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A QUESTÃO AMBIENTAL VAI INFLUENCIAR AS ELEIÇÕES DE OUTUBRO DE 2022?

Em todas as eleições, para todos os níveis (federal, estadual e municipal) as questões relacionadas a comportamento, costumes, ações de políticas públicas e posicionamentos ideológicos contribuem para escolha de candidatos. Assim, meio ambiente, aborto, emprego, desenvolvimento sustentável, educação e saúde são temas que estão na cabeça dos eleitores e influenciam muito em quem vai votar. Especialmente em relação aos mandatos estaduais e federal, já que nas eleições municipais os eleitores olham mais para a questão local.

 

No caso do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável, a pré-campanha eleitoral sempre é motivo de críticas, cobranças e posicionamentos até, por vezes, agressivos e contundentes. Para o bem e para o mal. Dois temas são sempre recorrentes: a ocupação da Amazônia e o setor do saneamento urbano. É interessante notar que a questão ambiental tem uma participação muito forte de entidades, ONGs e ambientalistas estrangeiros que estão sempre prontos a atacar – por interesses dos mais variados – posições do governo brasileiro. Por exemplo, o relator especial sobre substâncias tóxicas e direitos humanos da ONU, Marcos Orellana, disse em abril que a postura do governo brasileiro para o meio ambiente é “extremamente grave” e que pode causar efeitos negativos sentidos pela “humanidade inteira”. Na mão oposta, integrantes do governo brasileiro sempre são celebrados pelos conservadores e por pequenos empresários e produtores rurais. A verdade é que os lados simbolizam o modo como ativistas e o agronegócio devem conduzir o debate sobre a agenda ambiental durante as eleições de 2022.

 

LEMBRANDO 2018

Vale lembrar a disputa eleitoral de 2018, quando o presidente Jair Bolsonaro recebeu apoio do setor produtivo e de entidades de classe. Nessa eleição de outubro de 2022, os posicionamentos voltarão a se intensificarem. Os candidatos de esquerda terão ao lado os movimentos sociais, ativistas e ONGs com forte interesse em conseguir espaço na região amazônica.

É só relembrar os discursos durante o lançamento da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A tônica era uma só: proteger a Amazônia, o meio ambiente e os indígenas para defender a soberania brasileira.

 

AGRO TENDE A APOIAR BOLSONARO

Uma coisa é certa: o setor do agronegócio tende se posicionar a favor da reeleição de Bolsonaro. O deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR), que é o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, grupo que congrega a bancada ruralista do Congresso, tem um recado na ponta da língua: “A gente percebe que há uma vontade majoritária no setor de apoio a Bolsonaro. O agronegócio entende que o governo Bolsonaro não permite invasões de terra e é um governo que está promovendo titularização e regularização de áreas do campo”.

Sérgio Souza diz considerar “coerente” a política ambiental do governo Bolsonaro: “É uma política feita sem pensar em ganhar ou perder voto ou popularidade”. Como méritos do atual governo, ele cita as ações feitas pelo governo de combate ao desmatamento e à mineração ilegais.

O parlamentar diz ainda que o setor vê a necessidade de atualização da legislação que regula o uso de pesticidas e também do licenciamento ambiental – ações que, segundo o deputado, diminuiriam os custos de produção e trariam mais dinamismo ao mercado.

 

PRESSÃO MAIOR EM 2022

Não há como negar que a questão ambiental cresceu em 2020 em relação a 2018. Para o professor Raoni Rajão, da Universidade Federal de Minas Gerais, a temática ambiental durante as eleições de 2022 não seguirá curso idêntico ao de 2018. Embora haja uma manutenção das macrotendências de apoio a candidatos, o assunto tem outros desdobramentos – como a elevação das pressões internacionais.

“Na eleição de 2018, o tema ambiental foi diminuído de tamanho, até na plataforma da Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e defensora da causa ambiental. Mas agora, para 2022, deve ocupar um espaço central, por conta de consequências concretas que estão acontecendo. Está ficando caro para empresas operarem na Amazônia, por menos acesso a financiamentos e a mercados”, diz Raoni Rajão.

 

 

Há que lembrar os desentendimentos públicos entre representantes do governo brasileiro e agentes internacionais. Em 2019, o governo da Noruega anunciou a paralisação do financiamento do Fundo Amazônia, que reúne doações do país nórdico juntamente com verbas da Alemanha, para custear ações de sustentabilidade na floresta amazônica. Bolsonaro também se envolveu em discussões públicas internacionais com celebridades e autoridades de outros países. Chegou a dizer, por exemplo, que o ator norte-americano Leonardo Di Caprio estaria “colaborando com queimada na Amazônia” e também entrou em rota de colisão com o presidente francês, Emmanuel Macron, que contestou a gestão ambiental do Brasil.

