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Jandaias, pombas, sabiás e bem-te-vis: todas as aves amam as cidades

Engenheiro e ornitólogo Johan Dalgas Frisch conta sua aventura passarinheira para proteger e alimentar as aves de São Paulo.

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Sem dependerem de qualquer tipo de transporte, sem se preocuparem com os terríveis engarrafamentos e sem se importarem se faz sol ou chuva, elas chegam às 7 horas da manhã. Numa algazarra incrível, elas vão direto para os dois refeitórios, abertos dia e noite, no jardim da casa de Johan Dalgas Frisch, na Praça Uirapuru, Bairro do Morumbi. Ali elas se alimentam à vontade de sementes de girassóis, frutas variadas e derivados de milho. Elas são as jandaias. De papo cheio, elas revoam e dão lugar às pombas asa-branca. Mais tarde, juntas, elas voltam para ao final do dia disputarem o que sobrou do precioso alimento. Todos os dias as revoadas se repetem. Por que? Simples, porque os pássaros amam as cidades como Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, Belém e São Paulo, a maior do País. E os cidadãos urbanos também amam os pássaros.

 

Johan Dalgas Frisch, o Senhor dos Pássaros, ao receber o Prêmio Verde das Américas, por sua dedicação à preservação da avifauna brasileira.

 

O bem-te-vi está em todos os lugares e encantam as populações urbanas com seu canto e sua beleza. (foto: Roberto Harrop – Recife-PE)

 

CASO DE SÃO PAULO

Como muitas cidades brasileiras, a cidade de São Paulo é uma selva. Uma selva de prédios, de gente, de árvores e de aves. Fundada em 1554, pelos padres Jesuítas, no coração da Mata Atlântica, a capital paulista tem um território de 1.530 quilômetros quadrados, localizada em uma área de ecótono, ou seja, uma região entre três biomas fronteiriços: floresta ombrófila mista, floresta ombrófila densa e cerrado. Habitam este maior centro cosmopolita da América do Sul, mais de 12 milhões de moradores brasileiros e, também, nativos de 196 países diferentes, além de uma fantástica população da avifauna. São 372 espécies diferentes de aves catalogadas na cidade pela prefeitura na Divisão de Fauna Silvestre, incluindo aves migratórias, endêmicas e até mesmo espécies ameaçadas de extinção.

 

RESTAURANTES SEMPRE ABERTOS

O engenheiro e ornitólogo Johan Dalgas Frisch, autor de oito livros sobre aves e presidente da APVS – Associação de Preservação da Vida Selvagem, conhecido como Senhor dos Pássaros, tem vários “restaurantes” de aves em pleno bairro nobre do Morumbi, centro de São Paulo. Esses “restaurantes” estão na cobertura de seu apartamento, outros “restaurantes” na casa que funciona como seu escritório na Praça Uirapuru e, outros, dentro da Reserva Ecológica do Morumbi, que ele próprio cuida e protege. Todos eles ficam abertos dia e noite. Não sofrem nenhum tipo de proibição e embargo por causa da pandemia de coronavírus.

Para o ornitólogo Dalgas Frisch, paulistano a quatro meses de completar 91 anos, “as aves amam São Paulo. E a recíproca é verdadeira: São Paulo ama as aves”.

 

DIVERSIDADE DE VIDA

Johan Dalgas Frisch explica que não são apenas as aves corriqueiras como sabiás, tico-tico, bem-te-vi, maritaca, pombas, rolinhas e outras mais de 370 espécies que habitam a capital paulista. “Essas são aves endêmicas, bem brasileiras, naturais das matas e arredores que habitam os 62 parques municipais e estaduais, como por exemplo o da Cantareira e o da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo. Também habitam São Paulo muitas espécies ameaçadas de extinção como arara, papagaio, jandaia, mutum, jacu, codorna, saíra-sete-cores. Inclusive aves migratórias, como as andorinhas azuis (progne subis) e falcões peregrinos, que vêm para o Brasil fugindo do inverno do hemisfério norte”.

Salienta Dalgas Frisch: “Nós paulistanos temos que seguir o lema de nossa cidade, presente em seu brasão oficial, que é “Non ducor, duco”, uma frase latina que significa “Não sou conduzido, conduzo“. É justamente com educação ambiental, respeito à natureza e solidariedade entre humanos e o meio ambiente que vamos conduzir nosso povo, nossos trabalhos para um bom termo de nossas vidas. Nós temos de agradecer por tanta diversidade que recebemos”, enfatiza Dalgas Frisch.

