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DRONES REFLORESTADORES
A recuperação e a expansão de florestas podem vir do céu. Drones entram em cena para lançar sementes e monitorar o crescimento da vegetação em áreas afetadas por secas e incêndios.
FÁBIO CARDO – Economista e co-publisher do canal FoodTech da Fast Company.
Mudanças climáticas são grandes riscos para a previsibilidade da atividade agropecuária. O clima afeta diretamente toda a cadeia produtiva, que depende de chuvas e períodos secos para que os produtores possam programar quando preparar o solo, semear, tratar e colher. Um drone tem capacidade para carregar quase 26 quilos de sementes, junto com os compostos para promover a fertilização e ainda pimenta para afastar os roedores.
À medida em que florestas e outros biomas são danificados, seja por ação direta do ser humano (poluição, queimadas intencionais, derrubada de matas em áreas de proteção ambiental) ou indireta (fogo, inundações, secas), os parâmetros de clima ficam cada vez mais incertos.
Não importa o motivo, o fato é que as florestas têm que ser repostas, os biomas recriados, o carbono fixado no solo – ações para buscar nova estabilidade e mais previsibilidade climática. Algumas empresas estão acelerando esses processos de recuperação de florestas, com planos que preveem o replantio de bilhões de árvores até 2028. Bilhões!
DRONES PLANTADORES
Como isso é possível? Com o uso de drones e muita tecnologia. Os drones podem ser os aliados para o conhecimento das características de solo e clima dos locais onde serão realizados o replantio. Um único drone é capaz de lançar ao solo milhares de sementes, além de realizar o acompanhamento do processo de evolução das sementes e de crescimento das plantas.

Drones são usados na recomposição de florestas na Califórnia.
Uma das líderes desse processo é a canadense Flash Forest, fundada em 2019. Além dos drones, a empresa tem um software com sistema de mapeamento aéreo, automação de processos e tecnologia de sementes biológicas, que inclui um mix de sementes, fertilizante e mycorrhizae (raiz de fungo, fundamental para a nutrição da planta e saúde do solo).
O uso integrado da tecnologia já permite a reconstrução de áreas extensas de florestas no Canadá que passaram por incêndios de grandes proporções.
EUA E CANADÁ:
AINDA SEM PLANOS PARA O BRASIL
A empresa realiza o acompanhamento de todo o processo de mapeamento e preparação do solo, lançamento das sementes de diversas variedades de árvores, acompanhamento da evolução do crescimento e eventuais replantios. Atuando junto com organismos públicos, promove a recuperação, inclusive, em áreas de difícil acesso ou sem segurança.
A atividade Flash Forest está em franco crescimento mas ainda depende de novos investimentos para expandir para outros países. Estão em fase de buscar o investimento de série A, por exemplo, e ainda assim, mantendo o crescimento da operação. A empresa diz que ainda não tem planos de atuar no Brasil.
Outra que trabalha com sistema similar de replantio é a DroneSeed. Ela atua prioritariamente na recomposição de florestas na Califórnia, onde incêndios florestais devastam extensas áreas todos os anos. Um drone tem capacidade para carregar quase 26 quilos de sementes, junto com os compostos para promover a fertilização e ainda pimenta para afastar os roedores.

Um drone tem capacidade para carregar quase 26 quilos de sementes, junto com os compostos para promover a fertilização e ainda pimenta para afastar os roedores.
EMPRESAS ATUAM JUNTO COM AS COMUNIDADES
Ambas as empresas (Flash Forest e DroneSeed) atuam junto com as comunidades locais, que conhecem melhor as particularidades de solo e das áreas a serem plantadas. Um esforço conjunto para a recuperação florestal em áreas que sofreram com as queimadas.
Por que não adotar o mesmo modelo de replantio e recuperação de outros biomas em todo o mundo, incluindo áreas degradadas no Brasil?
O uso de drones no Brasil nas áreas rurais está crescendo, permitindo realizar diversos mapeamentos de áreas de cultivo e das reservas legais, aplicando insumos no campo com bastante precisão, captando imagens em alta definição e coletando detalhes importantes na definição das ações necessárias para garantir melhor produtividade com o menor impacto ambiental.
Temos também boa oferta tecnológica de mapeamento, desde áreas extensas e até o micromapeamento de solo com o apoio de satélites, drones, equipamentos de solo instalados em tratores com sensores que medem umidade, qualidade dos orgânicos, pragas.
Todos os dados são processados em estruturas de banco de dados, com uso de inteligência artificial e ‘big data’. São todos sistemas que podem ser somados no processo de replantio de vegetação usando drones.