 

APOIO AO PT É DIVIDIDO

O próprio professor da UFMG avalia que o setor ambiental tende a não apoiar integralmente o candidato do PT. “O entusiasmo do segmento com o projeto petista não é integral”, e exemplifica: “Os governos Lula não foram ambientalistas. Foi durante o governo Lula que se construiu a usina de Belo Monte”, declarou. Além do superfaturamento, a hidrelétrica, localizada no interior do Pará, é historicamente contestada por ambientalistas por causa dos danos feitos à região e também pelo desalojamento de populações indígenas que moravam na área afetada pelo projeto.

O professor Raoni Rajão lembra, no entanto, que a parceria eleitoral entre Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) causa preocupações no campo ambiental. O Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, candidato forte dos Republicanos para a Câmara Federal, teve sua carreira política graças ao vice de Lula, Geraldo Alckmin. Salles também foi secretário do Meio Ambiente de Alckmin no governo de São Paulo, entre 2016 e 2017.

 

 

 

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Curso Internacional de Verão da Escola de Música abre temporada musical

Em sua 47ª edição, evento reúne estudantes do Brasil e do exterior e teve concerto de abertura com presença de autoridades

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Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

A Escola de Música de Brasília (EMB) inaugurou oficialmente a 47ª edição do Curso Internacional de Verão de Brasília (Civebrea), que segue até 24 de janeiro, com uma ampla programação de cursos, oficinas e apresentações musicais voltada para estudantes, professores e público em geral.

Realizado desde 1977, o curso é referência no ensino e na difusão musical no país, reunindo alunos e professores de diversas partes do Brasil e do exterior para aulas presenciais, virtuais e apresentações ao vivo. A proposta é promover um intercâmbio de experiências, aperfeiçoamento técnico e diálogo entre diferentes gerações e estilos musicais.

A abertura oficial ocorreu na noite de domingo (11), com um concerto no Teatro Levino de Alcântara. A secretária de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, destacou a importância do Civebra como espaço de formação, convivência e acesso à cultura: “A Escola de Música de Brasília é um lugar que transforma vidas. Aqui, a gente vê talento, dedicação e muitos sonhos caminhando juntos. O Civebra é esse encontro bonito entre quem ensina, quem aprende e quem ama a música. É uma alegria enorme ver esse teatro cheio e perceber o quanto a arte toca as pessoas e fortalece a nossa educação.”

A Escola de Música de Brasília inaugurou oficialmente a 47ª edição do Curso Internacional de Verão de Brasília, que segue até 24 de janeiro | Foto: Jotta Casttro/SEEDF

Recém-chegado ao Brasil, o embaixador da Áustria, Andreas Stadler, destacou a importância da música e da formação cultural como instrumentos de fortalecimento da sociedade. Para ele, a experiência foi marcante e reforça o valor do intercâmbio cultural promovido pela Escola de Música de Brasília. “Em apenas quatro meses no Brasil, fiquei encantado ao conhecer a Orquestra JK. Foi um privilégio desfrutar dessa apresentação com a minha família. Apoiar esta escola é apoiar o amanhã; cultura e democracia são indissociáveis e é uma honra para nós colaborar com esse fortalecimento”, afirmou.

Embaixador Andreas Stadler: “Apoiar esta escola é apoiar o amanhã; cultura e democracia são indissociáveis e é uma honra para nós colaborar com esse fortalecimento”

Troca de conhecimento

Nesta 47ª edição, o Civebra reúne 53 professores convidados, vindos de diversos estados brasileiros, do Distrito Federal e de oito países: Estados Unidos, Argentina, Cuba, Canadá, Alemanha, França, Espanha e Bélgica. Dos artistas e docentes convidados, 80% são egressos da própria Escola de Música de Brasília ou de edições anteriores do curso, que retornam agora para compartilhar sua expertise com os atuais alunos.

 

A procura pelo curso foi expressiva, contabilizando quase três mil inscritos, todos com acesso às atividades de forma intensiva ao longo dos 12 dias do evento. Até 24 de janeiro, os participantes terão a oportunidade de aprender, interagir e atualizar-se com alguns dos melhores músicos em suas áreas específicas.

O Civebra é totalmente gratuito e aberto à comunidade, oferecendo workshops, aulas, masterclasses e apresentações artísticas de alto nível. A iniciativa reforça o compromisso da Escola de Música de Brasília em democratizar o acesso à cultura e ao ensino musical de qualidade.