 

O ornitólogo Johan Dalgas Frisch lembra que as aves são prestadoras de serviços ambientais de valores inestimáveis. “As aves são essenciais para a polinização de flores, dispersão de sementes e, sobretudo, para o controle de pragas. Nunca podemos esquecer o valor das aves migratórias como as andorinhas-azuis que se alimentam de pequenos insetos, larvas, lagartas e pernilongos. Esses mosquitos são transmissores de malária, dengue, febre amarela e até da zica. Sem o predador natural, esses insetos começam a se procriar de maneira alucinante. O que acontece? Evidente que vão aumentar as doenças.

Conta Johan Dalgas Frisch que em 1980, esteve em Tóquio, no Palácio Aoyama, numa audiência com a equipe do então príncipe Naruhito. “Entreguei a ele meus livros e relógios sobre as Aves Brasileiras. Ele me disse que seu pai, o Imperador Akihito, tinha nos jardins do Palácio Imperial vários comedouros para diversas espécies de aves. Consegui autorização para ver de perto como era o local. A visita me inspirou a fazer o mesmo aqui em São Paulo”.

 

JANDAIAS, ASA BRANCA E BURLE MARX

Em suas publicações, Dalgas mostra que a natureza dá à vida do homem um sentido divino. Temos que entender a vida de forma holística, pois seus ciclos obedecem a caprichosos caminhos e mudanças. As aves são joias da natureza.

 

As jandaias têm hora marcada para chegar aos refeitórios construídos pelo ornitólogo Jahan Dalgas Frisch.

 

Dalgas Frisch lembra bem de um encontro que teve com o paisagista Roberto Burle Marx. Na conversa com o maior paisagista do mundo, Burle Max foi taxativo:

– “Olha, Dalgas, um botânico não entende de pássaros. E você, como ornitólogo, também não domina o conhecimento sobre as plantas. Mas aí está sua importância que é justamente fazer essa ponte entre o ornitólogo e o paisagista, duas profissões que tem a natureza como matéria prima. Você é um engenheiro apaixonado pela ornitologia e pela botânica. Use seu dom de divulgar os cantos das aves e de escrever sobre plantas para promover a arborização das praças e dos parques para compor um ambiente que valorize as cores e os cantos do Brasil”.

Dalgas Frisch aprendeu a lição e assumiu sua responsabilidade. Por isso, à véspera de completar 91 anos, Dalgas Frisch continua protegendo as águas e as florestas, gravando cantos das aves, filmando, fotografando essas joias da natureza.

 

AS JANDAIAS

Nos seus livros, o ornitólogo explica que a fauna mundial é muito diversificada, o que faz com que diversos gêneros de animais acabem gerando um grande número de espécies. E quando se fala especificamente de aves, é a mesma coisa. Elas também fazem parte desse grupo de animais que possuem diversos exemplares diferentes para o mesmo gênero. É também o caso das jandaias. A jandaia é uma ave que possui três variações de espécies com várias diferenças entre si.

As jandaias são encontradas mais facilmente nas matas brasileiras. Existem pelo menos três espécies, que fazem parte da família Psittacidae, a mesma família a que animais como a calopsita, o papagaio, a aratinga e o periquito pertencem, o que explica um pouco mais profundamente seu nome científico. É um pássaro de porte pequeno, medindo no máximo 30 centímetros, pesando no máximo 130 gramas, sendo pouco menor do que o papagaio.

Quanto à sua cor, as penas tendem a ser verdes, com pontos amarelos na região da cabeça, enquanto a barriga se aproxima do vermelho. As jandaias são ameaçadas por conta da caça ilegal, já que é uma espécie muito dócil e de rara beleza.

 

 

POMBA ASA BRANCA

Há algum tempo, depois das campanhas de proteção às aves, a pombinha asa-branca voltou aos parques e jardins de São Paulo. Tem o nome científico de Patagioenas picazuro. Voltou, diz a lenda, porque seus conterrâneos nordestinos viraram paulistanos. Ou, quem sabe, por encontrar benfeitores, como Dalgas Frisch, que promoveram um “Fome Zero” para as aves.

O fato é que as pombas asa-branca estão de volta como mostram a filmagem anexa de Johan Dalgas Frisch. Como na canção de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, a Asa Branca é uma promessa de dias melhores. De esperança. De deixar as lágrimas para cantar a volta do amor.

…Quando o verde de teus oios

Se espaiá na plantação

Eu te asseguro, num chore não, viu?

