Artigos

FLORES NOSSA DE CADA DIA Para não dizer que não falei das flores

O Brasil produz 8% da produção mundial de flores. São mais de 15 mil hectares, movimentando cerca de R$ 15 bilhões.

Published

on

 

As flores transformam uma casa em lar. Vale para o agronegócio e vale para o país A capacidade de sedução das flores é fundamental para a reprodução e a sobrevivência da planta. As flores são belas e perfumadas para seduzir seus polinizadores: insetos, aves e morcegos. Até os humanos são atraídos pelo perfume e pela beleza das flores, capazes de um verdadeiro encantamento. Eles seguiram o exemplo dos vegetais. Em sinal de afeto, amor e paixão, oferecem flores. Para seduzir, perfumam-se com fragrâncias e aromas retirados das flores.

Diversos papiros do Egito antigo atestam a fabricação de perfumes e unguentos aromáticos a partir de lírios e várias flores. São muitas menções a perfumes na Bíblia. É emblemático o gesto da mulher rompendo um vaso de alabastro, repleto de perfume de nardo, lá das proximidades do Himalaia, e derramando-o sobre Jesus, ungindo-o da cabeça aos pés (Mt 26,7). No passado, os perfumes eram extraídos de rosas, jasmins, lírios, laranjeiras e outras flores através do vapor, da fumaça. Daí a origem latina da palavra: per fumum, “pelo fumo”, pela fumaça, pelo vapor. E por meio de borrifadas vaporizadas, per fumum, as fragrâncias ainda se espalham no corpo humano e no ambiente.

 

 

Qual é o aroma que traz paz, conforto e prazer ao coração? No passado, os perfumes eram extraídos de rosas, jasmins, lírios, laranjeiras e outras flores através do vapor, da fumaça. Daí a origem latina da palavra: per fumum, “pelo fumo”, pela fumaça, pelo vapor.

 

 

HISTÓRIA DA QUÍMICA DE PERFUMES
O Livro da Química de Perfumes e Destilados, escrito pelo químico árabe Alquindi no século 9, apresenta centenas de receitas de óleos de fragrâncias, águas aromáticas ou imitações para drogas caras, além de mais de uma centena de métodos e receitas para a perfumaria. Essa presença árabe segue no nome de instrumentos da produção de perfumes, como alambique. No século 10, o médico e químico persa Avicena sistematizou a extração de óleos de flores pela destilação. Seus ingredientes e sua tecnologia da destilação marcaram a perfumaria ocidental até hoje.
A produção de flores é uma das obras-primas praticadas por pequenos agricultores. No Censo Agropecuário do IBGE de 2017, dos 5 milhões de estabelecimentos agropecuários recenseados no Brasil, 12.000 declaram ser floricultores ‘lato sensu’ (flores, folhagens, mudas, sementes…), presentes em quase metade dos municípios brasileiros (mapa 1).

 

Parte significativa desses floricultores possui uma organização empresarial e tecnológica avançada e intensiva. Atividade competitiva, nessa floricultura moderna estão mais de 8 mil floricultores profissionais. Seus cultivos têm área média de 1,5 hectare, segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura. A área total da floricultura ultrapassa 15 mil hectares. Parece pouco, comparado à de soja ou milho. Não é. A área mundial é da ordem de 190 mil hectares. A brasileira representa cerca de 8%.

PRONAF E OS FLORICULTORES
Além desse grupo, existe uma fração de floricultores, de 3 mil a 4 mil, em escala muito local, menos integrada aos mercados. Segundo pesquisa da Embrapa Territorial, em janeiro de 2022, dos pequenos agricultores com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), 3.152 declararam-se produtores de flores, além de outras atividades, com expressiva presença no Nordeste e até na Amazônia (mapa 2).

 

No Brasil, aproximadamente 9% das flores e plantas são cultivadas em estufas, 3% sob telados ou sombrite e 88% em campo aberto ou ao ar livre. Das 350 espécies e suas 3 mil cultivares, nativas e exóticas, 30% são flores e folhagens de corte, 39% são plantas e flores de vaso e 31% plantas ornamentais e para paisagismo.

