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SABIÁ LARANJEIRA

MAJESTADE O SABIÁ, A AVE DO CANCIONEIRO POPULAR

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O sabiá é a ave mais popular do Brasil, citada por diversos poetas, compositores, escritores como o pássaro que canta a Primavera, a estação do amor.

 

Minha terra tem palmeiras, tem catalogadas 1.919 espécies de aves (só na Amazônia são 1.294) e tem o Sabiá como Ave Nacional. O sabiá é a ave mais popular do Brasil, citada por diversos poetas como o pássaro que canta na estação do amor, ou seja, na Primavera.

 

O sabiá, imortalizado na “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, juntou-se oficialmente aos outros quatro símbolos nacionais – a bandeira, o hino, o brasão de armas e o selo, passando a ter a mesma importância deles na representação do Brasil em 3 de outubro de 2002, por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso.

O escritor Jorge Amado sempre defendeu o Sabiá como ave oficial do Brasil.

 

Para Johan Dalgas Frisch são 12 as espécies de sabiás no Brasil, sendo que o pássaro assume outras denominações em regiões diferentes. Assim, ele tanto pode ser caraxué (Amazonas), sabiá-coca (Bahia), sabiá-laranja (Rio Grande do Sul) e ainda sabiá-de-barriga-vermelha, sabiá-ponga e sabiá-piranga em lugares diferentes.
Em tupi, sabiá significa “aquele que reza muito”, em alusão à voz dessa ave. Segundo uma lenda indígena, quando uma criança ouve, durante a madrugada, no início da primavera, o canto do sabiá, será abençoada com muita paz, amor e felicidade.
No Brasil podem ser encontradas outras espécies de sabiá, tais como: sabiá-unasabiá-barrancosabiá-pocasabiá-coleirasabiá-do-banhadosabiá-da-praiasabiá-gongásabiá-do-campo, entre outros, embora estas últimas quatro espécies não pertençam ao gênero Turdus e consequentemente à família Turdidae.

 

MUSICAS & POESIAS

MAJESTADE, O SABIÁ (Roberta Miranda)

[…]
Ah! Tô indo agora
Pra um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o sabiá
A majestade, o SABIÁ…
[…]

 

SAUDADE DE MINHA TERRA (Goiá – Gerson Coutinho da Silva)

 

De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão eu quero voltar
Ver a madrugada quando a passarada
Fazendo alvorada começa a cantar
Com satisfação arreio o burrão
Cortando estradão saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
SABIÁ cantando no jequitibá

(…)

 

“A escolha do Sabiá como Ave Nacional foi a melhor. O Sabiá é muito popular e bem conhecido por seu canto maravilhoso. Este canto bem variado ilustra a alma brasileira: alegre ou cheia de saudade”.

Jacques Vielliard – Academia Brasileira de Ciências e professor da Unicamp

 

 

 

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CAATINGA, A MATA BRANCA

O bioma totalmente brasileiro

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Diferente da Amazônia, do Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa, a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro com plantas e animais adaptados ao clima da região. O nome desse conjunto de ecossistemas é de origem tupi-guarani, caa: mata e tinga: branca, e se refere ao aspecto da vegetação no período de seca.

 

 

CARACTERÍSTICAS DA CAATINGA

  • Clima tropical semiárido com temperaturas elevadas;
  • Vegetação rasteira, com poucas folhas, galhos retorcidos e espinhos;
  • Fauna e flora adaptadas aos longos períodos de estiagem;
  • Apresenta plantas nativas, como facheiro, mandacaru e xique-xique;
  • Seu solo é raso, pedregoso, com pouca matéria orgânica e relativamente fértil.

 

VEGETAÇÃO DA CAATINGA

Nas áreas mais planas, onde o solo é raso e pedregoso, encontram-se as árvores de pequeno porte, como arbustos e cactos. Em regiões mais altas, pela umidade ser maior, é possível encontrar mata fechada.