Que eu voltarei, viu? Meu coração…                                     

 

ASAS URBANAS

Com o isolamento social, a grande maioria da população confinada em casa tem olhares mais atentos para a natureza

 

Picapau

Beija-flor

 

As aves urbanas são inteligentes e têm capacidade maior de adaptação a ambientes diversos. É o que dizem as pesquisas. Segundo ornitólogos, como Johan Dalgas Frisch, as aves urbanas – das grandes e pequenas cidades – tem cérebros mais desenvolvidos e se adaptam com maior facilidade. Principalmente se elas encontram reservas, parques e matas próximas onde podem se reproduzir com segurança.

 

A coruja-buraqueira (Athene cunicularia também chamada caburé-do-campo, coruja-da-praia, coruja-do-campo, coruja-mineira e urucuera.

O gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea) é uma ave passeriforme da família Fringillidae. Também é conhecido pelos nomes de bonito, gaturamo-itê e guiratã.

Sabiá laranjeira, ave símbolo nacional, presente no cotidiano da vida nacional e a mais cantada em verso e prosa pelo cancioneiro popular.

 

Com o combate intensivo ao tráfico de animais e com o maior respeito pelas aves, se pode notar o aumento da quantidade e da diversidade das aves.
Com o isolamento social, a grande maioria da população confinada em casa tem olhares mais atentos para a natureza. E podem sentir melhor a sua presença. As aves estão por todos os lados. As espécies encontradas em áreas urbanas tendem a ser “comuns”, mas isso não diminui a importância delas, tão pouco a beleza e o brilho de contemplá-las.

 

TESE DE DOUTORADO

O doutor em Ecologia Alexandre Gabriel Franchin fez sua tese de doutorado sobre a “Avifauna em áreas urbanas brasileiras, com ênfase em cidades do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba”. Em sua tese, apresentada à Universidade Federal de Uberlândia, Alexandre Franchin diz que a despeito da existência de vários trabalhos isolados sobre a avifauna em cidades brasileiras, o conhecimento sobre essas aves em uma escala mais ampla ainda é incipiente. Fanchin focou sua pesquisa no Triângulo Mineiro, mas lembra que há muito a pesquisar outras regiões urbanas, em biomas diferentes como Mata Atlântica, Campos do Sul, Cerrado, Caatinga e Amazônia. Quais são as espécies que ocorrem nas cidades brasileiras? Como elas se distribuem em termos regionais? As áreas urbanas podem manter uma avifauna valorosa em termos conservacionistas? Qual é a avifauna encontrada nas cidades no Brasil e qual a status de conservação dessa avifauna no ambiente urbano?

 

 

 

 

 

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CAATINGA, A MATA BRANCA

O bioma totalmente brasileiro

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Diferente da Amazônia, do Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa, a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro com plantas e animais adaptados ao clima da região. O nome desse conjunto de ecossistemas é de origem tupi-guarani, caa: mata e tinga: branca, e se refere ao aspecto da vegetação no período de seca.

 

 

CARACTERÍSTICAS DA CAATINGA

  • Clima tropical semiárido com temperaturas elevadas;
  • Vegetação rasteira, com poucas folhas, galhos retorcidos e espinhos;
  • Fauna e flora adaptadas aos longos períodos de estiagem;
  • Apresenta plantas nativas, como facheiro, mandacaru e xique-xique;
  • Seu solo é raso, pedregoso, com pouca matéria orgânica e relativamente fértil.

 

VEGETAÇÃO DA CAATINGA

Nas áreas mais planas, onde o solo é raso e pedregoso, encontram-se as árvores de pequeno porte, como arbustos e cactos. Em regiões mais altas, pela umidade ser maior, é possível encontrar mata fechada.

  • A vegetação da Caatinga pode ser dividida em três grupos principais:
  • Arbóreo: árvores com 8 a 12 metros de altura;
  • Arbustivo: vegetação com 2 a 5 metros de altura;
  • Herbáceo: vegetação com menos de 2 metros de altura.
  • Plantas xerófilas são características da Caatinga, pois são adaptadas ao clima semiárido, ou seja, à aridez do solo e à escassez de água.