EMPREGOS NA FLORICULTURA
Intensiva em capital e mão de obra, a floricultura emprega, em média, 3,8 trabalhadores por hectare. A cadeia de produção e comercialização envolve diretamente 200 mil pessoas: 50% nas propriedades, 40% no varejo, 4% na distribuição e o restante em atividades complementares. Nas pequenas propriedades, apenas 20% da mão de obra é familiar, os outros 80% são contratados. Boa parte da mão de obra é feminina. As mulheres demonstram maior destreza, habilidade e cuidado no manuseio de flores e plantas. Floriculturas vendem beleza e embelezamento, associados à presença de mulheres nos pontos de venda.

 

 

HOLAMBRA – junção das palavras HOLanda, América e BRAsil – é conhecida como a “Capital Nacional das Flores”, está a 140 km da cidade de São Paulo.

A Lei de Proteção de Cultivares, de 1997, viabilizou a entrada no mercado brasileiro de novos cultivares e lotou as prateleiras de floriculturas e pontos de venda com uma gama ampla de cores e formatos até então desconhecidos dos brasileiros, aumentando a oferta e a diversidade.

FLORES EM VALORES
O valor bruto da produção passou de R$ 0,3 bilhão, em 2004, para R$ 11 bilhões, em 2021. São Paulo responde por praticamente 70% desse valor. O consumo de flores cresceu, no mesmo período, de R$ 15/habitante/ano para cerca de R$ 65 (US$ 12), ainda muito aquém do consumo na Suíça (US$ 174), na Alemanha (US$ 98), na França (US$ 69) e nos EUA (US$ 58).
O faturamento do setor cresce entre 12% e 15% anualmente. São cerca de 600 empresas atacadistas no mercado de flores e mais de 25 mil pontos de venda. Mais da metade do consumo se concentra no Estado de São Paulo e 85% no Sudeste. O mercado nacional absorve 97,5% da produção. Só uma pequena porcentagem é destinada à exportação.
Os principais polos de produção estão no Estado de São Paulo, em Arujá, Atibaia, Holambra e Ibiúna. Outros em Andradas, Barbacena, Munhoz (MG); Nova Friburgo, Petrópolis, Serra da Mantiqueira (RJ); Vale do Caí (RS); Joinville (SC); e Serra da Ibiapaba (CE). Flores e folhagens tropicais são produzidas em localidades no litoral do Nordeste (AL, PE, RN e BA).

 

FLORES E A PANDEMIA
Ambiente de trabalho ornado com flores não é mais exclusividade de mulheres. Homens presenteiam e são presenteados com flores
A floricultura sofreu com os lockdowns no início da pandemia: cancelamento de festas, casamentos, batizados, bodas e outros eventos. Houve queda brutal na demanda por decoração com flores de corte (rosas, crisântemos, astromélias, lírios…). O tratamento do consumo de flores como algo supérfluo no início da pandemia foi revertido graças a campanhas intensas dos produtores, sobretudo no varejo, em supermercados e floriculturas.
Pessoas em ‘home office’, confinadas, buscaram maior reconexão com a natureza. Os floristas propuseram opções: da decoração com flores e até no cultivo limitado de plantas ornamentais, para tornar o ambiente de trabalho mais prazeroso e dar maior aconchego e bem-estar às casas. Durante o isolamento, a jardinagem passou a ser praticada nas casas e se tornou um hobby de muitos brasileiros. Isso ampliou e diversificou a demanda. E exigiu novas soluções em buquês, ramalhetes e plantas, além do comércio de vasos, ferramentas, pequenos sistemas de irrigação, estufas e outros. Flores de vaso, orquídeas, suculentas, cactos, antúrios e até bonsais ampliaram as vendas.

 

 

Barbacena, em Minas Gerais, é um importante polo de produção de rosas.

 

 

JARDINAGEM E PLANTAS
Jardinagem e plantas para decoração ajudaram no crescimento do mercado de flores entre 2020 e 2021. E, mesmo com o recuo da COVID, jardins e ambientes com flores ainda se mantêm. Somaram-se a essa demanda, novos hábitos. Ambiente de trabalho ornado com flores não é mais exclusividade de mulheres. Homens presenteiam e são presenteados com flores.
A floricultura e os floristas investiram e inovaram em comunicação e comércio digital. Criaram sites, ampliaram sua inserção em redes sociais, telemarketing e aperfeiçoaram os serviços de delivery. Cresceu a venda no varejo. Floristas já eram pioneiros em entrega de flores em domicílio, mesmo à distância. Agora, ganharam uma escala maior e mais sofisticada.