  • A vegetação da Caatinga pode ser dividida em três grupos principais:
  • Arbóreo: árvores com 8 a 12 metros de altura;
  • Arbustivo: vegetação com 2 a 5 metros de altura;
  • Herbáceo: vegetação com menos de 2 metros de altura.
  • Plantas xerófilas são características da Caatinga, pois são adaptadas ao clima semiárido, ou seja, à aridez do solo e à escassez de água.

 

 

A FAUNA DA CAATINGA

A vida no bioma se estabeleceu de forma peculiar e bastante diversificada. Formigas e abelhas desempenham um importante papel no bioma, pois são os agentes disseminadores de sementes e polinizadores. O tráfico de animais é um dos principais problemas enfrentados na Caatinga e um dos maiores responsáveis pela ameaça à extinção de espécies. São exemplos de espécies do bioma:

  • Asa-branca (Patagioenas picazuro)
  • Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous)
  • Cutia (Dasyprocta Aguti)
  • Onça-parda (Puma concolor)
  • Periquito-da-caatinga (Eupsittulacactorum)
  • Preguiça-de-chifres (Stenocercus sp. n.)
  • Sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus)
  • Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus)

 

 

Xique-xique é uma espécie de cacto comum na Caatinga

 

FLORA DA CAATINGA

Mesmo com um ambiente adverso, muitas plantas desenvolveram-se na Caatinga e para isso desenvolveram algumas peculiaridades. Cascas grossas, espinhos, folhas pequenas, galhos retorcidos e raízes tuberosas são características típicas da flora. São exemplos de espécies do bioma:

  • Cacto (Cactaceae)
  • Catingueira (Caesalpinia pyramidalis)
  • Facheiro (Pilosocereus pachycladus)
  • Juazeiro (Ziziphus joazeiro)
  • Mandacaru (Cereus jamacaru)
  • Palma (Opuntia cochenillifera)
  • Umbuzeiro (Spondias tuberosa)
  • Xique-xique (Pilocereus gounellei)

 

 

 

 

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A HISTÓRIA DO MARCO DA PEDRA FUNDAMENTAL

RELATÓRIO DA VIAGEM PARA CONSTRUÇÃO DO MARCO DA INDEPENDÊNCIA ou PEDRA FUNDAMENTAL DE BRASÍLIA

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O QUE ESTÁ ESCRITO NO “COFRE” DE PROTEÇÃO.

 

Após o Relatório Luiz Cruls (1892) que demarcou o a área de 14.400 km² para a futura capital no Planalto Central e a publicação do relatório em 1893 não houve grandes iniciativas no que diz respeito à construção e mudança da capital. O assunto voltou em 18 de janeiro de 1922, quando o presidente Epitácio Pessoa determinou o lançamento da Pedra Fundamental da Capital Federal no dia 7 de setembro do mesmo ano, em virtude ao Centenário da Independência.

 

Em 1922, sem estradas e ferrovias e com uma comunicação tão precária que os responsáveis pela construção do Marco da Pedra Fundamental de Brasília levaram oito meses para receber a ordem de construção. O decreto do presidente Epitácio Pessôa foi assinado em 18 de janeiro, mas a ordem presidencial só chegou aos responsáveis, em Araguari-MG em 27 de agosto.

 

O RELATÓRIO DE BALDUÍNO DE ALMEIDA

 

1 – Após o Relatório Luiz Cruls (1892) que demarcou o a área de 14.400 km² para a futura capital no Planalto Central e a publicação do relatório em 1893 não houve grandes iniciativas no que diz respeito à construção e mudança da capital.

 

2 – O assunto voltou em 18 de janeiro de 1922, quando o presidente Epitácio Pessoa determinou o lançamento da Pedra Fundamental da Capital Federal no dia 7 de setembro do mesmo ano, em virtude ao Centenário da Independência.