 

 

A FAUNA DA CAATINGA

A vida no bioma se estabeleceu de forma peculiar e bastante diversificada. Formigas e abelhas desempenham um importante papel no bioma, pois são os agentes disseminadores de sementes e polinizadores. O tráfico de animais é um dos principais problemas enfrentados na Caatinga e um dos maiores responsáveis pela ameaça à extinção de espécies. São exemplos de espécies do bioma:

  • Asa-branca (Patagioenas picazuro)
  • Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous)
  • Cutia (Dasyprocta Aguti)
  • Onça-parda (Puma concolor)
  • Periquito-da-caatinga (Eupsittulacactorum)
  • Preguiça-de-chifres (Stenocercus sp. n.)
  • Sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus)
  • Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus)

 

 

Xique-xique é uma espécie de cacto comum na Caatinga

 

FLORA DA CAATINGA

Mesmo com um ambiente adverso, muitas plantas desenvolveram-se na Caatinga e para isso desenvolveram algumas peculiaridades. Cascas grossas, espinhos, folhas pequenas, galhos retorcidos e raízes tuberosas são características típicas da flora. São exemplos de espécies do bioma:

  • Cacto (Cactaceae)
  • Catingueira (Caesalpinia pyramidalis)
  • Facheiro (Pilosocereus pachycladus)
  • Juazeiro (Ziziphus joazeiro)
  • Mandacaru (Cereus jamacaru)
  • Palma (Opuntia cochenillifera)
  • Umbuzeiro (Spondias tuberosa)
  • Xique-xique (Pilocereus gounellei)

 

 

 

 

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A HISTÓRIA DO MARCO DA PEDRA FUNDAMENTAL

RELATÓRIO DA VIAGEM PARA CONSTRUÇÃO DO MARCO DA INDEPENDÊNCIA ou PEDRA FUNDAMENTAL DE BRASÍLIA

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O QUE ESTÁ ESCRITO NO “COFRE” DE PROTEÇÃO.

 

Após o Relatório Luiz Cruls (1892) que demarcou o a área de 14.400 km² para a futura capital no Planalto Central e a publicação do relatório em 1893 não houve grandes iniciativas no que diz respeito à construção e mudança da capital. O assunto voltou em 18 de janeiro de 1922, quando o presidente Epitácio Pessoa determinou o lançamento da Pedra Fundamental da Capital Federal no dia 7 de setembro do mesmo ano, em virtude ao Centenário da Independência.

 

Em 1922, sem estradas e ferrovias e com uma comunicação tão precária que os responsáveis pela construção do Marco da Pedra Fundamental de Brasília levaram oito meses para receber a ordem de construção. O decreto do presidente Epitácio Pessôa foi assinado em 18 de janeiro, mas a ordem presidencial só chegou aos responsáveis, em Araguari-MG em 27 de agosto.

 

O RELATÓRIO DE BALDUÍNO DE ALMEIDA

 

1 – Após o Relatório Luiz Cruls (1892) que demarcou o a área de 14.400 km² para a futura capital no Planalto Central e a publicação do relatório em 1893 não houve grandes iniciativas no que diz respeito à construção e mudança da capital.

 

2 – O assunto voltou em 18 de janeiro de 1922, quando o presidente Epitácio Pessoa determinou o lançamento da Pedra Fundamental da Capital Federal no dia 7 de setembro do mesmo ano, em virtude ao Centenário da Independência.

 

3 – O Brasil era um imenso vazio no Centro-Oeste. Prova disso, é que o decreto do presidente da República só chegou ao conhecimento do responsável pelo seu cumprimento, Engenheiro Balduíno Ernesto de Almeida, diretor da Estrada de Ferro de Goyaz, em 27 de agosto de 1922.

 

4 – Balduíno de Almeida tinha poucos dias cumprir as ordens. Ele ficava em Araguari-MG e só seis meses depois de assinado o decreto, recebeu uma comunicação do Inspetor Geral das Estradas de Ferro, Palhano de Jesus, transmitindo-lhe ordem do Ministro da Viação e Obras, José Pires do Rio.

 

5 – A ordem veio em forma de telegrama, dando-lhe a incumbência de implantar o marco da nova capital no quadrilátero demarcado pela Comissão Cruls: “Alli proximamente no lugar mais preconizado pela antiga commissão de demarcação Planalto fareis lançar pedra fundamental e fixar marco dia 7 Setembro ao meio dia”.

 

6 – O Brasil acabara de passar por eleições presidenciais, mas ainda governava Epitácio Pessoa (1919 – 1922), que seria sucedido, em novembro, por Arthur da Silva Bernardes (1922 – 1926).

 

7 – A construção do Marco foi feita por uma comitiva de trabalhadores da Rede Ferroviária liderada pelo Engenheiro Balduíno de Almeida, responsável também pelo projeto do monumento.