OS MÊSES DAS FLORES
Após as perdas, as vendas de 2021 superaram as de 2020 e, em alguns segmentos, até de anos anteriores. A demanda cresceu. Maio é um mês das flores, com o Dia das Mães. Junho também, com o Dia dos Namorados. As duas festas somam quase 40% das vendas ao longo do ano. Aqui, o Dia dos Namorados é na véspera da festa de Santo Antônio, e não no dia de São Valentino.
Associar flores, namorados e Santo Antônio é natural. Ele foi um pregador culto e apaixonado, com grande devoção aos pobres. Veneradíssimo no Brasil como o santo dos amores e dos casamentos, ele abre o ciclo das festas juninas. Ao tornar-se monge, ele adotou o nome Antônio ou “flor nova”, anto nous: do grego ánthos “rebento, broto, flor”, presente em antúrio, e da expressão latina novus “novo”. Antônio foi mesmo uma nova floração para o Cristianismo na Europa e um expoente da Ordem dos Franciscanos.

Na floricultura, todo dia se planta e se colhe. A busca da perfeição é absoluta. Não pode haver defeito ou mancha nas flores. Se não, são descartadas. Esse perfeccionismo é associado à sustentabilidade. Nas estufas, se a temperatura sobe demais, o floricultor a resfria, e vice-versa. A água gerada pelos sistemas de refrigeração ou das chuvas é recuperada e utilizada na produção. Cada vez gasta-se menos água por vaso produzido, graças à eficiência dos sistemas de irrigação, à gestão dos melhores horários para irrigar etc. O setor investe muito em energia solar. Teme falta de energia ou um fornecimento de má qualidade, capaz de comprometer seus equipamentos sofisticados.

 

 

Uma frase conhecida dos floristas foi adotada por muitos. As flores transformam uma casa em lar. Vale para o agro e para o país.

 

Em São Paulo, a Feira Internacional de Paisagismo, Jardinagem, Lazer e Floricultura reúne mais de 200 expositores nacionais e internacionais. Outros cartões-postais da floricultura são a Expoflora, em Holambra (SP), e a Festa das Flores de Joinville (SC). Esses eventos técnicos e turísticos reúnem milhares de produtores, fornecedores de equipamentos, insumos e centenas de milhares de visitantes. Como as feiras agropecuárias e as de peão, as festas das flores são vitrines para o consumidor urbano da potencialidade da agropecuária e dos pequenos agricultores tecnificados.

 

Para não dizer que não falei das flores - Revista Oeste

Flor Pink Rose, em Holambra. Foto: Tamy Atamay/Shutterstock

 

Uma frase conhecida dos floristas foi adotada por muitos. As flores transformam uma casa em lar. Vale para o agro e para o país.

 

 

 

Artigos

Onde a onça bebe água?

Published

on

 

Você sabia que em nossa rica Morada Nova de Minas podemos encontrar uma área protegida, com mata nativa preservada e animais típicos do cerrado? É isso mesmo! No livro “Onde a Onça Bebe Água – Lá na Morada” você encontra a história da Estação Ecológica de Pirapitinga, uma importante unidade de conservação de nossa região que guarda espécies importantes de plantas e animais.

A obra é destinada aos estudantes, professores, moradoras dos arredores e todas as pessoas que se interessarem pela temática ambiental, especialmente às residentes no município e que pretendem conhecer e cuidar do local onde vivem!