 

3 – O Brasil era um imenso vazio no Centro-Oeste. Prova disso, é que o decreto do presidente da República só chegou ao conhecimento do responsável pelo seu cumprimento, Engenheiro Balduíno Ernesto de Almeida, diretor da Estrada de Ferro de Goyaz, em 27 de agosto de 1922.

 

4 – Balduíno de Almeida tinha poucos dias cumprir as ordens. Ele ficava em Araguari-MG e só seis meses depois de assinado o decreto, recebeu uma comunicação do Inspetor Geral das Estradas de Ferro, Palhano de Jesus, transmitindo-lhe ordem do Ministro da Viação e Obras, José Pires do Rio.

 

5 – A ordem veio em forma de telegrama, dando-lhe a incumbência de implantar o marco da nova capital no quadrilátero demarcado pela Comissão Cruls: “Alli proximamente no lugar mais preconizado pela antiga commissão de demarcação Planalto fareis lançar pedra fundamental e fixar marco dia 7 Setembro ao meio dia”.

 

6 – O Brasil acabara de passar por eleições presidenciais, mas ainda governava Epitácio Pessoa (1919 – 1922), que seria sucedido, em novembro, por Arthur da Silva Bernardes (1922 – 1926).

 

7 – A construção do Marco foi feita por uma comitiva de trabalhadores da Rede Ferroviária liderada pelo Engenheiro Balduíno de Almeida, responsável também pelo projeto do monumento.

 

8 – A jornada do engenheiro Ernesto Balduíno começou em Araguari (MG), no dia 01 de setembro de 1922. Foi organizada uma caravana composta por 22 membros, que se dirigiram para Mestre d’Armas em nove automóveis (Ford Bigode) e seis caminhões, que transportaram 40 pessoas e todo o material necessário para erguer o obelisco no local. Seguiram pela ferrovia Mogiana, num trem especial, até o final da linha férrea localizada em Ipameri. No dia 02 de setembro a caravana deixou Ipameri e seguiu com destino a Mestre d’Armas. A viagem teve início às 5h da madrugada trilhando a primeira estrada de rodagem que adentrou o quadrilátero demarcado por Luiz Cruls, aberta um ano antes (1921) pela empresa Bevinhati, Salgado e Cia.

 

9 –  Relatório da missão: “Nas primeiras 7 horas foram percorridos apenas 20 km, com os caminhões estancando a cada momento, nas grandes rampas que tinham de vencer. No total, no primeiro dia de viagem, das 5h às 21h, foram vencidos apenas 76 km. No segundo dia, três de setembro, a caravana avançou mais 84 km até o cair do sol, quando chegou ao povoado de Cristalina”. Balduíno, que vinha à retaguarda, decidiu acossado pelo tempo, seguir à frente com os “Ford Bigode”, deixando os caminhões seguirem atrás da caravana. Tarde da noite, chegou ao arraial de Mestre d’Armas, fixado como referência e base dos trabalhos. Os caminhões chegaram à manhã do dia 5, e nessa mesma manhã o engenheiro Balduíno escolheu um local bem mais próximo: um promontório sobre o vale do rio São Bartolomeu, a apenas 8 km de Mestre d’Armas. Às 17 horas do dia 5, todo o material dos caminhões já estava descarregado no morro do Centenário. No dia 7, às 10 horas, estava pronto o monumento.

 

10 – A importância do lançamento da Pedra Fundamental de Brasília em 7 de setembro de 1922 – Centenário da Independência – vai além do simbolismo de um ideal “mudancista”.  Marcou também a reabertura da discussão sobre o sítio onde seria construída Brasília, cuja construção começou com JK 34 anos depois.

 

 

EM 7 DE SETEMBRO DE 2022 UMA NOVA COMEMORAÇÃO SERÁ REALIZADA PELOS 200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA.

