A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou sessão solene nesta segunda-feira (18) para homenagear o Centro Interescolar de Línguas de Brasília (CIL) 01 pelos 50 anos da instituição. O encontro ocorreu por requerimento da deputada Jaqueline Silva (MDB) e reuniu representantes da comunidade escolar e da Secretaria de Educação, lotando o auditório da Câmara. Durante a solenidade, a secretária de Educação Hélvia Paranaguá anunciou que o CIL ofertará um novo idioma para seus alunos: o mandarim.
A secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, relatou parte do sucesso do CIL 01. “Sou professora de língua inglesa e sei a dificuldade que era nos anos 80, ainda fora de Brasília, dar aula com meninos de diversos níveis dentro da mesma sala na língua inglesa. Esse projeto do CIL é um sucesso. Recentemente o MEC entrou em contato comigo e pediu todo o referencial, todas as normativas da construção da escola do CIL. Passei tudo e seria muito interessante se o Brasil adotasse esse modelo de ensino de língua estrangeira moderna. O que [a professora] Nilce [fundadora do CIL] construiu foi muito mais do que um método, foi um caminho de inclusão, de igualdade e oportunidade”, declarou a secretária.
Ela completou falando sobre o programa Pontes para o mundo. “Lançamos este ano e o programa vai levar 102 estudantes para o Reino Unido que ficarão três meses, agora, de 5 de setembro até dezembro, na Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales. Em 2026 serão 400 alunos que irão para fora do país e serão das cinco línguas ofertadas pela Secretaria de Educação. As tratativas com as embaixadas estão sendo feitas para que os alunos possam conhecer [além do Reino Unido] a Alemanha, a França, a Espanha ou outro de língua hispânica, o Japão”, disse Hélvia.
A secretária de Educação Hélvia Paranagua (foto:Ângelo Pignaton/Agência CLDF)
“Agora fiz novo desafio para a diretora Doris, o mandarim, pois precisamos abrir as portas para um grande mercado que é a China”, anunciou a secretária.
Presidindo a solenidade, a deputada Jaqueline Silva falou sobre a alegria de realizar o evento. “Com muita alegria comemoramos os 50 anos do primeiro CIL do Distrito Federal. Instituição que tive a oportunidade de conhecer e ver o quanto é grandiosa. Nasci no Gama e moro em Santa Maria. Com muita resiliência, trabalho e, por meio da educação pública, cheguei ao parlamento. E nosso mandato tem o compromisso com a educação. Precisamos garantir que todos os CILs que ainda não têm sede própria, tenham e me coloco a disposição para auxiliar nisso”, destacou a deputada.
A deputada Jaqueline Silva discursa durante a sessão solene (Ângelo Pignaton/Agência CLDF)
Jaqueline finalizou falando do impacto gerado pela instituição. “Fiquei impactada ao saber que já se formaram 250 mil alunos e a direção me falou que hoje são 7 mil alunos. São 17 unidades do DF e tudo isso se dá porque tivemos a professora Nilce do Val Galante [fundadora do CIL 01, falecida em 2018] à frente, sendo ousada e corajosa. Obrigado à família por sentir todo o legado que a professora Nilce deixou para nós”, afirmou Jaqueline.
Por sua vez, a filha da fundadora do CIL 01, Vera Galante, falando em nome da família, relembrou um pouco da origem da unidade. “É uma alegria imensa estar aqui comemorando 50 anos de uma escola que foi fundada com muita briga. Não era fácil de vender a ideia, uma escola pública que funcionasse nos moldes de uma escola particular de línguas, com poucos alunos em sala, uma sala equipada com o que se tinha de melhor na época, mas saiu [do papel] e se estabeleceu. Era uma escola pública diferente e que dava resultado. Muitos alunos hoje são professores e temos alunos para todo lado. O interessante é que foi criada uma cultura de ser escola pública modelo. Até hoje é uma escola que valoriza o aluno e dá a ele o melhor que pode dar”, celebrou Vera.