 

8 – A jornada do engenheiro Ernesto Balduíno começou em Araguari (MG), no dia 01 de setembro de 1922. Foi organizada uma caravana composta por 22 membros, que se dirigiram para Mestre d’Armas em nove automóveis (Ford Bigode) e seis caminhões, que transportaram 40 pessoas e todo o material necessário para erguer o obelisco no local. Seguiram pela ferrovia Mogiana, num trem especial, até o final da linha férrea localizada em Ipameri. No dia 02 de setembro a caravana deixou Ipameri e seguiu com destino a Mestre d’Armas. A viagem teve início às 5h da madrugada trilhando a primeira estrada de rodagem que adentrou o quadrilátero demarcado por Luiz Cruls, aberta um ano antes (1921) pela empresa Bevinhati, Salgado e Cia.

 

9 –  Relatório da missão: “Nas primeiras 7 horas foram percorridos apenas 20 km, com os caminhões estancando a cada momento, nas grandes rampas que tinham de vencer. No total, no primeiro dia de viagem, das 5h às 21h, foram vencidos apenas 76 km. No segundo dia, três de setembro, a caravana avançou mais 84 km até o cair do sol, quando chegou ao povoado de Cristalina”. Balduíno, que vinha à retaguarda, decidiu acossado pelo tempo, seguir à frente com os “Ford Bigode”, deixando os caminhões seguirem atrás da caravana. Tarde da noite, chegou ao arraial de Mestre d’Armas, fixado como referência e base dos trabalhos. Os caminhões chegaram à manhã do dia 5, e nessa mesma manhã o engenheiro Balduíno escolheu um local bem mais próximo: um promontório sobre o vale do rio São Bartolomeu, a apenas 8 km de Mestre d’Armas. Às 17 horas do dia 5, todo o material dos caminhões já estava descarregado no morro do Centenário. No dia 7, às 10 horas, estava pronto o monumento.

 

10 – A importância do lançamento da Pedra Fundamental de Brasília em 7 de setembro de 1922 – Centenário da Independência – vai além do simbolismo de um ideal “mudancista”.  Marcou também a reabertura da discussão sobre o sítio onde seria construída Brasília, cuja construção começou com JK 34 anos depois.

 

 

EM 7 DE SETEMBRO DE 2022 UMA NOVA COMEMORAÇÃO SERÁ REALIZADA PELOS 200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA.

 

 

MARCO GEODÉSICO E SELO DE PROTEÇÃO LEGAL

Ao lado do Marco da Independência e da Pedra Fundamental de Brasília está fincado no chão um “cofre” de proteção, como sendo uma medalha em metal, onde se pode ler:

 

DF 146

PROTEGIDO POR LEI

 

Fundação IBGE – IBG

 

Departamento de Geodesia e Topografia

 

A placa de bronze foi encomendada ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e enviada de trem até Araguari. A placa precisa ser restaurada.

 

 

 

A Pedra Fundamental está localizada a 9 km do centro de Planaltina no Morro do Centenário. O obelisco fica no Morro do Centenário a 1.033 metros de altitude e 47º39′ de longitude. Foi erguido para comemorar o Centenário da Independência em 7 de setembro de 1922. A escolha do local está relacionada à Missão Cruls e ao sonho de Dom Bosco, que previu o surgimento de uma civilização entre os paralelos 15° e 20°.

O obelisco tem forma piramidal de base quadrada com 3,75 m de altura, a contar das fundações. As suas faces estão orientadas pelos pontos cardeais. A Placa comemorativa está situada na face oeste, onde se lê:

 

“Sendo Presidente da República o Exmo. Sr. Dr. Epitácio da Silva Pessôa, em cumprimento ao disposto no decreto n.º 4.494 de 18 de janeiro de 1922, foi aqui collocada em 07 de setembro de 1922, ao meio-dia, a Pedra Fundamental da Futura Capital dos Estados Unidos do Brasil”

 

REVISITANDO O MONUMENTO

O local está limpo, apesar de ter um pouco de lixo espalhado nos arredores, mas a placa de identificação precisa ser restaurada por terem arrancado algum tipo de informação à sua esquerda. A pintura do monumento em si está descuidada, pois deixaram tinta branca sobre a placa de bronze que relata o evento de 7 de setembro de 1922.