*Com informações da Secretaria de Educação

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Exposição revisita origens visuais de Brasília

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Niemeyer no Palácio do Alvorada, uma das fotos em exposição | Foto: Acervo

O Museu de Arte de Brasília (MAB) apresenta a exposição “Diálogos da Liberdade na Coleção Brasília”, que reúne obras de arte, fotografias históricas, documentos e objetos relacionados à construção e à inauguração da capital federal. A mostra é composta por trabalhos do acervo do próprio MAB e da Coleção Brasília, com Acervo Izolete e Domício Pereira, e propõe ao público um panorama sobre os primeiros anos de Brasília a partir de diferentes linguagens visuais e registros históricos.

O eixo central da exposição é o álbum “Brasília 1960: O Mais Arrojado Plano Arquitetônico do Mundo”, de autoria do fotógrafo Mário Fontenelle, responsável pelos registros oficiais do governo de Juscelino Kubitschek.

O conjunto reúne 24 fotografias em preto e branco produzidas entre 1958 e 1960, que documentam etapas da construção da cidade, bem como os eventos e cerimônias de sua inauguração, em 21 de abril de 1960. As imagens apresentam registros do canteiro de obras, da arquitetura emergente e do contexto político e simbólico da criação da nova capital.

A partir desse núcleo documental, a exposição estabelece diálogos com obras de artistas que participaram da consolidação do imaginário visual de Brasília. Estão presentes trabalhos de Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Roberto Burle Marx, Athos Bulcão, Marianne Peretti, Alfredo Ceschiatti, Bruno Giorgi, Zeno Zani, Ake Borglund, entre outros.

As obras evidenciam a integração entre arte, arquitetura e paisagem urbana que marcou o projeto da capital federal desde seus primeiros anos.

O percurso expositivo também inclui produções de artistas de gerações posteriores, como Honório Peçanha, Ziraldo, Danilo Barbosa e Carlos Bracher.

Essas obras estabelecem relações com o conjunto histórico ao abordar temas ligados à memória, à cidade e à permanência dos símbolos de Brasília no imaginário cultural brasileiro. A proposta curatorial coloca em diálogo produções de diferentes períodos, buscando aproximar registros do passado e interpretações contemporâneas.

Ítens históricos

Além das artes visuais, a mostra reúne objetos e itens históricos relacionados ao período de formação da capital. Entre eles, estão a maquete de lançamento do automóvel Romi-Isetta, peças utilizadas no serviço do Palácio da Alvorada e a primeira fotografia de satélite do Plano Piloto. Esses elementos ampliam o contexto histórico apresentado pelas obras e ajudam a situar o visitante no ambiente político, social e tecnológico da época.

No segmento documental, dois itens recebem destaque especial. Um deles é a carta-depoimento escrita por Juscelino Kubitschek em 1961, ao final de seu mandato presidencial, na qual o ex-presidente registra reflexões sobre seu governo e sobre a construção de Brasília. O outro é a homenagem da Igreja Católica a Dom Bosco, padroeiro da capital, composta por fragmentos de suas vestes, que remete à dimensão simbólica e religiosa associada à fundação da cidade.

“Museu Imaginado”

A exposição inclui ainda a obra “Museu Imaginado”, do artista mineiro Carlos Bracher, doada ao Museu de Arte de Brasília pelo próprio artista em parceria com o curador Cláudio Pereira. A obra propõe uma reflexão sobre o papel das instituições museológicas, da memória e da imaginação na construção de narrativas históricas e culturais, dialogando com o conjunto da exposição.

Como parte dos recursos expográficos, o público tem acesso à gravação em áudio da carta-depoimento de Juscelino Kubitschek, a um minidocumentário dedicado ao álbum “Brasília 1960: O Mais Arrojado Plano Arquitetônico do Mundo” e a uma versão colorizada das fotografias históricas, realizada por meio de processos de inteligência artificial. Esses recursos ampliam as possibilidades de leitura e interpretação do material apresentado.

A proposta curatorial busca evidenciar relações entre diferentes gerações de artistas, linguagens e formas de expressão, estimulando leituras cruzadas entre obras, documentos e objetos. Ao reunir registros históricos e produções artísticas, a exposição convida o público a refletir sobre a construção da identidade cultural brasileira e sobre o papel da arte na formação simbólica da capital federal.

Pioneiros

“Diálogos da Liberdade na Coleção Brasília” também destaca a atuação do casal Izolete e Domício Pereira, pioneiro da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), responsável pela formação de um acervo dedicado à preservação da memória artística de Brasília.

A exposição reafirma o compromisso da coleção com a preservação histórica e com a promoção do debate cultural, apresentando a arte como instrumento de reflexão e diálogo entre passado, presente e futuras gerações.

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BRASÍLIA, A CIDADE AURIVERDE

COM CORES E FLORES DURANTE O ANO INTEIRO

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FOLHA DO MEIO AMBIENTE – JANEIRO DE 2026

 

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EM 2026, SEMPRE DE JOELHO. NEM PÉ ESQUERDO E NEM PÉ DIREITO.
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