Testemunhos
Sandra Cristina de Brito, coordenadora regional de Ensino do Plano Piloto ((Ângelo Pignaton/Agência CLDF)
Já a coordenadora regional de Ensino do Plano Piloto, Sandra Cristina de Brito, relembrou que foi aluna da instituição. “Fiz CIL entre 1984 e 1987. Eu gostava de ir para lá. O CIL é uma escola que marca todas as gerações que passam por lá. Agora vamos entrar em um novo ciclo de histórias porque temos um projeto da Secretaria de Educação chamado Pontes para o mundo em que alguns alunos estão indo para o Reino Unido”, disse Sandra.
A diretora do CIL 01 de Brasília, Doris Scolmeister, disse que “é um privilégio estar à frente de uma equipe de profissionais tão qualificados e que exercem o sacerdócio de ensinar de forma tão primorosa”. Ela trouxe dados sobre a unidade. “Sabiam que hoje possuímos 7 mil alunos? Que atendemos surdos e oferecemos apoio para que eles alcancem seus objetivos? Também oferecemos português para estrangeiros e Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) para a comunidade. Hoje temos 11 ex-alunos que cursam graduação, mestrado ou estão obtendo formação dual, com estágio mais trabalho na Alemanha. Somos orgulhosos do que conquistamos e ansiosos para o que o futuro reserva”, contou Doris.
A vice-diretora do CIL 01 de Brasília, Mônica Harumi Shimizu contou que “o CIL inspirou tanto Brasília na educação que dele nasceu 25 anos depois uma cooperativa por meio da qual eu conheci o CIL e sou filha de escola pública, assim, estar trabalhando hoje no CIL me dá certeza de que a rede pública oferece sim um ensino de muita qualidade”.
(Ângelo Pignaton/Agência CLDF)
O mais antigo servidor do CIL 01, professor e coordenador de Espanhol, Geraldo Luis da Silva Barros, disse que a vida dele é toda no CIL. “Comecei como professor de espanhol no CIL em 1995, ainda de contrato temporário. Passei por um concurso em 99 e sempre estive no CIL, que faz parte da minha vida. Minha esposa e meus filhos estudaram no CIL”, afirmou Geraldo.
Já a professora de língua espanhola mais antiga do CIL 01, Luzinete Oliveira Fernandes, discorreu sobre o orgulho. “Há 25 anos faço parte do corpo docente desta instituição e nesse tempo vi gerações de estudantes descobrindo novas culturas, aprendendo novos idiomas e, principalmente, abrindo portas para um futuro cheio de oportunidades. Aprender línguas no CIL também é ganhar confiança, conquistar espaço nas melhores universidades e sonhar mais alto. É se preparar para ser cidadão e cidadã do mundo”, sentenciou a professora.
A servidora administrativa com mais tempo de serviço pelo CIL 01, Ana Lúcia Moraes de Almeida, falou sobre a honra de fazer parte dessa história. “É uma honra muito grande para mim de ter feito parte da equipe de trabalho administrativa do CIL lá no seu comecinho. Era tudo muito novo, várias experiências positivas já no seu início e fiquei por três anos. Depois de 47 anos, eu fiz concurso novamente, escolhi o CIL mais uma vez para trabalhar e [hoje] continua o sucesso de antigamente”, disse Ana Lúcia.
Como participar
(Ângelo Pignaton/Agência CLDF)
O CIL 01 oferece ensino público de línguas estrangeiras no Distrito Federal. A rede pública de educação do DF mantém 17 unidades do CIL que oferecem ensino de inglês, espanhol, francês, japonês e, apenas no CIL 01 de Brasília, alemão. Esses centros atendem estudantes do 3º ciclo do ensino fundamental, do ensino médio, da modalidade da Educação de Jovens e Adultos, todos preferencialmente da rede pública e, quando há vagas remanescentes, também da comunidade geral. São duas aulas semanais em turnos diurno e noturno. As turmas devem ter entre 14 e 18 alunos e são organizadas por níveis e ciclos de aprendizagem. As inscrições são realizadas semestralmente no site da Secretaria de Educação.
Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Mulheres em tratamento de saúde que causa a perda de cabelos contam com atendimento gratuito para doação de perucas no Distrito Federal. Para a prestação do serviço, há um banco com cerca de 300 perucas, renovado a cada dois meses. O atendimento ocorre diariamente, conforme a demanda, com limite de uma peça por pessoa.