 

 

MARCO GEODÉSICO E SELO DE PROTEÇÃO LEGAL

Ao lado do Marco da Independência e da Pedra Fundamental de Brasília está fincado no chão um “cofre” de proteção, como sendo uma medalha em metal, onde se pode ler:

 

DF 146

PROTEGIDO POR LEI

 

Fundação IBGE – IBG

 

Departamento de Geodesia e Topografia

 

A placa de bronze foi encomendada ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e enviada de trem até Araguari. A placa precisa ser restaurada.

 

 

 

A Pedra Fundamental está localizada a 9 km do centro de Planaltina no Morro do Centenário. O obelisco fica no Morro do Centenário a 1.033 metros de altitude e 47º39′ de longitude. Foi erguido para comemorar o Centenário da Independência em 7 de setembro de 1922. A escolha do local está relacionada à Missão Cruls e ao sonho de Dom Bosco, que previu o surgimento de uma civilização entre os paralelos 15° e 20°.

O obelisco tem forma piramidal de base quadrada com 3,75 m de altura, a contar das fundações. As suas faces estão orientadas pelos pontos cardeais. A Placa comemorativa está situada na face oeste, onde se lê:

 

“Sendo Presidente da República o Exmo. Sr. Dr. Epitácio da Silva Pessôa, em cumprimento ao disposto no decreto n.º 4.494 de 18 de janeiro de 1922, foi aqui collocada em 07 de setembro de 1922, ao meio-dia, a Pedra Fundamental da Futura Capital dos Estados Unidos do Brasil”

 

REVISITANDO O MONUMENTO

O local está limpo, apesar de ter um pouco de lixo espalhado nos arredores, mas a placa de identificação precisa ser restaurada por terem arrancado algum tipo de informação à sua esquerda. A pintura do monumento em si está descuidada, pois deixaram tinta branca sobre a placa de bronze que relata o evento de 7 de setembro de 1922.

 

O descuido também se pode ver no isolamento do Monumento, pois faltam apenas 2 quilômetros de asfalto para se encontrar o Marco. O fato é que, ao se preparar os 200 Anos da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022, caberia um programa de revitalização e encantamento de toda área onde está inserida a Pedra Fundamental de Brasília e, quem sabe, preparar algum evento cultural para ser levado ao ponto geodésico do Brasil. Afinal, serão 100 anos da instalação da Pedra Fundamental de Brasília e 200 anos da Celebração da Independência do Brasil.

Cuidar da História e estudar o passado é essencial para plantar um futuro mais digno e vibrante para nosso país.

 

FOTOS DO MARCO DOS 100 ANOS DA INDEPENDÊNCIA

IMPORTANTE: Vale estudar imediatamente a criação do PARQUE DO CENTENÁRIO para preservar toda a área e evitar o retalhamento das terras por invasões, loteamentos, condomínios e abertura de pequenos sítios – o que já está acontecendo.

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ALYSSON PAOLINELLI, O LEGADO

Os seis tempos de uma História que mudou o Brasil

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Tenho comigo a certeza de que, se ganharmos o Nobel, quem ganhará será o Brasil, não é o Alysson Paolinelli. São os pesquisadores brasileiros. São os extensionistas e técnicos que nos ajudaram a montar políticas públicas.

 

PRIMEITO TEMPO – Em 10 de julho de 1936, nasce em Bambuí-MG, Alysson Paolinelli, filho do agrônomo Antônio Paolinelli. Ainda jovem, estuda e trabalha na fazenda da família. Depois, estudante na ESAL – Escola Superior de Agronomia de Lavras-MG, onde se formou. Tornou-se Diretor da ESAL e fez sua federalização.

 

SEGUNDO TEMPO – Em 1971, reestruturou a Secretaria da Agricultura de Minas, governo Rondon Pacheco. Em 1974, foi convidado por Ernesto Geisel para assumir o Ministério da Agricultura. Reformulou o Ministério e a agricultura brasileira.