 

O descuido também se pode ver no isolamento do Monumento, pois faltam apenas 2 quilômetros de asfalto para se encontrar o Marco. O fato é que, ao se preparar os 200 Anos da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022, caberia um programa de revitalização e encantamento de toda área onde está inserida a Pedra Fundamental de Brasília e, quem sabe, preparar algum evento cultural para ser levado ao ponto geodésico do Brasil. Afinal, serão 100 anos da instalação da Pedra Fundamental de Brasília e 200 anos da Celebração da Independência do Brasil.

Cuidar da História e estudar o passado é essencial para plantar um futuro mais digno e vibrante para nosso país.

 

FOTOS DO MARCO DOS 100 ANOS DA INDEPENDÊNCIA

IMPORTANTE: Vale estudar imediatamente a criação do PARQUE DO CENTENÁRIO para preservar toda a área e evitar o retalhamento das terras por invasões, loteamentos, condomínios e abertura de pequenos sítios – o que já está acontecendo.

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ALYSSON PAOLINELLI, O LEGADO

Os seis tempos de uma História que mudou o Brasil

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Tenho comigo a certeza de que, se ganharmos o Nobel, quem ganhará será o Brasil, não é o Alysson Paolinelli. São os pesquisadores brasileiros. São os extensionistas e técnicos que nos ajudaram a montar políticas públicas.

 

PRIMEITO TEMPO – Em 10 de julho de 1936, nasce em Bambuí-MG, Alysson Paolinelli, filho do agrônomo Antônio Paolinelli. Ainda jovem, estuda e trabalha na fazenda da família. Depois, estudante na ESAL – Escola Superior de Agronomia de Lavras-MG, onde se formou. Tornou-se Diretor da ESAL e fez sua federalização.

 

SEGUNDO TEMPO – Em 1971, reestruturou a Secretaria da Agricultura de Minas, governo Rondon Pacheco. Em 1974, foi convidado por Ernesto Geisel para assumir o Ministério da Agricultura. Reformulou o Ministério e a agricultura brasileira.

A agricultura no mundo, sim, a Agricultura Tropical se divide em AP E DP –Antes e depois de Paolinelli.

 

TERCEIRO TEMPO – Por que este divisor de águas? Simples, por dois motivos:

1) Capitaneado por Alysson Paolinelli e sua esquipe o Brasil resolveu assumir um desafio e ser líder mundial nas tecnologias de produção da agricultura e pecuária tropical.

2) Porque o Brasil fez uma revolução verde, deixando de ter a mentalidade de colônia para procurar resolver seus problemas com suas próprias mãos.

 

QUARTO TEMPO – Alysson Paolinelli comandou uma equipe que fez o dever de casa: fortaleceu do sistema de pesquisa e crédito, incentivou a iniciativa privada a ocupar o espaço empreendedor e mostrou algo essencial: diferente do setor industrial, o trabalho com a terra é diferente de fabricar um produto industrial. Este, paga-se royalties e faz igual. Já fazer alguma tropical requer DNA próprio.

Uma coisa é fazer agricultura no clima temperado, em terras férteis, onde a neve elimina a maioria das pragas e ainda irriga o solo no degelo. Outra coisa é fazer agricultura em terras tropicais que precisa corrigir solo, produzir sementes selecionadas, fixar nitrogênio no solo, ter controle biológico de pragas e adaptar condições de plantio e colheita. Não há como copiar. E Alysson Paolinelli comandou uma equipe que fez isso.

 

QUINTO TEMPO – Vale lembrar o norte-americano Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz de 1970, ao visitar com o presidente Geisel a Embrapa-Cerrados, em Planaltina, em 1979: “Presidente Geisel, seu governo pelo ministro Paolinelli deu uma lição ao mundo ao fazer a Revolução Verde Tropical. Transformou as terras do Cerrado em polo de produção agropecuária. O Brasil desenvolveu uma tecnologia tropical que vai salvar o mundo”.

 

SEXTO TEMPO – Em 2006, Alysson Paolinelli foi agraciado com o World Food Prize, nos Estados Unidos. Agora o Brasil apresenta-o para o Nobel da PAZ. A pandemia, que ainda persiste, já deixou uma lição: SEM COMIDA NÃO HÁ PAZ.

 

Em 1977, o ex-ministro Alysson Paolinelli, junto com a diretoria da Embrapa recebe o Prêmio Nobel da Paz 1970, Norman Borlaug.

 

O BRASIL, A AGROPECUÁRIA, A CIÊNCIA E O PRÊMIO NOBEL

Alysson Paolinelli: a ciência deve ser o indicador de onde mexer e onde preservar.