As perucas são produzidas por voluntários a partir do reaproveitamento de cabelos naturais doados. A iniciativa reúne a confecção de próteses mamárias, cortes de cabelo e barba, além do fornecimento de toucas e lenços. Há necessidade de novos voluntários para a produção, que oferece capacitação para os interessados.
Como doar
Para a doação, a orientação é separar mechas com no mínimo 20 centímetros, prender os fios antes do corte e entregá-los secos, em saco ou envelope. Fios com química ou coloração também podem ser entregues. O recebimento das doações de cabelo ocorre das 8h30 às 12h e das 13h às 16h. Para confirmar os dias de atendimento, a orientação é entrar em contato pelo telefone (61) 3364-5467.
A oficina também recebe insumos para a confecção das peças, como telas, linhas de náilon ou tecelagem, silicone adesivo selante, tecido do tipo voil, xampu e condicionador.
Como acessar o serviço
O atendimento é voltado a pessoas que passam por tratamento de saúde com perda de cabelo. O critério informado é estar preferencialmente sem cabelos e apresentar documento de identificação pessoal com foto e relatório médico atualizado, emitido nos últimos seis meses.
O cadastro é feito na Sala de Acolhimento da Rede Feminina, situada no ambulatório do Hospital de Base do Distrito Federal (Corredor 5). Após o registro, são apresentados os modelos, tamanhos e cores para escolha do beneficiário. Informações sobre serviços, voluntariado e doações também estão disponíveis neste site e no perfil oficial @redefemininabrasilia.
Livro é fruto de dissertação de mestrado e se dirige a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadoras, além do público em geral
A Câmara Legislativa do Distrito Federal sediará, no próximo 13 agosto, a partir das 19h, o lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital, de autoria da advogada Janaína Rodrigues de Sousa. A obra analisa a participação feminina na política do Distrito Federal a partir de 2013 — ano em que a Câmara Legislativa do Distrito Federal implementou a Procuradoria Geral da Mulher. O lançamento será transmitido ao vivo pela TV Câmara e no YouTube.
A obra, que será lançada no dia 13, nasceu durante o mestrado da autora. Janaína destaca que o livro se dirige a mulheres que atuam ou desejam atuar na política, a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadores, além do público em geral. Ela espera também incentivar novas pesquisas sobre o tema na Câmara Legislativa. “Desejo que ele sirva como instrumento de formação política e de conscientização. Quero que as pessoas compreendam que a participação feminina não interessa apenas às mulheres — ela é indispensável para fortalecer a democracia e tornar as políticas públicas mais representativas.”
O livro mapeia os obstáculos que as mulheres enfrentam ao longo da trajetória política, com ênfase nas barreiras que persistem mesmo após a eleição. “Mesmo ocupando uma cadeira no Parlamento, muitas mulheres continuam afastadas dos principais espaços de poder, como a Mesa Diretora, as presidências de comissões estratégicas — o que chamamos de hard politics — e as relatorias de maior relevância. É o chamado ‘teto de vidro’: uma barreira muitas vezes invisível que permite a presença das mulheres, mas dificulta seu acesso ao poder real de decisão”, explica a autora.
Para Janaína, ocupar espaço não é suficiente se não vier acompanhado de poder de decisão. “Eu acredito que a presença das mulheres na política não pode ser apenas simbólica. Nós precisamos ocupar os espaços onde as decisões são tomadas, transformar nossas experiências em leis e a nossa voz em poder. Não estamos pedindo licença para participar da história — estamos assumindo o protagonismo de escrevê-la. A política é, também, um espaço para chamar de nosso. Precisamos de mais mulheres nos representando”, conclui.
Serviço
Lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital
Local: Foyer do Plenário
Quando: 13 de agosto, às 19h
Em meio a grandes marcas de tecnologia e inovação, a ideia de um universitário de 19 anos movimentou o estande do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) na Rio Innovation Week, na semana passada. Arthur Almeida Santos, de 19 anos, desenvolveu um jogo para explicar de forma lúdica as atribuições do órgão em que estagia.
Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.
“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou, em entrevista à Agência Brasil, o jovem de Quintino, na Zona Norte do Rio.
A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.
“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.
Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.
“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.
Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.
“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.
O estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) Crédito: MPRJ/Bruno Bou
Reconhecimento
O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.
“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.
A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.
“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.
“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.
Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.
“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.