apesar de parecer pior do que nos anos anteriores, o chefe da Defesa Civil do DF em exercício, tenente coronel do Corpo de Bombeiros Rossano Bohnert, garante que a baixa umidade e o calor são semelhantes e comuns neste período de final da seca.

 

Valem as dicas de sempre: hidratação constante, evitando a prática de esportes e a exposição ao sol nos períodos mais críticos do dia – além de uma alimentação mais balanceada

 

Enquanto isso, valem as dicas de sempre: hidratação constante, evitando a prática de esportes e a exposição ao sol nos períodos mais críticos do dia – além de atenção a uma alimentação mais balanceada, sempre que possível. “Sabemos que o consumo de alimentos leves, como saladas, frutas e legumes, ajuda na digestão e dá mais disposição para suportar o calor e ar mais rarefeito”, explica Bohnert.

O Inmet prevê chuvas para a próxima semana, o que ainda não está confirmado.

 

Primavera

Nesta quarta-feira (22), começa oficialmente a primavera. As chuvas esperadas na estação trazem o clima mais ameno, que caracteriza o período. “Por enquanto, o clima deve continuar do mesmo jeito até quarta-feira (21). Vai predominar o calorzão e a secura. Só teremos possibilidade de chuvas lá para quinta-feira (23)”, explica a metereologista Naiane Araújo, do Inmet.

Com a temperatura máxima passando da casa dos 30º e a baixa umidade do ar, na capital federal, é importante que a população redobre os cuidados. A cartilha que o brasiliense não pode esquecer indica que é preciso beber bastante líquidos, evitar a exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, usar hidratante na pele e procurar umidificar o ambiente.

A situação crítica favorece também a ocorrência de incêndios. A queimada de lixo ou qualquer atividade com fogo merece atenção. Os fumantes devem ter o cuidado de não jogar no chão as bitucas de cigarro. Esse hábito torna-se muito perigoso, principalmente nas margens de vias e rodovias. Qualquer pessoa que observar um foco de incêndio deve comunicar ao Corpo de Bombeiros, pelo número 193.

 

Mensagens de alerta

A Defesa Civil, da Secretaria de Segurança Pública do DF, faz o monitoramento dos alertas emitidos pelo Inmet. O órgão, então, envia mensagens advertindo sobre o tempo e a prevenção de riscos para os moradores cadastrados.

Para se cadastrar no serviços de alerta da Defesa Civil, o interessado deve enviar uma mensagem de texto para o número 40199, com o Código de Endereçamento Postal (CEP) da região.

 

 

 

 

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Energias renováveis ajudam no combate à desigualdade social no Brasil

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*Cristiana Nepomuceno Soares
 

Por conta da grande extensão territorial e da diversidade de biomas, o Brasil conta com uma variedade de recursos naturais – o que proporciona um maior investimento em uma matriz energética limpa. Mas, a realidade atual reflete um cenário adverso ao esperado. É em meio à crise climática e à pandemia de Covid-19, que a necessidade de renovação da matriz energética evidenciou  um problema que o país enfrenta nas diferentes esferas: a desigualdade social.

É cada vez mais evidente que, não é mais possível alimentar essa disparidade. Enquanto os demais países caminham para a expansão de políticas que reafirmam o compromisso ambiental, o Brasil caminha no oposto, já que ainda depende de combustíveis fósseis para geração de energia –  o que coloca o país em desvantagem.

Com o agravamento da crise climática e a urgência da agenda ambiental ser alinhada, na prática, com um discurso sustentável, fica cada vez mais evidente que o futuro da energia passa pela matriz limpa e sustentável – o que desempenha um papel fundamental no setor  elétrico.

Lacuna social

De acordo com os dados divulgados pela Agência Internacional de Energia Renovável (International Renewable Energy Agency – Irena), em paralelo à queda no investimento de óleo e gás, as energias renováveis apresentaram recorde de investimentos no primeiro trimestre de 2020 (em meio a pandemia de Covid-19). Embora os recursos renováveis estejam frequentemente ligados às pautas ambientais e a busca por um futuro sustentável, o uso desses recursos reflete no desenvolvimento econômico e social do país.

Um maior aproveitamento das energias renováveis não engloba apenas a transição energética do país, mas também caminha como ferramenta de igualdade social. Recentemente, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Reive Barros, divulgou que, atualmente, o país tem 83% de sua matriz elétrica originada de fontes renováveis. Agora, é preciso promover políticas que reforcem o uso de energias renováveis de forma eficiente e que funcionem com a economia global.

O Brasil ainda precisa lidar com um de seus principais entraves nas questões ambientais: entender que um meio ambiente preservado é um direito de todo cidadão e que a utilização de recursos naturais impulsionam o desenvolvimento socioeconômico. Por muitas vezes, esse discurso de sustentabilidade é visto como obstáculo e não como um potencial a ser desenvolvido: a competitividade industrial. A produção industrial de baixo carbono gera empregos em grande escala e o país possui recursos para o investimento em insumos de baixo carbono.