Os DRONES também ocupam um lugar importante na moderna agricultura. A pioneira no emprego de veículos aéreos não tripulados foi a Embrapa Instrumentação, tendo iniciado pesquisas com o emprego destes aparelhos em 1998. A proposta era substituir as aeronaves convencionais, utilizadas na obtenção de fotografias aéreas, para monitoramento de áreas agrícolas e áreas sujeitas a problemas ambientais, por ‘vants’ de pequeno porte que realizam missões pré-estabelecidas pelos usuários. Essa é uma matéria para a próxima edição da www.folhadomeio.com.br
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Nova lei estabelece projeção de informações sobre pontos turísticos em Brasília nas salas de cinema
As exibições de informações devem ter duração de 30 segundos e serem projetadas antes do início de filmes nos cinemas e em casas de show
Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília
Legislação visa explorar o potencial turístico e cultural do Distrito Federal
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promulgou a Lei nº 7.868, de 6 de maio de 2026, de autoria da deputada Jaqueline Silva (MDB), após o veto ao projeto de lei original pelo ex-governador Ibaneis Rocha. A nova lei institui a obrigatoriedade da exibição de informações sobre pontos turísticos de Brasília nas telas de cinema no DF.
Originalmente PL nº 2.279/2021, a justificativa do projeto é a promoção do turismo como fonte inesgotável de renda, emprego, desenvolvimento econômico e cultural. O cinema deverá ser utilizado como meio ímpar de divulgação de atrações pela sua abrangência e diversidade de público.
Segundo Jaqueline Silva, o fomento ao turismo traz um cenário benéfico de geração de empregos e o surgimento de profissionais capacitados em diversas áreas, abrindo espaço para bacharéis em turismo e hotelaria, profissionais da gastronomia, transporte turístico, idiomas, comércios diversos e artesanatos.
As exibições de informações devem ter duração de 30 segundos e ser projetadas antes do início de filmes nos cinemas e em casas de show. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec) fornecerá todas as informações que serão projetadas.
Beatriz Negreiros (sob a supervisão de Ivan Iunes)
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A CIÊNCIA BUSCA UM FUTURO PARA A ARAUCÁRIA
Técnica inovadora de enxertia, desenvolvida pela Embrapa e por pesquisadores da UFPR e da UEPG, reduz o tempo para produção
DIA DE SÃO JOÃO E DO PINHÃO
O Dia Nacional da Araucária é celebrado em 24 de junho. A data foi instituída em 2005 por decreto presidencial para conscientizar sobre a preservação do Pinheiro-do-Paraná (Araucária angustifólia), árvore típica do Sul do Brasil. Paradoxo: leis criadas para protegê-la acabaram por ameaçar sua própria existência. Transformaram-na em uma árvore sem valor econômico e, muitas vezes, num incômodo para os produtores rurais. Agora, uma técnica inovadora de enxertia, desenvolvida pela Embrapa e por pesquisadores da UFPR e da UEPG, reduz o tempo até o início da produção e torna rentável o plantio de florestas produtoras de pinhão.
A araucária é um fóssil vivo, cujos ancestrais remontam a cerca de 200 milhões de anos. Com até 50 metros de altura, a árvore possui um tronco reto e em forma de cilindro, com ótimo rendimento em madeira. As sementes ficam agrupadas em pinhas nas árvores fêmeas. Maduras, as pinhas podem pesar até cinco quilos. O pinhão é a base de diversos pratos regionais.
A araucária serve de abrigo e fornece alimento para aves, como a gralha-azul, a maritaca, o papagaio-de-peito-roxo e o papagaio-charão, e mamíferos como cotias, serelepes, ouriços, catetos etc. Esses animais contribuem, de diversas formas, com sua disseminação natural.
DIA DE SÃO JOÃO E DO PINHÃO
A escolha do dia não foi por acaso. O dia 24 de junho, associado à festa de São João, coincide com o período de queda e colheita do pinhão, ingrediente essencial da culinária das festas juninas no Sul.
Ao plantar um pinhão, o agricultor não sabe se a futura árvore produzirá pinhas (fêmea) ou será uma árvore masculina, produtora apenas de pólen. É uma enorme limitação ao plantio de florestas para produzir pinhões.
A araucária é uma espécie de árvore quase exclusivamente brasileira. É encontrada com abundância nas serras e regiões mais altas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ela também ocorre em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, em áreas mais restritas, com destaque para a região da Mantiqueira, além de pequenos trechos da Argentina e do Paraguai. As matas nativas de araucária possuíam árvores enormes, com mais de cinco metros de diâmetro e cerca de vinte metros de circunferência.
ORIGEM DO NOME LONDRINA
Em 1924, o grupo inglês Paraná Plantations Ltd. criou a Companhia de Terras Norte do Paraná, após a doação de 500.000 alqueires de terra pelo governo republicano. A empresa focou na colonização e transformou, com lucros substanciais, grandes extensões de mata em projetos imobiliários e agrícolas. A própria Londrina recebeu esse nome em homenagem à origem inglesa dos empreendedores (London).