O livro é uma iniciativa de Moradenses, realizada por equipe interdisciplinar de forma gratuita e voluntária. Vale a pena conferir! O exemplar está disponível em formato digital e pode ser encontrado na biografia do instagram @lanamorada

 

Link do Livro

https://www.canva.com/design/DAE-1-gtsz4/wmvmpFTlEyK6-Q73qUrf0Q/view?utm_content=DAE-1-gtsz4&utm_campaign=designshare&utm_medium=link&utm_source=viewer

 

 

 

Continue Reading

Artigos

CATULO DA PAIXÃO CEARENSE, CAUBY, MARLENE DIETRICH E OS HINOS NACIONAIS

Vale a pena ouvir ‘Luar do Sertão’ na voz de O ANJO AZUL, Marlene Dietrich:

Published

on

 

O Brasil tem seu Hino Nacional, por sinal, maravilhoso. Tão maravilhoso que na véspera do jogo Brasil x Inglaterra, na Copa do Japão, em 2002, o jornal inglês The Garden fez um editorial assim: – Inglaterra e Brasil é o jogo da Copa, Uma final antecipada. Mas se o leitor não gosta de futebol, pode acordar de madrugada pelo menos para ouvir o Hino Nacional Brasileiro, uma das peças mais lindas da música universal”.
Pois bem, o Brasil tem seu belo Hino. Mas também tem outras músicas consideradas verdadeiros hinos nacionais, como Aquarela do Brasil (Ari Barroso) e Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco).
Duas coisas:
1) Catulo, o Poeta do Sertão, não era cearense. Nasceu em São Luiz, portanto maranhense. O Cearense era sobrenome de família e não artístico.
2) ‘Luar do Sertão’ teve cerca de 900 gravações de artistas e duplas de todos portes: de Luiz Gonzaga, Bethânia, , Milton Nascimento, Elba Ramalho, Chitãozinho & Xororó etc etc e até Marlene Dietrich, a atriz alemã, que gravou quando esteve no Rio de Janeiro em 1959. Aprendeu a música com Cauby Peixoto, com quem fez dueto num show assistido até pelo presidente JK.
Vale a pena ouvir ‘Luar do Sertão’ na voz de O ANJO AZUL, Marlene Dietrich:
https://www.youtube.com/watch?v=TW0PKhIvLz0

Continue Reading

Artigos

Podcast influencia crianças a adotarem hábitos sustentáveis para a preservação do planeta

Conteúdos entretêm e estimulam a mobilização de novas gerações

Published

on

 

Kaiala é uma menina atenta aos pequenos detalhes ao seu redor: joaninhas, formigas operárias, conchas do mar e grãos de areia. Sua mãe, Gigi, lhe ensinou que os adultos são tão apressados que não conseguem reparar na aparente pequenez do que faz parte da natureza e do que é invisível aos nossos olhos. Este é o início de “Somos a Mãe Terra”, uma das histórias do podcast “Contos da Capivara”, que tem como objetivo inspirar crianças e seus familiares a adotarem práticas sustentáveis.

Escrita pela educadora Kiusam de Oliveira, a história retrata a profunda conexão entre os seres humanos e a natureza e conta com o apoio do grupo de pesquisa Laroyê. “Você é filha da Terra e dela é matéria”, explica Gigi à filha, fazendo-a refletir sobre outros elementos naturais, como o vento, a água e o fogo. Com uma linguagem simples e envolvente, Kiusam mostra às crianças que todos esses elementos e seres possuem uma função dentro do universo, incentivando os pequenos a contemplá-los e valorizá-los.

Idealizado pelo Verdes Marias, movimento de três irmãs que buscam inspirar pessoas a ingressarem numa vida mais saudável, e pela produtora Poétika, o “Contos da Capivara” possui oito histórias de autores brasileiros de livros infantis, como Kiusam de Oliveira, Claudia Vasconcellos, Marcelo Maluf, Julia Medeiros, Carú Ricardo e Ciro Campos e Thara Alves.

São narrativas indicadas para crianças acima de quatro anos e que abordam aspectos variados da temática da preservação ambiental: lixo, mudanças climáticas, desmatamento e a importância do cuidado com a água estão entre elas. Todos os episódios possuem o apoio técnico de organizações como o Greenpeace, Famílias pelo Clima, Sea Shepherd, Instituto Ipê, Menos 1 lixo, entre outras, e contam com a Clara, a Capivara, que traz dicas de microrrevoluções de como as famílias podem levar uma vida mais sustentável.