A agricultura no mundo, sim, a Agricultura Tropical se divide em AP E DP –Antes e depois de Paolinelli.

 

TERCEIRO TEMPO – Por que este divisor de águas? Simples, por dois motivos:

1) Capitaneado por Alysson Paolinelli e sua esquipe o Brasil resolveu assumir um desafio e ser líder mundial nas tecnologias de produção da agricultura e pecuária tropical.

2) Porque o Brasil fez uma revolução verde, deixando de ter a mentalidade de colônia para procurar resolver seus problemas com suas próprias mãos.

 

QUARTO TEMPO – Alysson Paolinelli comandou uma equipe que fez o dever de casa: fortaleceu do sistema de pesquisa e crédito, incentivou a iniciativa privada a ocupar o espaço empreendedor e mostrou algo essencial: diferente do setor industrial, o trabalho com a terra é diferente de fabricar um produto industrial. Este, paga-se royalties e faz igual. Já fazer alguma tropical requer DNA próprio.

Uma coisa é fazer agricultura no clima temperado, em terras férteis, onde a neve elimina a maioria das pragas e ainda irriga o solo no degelo. Outra coisa é fazer agricultura em terras tropicais que precisa corrigir solo, produzir sementes selecionadas, fixar nitrogênio no solo, ter controle biológico de pragas e adaptar condições de plantio e colheita. Não há como copiar. E Alysson Paolinelli comandou uma equipe que fez isso.

 

QUINTO TEMPO – Vale lembrar o norte-americano Norman Borlaug, Prêmio Nobel da Paz de 1970, ao visitar com o presidente Geisel a Embrapa-Cerrados, em Planaltina, em 1979: “Presidente Geisel, seu governo pelo ministro Paolinelli deu uma lição ao mundo ao fazer a Revolução Verde Tropical. Transformou as terras do Cerrado em polo de produção agropecuária. O Brasil desenvolveu uma tecnologia tropical que vai salvar o mundo”.

 

SEXTO TEMPO – Em 2006, Alysson Paolinelli foi agraciado com o World Food Prize, nos Estados Unidos. Agora o Brasil apresenta-o para o Nobel da PAZ. A pandemia, que ainda persiste, já deixou uma lição: SEM COMIDA NÃO HÁ PAZ.

 

Em 1977, o ex-ministro Alysson Paolinelli, junto com a diretoria da Embrapa recebe o Prêmio Nobel da Paz 1970, Norman Borlaug.

 

O BRASIL, A AGROPECUÁRIA, A CIÊNCIA E O PRÊMIO NOBEL

Alysson Paolinelli: a ciência deve ser o indicador de onde mexer e onde preservar.

 

Nesta entrevista à jornalista MARIA AMÉLIA ÁVILA, Alysson Paolinelli, 85 anos, fala sobre sua vida profissional ligada à agropecuária e relata a emoção de ter sido indicado ao Nobel da Paz, na condição de protagonista de uma verdadeira revolução agrícola sustentável. Um total de 329 candidatos de todo o mundo concorrem à deferência, e o vencedor será conhecido em 8 de outubro.

 

Iniciado na década de 1970, o projeto de transformar o solo completamente infértil do Cerrado brasileiro em um dos mais produtivos do país foi uma espécie de aposta de vida para o engenheiro agrônomo mineiro Alysson Paolinelli. A iniciativa do ex-secretário de Estado da Agricultura de Minas e ex-ministro da pasta, cujo objetivo era fazer com que o bioma gerasse alimentos não só para o Brasil, mas para o mundo, tornou-se tão importante que concorre hoje ao Prêmio Nobel da Paz de 2021. Atualmente, os 1.102 municípios do Cerrado brasileiro produzem 46% da safra de soja do país, 49% do milho, 93% do algodão e 25% do café. Na pecuária, o bioma é responsável por 32% do rebanho de bovinos, 22% dos frangos e 22% dos suínos, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