 

Nesta entrevista à jornalista MARIA AMÉLIA ÁVILA, Alysson Paolinelli, 85 anos, fala sobre sua vida profissional ligada à agropecuária e relata a emoção de ter sido indicado ao Nobel da Paz, na condição de protagonista de uma verdadeira revolução agrícola sustentável. Um total de 329 candidatos de todo o mundo concorrem à deferência, e o vencedor será conhecido em 8 de outubro.

 

Iniciado na década de 1970, o projeto de transformar o solo completamente infértil do Cerrado brasileiro em um dos mais produtivos do país foi uma espécie de aposta de vida para o engenheiro agrônomo mineiro Alysson Paolinelli. A iniciativa do ex-secretário de Estado da Agricultura de Minas e ex-ministro da pasta, cujo objetivo era fazer com que o bioma gerasse alimentos não só para o Brasil, mas para o mundo, tornou-se tão importante que concorre hoje ao Prêmio Nobel da Paz de 2021. Atualmente, os 1.102 municípios do Cerrado brasileiro produzem 46% da safra de soja do país, 49% do milho, 93% do algodão e 25% do café. Na pecuária, o bioma é responsável por 32% do rebanho de bovinos, 22% dos frangos e 22% dos suínos, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

ALYSSON PAOLINELLI – ENTREVISTA

 

Ana Amélia Ávila – Como o senhor recebeu a notícia da indicação para o prêmio? 
Alysson Paolinelli – Foi com muita emoção, porque a indicação partiu, principalmente, de velhos companheiros e amigos que trabalhamos juntos há mais de 40, 50 anos. Todos nós tínhamos um pressentimento de que o Brasil merecia o Prêmio Nobel da Paz. Não só porque nunca teve, mas muito mais voltado à alimentação, à garantia de suprimento alimentar ao mundo e, principalmente, que através do alimento nós sempre obtivemos a paz, a concordância e a união entre os povos. Meus companheiros de jornada acreditavam que precisaríamos de um nome e escolheram meu nome. É lógico que a emoção é muito forte. Tenho comigo a certeza que, se ganharmos, quem ganhará será o Brasil, não o Alysson Paolinelli. São seus pesquisadores; seus extensionistas; seus técnicos profissionais que nos ajudaram a montar políticas públicas; o produtor rural, fundamentalmente, que foi o grande artífice de toda essa revolução.

 

Livro lançado em São Paulo sobre a vida e obra de Alysson Paolinelli por iniciativa de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, e com a coordenação de Ivan Wedekin. O livro traz o legado do ex-ministro e mostra o potencial da agropecuária brasileira.

 

 

A revolução agrícola sustentável é o grande projeto que representa sua indicação?

Sim, nós conseguimos, em tempo recorde, fazer uma mudança que o mundo não esperava. As regiões produtoras eram em áreas com clima temperado e com as quatro estações bem definidas. Só que a curva da população só crescia. Os estadistas perceberam que haveria um colapso na produção de alimentos. A curva da população crescia em escala geométrica e a da alimentação em escala aritmética. E essas curvas se cruzaram em 1968, quando os Estados Unidos, que eram o país que tinha toda a riqueza, toda capacidade de abastecer o mundo, foi a público dizer que não tinha mais estoques em seus silos e armazéns por mais seis meses, que era o tempo para plantar e colher a nova safra. Aí, a coisa apertou, porque os países tropicais, todos, éramos dependentes de alimentos vindo de lá. Era mais barato comprar lá do que produzir aqui. O mundo não tinha tecnologia para as regiões tropicais. As condições de clima, de solo, de fertilidade eram muito diferentes. Em 1974, O Brasil tentou achar onde existia conhecimento para se produzir umagricultura tropical, mas não existia no mundo. Nós precisamos desenvolver ciência, tecnologia e conhecimento, e foi isso que procuramos fazer ao desenvolver a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Com condição de governabilidade, com autonomia administrativa, técnica e financeira, onde ela pode mobilizar todas as competências nacionais, ou seja, da Embrapa, das universidades, das instituições estaduais de pesquisa e, principalmente, da iniciativa privada, todas trabalharam unidas para resolver esse problema. Era preciso criar uma nova agricultura. 

 

Quero garantir ao Brasil e ao mundo que nós não vamos fazer o que fez a Europa, o que fez a Ásia, o que fizeram os Estados Unidos, que arrancaram vegetações nativas e plantaram indiscriminadamente.

 

 

Por que foi escolhido o Cerrado?