A redução das matas de araucária inspirou uma legislação ambientalista de proteção total da árvore no final do século XX.
A derrubada das matas de araucária para a produção e exportação de madeira no Paraná foi resultado direto desse modelo de colonização e da expansão ferroviária. Assim como a fratricida Guerra do Contestado. As ferrovias viabilizaram a exploração madeireira em larga escala e a posterior expansão cafeeira no norte do Paraná.
A redução das matas de araucária inspirou uma legislação ambientalista de proteção total da árvore no final do século XX. A ideia de ‘responsabilidade coletiva na conservação dos recursos naturais’, difundida pelo ambientalismo urbano, transfere o ônus e a responsabilidade para o produtor rural, sob severas ameaças e sanções. Essas políticas terminaram por desestimular o plantio da araucária pelos produtores com receio de não poder utilizá-las economicamente, sobretudo a madeira, e levaram à erradicação crônica de jovens plantas em meio às pastagens. As matas seguiram declinando. A exploração extrativista do pinhão permaneceu marginal.
ARAUCÁRIA: ENXERTIA
COM PLANTAS FÊMEAS
Agora, o plantio e a exploração da araucária podem se tornar uma opção rentável para a agricultura. O professor Flávio Zanette (UFPR) e o engenheiro florestal Ivar Wendling (EMBRAPA) desenvolveram uma técnica revolucionária: a enxertia com plantas fêmeas de araucária. A técnica garante a produção precoce de pinhões (seis anos em vez de quinze), em plantios homogêneos e rentáveis para exploração florestal e agrícola, e já desperta o interesse de agricultores do Paraná e de outros estados.

O professor Flávio Zanette, da Universidade Federal do Paraná, explica que para a enxertia é necessário um pedaço de pinheiro pronto para ser enxertado. As mudas aptas para receber o enxerto devem ter pelo menos dois anos de idade.
A araucária pode ser integrada às pastagens e contribuir tanto para a preservação da espécie quanto para a recuperação de áreas degradadas. A conservação torna-se mais robusta quando a espécie possui valor econômico e é incorporada aos sistemas produtivos.
Com a produção crescente e segura de pinhões, toda uma indústria agroalimentar poderá se desenvolver. Além do amido, o pinhão contém minerais essenciais à saúde humana, como cálcio, ferro, fósforo, manganês e magnésio. Será possível atender a indústria e o consumidor com a farinha de pinhão, um produto sem glúten, sem lactose, de baixos teores de sódio e gordura e fonte de fibra alimentar.
A data nacional da araucária é um convite à reflexão sobre a necessidade de a legislação ambiental ser compatibilizada com as realidades econômicas e sociais. A ciência ofereceu uma alternativa ao extrativismo e ao impasse regulatório. Ao devolver valor econômico à araucária, a enxertia abre caminho para o plantio de florestas produtivas, a recuperação de áreas degradadas, a geração de renda e a conservação dos ecossistemas associados. A melhor proteção para uma espécie, do Sul à Amazônia, não é transformá-la em intocável. É fazer dela uma riqueza viva e cultivada.
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