ALYSSON PAOLINELLI – ENTREVISTA

 

Ana Amélia Ávila – Como o senhor recebeu a notícia da indicação para o prêmio? 
Alysson Paolinelli – Foi com muita emoção, porque a indicação partiu, principalmente, de velhos companheiros e amigos que trabalhamos juntos há mais de 40, 50 anos. Todos nós tínhamos um pressentimento de que o Brasil merecia o Prêmio Nobel da Paz. Não só porque nunca teve, mas muito mais voltado à alimentação, à garantia de suprimento alimentar ao mundo e, principalmente, que através do alimento nós sempre obtivemos a paz, a concordância e a união entre os povos. Meus companheiros de jornada acreditavam que precisaríamos de um nome e escolheram meu nome. É lógico que a emoção é muito forte. Tenho comigo a certeza que, se ganharmos, quem ganhará será o Brasil, não o Alysson Paolinelli. São seus pesquisadores; seus extensionistas; seus técnicos profissionais que nos ajudaram a montar políticas públicas; o produtor rural, fundamentalmente, que foi o grande artífice de toda essa revolução.

 

Livro lançado em São Paulo sobre a vida e obra de Alysson Paolinelli por iniciativa de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, e com a coordenação de Ivan Wedekin. O livro traz o legado do ex-ministro e mostra o potencial da agropecuária brasileira.

 

 

A revolução agrícola sustentável é o grande projeto que representa sua indicação?

Sim, nós conseguimos, em tempo recorde, fazer uma mudança que o mundo não esperava. As regiões produtoras eram em áreas com clima temperado e com as quatro estações bem definidas. Só que a curva da população só crescia. Os estadistas perceberam que haveria um colapso na produção de alimentos. A curva da população crescia em escala geométrica e a da alimentação em escala aritmética. E essas curvas se cruzaram em 1968, quando os Estados Unidos, que eram o país que tinha toda a riqueza, toda capacidade de abastecer o mundo, foi a público dizer que não tinha mais estoques em seus silos e armazéns por mais seis meses, que era o tempo para plantar e colher a nova safra. Aí, a coisa apertou, porque os países tropicais, todos, éramos dependentes de alimentos vindo de lá. Era mais barato comprar lá do que produzir aqui. O mundo não tinha tecnologia para as regiões tropicais. As condições de clima, de solo, de fertilidade eram muito diferentes. Em 1974, O Brasil tentou achar onde existia conhecimento para se produzir umagricultura tropical, mas não existia no mundo. Nós precisamos desenvolver ciência, tecnologia e conhecimento, e foi isso que procuramos fazer ao desenvolver a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Com condição de governabilidade, com autonomia administrativa, técnica e financeira, onde ela pode mobilizar todas as competências nacionais, ou seja, da Embrapa, das universidades, das instituições estaduais de pesquisa e, principalmente, da iniciativa privada, todas trabalharam unidas para resolver esse problema. Era preciso criar uma nova agricultura. 

 

Quero garantir ao Brasil e ao mundo que nós não vamos fazer o que fez a Europa, o que fez a Ásia, o que fizeram os Estados Unidos, que arrancaram vegetações nativas e plantaram indiscriminadamente.

 

 

Por que foi escolhido o Cerrado?

O Cerrado era um solo infértil, velho; 500 mil anos mais velho do que as áreas que o mundo usava para o plantio no hemisfério temperado. Mas o governador Rondon Pacheco (1971/1975) permitiu que a Universidade de Lavras-MG fizesse uma pesquisa em relação ao Cerrado. O cerne do estudo era provar que ele seria produtivo se fosse trabalhado. A principal incógnita era se o custo desse trabalho, dessa modificação, seria viável ou não. Quando eu fui para o governo federal, como ministro da Agricultura, já estava convicto de que tinha solução. A equipe que trabalhou já havia apresentado resultados palpáveis. Com isso, fizemos um planejamento estratégico para o país fazendo a conta inversamente, ou seja, pegamos os valores em relação à importação que o Brasil fazia de alimentos à época e descobrimos que era um terço do que consumíamos.