Há, ainda, o fator mais colaborativo para esse cenário. No Brasil, as regiões de maior potencial para fontes de energia eólica e solar são os municípios que possuem um baixo IDH. Consequentemente, apostar e investir nessas localidades é uma potencial ferramenta de combate à desigualdade social.

Sobre a Dra. Cristiana Nepomuceno de Sousa Soares

É graduada em Direito e Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Pós-Graduada em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto- MG. Especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Alicante/Espanha. Mestre em Direito Ambiental pela Escola Superior Dom Helder Câmara.

Foi assessora jurídica da Administração Centro-Sul da Prefeitura de Belo Horizonte, assessora jurídica da Secretaria de Minas e Energia- SEME do Estado de Minas Gerais, consultora jurídica do Instituto Mineiro de Gestão das Águas- IGAM, assessora do TJMG e professora de Direito Administrativo da Universidade de Itaúna/MG. Atualmente é presidente da Comissão de Direito de Energia da OAB/MG.

 

 

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A escola ideal é o tema do Quinto Desafio

Desafio global incentiva o conhecimento de jovens sobre sustentabilidade, economia circular e cidades circulares; Inscrições continuam abertas e participantes novos ainda podem competir em três desafios;

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Está no ar a quinta etapa do PlayEnergy, desafio global promovido pela Enel Spa para incentivar o conhecimento de jovens sobre sustentabilidade, economia circular e cidades circulares. Com o tema “Torne a escola digital”, o quinto desafio propõe que as equipes projetem a escola ideal. Com prêmios que podem chegar a 2000€, podem se inscrever estudantes com idades entre 14 e 20 anos, sozinhos ou em equipes de até 3 pessoas, através do site: https://playenergy.enel.com/ Não é necessário ter participados dos outros desafios para competir nessa etapa. Ainda é possível participar de três desafios, que estarão no ar nos próximos três meses, além do Final Online Challenge.

 

Em uma cidade circular, todas as escolas têm baixo impacto ambiental e foram projetadas a partir de critérios sustentáveis. Os participantes deverão imaginar como é a escola que eles desejam, incluindo iniciativas que sejam relevantes para o dia a dia da comunidade escolar e para a cidade em seu entorno. Lembrando sempre de colocar em prática conceitos de economia circular e desenvolvimento sustentável.

 

As Equipes são convidadas a criar seus projetos utilizando as ferramentas disponibilizadas no site do evento. Todas as Equipes que completarem o projeto ganham 100 pontos e os projetos serão colocados para votação, ganhando pontos extras pelos votos recebidos. Os membros da equipe podem também compartilhar seus projetos nas redes sociais, para incentivar a votação. Nove equipes serão premiadas no ranking mensal, com prêmios que vão de 75 euros a 150 euros em compras online. Em caso de empate, para determinar o ranking mensal, será considerada vencedora a equipe que tenha obtido primeiro a pontuação que levou ao empate.

 

Entenda o PlayEnergy

Nesta edição do PlayEnergy, poderão participar estudantes com idades entre 14 e 20 anos e professores de sete países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Grécia, Itália e Peru. Participantes poderão se inscrever sozinhos ou em equipes de até 3 pessoas e ganhar pontos extras com outras atividades pelas redes sociais. Serão sete desafios ao longo de sete meses e um desafio final, o Final Online Challenge, com foco no conceito de Cidade Circular. Inscrições podem ser feitas através do site https://playenergy.enel.com/.

 

A PLAYENERGY é uma iniciativa global da Enel Spa, multinacional de energia e um player integrado líder nos mercados globais de energia e energias renováveis, em parceria com a Campus Party. Para mais informações sobre participação, desafios e premiação, veja o regulamento do concurso no site https://playenergy.enel.com/br/assets/pdf/rules.pdf

 

Sobre a Enel Brasil

A Enel atua no Brasil com geração, distribuição e transmissão de energia por meio da Enel Brasil e suas subsidiárias. Em distribuição, o Grupo atende mais de 17 milhões de clientes por meio de suas subsidiárias brasileiras em São Paulo, Ceará, Rio e Goiás. No setor de geração, o Grupo Enel é o maior produtor de energia solar e eólica do país em capacidade instalada e portfólio de projetos com uma capacidade instalada total de 3,4 GW, dos quais 1.210 MW são eólicos, 979 MW solares e 1.269 MW hidrelétricos. No país, o Grupo também possui e opera duas linhas de transmissão com uma capacidade total de 2.200 MW conectando o país à Argentina. A estratégia de atuação da Enel é baseada no seu Plano de Sustentabilidade e nos compromissos assumidos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. Globalmente, a Enel está presente em mais de 30 países, com cerca de 74 milhões de clientes finais corporativos e residenciais em distribuição de energia.

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(61) 98442-1010