Contação de histórias potencializa aprendizado

De acordo com uma pesquisa realizada pela plataforma Cupom Válido, com dados da Statista e do IBOPE, o Brasil é o terceiro país que mais consome podcasts no mundo e só fica atrás da Suécia e da Irlanda. Mais de 30 milhões de brasileiros ouvem podcasts e o formato tem atraído um público em busca de conteúdos mais diversos e qualificados. A ferramenta não chama a atenção apenas de adultos, mas também do público infantil, já que a contação de histórias transmite conteúdos educativos de uma maneira instigante, divertida e leve. As crianças desenvolvem a imaginação e a escuta e retêm a atenção no momento presente enquanto têm acesso a novos aprendizados importantes para sua formação.

“Dentro de uma visão negro-referenciada e considerando a África como o berço da humanidade, a narração de histórias foi a primeira via de acesso à informação e às trocas. Era o momento de as pessoas estarem em roda, olho no olho, frente a frente. Educar as crianças a partir da narração adequada aos temas desejados é essencial”, afirma a escritora Kiusam.

A ferramenta mantém as crianças distantes do excesso de exposição à televisão e a outras telas, que podem causar uma série de prejuízos físicos, cognitivos e comportamentais. Alguns deles são dificuldade de aprendizagem e de interação social, baixa concentração, estímulo da agressividade e problemas oculares. Outra questão refere-se à relação formada entre os dispositivos eletrônicos e as crianças.

Enquanto as telas colocam os menores em uma posição passiva – na qual eles clicam e recebem conteúdos instantaneamente – o podcast faz o contrário e encoraja o fortalecimento de suas habilidades. “Percebemos que esse poderia ser um caminho muito interessante, as crianças absorvem o conteúdo de uma forma agradável. Na televisão, a informação está totalmente pronta, isso distancia as pessoas de um raciocínio, elas ficam hipnotizadas. No podcast, as crianças entram num nível de concentração para visualizar as histórias nas suas mentes”, explica Flávio Nina, sócio do “Contos da Capivara”.

Microrrevoluções

O “Contos da Capivara” não se limita a denunciar os problemas socioambientais, pelo contrário: seu intuito é oferecer soluções propositivas, incentivando o desenvolvimento de hábitos mais saudáveis para o planeta. Ao final de cada episódio, a Capivara cita pequenas ações que podem ser feitas no dia a dia e que fazem a diferença para o meio ambiente. Elas são denominadas microrrevoluções e incluem um vasto leque de opções como reciclar embalagens, reduzir o consumo e usar produtos menos nocivos ao meio ambiente. No episódio “Somos a Mãe Terra”, os ouvintes são convidados a tirar os sapatos e pisar no solo para se conectarem mais à natureza. Em seguida, a Capivara propõe que as crianças brinquem com as folhas que caem durante o outono e façam uma arte com elas para que se lembrem que o meio ambiente é também o seu lar.

A filha mais velha de Flávio é uma das ouvintes do podcast e sempre traz questões relacionadas à preservação do planeta para a família: “Acabamos sempre nos engajando nas pesquisas dela, como os brinquedos de sucata [referência ao episódio Bricabraque]. Minha filha sempre pergunta sobre reciclagem e quer transformar sucatas em brinquedos. As microrrevoluções podem parecer até despretensiosas e ingênuas, mas a soma delas pode causar muito impacto e inspirar as pessoas a ter atitudes parecidas. Elas são muito simples e podem incluir brincar ao ar livre, ir a parques nacionais e a reservas. Ficamos tão condicionados a ir ao shopping e comprar algo em uma loja, mas a experiência para a criança pode ser algo como correr na grama, precisamos expandir o que é o brincar”.

O engajamento infantil no assunto é perceptível. Mariana Moraes, uma das irmãs do Verdes Marias, conta sobre o retorno que recebe das crianças que acompanham o “Contos da Capivara”: “recebemos relatos de crianças do Brasil todo, contando como tem brincado com sucata, que adoraram a história da rafa garrafa (sobre plástico no oceano), que tem feito as microrrevoluções em casa. Recebemos o vídeo de uma criança de 3 anos cantando a música de abertura, a mãe nos contou que ela quer aprender a tocar violão para tocar a música!”.