 

E qual foi a conclusão?

Chegamos à conclusão de que precisávamos produzir, no mínimo, mais três milhões de hectares, com uma produtividade acima da que nós tínhamos. Esse era o grande problema! Sem profissionais treinados, não poderíamos fazer nada. Abrimos um concurso público para a Embrapa com mil vagas, mas só apareceram 52 com pós-graduação e contratamos o restante. Além disso, trouxemos das instituições estaduais de pesquisa mais 462 e demos às universidades que fizeram convênio conosco mais 100 vagas. Escolhemos os maiores centros de pesquisa do mundo com o objetivo de enviar esses profissionais para aprenderem novas técnicas. Foram para Europa, Japão, Estados Unidos com uma missão importantíssima. Ciência será aprendida lá, agora, tecnologia e inovação vão ser aplicadas no Cerrado brasileiro. Isso deu certo, essa foi a chave! Ao mesmo tempo, fomos obrigados a completar a estratégia. Criamos a Empresa Brasileira de Extensão Rural (Embrater) para fazer a transferência do conhecimento gerado para o produtor. Ciência isolada de meios de aplicação não faz desenvolvimento. Com isso, conseguimos do governo federal a garantia de produzir mais três milhões de hectares. Como em Minas Gerais nós já tínhamos feito a experiência e sabíamos que, para recuperar um hectare de Cerrado, custava US$ 1 mil, o recurso que nos foi reservado foi de US$3 bilhões. Aplicamos esse valor em cinco anos. Nesse período, o produtor brasileiro viu a Embrapa, junto com outras instituições de pesquisa, transformar uma área infértil em uma das áreas mais produtivas do país. E os produtores tiveram suporte para cercas, maquinários, sementes, energia elétrica, telefonia e toda a infraestrutura integrada para que ele pudesse exercer o seu papel de produzir eficientemente e comercializar seus produtos. Foi o maior programa de política pública agrícola que já houve no país.

 

Tenho comigo a certeza de que, se ganharmos o Nobel, quem ganhará será o Brasil, não o Alysson Paolinelli. São seus pesquisadores; seus extensionistas; seus técnicos profissionais que nos ajudaram a montar políticas públicas.

 

A revolução agrícola trouxe autossuficiência para o país… 
Nós tivemos a grata surpresa de ver em cinco anos o Cerrado produzir como os Estados Unidos. O brasileiro soube recuperar uma área que foi degradada por 500 mil anos. Um projeto nunca visto no mundo anteriormente. O mais interessante é que as vantagens comparativas dos americanos começaram a ser questionadas. Se lá eles fazem uma safra, aqui nós fazemos três por ano. Nós temos hoje tecnologia brasileira reconhecida mundialmente, como, por exemplo, a integração lavoura-pecuária-floresta, onde é feita doze meses por ano, em sucessão, três a quatro culturas, grãos, pasto para boi de corte e para pecuária leiteira e ainda a floresta que reequilibra tudo e absorve a sobra de carbono e incorpora no solo, coisa que os americanos não têm condições de fazer lá.

 

Agora a proposta é usar esse modelo em outros biomas brasileiros? 

Eu quero garantir ao Brasil e ao mundo que nós não vamos fazer o que fez a Europa, o que fez a Ásia, o que fizeram os Estados Unidos, que arrancaram toda as suas vegetações nativas e plantaram indiscriminadamente. O que eu quero aqui é que nós temos área suficiente em seis grandes biomas – Amazônico, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas, Pantanal e o Cerrado – e, antes de entrarmos com a produção, como fizemos no Cerrado, vamos entrar com a ciência para que ela seja um indicador de limitação de onde mexer e onde não mexer, onde vamos preservar.

 

 

 

 

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