O Cerrado era um solo infértil, velho; 500 mil anos mais velho do que as áreas que o mundo usava para o plantio no hemisfério temperado. Mas o governador Rondon Pacheco (1971/1975) permitiu que a Universidade de Lavras-MG fizesse uma pesquisa em relação ao Cerrado. O cerne do estudo era provar que ele seria produtivo se fosse trabalhado. A principal incógnita era se o custo desse trabalho, dessa modificação, seria viável ou não. Quando eu fui para o governo federal, como ministro da Agricultura, já estava convicto de que tinha solução. A equipe que trabalhou já havia apresentado resultados palpáveis. Com isso, fizemos um planejamento estratégico para o país fazendo a conta inversamente, ou seja, pegamos os valores em relação à importação que o Brasil fazia de alimentos à época e descobrimos que era um terço do que consumíamos.

 

E qual foi a conclusão?

Chegamos à conclusão de que precisávamos produzir, no mínimo, mais três milhões de hectares, com uma produtividade acima da que nós tínhamos. Esse era o grande problema! Sem profissionais treinados, não poderíamos fazer nada. Abrimos um concurso público para a Embrapa com mil vagas, mas só apareceram 52 com pós-graduação e contratamos o restante. Além disso, trouxemos das instituições estaduais de pesquisa mais 462 e demos às universidades que fizeram convênio conosco mais 100 vagas. Escolhemos os maiores centros de pesquisa do mundo com o objetivo de enviar esses profissionais para aprenderem novas técnicas. Foram para Europa, Japão, Estados Unidos com uma missão importantíssima. Ciência será aprendida lá, agora, tecnologia e inovação vão ser aplicadas no Cerrado brasileiro. Isso deu certo, essa foi a chave! Ao mesmo tempo, fomos obrigados a completar a estratégia. Criamos a Empresa Brasileira de Extensão Rural (Embrater) para fazer a transferência do conhecimento gerado para o produtor. Ciência isolada de meios de aplicação não faz desenvolvimento. Com isso, conseguimos do governo federal a garantia de produzir mais três milhões de hectares. Como em Minas Gerais nós já tínhamos feito a experiência e sabíamos que, para recuperar um hectare de Cerrado, custava US$ 1 mil, o recurso que nos foi reservado foi de US$3 bilhões. Aplicamos esse valor em cinco anos. Nesse período, o produtor brasileiro viu a Embrapa, junto com outras instituições de pesquisa, transformar uma área infértil em uma das áreas mais produtivas do país. E os produtores tiveram suporte para cercas, maquinários, sementes, energia elétrica, telefonia e toda a infraestrutura integrada para que ele pudesse exercer o seu papel de produzir eficientemente e comercializar seus produtos. Foi o maior programa de política pública agrícola que já houve no país.

 

Tenho comigo a certeza de que, se ganharmos o Nobel, quem ganhará será o Brasil, não o Alysson Paolinelli. São seus pesquisadores; seus extensionistas; seus técnicos profissionais que nos ajudaram a montar políticas públicas.

 

A revolução agrícola trouxe autossuficiência para o país… 
Nós tivemos a grata surpresa de ver em cinco anos o Cerrado produzir como os Estados Unidos. O brasileiro soube recuperar uma área que foi degradada por 500 mil anos. Um projeto nunca visto no mundo anteriormente. O mais interessante é que as vantagens comparativas dos americanos começaram a ser questionadas. Se lá eles fazem uma safra, aqui nós fazemos três por ano. Nós temos hoje tecnologia brasileira reconhecida mundialmente, como, por exemplo, a integração lavoura-pecuária-floresta, onde é feita doze meses por ano, em sucessão, três a quatro culturas, grãos, pasto para boi de corte e para pecuária leiteira e ainda a floresta que reequilibra tudo e absorve a sobra de carbono e incorpora no solo, coisa que os americanos não têm condições de fazer lá.

 

Agora a proposta é usar esse modelo em outros biomas brasileiros? 

Eu quero garantir ao Brasil e ao mundo que nós não vamos fazer o que fez a Europa, o que fez a Ásia, o que fizeram os Estados Unidos, que arrancaram toda as suas vegetações nativas e plantaram indiscriminadamente. O que eu quero aqui é que nós temos área suficiente em seis grandes biomas – Amazônico, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas, Pantanal e o Cerrado – e, antes de entrarmos com a produção, como fizemos no Cerrado, vamos entrar com a ciência para que ela seja um indicador de limitação de onde mexer e onde não mexer, onde vamos preservar.

 

 

 

 

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