Para Kiusam, os podcasts são ferramentas interessantes de escuta e calmaria que permitem que o público infantil imagine cada ação e possibilidade trazidas pela história. “Foi muito importante participar disso. ‘Somos a Mãe Terra’ é muito visceral dentro do campo teórico que tenho trabalhado (a pedagogia eco ancestral), que considera que somos seres ecológicos, que a natureza não está fora de nós, mas dentro de nós. Compartilhar essa história que estava guardada há algum tempo foi marcante”, conta.

Empoderamento

As palavras utilizadas pela escritora não provocam apenas encantamento, mas também empoderamento. “Uma característica da minha carreira é o empoderamento de crianças, jovens e adultos. Para mim, as crianças precisam se sentir protagonistas da vida, entendo que quando o bebê está no útero materno, esse bebê já é capturado pelas questões sociais que envolvem a todos. Nossa sociedade ainda enxerga a criança de uma forma muito atrasada, como se ela fosse uma folha em branco, como pensavam nos séculos 17, 18 e 19. Rapidamente, a criança acaba reproduzindo falas, posturas e comportamentos vistos e ouvidos como exemplares dentro da própria casa e isso a gente acompanha em sala de aula”, ressalta.

Durante os 35 anos em que atuou como educadora, Kiusam notou que os bebês reproduzem falas e comportamentos de pessoas próximas a eles. Por isso, o exemplo dentro de casa é imprescindível para ensinar as novas gerações a serem mais conscientes. “Nossa educação é pautada em modelos eurocêntricos e, nesse sentido, o individualismo prevalece. As crianças aprendem a ser individualistas desde muito cedo e isso em nada facilita a possibilidade que elas têm de construir um mundo melhor. Para fazer isso, elas precisam entender o conceito de coletividade e não de seletividade. Para que ocorra um empoderamento de verdade, ele precisa ser associado a uma série de virtudes e valores que têm sido desmerecidos pela sociedade brasileira como um todo. O podcast traz questões fundamentais para a possibilidade de reconstrução das infâncias brasileiras e para o empoderamento das crianças brasileiras”, conclui.

“Contos da Capivara” está disponível no Spotify, Anchor e outros dispositivos

Quem quiser acompanhar a série “Contos da Capivara”, pode acessar pelo Spotify (https://spoti.fi/3Lh0v4i) , pelo Anchor (Contos Da Capivara • Um podcast na Anchor) ou pelo seu tocador preferido. O conteúdo é gratuito e pode ser escutado diversas vezes, sem moderação. Mais informações, acesse www.verdesmarias.eco.br.

Sobre o Verdes Marias

O Verdes Marias é um movimento de três irmãs, chamadas Mariana Moraes, Maria Carolina Moraes e Maria Clara Moraes, que buscam inspirar pessoas a ingressarem numa vida mais sustentável, por meio de microrrevoluções em suas vidas. Ele é baseado nos eixos “Por menos lixo, mais orgânicos e uma vida mais consciente”, que tem se proposto a testar iniciativas, projetos, produtos, alimentos e experiências mais sustentáveis e compartilhar suas descobertas. O projeto começou porque Mariana começou a propor desafios para que suas irmãs aos poucos adotassem práticas mais sustentáveis em suas vidas. Amigos e familiares gostaram da ideia e também se interessavam em saber por onde começar quando querem “mudar o mundo”, e com isso surgiu o projeto.  Elas tem mais de 300 mil seguidores no Tiktok, além de uma presença forma nas outras redes sociais.

Sobre a Poétika

A Poétika é uma produtora cultural com foco em cinema e teatro. Flávio Ermírio, sócio, é diretor, produtor, dramaturgo, com passagens por núcleos de formação como NYU, ESPA Primary Stages e Yale University. Dirigiu dois curta metragens premiados internacionalmente e trabalha com direção de projetos e supervisão artística para desenvolvimentos de novos projetos – e aqui, ele assina a direção artística. Este projeto foi desenvolvido com a produção executiva de Nina Valentini – empreendedora social, mobilizadora de pessoas e recursos para causas urgentes e relevantes. Nina foi premiada pela Folha de S.Paulo e pelo Trip Transformadores pelo seu trabalho à frente do Movimento Arredondar. Atualmente, é consultora de organizações de impacto. www.poetika.com.br.

 

 

 

Continue Reading

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010